06 junho 2013

BR - Capítulo 4

Hey, babies! Como vão vocês?
Eu queria me desculpar pela demora no post... É que eu decidi terminar de escrever uma one-shot que estava há um tempão na minha cabeça, e então minha enxaqueca me fez umas visitas... Aí já viu!
Mas aqui está o cap com o tão esperado encontro dos pombinhos! Hahahaha'
Ah, e meu obrigada à minha preta bandida da Ana Kelly, que nos deu a primeira recomendação de BR! Te amo, vadia! =*
E obrigada também, à vadia mor da Aline Bomfim, claro. Sem ela, não sei o que seria de mim... Hahahaha' LOL

Espero que gostem.

- Essa é a versão RK. Para ler a versão Beward, clique aqui.

Capítulo 4: Barcelona – Parte 2

Você puxou minha cadeira e me ajudou a sentar
Você não sabe o quanto isso é gentil
Mas eu sei
(Taylor Swift - Begin Again)

Barcelona, Espanha – Café Salambó
20h15min

            O lugar era adorável! Mesmo em uma rua movimentada da região, o café era calmo, embora tivesse um tom delicioso tom juvenil. Revestido em vidro, madeira e com cores que variavam entre o dourado e o marfim, havia inúmeras mesas e cadeiras dispostas pelo local. O bar ao final do salão era acolhedor, com bancos altos e alguns barmen já se aventurando em variados drinks, ao passo que Corazón Partío, de Alejandro Sanz, tocava ao fundo.
            Robert sorriu para a bela morena que o acompanhava enquanto seguiam para uma mesa perto de uma grande janela de vidro, com vista para a encantadora Barcelona e seus antigos prédios do outro lado da rua.
            – Como conheceu este lugar? – Kristen perguntou curiosa quando se aproximaram da mesa. – É tão charmoso.
            Antes de responder, porém, ele a surpreendeu. No instante em que ela colocou sua mão sobre a cadeira para se sentar, Robert fez questão de agir mais rápido e puxar a cadeira delicadamente para a dama.
            – Por favor. – ele sorriu amavelmente, com um gesto para ela se acomodar. Kristen apenas meneou a cabeça, maravilhada, sentando-se enquanto o fotógrafo puxava sua própria cadeira, segundos depois; o Ray Ban agora puxando displicentemente a gola de sua camisa de botões, onde estava posto.
            Criada com três irmãos mais velhos, ela não estava acostumada com modos tão cavalheiros. E ela sorriu ao perceber que era deliciosamente agradável ser tratada assim, principalmente por Robert – que parecia alheio à sua atitude tão cortês. Claro, ele era britânico. Um fodido britânico saído de algum livro de William Shakespeare, para fazê-la sonhar como uma boba. Argh, ela não era esse tipo de garota. O que estava acontecendo, afinal?
            – Esse café é legal mesmo, não é? – O jovem deu continuidade à conversa anterior, sorrindo para a escritora sentada à sua frente. – Eu encontrei ontem à tarde quando saí pra fotografar a cidade.
            Kristen sorriu, tirando seus óculos escuros e deixando a flor vermelha cair distraidamente de seu cabelo. Logo, os dedos do rapaz envolveram o pequenino caule, colocando a delicada flor sobre orelha da morena. Robert apenas viu o que havia acabado de fazer quando seus olhos encontraram as íris tão verdes que a jovem possuía.
            Aquelas íris... Tão hipnotizantes e sedutoras acompanhadas pelas sobrancelhas bem feitas e delineadas que, agora, despontavam em um suave arqueio, surpresas. O nariz fino e longilíneo, os lábios tão rosados. Ele poderia observá-la por horas e horas a fio.
            – Então... – ela murmurou, mordendo o lábio inferior suavemente enquanto se recuperava da imediata aproximação – Você é fotógrafo profissional?
            – Sim, eu sou – Rob sorriu, deslocando as mãos para a mesa enquanto gesticulava. – Acabei de me formar na Brooks Institute.
            – Em Santa Barbara? Santa Barbara, Califórnia? – Questionou totalmente surpresa; os olhos arregalados. – Pensei que fosse inglês!
            – Nascido e criado no centro de Londres – ele riu, explicando-se – Mas depois do colegial, eu decidi sair das asas dos meus pais e comandar minha própria vida, então preenchi uns formulários de universidades e fui aceito em algumas dos Estados Unidos.
            – E por que a Califórnia? Tem vontade de trabalhar em Hollywood?
            – Não, não... – O britânico deu uma leve risada, repuxando os lábios em um irresistível beicinho à medida que deliberava. – Na verdade, eu queria uma mudança de ares, morar numa cidade que não chovesse todos os dias, apesar de eu amar Londres. E como Tom é ator e não estava conseguindo muita coisa por lá, decidimos nos virar e ir pro Golden State.
            – Eu sei como é isso – Kristen sorriu, sendo interrompida por uma garçonete que não tirava os olhos do seu... Do britânico.
