Aqui está nossa querida oneshot que levou o PRIMEIRÍSSIMO LUGAR na primeira etapa do TwiContest *grita e descabela*
Eu dei aloka, gente... Quando a Nathy me avisou que o resultado tinha saído e eu vi que Scars ganhou, eu dei um grito que assustou todo mundo! Hahaha'
Mas chega de conversa... Vou deixá-los com a nossa oneshot!
Boa leitura =)
Sinopse: Eles eram um casal como qualquer outro e tinham a felicidade em suas mãos, mas esta lhes foi arrancada por uma obra fatal do destino. Seria a dança - o motivo que sempre os uniu - o laço que a faria retornar à vida e, principalmente, fechar todas as suas cicatrizes?
Scars
Saudades.
Poderia haver sentimento pior? A dor me sufocava, me atraía, me manuseava. A
dor em meu peito era tão forte, tão intensa... Era como um machucado aberto,
ferido, sem qualquer possibilidade de cicatrização... Ou cura.
Eu te amo. Quero que realize seus sonhos.
Por você. Por mim.
Por
que aquelas palavras me machucavam tanto? Por que eu ainda sofria daquela
forma? Por que eu não conseguia fazer o que ele pediu?
Senti
outra lágrima deslizar pela minha pele, caindo exatamente em cima das últimas
palavras escritas naquela carta: E dance.
Um soluço alto invadiu minha garganta, e eu somente joguei o papel longe,
gritando de raiva, de ódio, de fúria... De
dor.
Por
que ele tinha que me deixar? Inferno!
Por que ele pedia pra que eu seguisse em frente sem ele? Eu não suportaria...
Doía demais sequer pensar... Sequer lembrar de nossas danças, nossos passos...
Seus olhos azuis cravados nos meus enquanto movíamos nossos corpos ao ritmo do
tango, da salsa, do mambo, ou simplesmente ao som de uma canção qualquer como Beside Me, do Van Morrison, sua
preferida. Nossa preferida.
Sempre
tão hipnotizante, tão sedutor, tão romântico. Tão meu...
Fechei
meus olhos, enxugando as lágrimas já secas, que ardiam em meus olhos. Abracei
meus joelhos e, na penumbra daquele cômodo, à meia noite, suspirei fundo,
lembrando-me de sua aveludada voz sussurrando meu nome com prazer...
Kristen...
Meus pelos se
eriçaram – Era como se ele estivesse ali, ao meu lado –, e a enorme casa
pareceu ainda maior e fria... Eu sentia tanto a falta dele... Do meu Robert.
– Kristen, love... –
Sua voz me fez sobressaltar e errar a sequência da coreografia de balé, embora
eu não pudesse ignorar as deliciosas borboletas em meu estômago somente ao
ouvi-lo.
Girei meu corpo em sua direção, sorrindo ao
encontrar as safiras raras cravejados em suas íris. Seus olhos eram abrasadores
e sorridentes, e brilhavam como os sutis raios do pôr do sol que adentravam as
enormes janelas de vidro do estúdio de dança. Mas meu olhar levemente frustrado
não passou despercebido por Robert.
– O que houve, swettie? – Aproximou-se
preocupado.
Suspirei, desviando
meus olhos dos seus, e encarando qualquer ponto que não me fizesse desviar do
meu foco principal – Seu olhar era minha perdição...
– É que algo está me incomodando... –
Pigarreei, tirando o caroço preso em minha garganta. – Acho que não vou passar
nesse teste, afinal! – falei nervosa, jogando as mãos para o alto, enquanto
bufava.
Seu riso foi contido,
até que senti seus delicados e longos dedos de pianista acariciarem meu queixo,
fazendo-me olhá-lo outra vez.
– Você é perfeita... E sonhou com isso a vida
toda, swettie. – Sorriu torto, deslumbrando-me. – É claro que você vai passar
nesse teste! Os jurados vão se encantar por você, love... Você irá ver só!
Franzi o cenho apenas,
e ele aproximou seu rosto de anjo, roçando seus lábios nos meus, os quais se
repuxavam em um beicinho. A pressão do beijo se tornou mais forte, até que
suspirei novamente, cedendo aos seus encantos e seu perfume tentadoramente
delirante embriagando-me. Entretanto, antes que eu pudesse agarrar seu pescoço
e puxar os cabelos de sua nuca, a fim de aprofundar o beijo, ele se afastou,
colando sua testa à minha.
– Aliás – murmurou com um sorriso matreiro
brincando em sua boca rosada e seu delirante sotaque britânico – você fica
irresistível quando brava. Absolutamente desfrutável.
Revirei os olhos, não
conseguindo evitar uma suave risada em seguida. Mas logo o puxei para mim outra
vez, sugando seus lábios tão doces – de um gosto e textura que me lembrava mel
–, esquecendo-me totalmente de minhas preocupações acerca do teste que teria na
semana seguinte, para atuar como solista no papel principal de Quebra Nozes.
