Sinopse: Edward, o perfeito tipo de cara errado. A reencarnação de James Dean. Isabella, exatamente a garota certa. Uma Marilyn Monroe com perfume de frésias e cocaína. A menina de grandes olhos verdes pelo qual o britânico daria sua vida. Isso, é claro, se o destino não tivesse decidido pelo contrário.
Heey, babies! Ain, hoje resolvi postar uma história que tava martelando há muito tempo na minha cabeça de tanto ouvir Lana Del Rey! Hahahahaha'
Depois de enrolar um pouquinho e com a superajuda da minha diva Aline Bomfim, cá estamos nós com essa one-shot que promete!
Espero que gostem. Enjoy it.
Born to Die
“Venha e caminhe pelo lado selvagem
Deixe-me beijá-lo intensamente na tempestade
Você gosta das suas garotas insanas”
Ele a amava.
Apesar de tudo, amava-a com toda a intensidade que seus poros poderiam exalar.
Amava seu jeito “foda-se” para a vida, amava o modo como sequer disse adeus a
sua família rica, amava a pele alva e impecável, as pequenas sardas
distribuídas timidamente em seu nariz, as longas unhas pintadas de preto, os
inseparáveis All Stars vermelhos.
Ele amava o sorriso tímido em contraste ao olhar malicioso coberto por longos
cílios; seu jeito de menina ao beijar, seu jeito de mulher ao deitar. E ele
amava seu cheiro intoxicante de frésias e cocaína.
Isabella.
Sua doce garota de Los Angeles, aquela que fez sua mente demoníaca querer ter
um lado bom, sem insanidades, sem truques nas mangas, sem noites erradas ou
espírito devastado. A menina de grandes olhos verdes pelo qual ele seria capaz
de vender sua alma aos anjos do inferno. A menina que o fazia sussurrar tantas
frases em seu sotaque puramente britânico. A menina que o devorava com os olhos
e o fazia tremer ao sentir seus delicados lábios em seu corpo. A menina que o
fazia amar com cada batida de seu coração de cocaína.
Edward sorriu ao estacionar seu antigo Mustang
67 no cemitério onde sempre se encontravam, saindo do veículo e
encostando-se no capô. Havia um momento de paz naquele lugar, independente das
cruzes e lápides ao longe perpassarem um vislumbre sombrio – e ele gostava
daquilo. Gostava daquela obscuridade misturada à calmaria, acalentando seus
músculos da mesma forma que Isabella fazia ao enlouquecê-lo em suas noites na
piscina do Chateau Marmont.
E seu sorriso apenas aumentou ao vê-la correndo em sua direção, aquele sorriso
de menina preenchendo os lábios cheios e naturalmente rosados. As pernas
esbeltas de fora, com o mesmo short jeans
surrado que ele fez questão de arrancar de seus quadris no dia em que se
conheceram; os inseparáveis All
Stars vermelhos combinando perfeitamente com o sutiã de mesma cor, o
que a deixaria suscetível ao frio que começava a fazer se não fosse pela
jaqueta branca que cobria seus ombros e braços.
– Pensei que teria de arrancá-la da torre em que seus pais a mantêm presa. –
Edward murmurou com um sorriso torto brincando em seus lábios, antes de enlaçar
as mãos ao redor da cintura descoberta da morena e beijá-la com toda a saudade
que os tomava.
O gosto de hortelã e canela dominou suas línguas, com aquele displicente sabor
de morangos vindo dela. Os pequenos dedos da garota embromaram-se nos cabelos
acobreados do homem enquanto as mãos deste agarravam suas coxas, permitindo-a
enrolar suas longas pernas ao redor do quadril de Edward, que a sentou no capô
do carro.
O
êxtase tomava conta de seus corpos que resistiam à brisa gelada daquele fim de
outono. O inverno chegaria dali algumas semanas, ressaltando das memórias do
britânico uma lembrança de quase um ano antes, no qual conhecera sua garota de
cabelos cor de mogno. Era impossível não se lembrar daquele dia ao olhar as gotas
de orvalho deixando sua umidade nos vidros do carro, pois nos vidros de uma
janela, em um pub não muito bem
apessoado, foi onde ele a viu pela primeira vez.
Sentada
próxima ao balcão amadeirado estava a garota, com certo short jeans surrado, uma camisa branca de botões, e um cardigã
lilás florido e alegre demais para um lugar onde as pessoas costumavam encher a
cara para esquecer suas vidas miseráveis. Mas algo no rosto entristecido da
jovem o fez entender que sua roupa não condizia com suas feições cabisbaixas e
ingênuas que lembravam a doce Marilyn Monroe. As unhas longas e vermelhas e o
cabelo escuro, repleto de pequenas ondas, cobriam-lhe a face, permitindo-o ter
o vislumbre apenas dos lábios avermelhados em um beicinho. E aquele rosto
escondido por entre as mãos da jovem, fez Edward aproximar-se perigosamente.
Passando
pela enorme porta de madeira da entrada, ele logo foi invadido pelo aroma de
suor e tabaco do lugar, quente até demais se comparando ao frio e a pequena
garoa que dominavam as ruas de Los Angeles. E, ao som de alguma música antiga
de Van Morrison, o britânico de descontrolados cabelos acobreados aproximou-se,
sentindo pequenas ondas de calor conforme seus passos seguiam rumo à morena.
–
Com licença? – Sua voz pronunciou em um tom baixo enquanto sua mão direita
tocava com cuidado a pele do ombro da garota coberto pelo delicado casaco. E
foi um trabalho árduo controlar a vontade de deslizar os dedos ao longo do
pescoço tão alvo e tão macio. Seria como
seda...