            Após pedirem dois frappuccinos e alguns pares de donuts e cupcakes, os dois entreolharam-se, e a escritora se perdeu por entre os olhos acinzentados do inglês. Eles não eram azuis esverdeados, como notara antes, e sim cinza azulados – agora bastante perceptíveis e encantadores à luz natural do ambiente ao final do dia.
            Os olhos pequenos irradiavam um brilho simplesmente fascinante, em um misto entre o infantil e o sedutor. Era inexplicável. Era como se aqueles olhos pudessem mostrar todos os seus pensamentos mais profundos ao mesmo tempo em que pudessem esconder o maior segredo de Estado. Seus olhos eram como um livro aberto na primeira página – você se apaixona pelas primeiras palavras e, mesmo sabendo que o livro pode te decepcionar quando chegar ao meio ou ao final, você insiste em lê-lo só para saber o que vai acontecer.
            Eram apaixonantes.
            – Não acredito que a gente mora há... o quê? Quase duas horas de distância apenas! – ela riu, mordiscando a cereja de seu cupcake.
            – Então você mora em Los Angeles? – Robert perguntou, rindo com tamanha coincidência. Quais eram as chances de isso acontecer? Uma em um milhão?
            – Desde sempre! – Respondeu animada, deliciando-se com a saborosa cobertura de seu bolinho. – Sou angelina, criada em Hollywood, mas hoje moro em Los Feliz.
            – Sério? Você não parece como aquelas garotas de Los Feliz!
            – E eu não sou realmente. – ela deu de ombros – Meus pais sempre foram muito realistas e deixaram bem claro que uma vida boa não se consegue de um dia pro outro... Eles sempre quiseram que eu e meus irmãos tivéssemos uma vida confortável, mas nunca mimaram a gente.
            – O que todo pai deveria fazer! – O fotógrafo completou, fazendo Kristen assentir com um sorriso.
            – Exatamente! Claro que nossa vida não se comparava a de quem mora em Beverly Hills ou Venice, mas sempre vivemos muito bem e soubemos valorizar o que tínhamos, e isso é muito importante.
            – Você tem razão, meus pais também sempre tiveram esse cuidado e, como eu também tenho uma família grande, acho que fica mais fácil administrar isso.
            – Sim, parece que quando se tem um filho só, o mundo gira em torno dele e fica mais complicado não mimá-lo! – ela riu, acompanhada pelo britânico – Deve ser mais fácil não mimar quando tem que dar atenção a muitos pirralhos juntos; se bem que nem sempre, já que um dos meus irmãos continua debaixo da saia da minha mãe até hoje.
            – E você saiu de casa pra morar sozinha?
            – Foi, eu decidi sair de casa pouco tempo depois que fui aceita em Berkeley, e comecei a escrever em uma coluna semanal de uma revista local, sobre resenhas e interpretações literárias.
            – Uau, isso é muito legal, Kristen! – O jovem sorriu, tomando mais um gole de seu frappuccino enquanto uma seleção de músicas de Rosa López começava a soar. – E você cursa o quê?
            – Literatura Inglesa; depois do verão, eu entro no último ano. – ela falou sorridente, olhando pela enorme janela de vidro à sua direita e vendo alguns adolescentes e universitários circulando por ali, estacionando suas lambretas ou apenas caminhando pelas calçadas ao final da tarde. – E espero ser uma grande escritora um dia.
            E olhando para ela ali, estranhamente vulnerável por sobre a aparência de durona e o sorriso de menina, Robert se sentiu arrebatado por aquela tranquila e deslumbrante alma. Ele viu ali uma pequena promessa, uma pequena esperança de que os sonhos nem sempre são tão distantes quando aparentam ser. Ele não sabia explicar, mas parecia que aquela encantadora garota de Los Angeles era a explicação que ele tanto buscava para correr atrás do que sempre sonhou.
            Era como se Kristen Stewart tivesse entrado em sua vida por alguma razão de consertá-la e colocar na cabeça dura do britânico que quase nunca o que a sociedade diz, é o que a gente realmente precisa.
            – Hey! – ele sussurrou, tocando delicadamente o braço da jovem distraída, sentindo o arrepio da pele dela vibrar contra a sua – Eu tenho certeza que você vai lotar as bibliotecas com as suas palavras e com as ideias que eu sei que fervilham nessa sua cabecinha. – O fotógrafo brincou, batendo o indicador suavemente contra a testa da garota.
            Kristen o encarou, embevecida, soltando uma deliciosa risadinha com a frase do rapaz. Um sorriso torto emoldurava seus lábios docemente, fazendo-a se sentir incrivelmente bem por dentro, como se estivesse em casa. Como se ali, naquele momento, mesmo com aquele sotaque britânico, ela estivesse em seu lar.
            E, olhando nos olhos do jovem inglês, ela se permitiu ser insana e murmurar as palavras mais gentis e verdadeiras que já se permitira algum dia:
            – Quando você fala, sinto como se eu fosse teletransportada pra algum livro da Jane Austen.