Fechei
meus olhos com força, evitando mais lágrimas... Pela milésima vez naquela
noite. Olhei à minha volta, vendo o quarto escuro sendo banhado pelas luzes dos
postes altos de New York. A cobertura parecia solitária... E eu não podia
evitar as lembranças de me assolarem.
Estava
tudo tão confuso... E era desde que ele se fora.
Antes
eu lutava pelo o que queria. Lutava de
verdade. Tinha ambições maiores, sonhos, metas. Agora... Eu via que me
tornara apenas uma sombra do que era. Uma sombra de uma Kristen feliz, plena,
completa, em uma realidade aonde havia um Robert que a compunha, que a apoiava,
que a amava.
–
Vejamos... Sra. Pattinson, certo? – O
homem magro e parcialmente mal-humorado olhou-me por sobre os óculos de lentes
grossas, sentado em sua banca de jurado principal ao longo das cadeiras vazias
da plateia naquela tarde outonal de sábado.
E sentado ao longe – na verdade, escondido
de qualquer um que pudesse vê-lo ali – estava Rob, abaixado na última fileira.
Aquilo era uma audição reservada, afinal de contas, mas eu sabia que ele não
perderia um momento sequer daquele momento tão importante na minha vida: O
teste que me daria a chance de dançar e atuar na Broadway.
– Sim, senhor. – Respondi, sorrindo com certa
simpatia.
– Pode apresentar seu solo, minha jovem. – A
outra jurada, que estava sentada ao lado do que havia me feito a pergunta
anterior, sorriu ao dizer. – Boa sorte.
– Obrigada. – Agradeci, sentindo meu peito se
aquecer de uma forma tranquilizante de repente. Mal sabia a jurada que aquelas
palavras haviam sido secretamente direcionadas ao meu doce e jovem marido, que
havia movido os lábios para soar a mesma frase a mim.
Para ouvir: Deana Carter – Once Upon a December
E, então, uma suave melodia se instalou no
imenso ambiente de estruturas vitorianas. Fechei meus olhos com suavidade, e
meus pés começaram a se mover conforme a canção, levando minha mente por entre
a coreografia clássica de balé, misturada a passos contemporâneos suaves e
quase imperceptíveis. O leve soar latino deixava a música atraente... E eu me
sentia em casa.
Meus braços se movimentavam em sincronia com
meus quadris. Eu rodopiava, girava meu corpo com ardor e seriedade em cada
passo e gesto, e eu senti como se nada mais pudesse me deter. O flutuar sutil
do vestido curto deixava tudo com um toque de originalidade – eu podia sentir
–, sem perder a sensualidade do decote recatado, embora singular, que lembrava
vagamente dos vestidos de Rose DeWitt Bukater.
Apenas abri meus olhos por um instante e um
incrível par de jades me fitou com intensidade. Os olhos dele estavam
deslumbrados, encantados, fascinados, acompanhados por um sorriso de orgulho.
Aquilo me fez sorrir calmamente, sentindo o aconchego presente em um momento
tão puro... Tão meu e, de certo modo, nosso.
Minhas mãos se movimentavam como o soar das
folhas das árvores que haviam no Central Park, por onde só podíamos vislumbrar
o tinir vermelho e alaranjado conforme o ritmo do vento que as levava para
longe...
Já meus pés pareciam ter vida própria e
flutuavam como os tentáculos das águas vivas no salgado oceano, e eu parecia
estranhamente acostumada a dançar no teatro que abrigava os mais renomados
musicais de todos os tempos, e eu poderia ser a próxima estrela, com a nova
adaptação de O Quebra Nozes. Embora aquilo não fosse o fato mais importante,
desde que eu tivesse Robert e música. Sem o resto eu poderia viver.
Quando
percebi, meus lábios se repuxavam em um riso irônico. As coisas parecem
perfeitas em um momento... Mas a vida nos prega peças. Primeiro vem a
felicidade sem escrúpulos, plena, contagiante e, depois, quando estamos no
ápice, derrapamos e caímos em um buraco sem fim.
Eu poderia
viver sem qualquer coisa, desde que tivesse Robert e a música... Ledo engano do
destino.
– Rob! – Meu sorriso se alargou, e eu andei
apressadamente em sua direção. Ele riu acaloradamente, e seu tom de seu riso
fez meu corpo relaxar instantaneamente, até que eu senti seus fortes e quentes
braços rodearem minha cintura, apertando-me delicadamente contra si.
Deitei minha cabeça em seu peito, fechando
os olhos com exaustão. Eu passara no teste. Ele tinha razão. E eu apenas me
lembrava de seu sorriso orgulhoso e pleno enquanto seus olhos guiavam meus
passos leves e flutuantes no enorme palco com piso de carvalho.