A
resposta não veio. Ao invés de um convencional “sim?” ou então “pois não?”,
Edward foi completamente dominado e sugado por orbes tão esverdeadas que o
fizeram prender a respiração. Isabella, no entanto, tentava memorizar cada
traço daquele homem tão lindo e de ar tão perigoso a sua frente. Ele soava tão
misterioso por trás daquela jaqueta de couro e calças jeans, o cabelo bagunçado e aquele olhar sedutor com um sorriso de
lado. Faltava apenas um cigarro no canto dos lábios finos e rosados para parecer
uma cópia perfeita de James Dean.
E
foi como se seus problemas não estivessem mais ali. Na verdade, foi como se
Isabella não se importasse mais com eles, que esquecesse a recente briga que
tivera com seus pais. Eles tentavam controlar cada pedaço de sua vida repleta
de diamantes e vestidos caros, carros importados e inúmeros Louboutins – eles eram a reencarnação de
uma família rica e perfeita dos anos 50, que não saíam de suas mansões se não
fosse para ir a jantares com sócios e empresários bem sucedidos, salões de
beleza, shoppings ou campos de golfe,
que tinham pavor de dirigir à noite pela Sunset Boulevard e de conversar com
pessoas que não possuíssem uma renda mensal menor que punhados de milhares de
dólares.
O
casal de ferro não saía de sua torre de marfim, e não permitiam que a pequena
princesinha saísse dali também. Ela tinha que seguir o modelo e não causar
infâmias à família – palavras de sua mãe na tarde daquele mesmo dia, motivo que
serviu como o estouro final de uma bomba. Isabella cuspiu toda sua raiva e
angústia na refeição perfeita no jardim de sua casa, gritando toda a verdade
que estivera enclausurada em seu peito por todos aqueles anos de futilidade.
Ela se cansara daquilo e não queria fazer parte de uma vida tão esnobe quanto a
que seus pais a obrigaram a participar por 20 anos. Ela simplesmente cansou.
–
Importaria se eu me sentasse ao seu lado? – Edward murmurou novamente, a voz
embebida de simpatia e curiosidade; os olhos azuis ainda perdidos nos olhos
verdes.
–
Tudo bem – Isabella respondeu delicadamente, mordendo o lábio inferior enquanto
assistia o belo jovem se acomodar no banco de madeira a sua esquerda.
–
Um Bourbon, por favor, Bill! – ele
gesticulou para o garçom do outro lado do longo balcão, olhando rapidamente
para a mulher ao seu lado antes de prosseguir com um sorriso – E uma dose de Bacardi Breezer pra senhorita aqui.
Isabella
olhou-o com surpresa, as sobrancelhas levantadas.
–
Eu sinto muito, mas eu não bebo – murmurou apressadamente, mordendo o lábio
inferior outra vez, ganhando certa atenção em demasia de Edward.
–
Se você vai me contar o que tanto lhe aflige, acredite, é preciso pelo menos
uma dose de rum pra contar com sinceridade! – Exibiu um sorriso cafajeste, recebendo
as bebidas do garçom e entregando o pequeno copo à garota.
–
E quem disse que eu tenho algum problema? – questionou com ar de petulância,
jogando o cabelo para trás dos ombros antes de afastar a dose de Bacardi. – E se eu, por acaso, tivesse
algum problema, você seria a última pessoa no mundo a quem eu contaria.
A
resposta ácida e afiada fez o sorriso de Edward se alargar, constatando que a
garota tinha uma personalidade e tanto. Definitivamente
uma Marilyn Monroe.
– Uma moça como você num lugar como esse,
sozinha e com essa cara de poucos amigos... – Bebericou seu uísque, sentindo o
líquido aquecer sua garganta ao procurar pelas palavras certas – Não me leve a
mal, mas você exala infelicidade. E algo me diz que isso tem nome e sobrenome.
Quem é ele?
–
Antes meu problema fosse um homem. – ela resmungou com ironia, roubando a dose
de Bourbon de Edward e fazendo uma
careta com o sabor terrível do álcool, deixando o britânico surpreso.
–
E o que seria então? – ele perguntou; a curiosidade flamejando em seus olhos.
–
Família, sonhos, frustrações... O de sempre. – desdenhou, fitando o oceano azul
que banhava as íris do homem. – Qual o seu nome e seu maior problema, senhor do
sotaque britânico?
–
Nome: Edward Cullen, problema: minha vida fodida. – respondeu, colocando uma
mecha de cabelo atrás da orelha da morena – E os seus, madame?
–
Isabella Swan, e minha habilidade de sonhar demais.
–
Uma vida não é vida se não tiver sonhos, Bella.
– ele murmurou delicadamente, mal percebendo o apelido que fez o estômago da
garota se revirar de ansiedade. Ele a
intoxicava.
– Então quais são
seus sonhos, Edward?
–
Me livrar dos demônios dentro de mim.
A
honestidade pegou ambos desprevenidos. Bella não esperava uma resposta tão
sombria, e Edward não esperava responder com tamanha sinceridade. Era como se o
abismo que existisse entre suas realidades criasse uma ponte que interligava
seus mundos, era algo puramente natural – e vibrava por dentro.
–
E esses demônios já deixaram sua alma alguma vez? – ela inquiriu suavemente,
incapaz de quebrar o olhar que os sustentava com tamanha precisão.
–
Eu sinto como se eles estivessem me deixando pela primeira vez.
E
naquela mesma noite de janeiro, Edward se embrenhou em Bella entre os lençóis
de seu pequeno apartamento, em um bairro próximo dali. E experimentou o sabor
de um sorriso sincero em meio a tantos suspiros e arrepios involuntários. Ter
Bella em seus braços dava a sua alma o desejo de ser um homem melhor, um homem
correto que não precisaria passar noites e mais noites em jogos de azar e negócios
ilegais para se dar bem na vida. Embora nem sempre os desejos pudessem fazer
parte da realidade.