Sua força me fizera vencer.
– Parabéns, Kris... – Sussurrou, acariciando
meus cabelos. – Você estava perfeita, sweetie.
– E precisamos comemorar! – Minha irmã
adentrou a sala dos fundos da Broadway, com seu costumeiro sorriso nos lábios
brilhantes pelo gloss de framboesa que usava desde criança. Sorri com a memória
divertida do dia em que ela correra atrás de mim por toda a imensa casa que
moramos durante nossa infância, implorando para que eu devolvesse seu batom, o
qual eu julgava ser para garotinhas bobas.
– E tem alguma ideia sobre onde podemos ir,
maga Dakota? – Brinquei com ela, enquanto sentia seus braços apertando-me contra
seu corpo pequeno e magro. Ela, claro, era uma verdadeira otimista que sempre
tivera a absoluta certeza de que o papel para interpretar Clara já era meu.
– Mas é lógico! – revirou
os olhos como se fosse óbvio – Vamos àquele pub que tem karaokê! É só há
algumas quadras daqui, na Times Square. – Terminou sorridente, agarrando os
meus braços e os de Rob, rebocando-nos para o carro clássico do mesmo.
Eu não podia negar
nada à pequena de pele alva e expressivos olhos azuis, idênticos aos de nossa
mãe, que havia se mudado, com o papai, de nossa cidade natal, o sul do Brasil,
para New Jersey quando eu tinha somente 12 anos, em busca dos sonhos que eu e
minha irmã tínhamos desde então. Eu contaria a eles sobre minha admissão na
audição para o Quebra Nozes na manhã seguinte, a fim de fazer uma surpresa.
O pub, que se
localizava no coração de Manhattan, estava lotado naquele fim de tarde, embora
continuasse com seu clima quente e acolhedor de sempre, com a leve batida de
hip hop ao fundo. Robert havia convidado seu irmão, Tom, para o happy hour de
comemoração e, logo, nos víamos sentados na enorme mesa de madeira com meu
cunhado crianção e sua esposa, Sienna, juntos de Dakota e seu noivo, Garret.
A mesa estava cheia de
tequilas, martinis e uísques, e eu não podia negar que estava parcialmente
inerte quando entornei outra dose de Cherry. Rob estava sentado ao meu lado,
conversando animadamente com o futuro marido da minha irmã sobre uma possível
parceria de composição, já que ambos eram formados em Música, com ênfase em
canções clássicas, pela Juilliard School, onde todos nos conhecemos.
Olhei ao redor no bar,
que estava a todo vapor em plena 11 horas da noite e, um pouco ao longe, no espaço
ambientado para o karaokê, estavam Dakota e Sienna, rindo divertidamente com um
Tom todo animado, cantando o que parecia ser Spending My Time, fazendo caras e
bocas e entrando em seu papel de Roxette.
Minha gargalhada foi
inevitável ao ver meu cunhado enorme, embora dono de um sorriso de criança,
imitar a cantora loira que fez sucesso na década de 80. Rob me encarou
divertido, seguindo meu olhar e acompanhando-me nas gargalhadas, bem como
Garret. A alegria era contagiante e, quando vimos, o pub inteiro cantava a
música – as pessoas rindo e divertindo-se.
A salva de palmas não
durou muito tempo – enquanto meu cunhado metido agradecia à plateia, sorrindo
de forma convencida e presunçosa –, pois logo minha irmã de 20 anos e cabelos
loiros colocava outra canção para tocar no recinto. Eu ri alto ao ver seu
rostinho sapeca, ouvindo o toque agitado da música brasileira que nos fazia
rodopiar pela sala quando crianças.
Para ouvir: As Frenéticas – Bonita e Gostosa
Dakota começou a dançar alegremente com o
microfone em mãos, pulando e rindo, sem nem se importar com o fato de ninguém
ali saber realmente a letra em português. Ela olhou para Garret, que ria ao ver
a noiva se divertir e se mover sensualmente, andando em sua direção.
– Está encrencado, Gar!
– Falei alto, por cima da música, sabendo que minha irmã adorava fazer uma cena
e se integrar totalmente à melodia.
A canção de As
Frenéticas embalava todo o bar e eu me via remexendo em minha cadeira, enquanto
ria com Robert e meu outro cunhado – já Tom e Sienna estavam em algum lugar por
entre os corredores do ambiente de três andares, e eu nem queria imaginar o que
estariam fazendo.
“Sei que eu sou bonita
e gostosa e sei que você me olha e me quer...”, ela prosseguiu, mas, ao
contrário do que todos pensavam, ela puxou a mim, e o grito e fervor de todos
ali foi de satisfação. Eu ri encabulada, corando por toda aquela atenção e,
olhando para trás, apenas vi meu marido rindo e gritando de forma encorajadora
umas das poucas palavras em português que aprendera comigo: Divirta-se, amor!