–
Você parece tão distante... – Bella ofegou entre o beijo que trocavam, sentindo
as mãos do namorado apertarem seus quadris contra o capô do Mustang.
–
Lembra de quando nos conhecemos? – sussurrou em seu ouvido, umedecendo o lóbulo
de sua orelha antes de mordiscá-lo levemente. – Acho que me apaixonei por você
naquele mesmo dia.
Ela
soltou uma risada divertida, sentindo os resquícios de tabaco e cannabis ao sugar o lábio inferior de
Edward. Ambos gemeram em deleite.
–
Eu sou louca por você – A garota confessou, apertando os braços fortes do
britânico, recheados por inúmeras tatuagens. Nenhuma que se referisse a ela
ali, exceto pela inicial de seu nome tatuada no peito de Edward, três meses
depois que se conheceram. – Me tira daqui? Vamos pra qualquer outro lugar.
E
assim ele fez, dando um último beijo nos lábios entreabertos de Isabella e a
puxando em direção às portas do carro, acelerando para longe dali, já que era
perigosamente perto da mansão onde ela vivia.
É
claro que a morena acabou retornando à casa dos pais na manhã seguinte ao dia
em que se conheceram, proporcionando a ela terríveis sermões de sua mãe que
quase arrancou os cabelos ao saber que sua filhinha passara a noite com um cara
qualquer. Obviamente ela se recusou a conhecer Edward ao descobrir que ele não
passava de um britânico que fugira de
Londres para se aventurar na Califórnia, proibindo Bella de vê-lo outra vez e
cair nos gracejos e nas palavras encantadoras que o garoto poderia lhe
oferecer.
Tarde
demais, porém. Além de já ter ido se deitar com o inglês, a garota já havia
deixado seu coração inteiramente para ele, dividindo não somente a mesma cama
durante várias noites sequentes, como também suas roupas, seus cachimbos e
cigarros, e muitas fugas da polícia de Los Angeles. Eles não se importavam em
fazer o que não deviam. Na verdade, Bella já se afundara completamente no
submundo do homem a quem se entregara de corpo e alma – e ela jamais se
arrependera disso.
E
como poderia? Ela amava seu pedaço de pecado, seu James Dean, o homem de
tatuagens, drogas e jaquetas de couro que a fazia se sentir viva. Como nunca
antes.
As
luzes de Los Angeles eram as únicas coisas que Isabella conseguia ver ao longe,
no momento em que o namorado estacionou o Mustang
em uma rua deserta no topo da cidade – o imenso letreiro de Hollywood como
vista há alguns metros dali. Ela abriu a porta do carro cuidadosamente,
encantada com o cenário de arrancar suspiros, enquanto Edward procurava por
algo no porta-luvas.
O
britânico de 27 anos logo encontrou seu fiel cachimbo, amassando a marijuana e preparando um bom fumo à
medida que admirava o olhar de sua garota do lado de fora. A garota
simplesmente o enlouquecia com sua alma bagunçada, seu longo cabelo e sua pele
bronzeada. Ela o levava ao pior dos infernos com um único sorriso.
Ela girou os calcanhares, movimentando os
suaves cachos que teimavam em se formar nas pontas avermelhadas, sorrindo para
o jovem como quem dizia me ame e me leve
pra onde você for. Era aquele fodido sorriso inocente que fazia Edward
tomá-la em seus braços e se enterrar dentro dela enquanto se divertiam numa
cama qualquer. O local nunca importava quando se tratava de sua pequena
Marilyn.
–
Venha. – Sua voz soou em um baixo murmúrio, fazendo a morena caminhar de volta
até o carro.
Isabella,
então, abriu a porta do motorista, sentando-se no colo do namorado sem qualquer
pudor. O lábio inferior sendo mordiscado pelos dentes perfeitos fez Edward
aproximar o rosto, até que ele próprio estivesse mordendo e sugando aquela boca
avermelhada. Ele gemeu quando sentiu um resquício de sangue escorregar dos
lábios dela direto para sua língua.
–
Você é minha perdição, Bella – Sussurrou, encostando seus narizes em uma carícia
tranquila e suave, inspirando o delicioso aroma de frésias e cocaína que só ela
possuía.
–
Eu gosto de fazer você se sentir assim... – ela brincou, furtando o cachimbo
aceso das mãos do inglês antes de tragar profundamente. A sensação da maconha
entrando em cada um de seus poros era entorpecente, fazendo-a deslizar a fumaça
delicadamente no ar.
–
Assim como? – Edward retrucou com um arqueio de sobrancelha, vendo-a tragar
outra vez. – Perdido, louco, completamente insano?
–
Viciado em outra coisa além de drogas. – Murmurou somente, soprando a fumaça carinhosamente
contra os lábios do namorado enquanto fitava o fundo de seus olhos capazes de
sugar qualquer sentimento.
–
Ah, anjo... – ele suspirou, tragando com suavidade a marijuana antes de soltar o fumo em uma lufada de ar – Você é a
pior delas.
A
linda jovem soltou uma risadinha divertida ao passo em que se esticava no colo
do homem para alcançar alguns CDs deixados no banco do passageiro. Com o
ambiente repleto pela névoa branca, ela avistou um antigo álbum do Johnny Cash
– e, logo, o casal era embebido na melodia suave e nostálgica de “You Are My
Sunshine”.