Fuzilei-o com os olhos, logo sendo puxada por Dakota até o pequeno palco do
karaokê, enquanto ela cantava outro trecho da canção que embalou os anos 70.
“Sei que eu sou bonita
e gostosa e sei que você me olha e me quer...”, ela cantava de forma ainda mais
animada, dançando ao meu redor e, consequentemente, levando-me junto. Foi
impossível não mexer meu corpo junto do seu, no ritmo da música. “... Eu posso
te dar um pouco de fogo, eu posso prender você, meu escravo...”, a baixinha
continuou o trecho, colocando o microfone rente aos meus lábios para eu cantar
também.
“Eu vou fazer você
ficar louco, muito louco, muito louco... Dentro de mim...”, tomei o objeto de
suas mãos, rindo e movendo meu corpo na mesma coreografia improvisada que ela,
movendo meus lábios conforme a música. “Muito louco, louco dentro de mim...” E,
cantando tais versos, fiz questão de encarar as safiras incrustadas dos olhos
de Rob, que já me encarava com um misto de paixão e amor, sorrindo torto.
Percebi seus olhos se moverem para meus quadris, enquanto eu e Dakota
rebolávamos de forma divertida e leve, cantando juntas mais alguns trechos.
“Sei que eu sou bonita
e gostosa, sei que você me olha e me quer...”. Rimos com o trecho, e pude
perceber que havia algumas pessoas que nos acompanhavam – provavelmente também
brasileiros. “Eu posso te dar um pouco de fogo, eu posso prender você, meu
escravo... Eu faço você feliz e sem medo... Eu vou fazer você ficar louco,
muito louco, muito louco... Dentro de mim!”.
Repetimos as últimas
estrofes sem levar nada a sério, apenas nos divertindo, sorrindo, sentindo os
olhos de nossos parceiros em nós. Estávamos felizes... Éramos felizes!
Éramos.
Boa palavra para definir meu estado. Um passado feliz... Sorri com aquela
lembrança... Parecia ser ontem! Naquela noite, eu e Robert voltamos para casa a
todo vapor, amando-nos com urgência, força, prazer.
Sentada no
chão do meu quarto – nosso quarto –,
apenas por cima do tapete felpudo, escorei-me perto dos pés da cama, deitando
minha cabeça sobre os meus braços dobrados no colchão.
Aquela
cama... A cama que havíamos nos amado naquela noite. A cama que nos abrigou em tantas outras noites, que foi álibi de
nossas loucuras matinais, vespertinas, noturnas... Que agora não existia mais.
Uma
lágrima solitária escorreu pelo canto de um dos meus olhos, caindo sobre o
lençol macio de linho, que, se eu ainda me esforçasse, poderia sentir o cheiro
almiscarado de menta e jasmins que só ele possuía...
Meus olhos estavam vidrados na TV,
assistindo, pelo o que eu julgava ser a centésima vez, o filme “Dirty Dancing”.
Faltava somente um dia para minha estreia no musical de Tchaikovsky e eu
precisava de algum entretenimento – palavras de meu sexy marido inglês –,
então, nada melhor do que assistir o filme no qual sempre havia coreografias
que me faziam querer aprender cada uma delas.
– O que houve com a
Dakota? – perguntou Rob ao adentrar o quarto, rindo suavemente – Quando estava
chegando, a vi saindo toda esbaforida, falando sobre um resultado de
concurso...
– Ela veio aqui em
casa buscar um livro que pediu pra eu comprar pra ela... – Sorri, desviando
meus olhos da protagonista do filme, que ensaiava uma coreografia onde ela dava
um salto e Patrick Swaiz a pegava. – E então ela disse que tinha que voltar
correndo pra casa pra divulgar em seu site o resultado do concurso que ela
promoveu, pra encontrar jovens autores.
– Sua irmã é uma
pessoa maravilhosa... E uma escritora de muito talento... – Sorriu comigo,
olhando para o filme que eu assistia com cara de reprovação. – Kris, sweetie,
quando eu disse “entretenimento”, era pra você fazer algo que te desligasse um
pouco desse mundo de danças... – Sorriu atrevido, colocando-se na frente da
enorme televisão de sei lá quantas polegadas.
– Love, pode sair da
frente da tela plana? – Ignorei sua frase anterior, olhando em seus olhos que
sorriam de maneira sapeca, perguntando-me por que diabos ele me implicava
tanto.
– Swettie, é sério...
– Suspirou preocupado, sentando na beirada da cama king size. – Você anda muito
nervosa nos últimos dias... Precisa relaxar e pensar em outra coisa.
– Alguma ideia
brilhante sobre qual atividade eu posso realizar então? – perguntei, sorrindo
maliciosamente, abandonando minha leve irritação ao perceber que ele estava
certo. Sempre estava. E eu odiava admitir isso.
– Hmm... – Tombou a
cabeça, pensativo, com um delicado beicinho malicioso tomando conta de seus
lábios ao captar minhas ideias. – Que tal algo que nos faça queimar calorias ao
mesmo tempo em que nos divertimos...?
– Temos poucas opções,
Sr. Pattinson... – murmurei, contendo uma risada afável, engatinhando, sobre a
cama, sedutoramente até ele.
O quarto era iluminado
pelos raios aconchegantes e amarelados vindos do sol da tarde, e eu nem me
lembrava mais que dia era... Sexta, sábado... Domingo talvez. Robert era muito
mais importante ali, encarando-me com suas facetas esverdeadas e deslumbrantes,
que me faziam ter lapsos de memória constantemente. Aproximei sua boca macia e
quente da minha, sugando seu lábio inferior sem sequer desviar nossos olhares.
– Sim... Poucas
opções... – Concordou comigo, sorrindo torto ao colocar suas mãos sobre a cama,
empurrando nossos corpos delicadamente até estar sobre mim.
Meus olhos se fecharam
ao sentir a pele suave de seu nariz acariciar as maçãs do meu rosto, descendo
pela minha mandíbula, trilhando um caminho já conhecido e percorrido tantas
vezes até meu pescoço, onde ele depositou um beijo tão doce quanto alfajores
argentinos.
– Eu te amo, Kristen...
– Sussurrou em minha pele, descendo os lábios por entre meu colo coberto por
uma camiseta velha com a estampa dos Beatles, que roubei de seu closet, quando
ainda namorávamos.
– Eu também te amo,
Rob... – Minha voz saiu entrecortada, sentindo seus dedos febris em meu
estômago, ao passo em que os meus deslizavam com força por suas costas. – Eu te
amo tanto...
Minhas mãos ansiosas
puxaram sua camiseta, arrancando-a e atirando-a em algum lugar pelo imenso
quarto de cores claras. Minha camiseta logo lhe fez companhia no chão, e
contive um gemido ao sentir os lábios delicados e ardilosos de meu marido no
vale entre meus seios, presos pelo sutiã preto de renda.
A luz do sol, que
adentrava pelas portas duplas de vidro – e que tomava praticamente toda a
parede norte do cômodo –, tocou nossas peles, iluminando os sedosos fios
alourados dos cabelos de Robert. Meus dedos ansiaram tocá-los, e logo os puxei,
tomando seus lábios nos meus com intensidade.
O fulgor daquele
momento me fazia delirar, bem como seus longos dedos tocando minha coxa,
enroscando-se em minha panturrilha e puxando meu tornozelo para envolver seus
quadris. A fricção de nossos corpos já não era o bastante... Eu precisava de
mais. Assim, minhas mãos massagearam seus ombros, enquanto seus lábios sugavam
a pele sensível da minha jugular, e, logo, empurrei-o contra a cama, ficando
sobre seu corpo.
O fitar de meus olhos
com os de Robert nos provocou arrepios e eu apenas sorri amavelmente para ele,
sentindo suas grandes mãos subirem pelo meu dorso, acariciando minhas costas
até alcançar o fecho do meu sutiã. Ele o abriu vagarosamente, deslizando as
alças por meus ombros antes de jogá-lo ao monte qualquer de roupas.
Meu coração vacilou ao
sentir seu olhar em meu corpo e eu joguei minha cabeça para trás, gemendo, no
momento em que meus seios preencheram as mãos do meu marido. Ele gemeu
igualmente, girando-nos outra vez e ficando sobre mim. Olhei-o raivosamente
pela inversão de posições, mas ele somente sorriu, acariciando meus seios como
se fosse seu belo piano de cauda.
Minhas mãos, mais uma
vez, puxaram os cabelos de sua nuca, afundando-se neles com uma precisão sem
tamanho. De repente, seus olhos logo se fixaram aos meus outra vez, beijando
minha testa com amor, enquanto ele sussurrava:
– Você é perfeita,
Kris... Perfeita pra mim.
Minha
respiração ficou presa em minha garganta. A memória era tão viva, tão nítida...
O calor de sua pele ainda roçava na minha, causando-me incontáveis arrepios. Eu
não percebia que meus olhos estavam fechados, mergulhados naquela lembrança,
até abri-los e fitar aquele mesmo quarto onde estava... Mas ele parecia tão
diferente naquele momento.
Não
havia dia ali... Era noite e, ao invés de haver a contagiante luz do sol
adentrando o ambiente, eram flocos de neve que caíam do céu naquela madrugada
de inverno. Estava tudo tão frio... Tudo tão oposto àquela vez que nos
amamos... A última vez que nos
amamos.