Ela
fechou os olhos, mexendo a cabeça suavemente, os lábios brincando ao sussurrar “You are my sunshine, my only sunshine, you
make me happy when skies are grey...”. Edward simplesmente ficou ali,
embriagando-se com a erva ao ouvir os acordes do folk se contorcerem deliciosamente em suas entranhas; a voz grave
do cantor misturando-se aos sussurros apaixonantes de sua menina.
E
aquela cena, Bella movimentando-se docemente no ritmo da música o fez recordar
de uma de suas noites em seu velho apartamento. As felpas do chão encarpetado
massageavam os pés descalços da morena, que dançava displicentemente de um lado
para o outro na sala de estar.
Algumas poucas
luminárias acesas iluminavam o cômodo de tons caramelo com apenas dois sofás,
duas enormes janelas, um estéreo e uma pequena escrivaninha em um dos cantos –
pronta para ser usada a qualquer sinal de inspiração. Apesar de raro, Edward
simplesmente amava compor canções em seu violão surrado, com apenas um maço de
cigarros e uma garrafa de uísque lhe fazendo companhia.
A jovem, no
entanto, remexia-se calmamente ao som de Johnny Cash, sentindo-se fodidamente
livre após fugir com o namorado da faculdade. Seu coração simplesmente disparou
quando o viu em uma moto preta reluzente no estacionamento da UCLA, parado com um sorriso que exalava
perigo junto daqueles cabelos desgrenhados e rebeldes. Ela mordeu os lábios
enquanto corria em sua direção – ele a apertando em um abraço delicioso antes
de puxá-la para a garupa e disparar para longe dali.
As aulas de
Psicologia rapidamente foram esquecidas com a fuga, ao passo em que os dois
corriam pelas estradas e bebiam com os amigos. E depois de um pôr do sol na praia
de Malibu e um meio para se livrarem da moto roubada, o casal seguiu para o
apartamento de Edward ao sul da Sunset Boulevard.
Os olhos azuis
observavam a namorada astutamente, guiando cada um de seus movimentos como um
falcão em busca de sua presa. O delicado vestido branco cobria a metade das
coxas suavemente torneadas de Isabella, além de deixar os pequenos seios mais
avantajados devido ao singelo decote e finas alças, lembrando o vestido que
Marilyn Monroe e Jane Russel usaram no dia em que eternizaram o sucesso na
calçada da fama.
O inglês de
cabelos acobreados lembrava-se perfeitamente das inúmeras vezes que assistiu ao
filme estrelado por ambas as atrizes. Lembrava-se de sua pequena e irritante
irmã mais nova e da delicada mãe dividindo a cama de lençóis brancos enquanto
se divertiam com a comédia musical na TV velha, em preto e branco. A cama de
casal era uma das poucas coisas que mantinham os três aquecidos no inverno do
subúrbio de Londres, bem como algumas xícaras de chocolate quente e uma boa
dose de gargalhadas com Os Homens
Preferem As Loiras.
O filme dos
anos 50 era o preferido de Esme Cullen – viúva de um viciado em heroína, e que
tivera de arcar com todas as consequências de ser mãe solteira de duas crianças
antes que pudesse completar seu 25º ano de vida. Sofrida, pobre e com dois
pares de olhos azuis para fingir alegria, às vezes tudo o que ela gostava de
fazer era assistir a filmes antigos.
E Edward se
lembrava também do dia em que a mãe foi encontrada morta, assassinada por um
traficante como um simples “acerto de contas”. Assim como se lembrava da
assistente social que o levou para um orfanato há milhas de distância do que
enviaram sua frágil irmã. A pequena Alice de apenas seis anos de idade fora
arrancada do que lhe sobrara de família, mas que – ao contrário do irmão três
anos mais velho – foi adotada por boas pessoas dois anos depois.
No entanto,
ele se recusara a manter laços com a jovem, pois ao completar seus 15 anos de
idade, tornou-se um fodido usuário de maconha e cocaína, cheio de encrencas e
fugido rebelde da casa de abrigo. E ao atingir a maioridade, largou todos os
problemas que o cercavam em Londres para se aventurar e começar uma nova vida
de trapaceiro, mentiroso e manipulador na ensolarada Califórnia.
E aquela pobre
menino londrino, que teve sua infância arruinada pelos podres do pai, não
acreditava que o amor voltasse a cercar sua vida até que conheceu sua garota de
Los Angeles. A garota que o fez rever todos os seus conceitos e chegava a
embaralhar toda a sua mente, chegando a fazê-lo desejar que pudesse ser um
homem diferente e verdadeiramente merecedor daquela preciosidade que podia
chamar de “sua”.
– Por que não
para de me encarar desse seu jeito pervertido e vem dançar comigo? – Isabella
murmurou em sua voz de anjo, sorrindo ao deslizar seus pés suavemente pelo chão
da sala, sem sequer olhar para o britânico.
– Um convite
irrecusável – ele sorriu de volta, levantando e puxando-a pela cintura contra o
seu peito. Os grandes olhos verdes da morena encararam-no, surpresos, antes dos
lábios cheios e rosados se encherem em um sorriso infantil e tentador.
Edward
suspirou totalmente preso em seu encanto.
– Eu não sou
muito de admitir, mas você foi a melhor coisa que já me aconteceu – Sussurrou
contra os cabelos da namorada, inspirando seu doce perfume enquanto ambos se
mexiam tranquilamente ao ritmo da lenta música de Johnny Cash. “Hurt” tocava
baixinho nos alto-falantes; a triste e branda melodia acalmando cada fibra de
seus corpos.
– Você também,
Edward... – ela sussurrou de volta, escondendo o rosto em seu pescoço, as mãos
enrolando-se aos fios de sua nuca – Você também.
– “Everyone I know goes away in the end...”
– O britânico cantarolou a letra da canção, sentindo seu peito se apertar. Todos
que ele amava acabavam partindo uma hora ou outra... Acabavam deixando-o, indo
embora e fazendo que sobrasse apenas sua alma partida, quebrada em mil pedaços
e desfeita em frangalhos infinitos. – “I
will let you down, I will make you hurt.”.
– Não, Edward.
– A jovem proferiu em um suave murmúrio, repreendendo-o com um olhar assustado.
– Nós escolhemos um ao outro, nós continuaremos aqui um para o outro.
– E se eu
falhar? E seu eu falhar com você, anjo?
– Se você
falhar, eu estarei aqui pra lhe segurar – ela sussurrou, deslizando as mãos carinhosamente
para o rosto de seu homem – Eu irei consertar você, consertar esse seu coração
quebrado e colar cada pedacinho que sobrar dele.
– Um demônio
como eu não merece um anjo como você, Bella... – O sotaque inglês se quebrou no
meio da frase, enquanto ele colava suas testas e olhava no fundo dos olhos tão
marejados e tão verdes.
– Ah, amor,
como você pensa tudo errado nessa sua cabeça dura?! – ela riu gentilmente,
puxando o corpo de Edward ainda mais contra o seu – Eu te amo do jeito que você
é; foi com esse britânico fodido e cheio de defeitos que eu vi os meus próprios
demônios se livrarem de mim.
E aquele mesmo
sorriso de criança sendo lançado para ele, em meio à névoa da marijuana, foi o bastante para fazê-lo
entender que em seu peito jamais haveria um lugar grande o bastante para
abrigar o tamanho da sua paixão pela menina Swan – que, sentada em seu colo,
ainda cantarolava a suave música que embalava o Mustang 67.
Olhando
curiosa para as tatuagens nada discretas do namorado, Isabella tragou um pouco
mais da erva antes de devolver o cachimbo carinhosamente aos lábios dele. Ela
costumava passar horas, depois de uma inconsequente noite tórrida entre os
lençóis, somente observando os desenhos e inúmeros escritos em seus braços. Mas
uma delas, entretanto, sempre chamava mais sua atenção.
Gravada no
interior do seu antebraço direito, lia-se: “Até os castelos de areia caem no
mar eventualmente”, e logo abaixo: “Castles Made of Sand, Jimi Hendrix”. E a
morena curvou os lábios, fitando os olhos do britânico que a encarava com certa
ansiedade ao soltar fumaças em uma única lufada.
– Sabe quantos
músicos famosos morreram de overdose quando tinham a sua idade? – ela inquiriu
enraivecida, perguntando-se por que diabos Jimi Hendrix tivera que se afundar
tanto nas drogas a ponto de privar o mundo de sua genialidade. Assim como Kurt
Cobain, e Janis Joplin, e Jim Morrison, e Brian Jones, e Amy Winehouse.
– Essa é a
vantagem de ter uma alma fodida: eu não sou um músico famoso. – Edward murmurou
de volta, sarcástico, com um sorriso torto entre o cachimbo.
– Mas fuma
como um, e nem tem a desculpa da fama pra agir assim. – A morena retrucou,
arqueando uma das delineadas sobrancelhas.
– Falou a
santa.
– Pelo menos não
me acabo a cada dia que passa nem vendo essas coisas pra outras pessoas também
se acabarem.
– Cale a boca.
– ele a olhou, de repente, furioso.
– Medo de
ouvir a verdade, Edward? Ela dói? – Isabella questionou, aproximando-se do
rosto nervoso do homem, vendo suas feições fixarem-se em um olhar perigoso
apesar da névoa ao redor deles. – Porque dói em mim ver você assim.
– Sou assim
desde muito antes de conhecer você – O britânico proferiu em um tom baixo e
assustador. – E é bom medir suas palavras pra não acabar em problemas, anjo.
– Por quê? Vai
me matar como mata seus espinhos? – ela perguntou petulante.
– Não me
tente. – Alertou, encarando-a fixamente.
– Você me ama.
– Amo. E esse
é o meu maior pecado.
E encarando
aqueles olhos verdes que fodiam com sua cabeça, Edward a puxou contra seu
corpo, pressionando os lábios cheios e avermelhados aos seus. A morena
assustou-se com a brusquidão do beijo, sentindo os lábios do namorado firmes e
duros enquanto suas pálpebras cerravam e seu cenho franzia. Era como se ele
estivesse sugando sua alma naquele beijo seco e violento, sugando toda a parte
correta e boa que ainda sobrava dentro de si, sugando o que lhe restara de
decência e autopiedade.
Logo,
as mãos de Isabella encontraram o peito do homem, empurrando-o para longe de si
ao passo em que ele encaixa as grandes mãos ao redor do quadril da namorada,
trazendo-a de volta ao tentar colar seus lábios novamente aos seus – que,
prontamente, desviou. E a fúria foi instalada.
–
Que porra é essa, Bella? – ele perguntou em um rompante; as narinas infladas em
cólera enquanto os olhos simplesmente fulminavam, atravessando o rosto da
garota.
–
Que porra é essa você, Edward?! – A morena murmurou de volta, sentindo as mãos
masculinas puxarem seu queixo para aproximarem seus rostos. Ela tentou desviar,
em vão.
–
Vai me evitar agora? – Questionou, encarando os grandes olhos ficarem marejados
em ódio e medo.
–
Você está me machucando. – ela grunhiu, encaixando as pequenas mãos no
antebraço no inglês, inutilmente tentando fazê-lo soltar seu rosto. Em
resposta, ele somente apertou ainda mais o queixo de linhas suaves da menina,
aproximando-se perigosamente.