Chegara a hora. Faltavam poucos minutos para
que eu estivesse flutuando sobre o almejado palco da Broadway. As sapatilhas de
balé torturavam meus pés, mas eu me sentia linda, vestida com o collant e tutu
rosa claro, típicos de Clara, a protagonista do musical.
Foram tantos meses de ensaio, tanto esforço,
tanta exaustão... Mas valeram a pena. Eu finalmente apresentaria minha primeira
peça teatral em New York, com os olhares encantadores de Rob me sustentando, na
primeira fila.
A salva de palmas fora incessante enquanto
todos se punham à postos e começávamos o ato inicial, e a suave e confortável
melodia de A Dança da Fada Açucarada entoou por todo o imenso teatro, e meu
olhar se fixou na plateia cheia, vendo quantas pessoas vieram prestigiar o
musical... Mas ele não estava ali. O
lugar principal da primeira fileira estava vazio.
Meus olhos percorreram todos os outros
lugares da Broadway, enquanto meus braços se moviam com sincronia aos meus pés,
mas Robert não se encontrava em lugar algum dali. O que acontecera, afinal?
Onde ele estaria? Ele não perderia um momento como aquele... Ele até burlou os
seguranças para assistir a audição reservada... Onde estaria ele agora?
Um tom inesperado tomou conta do meu peito,
e uma dor vacilante o fez perder uma batida. Durante mais um rodopio ao ritmo
das notas suaves, minha respiração ofegou. Algo de ruim estava acontecendo...
Eu podia sentir. Então, numa sequência de passos leves e sutis rodopios entorno
de mim mesma, pude vislumbrar as portas de madeira ao longe serem abertas – ninguém
notou, com exceção de mim mesma –, mas a pessoa que entrara a passos largos não
era Robert, era Dakota. Mas ela não deveria estar no camarote?
Olhei para os assentos da parte de cima do
teatro, e nenhum de meus amigos estavam ali, somente meus pais, sorrindo pelo
giro suave e perfeito que consegui dançar. E aquele fora o último.
No centro do palco, eu estaquei. O ofego de
choque tomou a plateia por verem a bailarina principal parar no meio do show,
mas eu não me importava. Eu não via nada além de minha irmã parada próxima à
porta, seus olhos repletos de lágrimas.
E eu não pensei duas vezes. Somente corri,
descendo pelas escadas do palco a passos apressados, movendo minhas pernas com
ardor por um dos corredores entre meu público, parando apenas ao chegar à
frente de Dakota. Ela chorava. Os olhos dela transmitiam pena, medo... Dor.
Eu não respirava. Eu não conseguia fazer
nada. Eu estava confusa, mas algo dentro de mim já sabia o que havia
acontecido.
– Eu sinto muito. – Sua voz desfigurada
sussurrou quebradiça, e um grito estrangulado perpassou pela minha garganta.
Seus braços rodearam-me com força, mas eu
não via nada... Meus olhos estavam embaçados pelas lágrimas que os tomavam. Eu
não via, eu não ouvia, eu não sentia.
Aquilo não podia ser real... Não podia...
Não podia...
Desvencilhei-me do abraço de Dakota,
correndo pela rua, e eu jamais me esqueceria daquela visão. Um grito de dor
angustiante saiu por entre meus lábios e eu quis correr até o local, mas
simplesmente não conseguia...
Somente senti os braços de Tom me rodearem
de repente – e ele possuía uma expressão tão decadente quanto a de minha irmã
–, sendo invadida pela dor magnética que tomava conta do meu peito. Eu estava
morta por dentro.
O choro que
invadia minha garganta era estilhaçado, como minha alma. Aquela lembrança... Eu
fazia de tudo para afastar aquela lembrança, mas era impossível. Ficara cravada
em mim, entalhada em meu ser, torturando-me, matando-me. Parecia que a vida
gostava de me ver sofrer.
Um vento
gelado adentrou o quarto, movimentando as cortinas que enfeitavam as portas
duplas da varanda, deixando resquícios de flocos de neve invadirem timidamente
o ambiente.
Funguei outra
vez, secando minhas lágrimas com as costas das mãos, enquanto sentia as
cicatrizes em meu peito serem abertas. A dor era tamanha que eu mal me lembrava
de como respirar.
Olhei para o
lado, onde a carta que eu relia fora jogada em um ato de fúria. Ela estava do
outro lado das portas duplas que ficavam na parede do meu lado direito, perto
da televisão enorme, que dava para o estúdio de balé que ali havia – fora o
presente de Rob para mim, quando completamos nosso primeiro ano de casados.