–
Desculpe destruir os seus sonhos, princesa, – ele sussurrou, fitando-a
profundamente – eu nunca disse que era o príncipe perfeito pra você.
–
Se eu quisesse um merda de príncipe, estaria com algum playboy de Bel Air e não aqui com você. – Isabella rebateu, enfim
livrando-se do aperto do britânico; seu olhar quente a fulminando.
E
antes que ele pudesse reagir, a herdeira Swan pulou para fora do colo do homem,
deixando-o impassivo e inerte enquanto ela se sentava no banco do passageiro.
Edward detestava quando a garota debatia e o colocava em contradição – e se
fosse qualquer outra pessoa, ele não pensaria duas vezes antes de ter certeza que
o sujeito estivesse ardendo no inferno, instantes depois.
Mas
era sua pequena ali, sua pequena estupidamente rebelde e teimosa namorada. E à
medida que o rapaz londrino girava a chave na ignição, Isabella fechava-se em
seu próprio casulo, abraçando os joelhos e colocando a cabeça contra o vidro do
carro. Tudo o que sua mente fazia naquele momento era remoer lembranças de
noites quentes, afáveis ou selvagens, nas suítes do Chateau Marmont.
Ela
simplesmente amava usar os cartões de créditos do papai e da mamãe para
desfrutar de quartos de hotéis caros e garrafas e mais garrafas de uísque e
licor de morango. Obviamente que a jovem saía de casa antes que os pais
acordassem e chegava quando eles já haviam ido dormir; ouvir sermões de dois
mesquinhos da alta sociedade seria menos produtivo do que ir a um concerto da
Britney Spears – embora Isabella adorasse os álbuns da cantora.
Então,
seu passatempo preferido era desfrutar do dinheiro lavado, dos queridos
benfeitores, com seu namorado perigoso e insurgente. E numa certa noite quente
de um típico verão na Califórnia, Isabella lembrava-se perfeitamente de estar
nos braços quentes e musculosos do inglês.
–
Eu adoro o seu cheiro... – Edward inspirou em seu pescoço, mordiscando-o
deliciosamente em seguida, fazendo a garota se arrepiar. O perfume de frésias quase
não era mais notado, perdido entre os resquícios de cocaína e lembranças da marijuana que ambos desfrutavam minutos
antes.
A
suíte presidencial do Chateau era
simplesmente deslumbrante, em tons claros, belas luminárias vitorianas douradas
e uma cama que poderia abrigar metade da população de Bangladesh. A morena
podia sentir a brisa veraneia movimentar sutilmente as longas cortinas brancas
das portas francesas, provocando-lhe uma maravilhosa sensação de liberdade que
apenas Edward e Hollywood eram capazes de proporcionar.
Ela
sentia os lábios molhados do homem descerem por seu pescoço e acariciarem seu
colo com longos beijos, enquanto as mãos grandes e firmes deslizavam o maiô
branco e sedutoramente decotado para baixo. O tecido fino embolou-se em seu
quadril ao passo em que ele a encostava à parede ao lado da porta, apertando
sua bunda deliciosa entre os dedos ao sentir as longas pernas da jovem rodearem
sua cintura.
–
Edward... – ela sussurrou entre uma súplica, puxando os fios acobreados de sua
nuca ao sentir os lábios sedentos sugarem seu mamilo esquerdo, totalmente
intumescido.
Isabella
arfava enquanto jogava a cabeça para trás e cerrava os olhos; as mãos de seu
homem adentrando a parte de trás de seu maiô e tocando seu traseiro sem
qualquer impedimento, fazendo-a morder os lábios. Ela sentia a ereção do
britânico roçar deliciosamente contra sua feminilidade, fazendo seu baixo
ventre pulsar ainda mais em desejo e vontade de ser tomada com toda a fúria e
vontade que a possuía.
–
Você é tão gostosa, anjo... – Edward murmurou com a cabeça entre os seus seios,
deslizando rumo ao sul enquanto mantinha a morena suspensa em seus braços,
prensada contra a parede da enorme suíte. – Gostosa e minha.
–
Sua, toda sua – ela arquejou, soltando um gemido que fez o membro do homem
latejar em suas calças.
O
Cullen lambia suavemente os seios pequenos e durinhos da garota, prendendo os
mamilos em leves sucções que a faziam delirar, deslizando seus lábios cada vez
mais para baixo – arranhando os dentes deliciosamente na barriga lisa e úmida
pela água da piscina, onde estavam pouco antes, circundando sua língua no
umbigo da jovem para, então, sentá-la sobre uma mesa que encontrou ali.
–
E você sabe o que eu vou fazer com você nessa mesa, anjo? – ele perguntou; a
voz escorrendo desejo e tentação ao olhar para sua mulher totalmente à sua
prova e mercê.
Isabella
respirou fundo ao passar a mão pelos cabelos longos e bagunçados, encarando o
namorado que admirava cada um de seus movimentos. Era desesperadamente
delirante.
–
Não sei... – ela sussurrou, fingindo-se de inocente com uma carinha que
enganaria qualquer um. Exceto Edward.
–
Bem, anjo, – O britânico deliberou com um sorriso brincando em seus lábios
provocantes enquanto ele se aproximava como um predador ao encontrar sua presa.
– primeiro, eu vou enlouquecer você, mas não do jeito que você está pensando.
–
Ah, não? – A jovem perguntou, falsamente obtusa e toda ingênua, mordendo o
lábio inferior assim que os dedos do londrino acariciaram sua cintura.
–
Não... – ele meneou a cabeça, mordiscando seu queixo e trilhando o nariz
através de sua mandíbula até sua orelha, onde sussurrou: – Aqui é só o
aquecimento, porque eu vou te comer ali – Apontou para a cama, sugando o lóbulo
da namorada. – E vou fazer você gritar meu nome.
E
antes que a morena pudesse sequer responder ou argumentar, os lábios de Edward
possuíram os seus em um beijo sem qualquer pudor. A língua quente enrolava-se a
sua, fazendo-a gemer com o gosto e a textura maravilhosa que apenas ele tinha.
Era algo como mel e algodão-doce. Era seu inferno na Terra.
As
mãos do homem puxaram o que sobrou do maiô entre os quadris da jovem,
deslizando-o por entre as longas pernas e deixando apenas o Louboutin salto 15 nos delicados pés – fazendo
companhia à saída de praia cravejada em pequenos diamantes. Nada mal para a
herdeira de uma conta bancária monstruosa que crescera em Beverly Hills,
passava os verões em Malibu, as primaveras no Hamptons e os invernos em Paris.
Isabella
gemeu ao sentir os dedos de Edward invadirem sua intimidade, penetrando-a
deliciosamente enquanto massageava seu clitóris. Suas mãos correram
involuntariamente para os rebeldes cabelos cor de bronze, deslizando as unhas
longas e vermelhas pelos ombros largos e nus do homem; o corpo forte e musculoso
coberto somente por uma bermuda e uma sunga preta deliciosas, mal contendo o
volume crescente de dar água da boca.
–
Edward, por favor... – ela sussurrou, sentindo os lábios do namorado alcançarem
suas coxas e se aproximarem perigosamente de sua virilha; a respiração da jovem
cada vez mais escassa.
–
O que você quer, Bella? – Perguntou, mordiscando a parte interior da coxa da
jovem, fazendo-a delirar.
–
Você, eu quero você, amor...
–
Mas você já me tem, anjo – ele sorriu matreiro, adorando ouvi-la choramingar e
implorar por mais.
–
Porra, Edward, eu quero sua língua, seus dedos, eu quero tudo! – A morena
exigiu completamente insana ao apertar os cabelos da nuca do britânico.
Ele,
por sua vez, não perdeu tempo, afundando seus lábios entre as pernas da garota,
lambendo-a, sugando-a, introduzindo-a aos poucos à loucura sem fim. O grito de
prazer de Isabella o levou ao paraíso enquanto ela sentia a pequena morte se
aproximar cada vez mais, chegando aos poucos para atingi-la e levá-la para um
universo suspenso.
–
Edward... – ela engasgou em prazer, cerrando as pálpebras e apertando os
lábios. Suas pernas rodearam os ombros do inglês, sentindo as mãos másculas
prenderem seus quadris ao passo em que dois dedos e uma língua fodidamente
experiente a deixavam em completo estado de torpor.
–
Goze pra mim, Bella – O homem murmurou, introduzindo mais um dedo em sua
intimidade que escorria prazer, movimentando deliciosamente. – Goze pra mim,
anjo.
–
Edward! – ela gritou, sentindo o prazer corroendo cada uma de suas fibras e
deslizar por seus ossos, deixando-a sem ar durante maravilhosos e infinitos
segundos, sentindo a vibração consumi-la inteiramente.
–
Você é tão linda... – ele sussurrou, subindo seus beijos por entre os seios da
garota, seu queixo e, enfim, sua boca deliciosa. E Isabella gemeu ao sentir seu
gosto doce misturado ao sabor da língua do namorado, fazendo-a gemer em
deleite.
–
E sua. – A morena murmurou com a boca sobre a de Edward, o que ocasionou em um
sorriso torto e tentador sendo formado nos lábios provocantes dele.
–
E minha. – ele concordou, beijando-a outra vez antes de arrancá-la para os seus
braços. Ela soltou um gritinho de excitação, rindo alto com o britânico, antes
de ser jogada sobre a maravilhosa cama de caros lençóis de linho.
E
foi com aquele riso feliz e sem qualquer preocupação que Bella sentiu uma
lágrima deslizar pelo canto de seu olho direito, fazendo-a engolir o choro e
secar a pequena gota rapidamente com a mão. O Mustang estava em movimento por uma rua tranquila de Los Angeles –
as estrelas, que raramente eram vistas, parecendo ser suas únicas companhias.
–
Me desculpe. – A voz de Edward fez a morena sobressaltar, ganhando toda a sua
atenção dos grandes olhos verdes; e ele teve vontade de dar um soco no próprio
nariz por saber que ele era o culpado por aquelas íris estarem tão assustadas e
sós. – Me perdoe, anjo.
Isabella
apenas continuou a encará-lo, com os pensamentos em um turbilhão bagunçado e
movimentado demais para ela conseguir formar qualquer palavra de ressentimento
ou anistia. Seu James Dean somente suspirou, meneando a cabeça em confusão.
–
Eu quase a machuquei, e isso é imperdoável – ele franziu o cenho, umedecendo os
lábios antes de prosseguir: – Me desculpe por agir como um completo idiota,
Bella, me desculpe por continuar falhando com você a cada dia que passa.
–
Edward... – ela murmurou, tentando impedi-lo de infligir mais culpa a si mesmo.
–
Não, anjo. – O britânico a interrompeu, olhando-a rapidamente antes de retornar
os olhos para a estrada. – Por mais que eu tente, eu acabo falhando com você,
toda vez.
–
Edward, você realmente agiu como um completo idiota, mas eu entendo...
–
Como pode entender, Bella? Eu sou um ninguém, um fodido trapaceiro afundado nas
drogas que sempre machuca a pessoa que eu mais amo. – ele suspirou outra vez –
A única pessoa que eu amo.
–
Se serve de consolo, eu também te amo... – ela sussurrou com um sorriso nos
lábios, tentando amenizar o clima – Eu te amo mesmo você sendo um idiota que só
faz merda.