Obriguei
minhas pernas a me levantarem, vacilantes, e meus pés andaram suavemente rumo
ao cômodo esquecido. A saleta estava tão escura quanto o quarto, iluminada
somente pelas luzes de alguns postes e pela luz intensa que vinha da lua,
naquela noite atípica. Embora a penumbra presente, eu podia ver minha imagem em
cada ângulo, refletida pelos enormes espelhos que adornavam completamente duas
paredes.
A jovem de 26
anos tinha a pele alva e longos e ondulados cabelos num tom de castanho mogno,
quase negros por conta da escassez de luz. Os olhos tristes e úmidos continham
uma amargura desconhecida, descabida, que era revestida pelo tom de verde que
compunha suas íris. Os volumosos cílios davam um toque único ao olhar do meu
reflexo... Mas não parecia ser eu ali. Era uma imagem assolada, quebrada.
Desviei meus
olhos daquela estranha conhecida que
me espelhava, adentrando o ambiente e vendo a neve cair através das grandes
janelas da parede vaga, onde, ao lado, possuía o belíssimo piano de cauda
preto. Fechei meus olhos por um instante, tentando recobrar minha respiração,
enquanto me aproximava do instrumento que ele
tanto tocara...
Sentei-me na
banqueta, rente ao piano, deitando minha cabeça por sobre as teclas cobertas,
sentindo os inexistentes braços de Rob me puxarem para os seus e me inundarem
com seu calor. Mas aquilo não era real... Não mais.
Sem mover a
cabeça, olhei para o pequeno vestiário ao longe, vendo os inúmeros vestidos que
usei durante minhas apresentações anteriores ao Quebra Nozes... Mas, ao lado,
estavam as sapatilhas de ponta que eu usei naquela
noite.
Desviei meus
olhos daquele lugar, virando minha cabeça e me deparando com uma caixinha de
música. As lágrimas se acumularam em minha face outra vez, ao passo em que eu
movia somente minhas mãos, a fim de pegá-la. Segurei firme o colar que
carregava no peito, puxando o pingente em forma de uma pequena e delicada
chave, encaixando-a na fechadura da caixinha, abrindo-a.
Para ouvir: Yiruma – River Flows In You
E a nossa
canção entoou por todo o ambiente, e pareceu magia. O som suave de River Flows In You pareceu deslizar por
minha alma e preencher o vazio deixado por Robert. Olhei para a caixinha de
música – que ele me presenteara no dia daquela
apresentação, antes de me deixar na Broadway e ir buscar seus pais no aeroporto,
que estariam vindo de Londres, onde ainda viviam, para poderem prestigiar meu
espetáculo – e a bailarina pequenina começou a girar conforme a música. Na
parte de dentro da tampa, revestida de veludo vermelho, continha uma frase em
letras caídas que eu nunca me cansaria de ler: “Quando você dança seu propósito não é chegar a determinado lugar, é
aproveitar cada passo do caminho.”.
Eu já havia
lido aquelas palavras tantas e tantas vezes, mas parecia tão diferente a cada
vez. E naquele momento eu realmente entendi seu significado... Não importa se
Rob não está mais comigo, o importante é o que vivemos juntos. Nossos momentos,
nossos risos, nossas noites de entrega... Nossas músicas... Nossas danças.
Voltei meu
olhar para o estúdio, vendo a carta que ele me presenteara com a caixinha de
música ali, jogada. Levantei-me – a hesitação levemente presente, junto do
farfalhar apressado de meu coração –, sentando-me no chão frio de marfim,
envolvendo o delicado papel por entre meus dedos. Abri-o, relendo aquelas
mesmas palavras...
Minha
Kristen,
Eu
sei que hoje é o seu dia, e você não sabe o quanto me sinto pleno e feliz por
isso. Estamos caminhando juntos... Eu acabei de ser aceito na Orquestra de New
York e poderemos estar lado a lado... Sempre.
Eu já
devo ter te dito isso um milhão de vezes, mas nunca me canso... Você é
perfeita, perfeita para mim, e, aconteça o que acontecer, jamais desista de
seus sonhos, por favor. Lembre-se que meu real sonho é ver você feliz, então
realize isso, não importa as circunstâncias.
Sei
que poderia estar te dizendo isso pessoalmente também... Mas algo me dizia que
não daria tempo. Isso é louco, eu sei, e você deve estar rindo agora, mas eu
precisava deixar que o que eu sinto fosse eterno.
Viva.
Sonhe. Seja você sempre.
Eu
tenho orgulho de poder dizer que sou seu, inteiramente seu, mas tenho um
orgulho ainda maior em dizer que você é minha... Minha bela bailarina... Minha
eterna bailarina.
Eu te
amo. Quero que realize seus sonhos. Por você. Por mim.
E
dance.
Robert.
Meus olhos se
fecharam com força, e eu apertei a carta em minhas mãos, aconchegando-a ao meu
peito. Eu tentaria... Mas tudo ainda me atordoava profundamente, porque Robert
havia me deixado. Ele não cumprira sua promessa de estar sempre ao meu lado...
A vida não permitiu. Nem a morte.
Ele foi levado
na noite da maior apresentação da minha vida... Ele fora arrancado de mim,
arrancado da vida, em um acidente de carro, em plena Broadway. Rob havia acabado
de buscar seus pais no aeroporto, mas um carro batera no seu, causando um
impacto tão grande que o fizera morrer na hora.
Eu jamais me
esqueceria daquela imagem de exatamente três anos atrás... Richard e Clare
sendo resgatados, com vida, do que sobrara do carro de meu jovem marido,
enquanto o mesmo... Estava pressionado contra as ferragens no banco do
motorista... Sem vida.
Eu não queria
viver, não via mais sentido na vida... Queria me juntar ao Rob, morrer para
poder estar em seus braços mais uma vez. Eu queria morrer e arrancar do peito
aquela agonia, aquela dor, aquele desespero que sempre me procurava...
Mas eu fui
presenteada em meio a minha dor. Eu havia ficado com um pedaço nosso, com um
pedaço dele. Dentro de mim.
– Mamãe? – Uma
voz manhosa me alertou, fazendo com que um sorriso ameno preenchesse meus
lábios.
Retornei ao
quarto, vendo meu garotinho, somente de pijama, parado no batente da porta,
apertando fortemente a coberta contra seu corpinho. Andei lentamente até meu
pequeno, vendo as safiras, que eram seus olhos, me fitarem com amor, um
delicado sorriso preenchendo os lábios rosados que, antes, estavam repuxados em
um beicinho mimoso. Envolvi-o em meus
braços, pegando-o no colo.
– O que houve,
meu filho? – Sussurrei ao perguntar, fechando as portas duplas que davam para a
varanda, deixando a neve do lado de fora. Logo, deitei na imensa cama com meu
menino, aconchegando-o por entre os lençóis de linho.
–
Eu tive um pesadelo... – Murmurou calidamente, apertando seu corpinho quente ao
meu. – Mas depois ele virava um sonho...
–
E sobre o que era, meu anjo? – Perguntei, acariciando seus desgrenhados fios
alourados, fechando os olhos.
–
Primeiro, era você chorando... Mas depois eu te via dançando, feliz... –
Sussurrou, movendo-se por entre meus braços para me olhar. – E era tão lindo. –
Encantei-me com o brilho suave presente nos olhos azuis... Tão azuis quanto os
do pai. – Você dança pra mim, mamãe?
Fiquei
surpresa pela pergunta inocente, e, então, fechei os olhos, sentindo uma
lágrima escorrer pelo meu rosto.
–
Não chore, mamãe... – Sussurrou meu menino, a força que me manteve viva quando
descobri que estava grávida, dois meses após a partida dele. – É por causa do papai, não é? – Perguntou, acariciando meu
rosto, enquanto eu assentia. – Não fique assim, mamãe... Ele não gostaria de
ter ver chorar. E eu também não gosto.
–
Me desculpe, meu anjo... – Beijei sua delicada mãozinha, sentindo-o me abraçar
novamente. – Eu vou dançar.
–
Promete?
–
Prometo. – Respondi com um sorriso. –
Mas amanhã.
Ele
riu suavemente.
–
Tudo bem, mamãe... – E antes que seus olhinhos de anjo se fechassem para o
precioso sono, ouvi-o sussurrar. – Ah, e o papai adorava te ver dançar...
–
Por que diz isso? – Franzi o cenho, curiosa, tirando os fios alourados de sua
testa.
–
Porque foi o que ele me disse no sonho... – A voz foi se perdendo com um
bocejar. – Boa noite, mamãe.
Abracei
fortemente meu filho – ele era sempre tão parecido com o pai...
–
Boa noite, meu pequeno Rob.
E,
então, eu senti como se meu outro Robert também estivesse ali... E, na verdade,
ele sempre estaria. Sempre esteve. E
continuaria ali para sempre... Enquanto eu o amasse. E dançasse – como havia
prometido a ambos.
Fim.
*seca a lagriminha*
Eu tenho que confessar que quase chorei enquanto escrevia... Mas espero
imensamente que tenham gostado *funga*
Comentem... Vocês sabem o quanto é importante pra mim...
Mais uma vez, espero que tenham curtido, de verdade ^^
Até a próxima... E fiquem com Deus!
Toodles honey
























1 comentários:
CARAMBA que one short mais perfeita, como eu chorei lendo isso, meu Deus. É a fic robsten mais perfeita que eu já li em toda a minha vida.
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