–
Tá vendo? Você me provoca... – Edward revira os olhos, bufando ao tentar
segurar um riso.
Isabella,
portanto, esbanja seu melhor sorriso infantil, fazendo o britânico suspirar em
contentação. E preso na felicidade de sua pequena, Edward não percebeu que o
velocímetro do carro indicava a aceleração indômita do veículo. E, com o
veículo em alta velocidade, já era tarde demais quando a namorada encarou o
para-brisa, percebendo que a estrada havia ficado sinuosa demais para o
clássico Mustang.
–
Edward, pare o carro! – A jovem tentou gritar, mas sua frase foi distraída por
uma sequência de veículos que vinham na linha contrária da avenida.
E
antes que alguém pudesse sequer pensar em fazer alguma coisa, o Mustang 67 comprado por Edward alguns
anos antes, em homenagem a sua querida e assassinada mãe, que sempre sonhara
com um daqueles, foi arremessado para a estrada oposta – sendo jogado, acertado
e estilhaçado aos trapos por inúmeras rochas e árvores que havia ali.
Não
houve gritos, choros, gemidos ou sirenes ao redor. Apenas um silêncio
ensurdecedor, capaz de arrancar e destruir cada pedaço do coração aniquilado de
Edward. Pois, ao olhar para o banco do passageiro, e não enxergar sua pequena
garota, ele simplesmente teve vontade de morrer.
Ignorando
a dor que assolava um de seus braços e seu abdômen, o britânico deslizou para
fora do veículo, arrastando-se por entre as ferragens totalmente destruídas do Mustang. E com o choro desesperado preso
na garganta, seus olhos varreram a imensa, vazia e escura estrada derrapada dos
arredores de Los Angeles – eles foram jogados para metros e mais metros de
distância.
Mas
lá estava ela, lá estava Isabella, caída no asfalto frio da avenida deserta,
parada como uma estátua, como uma escultura gótica da Idade Média, como a
vítima de algum cenário de horror. Edward gritou, o medo corroendo cada músculo
de seu corpo, consumindo-o, dominando-o, deixando-o assolado. Destruído.
–
Anjo... – ele chorou, correndo até sua bela e frágil morena, esquecendo
qualquer tipo de dor que o destruía naquele momento.
O
britânico derrapou ao lado de sua delicada menina, engasgando-se com o choro
que destruía seu peito. E, entre lágrimas – mal enxergando um palmo a sua
frente –, ele limpou o sangue que escorria pelo rosto de sua doce Isabella.
Sangue que embebia o corpo pequeno e machucado, sangue que banhava o pescoço e
os seios gentis, sangue que deslizava por toda a barriga esbelta e estática.
Sangue que cobria a única pessoa que ele amava como um cobertor suave que a
morte desliza antes de carregá-la.
–
Anjo... – Edward sussurrou, chorando e chorando como em quando perdeu sua mãe,
choro de um menino abandonado que se vê perdido sem ninguém para consolá-lo. –
Anjo, não me deixe...
Ele
sentia seu peito vibrar de dor, a sensação infinita da angústia e da dor rasgando
seus músculos - um por um. Doía... Doía tanto que ele não se lembrava mais de
como respirar.
–
Bella, por favor, anjo... – Murmurou outra vez, acariciando o rosto
ensanguentado gentilmente, como um carinho perdido, um carinho esquecido. –
Você não pode estar morta, não pode estar... – ele soluçou, abraçando o
delicado corpo.
E
como uma prece, um pedido desesperado de socorro, Edward olhou para o céu
daquela noite, desejando em completo desespero que Deus poupasse a vida de sua
menina, que Deus a devolvesse para ele, que não a deixasse ir embora assim.
–
Por favor, traga-a de volta... – ele suplicou, sentindo seu corpo perder as
forças e se afundar na dor que o devorava – Traga-a de volta mesmo que eu tenha
que pagar com a minha própria vida. Leve a mim, mas não ela. Não minha pequena
Bella, não meu anjo...
Soluçando
como um garotinho perdido e indefeso, amaldiçoando-se por ser um infeliz
drogado, entre “por favor, por favor, por favor, meu Deus...” e “perdoe tudo o
que eu fiz, mas não desconte na minha mulher”, Edward se permitiu chorar
inconsolavelmente, velando o corpo de sua menina ensanguentada, de sua menina
perdida, de sua menina morta.
Mas
no meio de um último “por favor, Senhor, não a arranque de mim”, suas preces
impossíveis foram ouvidas. E o jovem britânico sentiu a sua Isabella respirar
outra vez, ele sentiu a vida no coração de sua garota, ele viu os grandes olhos
verdes se abrirem calmamente e fitá-los com todo aquele amor que o fazia perder
o fôlego e agradecer eternamente por aquela segunda chance.
Ela
respirava, ela vivia.
Fim
“Escolha suas últimas palavras
Esta é a última vez
Porque eu e você, nós nascemos para morrer”
Aiiiiin. O que acharam? :'(
Espero que tenham gostado apesar do final ter sido uma montanha russa de emoções! Hahahaha'
Me digam o que acharam, negads! 0/
Toodles honey
























2 comentários:
PERFEITO <3
primeiro EU DESCOBRIR O BLOGGG QUE BOMMMMM .. segundo que nao sei se vc vai ler ese comentario. eu amo lana del rey eu amo tudo daquela mulher e a sua one me fez chorar na primeira vez que li e me fez chorar de novo é linda e fala de segundas chances e eu tenho certeza que o ed fez direito dessa vez :D obrigada por escreve-la.
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