            E Rob sorriu, moldou os lábios finos e rosados em um sorriso sincero e feliz que poderia iluminar todo o ocidente. Era irremediável e absolutamente entorpecente.
            A morena riu, meneando a cabeça com suas próprias palavras, deixando-se levar pelo humor leve, os versos honestos e as adoráveis expressões do britânico que simplesmente entrelaçou a alma à sua. Assim, daquele jeito único e divertido, ele a enfeitiçou tão fácil quanto uma pequena magia da madrinha da Cinderela. A diferença é que Kristen não era uma mocinha como todas as outras – mas estar ali, desempenhando aquele papel, a fez se sentir como uma garota normal, uma garota que se permite ser envolvida pela magia inconfundivelmente aterradora daquele jovem.
            – Bem, madame, “sei que é generosa demais para fazer pouco de mim”. – ele murmurou um agradecimento tímido da frase anterior; o sorriso lindo ainda brincando em seus lábios.
A escritora arregalou os olhos em surpresa. Não era qualquer um que citava perfeitamente uma das falas de Sr. Darcy – um romance platônico desde que lera Orgulho e Preconceito quando criança, seu livro preferido de Jane Austen.
– Não sabia que era um fã de clássicos da literatura! – Kristen murmurou fascinada, colocando uma teimosa mecha castanha atrás da orelha.
– Sou mais Júlio Verne, mas com duas irmãs mais velhas loucas pelos homens perfeitos criados pela Jane Austen, seria difícil não saber uma citação ou outra... – ele riu, lembrando-se das inúmeras vezes em que as gêmeas, cinco anos mais velhas que ele, vestiam-no de garota para tomar chá da tarde e falar e falar sobre as histórias românticas da escritora inglesa.
– Eu fui criada no meio de garotos, então eu ser fã dela é uma vitória! – ela brincou, fazendo ambos rirem enquanto Robert a olhava com total encantamento e curiosidade – Sempre li Robin Hood e Harry Potter quando criança, daí chegou a adolescência e passei a ler Os Miseráveis, On The Road e Profeta. – Suspirou, mordendo o lábio inferior. – Até que descobri os clássicos da Jane Austen e das irmãs Brontë.
– E você gosta? Confesso que Orgulho e Preconceito, Emma, Razão e Sensibilidade eu nem reclamo, mas O Morro dos Ventos Uivantes é de matar. – O britânico fez uma careta, arrancando uma gargalhada da morena.
– Não, não gosto tanto desse, mas Jane Eyre, em compensação, é uma história de amor linda!
– Esse eu não conheço. – ele se defendeu, sorrindo para a morena.
– Mas, para um garoto, você se saiu muito bem!
– Eu aprecio seu reconhecimento, madame! – Rob sorriu com um aceno cordial com a cabeça.
            E eles conversaram durante maratonistas minutos que foram correndo antes que eles sequer percebessem. E, no entanto, eles se sentiam donos do tempo, como se pudessem fazê-lo parar, ou adiar, ou apenas avançar sem causar qualquer problema – como se eles tivessem todo o tempo do mundo ali. Era como aquela música: “sem você, eu perco o tempo; com você, me sinto imortal”.
– E toda essa discussão me deu mais vício por essa cafeína toda. Quer mais frappuccino? – O fotógrafo perguntou entre uma risada e outra da californiana, totalmente perdido naquele som adorável que lembrava o riso de uma criança.
– Está perguntando ao bêbado se ele quer mais cachaça? – ela revirou os olhos, fazendo-o rir com seu humor divertido e nada convencional. Sarcasmo. Isso era a cara dela.
E, ainda rindo, o britânico levantou-se rumo ao balcão para buscar, ele mesmo, mais alguns cafés e doces. Kristen, porém, ficou o observando caminhar tranquilamente pelo salão aconchegante e em tons marfim, notando muitos jovens se divertindo nas mesas e rindo à vontade. Chegava a ser revigorante.
Então, aquela coisinha chamada inspiração surgiu de repente, fazendo-a retirar seu inseparável bloquinho da bolsa junto de uma caneta qualquer, sentindo o sol do entardecer começar a adentrar o café e iluminar lindamente todo o recinto.

“Eu não acredito em amor à primeira vista. Amor é algo que se constrói com o tempo, com a vivência, com a convivência. Amor é a sensação de querer proteger aquela pessoa amada, de poder impedir que qualquer coisa ruim possa lhe acontecer, de querer abraçá-la e tê-la contra seu peito até que o destino diga o contrário. Amor não trai, amor não cega, amor não erra.
Mas eu acredito em encontro de almas à primeira vista. Quando você conhece aquela pessoa e tem vontade de poder conversar com ela, descobrir sobre ela, desvendar sua vida, seu passado, seus sonhos, seus segredos e suas mais obscuras fantasias. Um encontro de almas é quando aquele sentimento inexplicável e repleto de sensações esquisitas e dominantes toma conta de si e impede sequer o raciocínio de permear suas vontades.
E, embora todos esses sentimentos sejam inexplicável e irracionalmente deliciosos, parece que ainda fica restando um pedacinho de consciência em algum lugar do seu corpo. Ou talvez não seja a consciência, mas sim o medo de ferir ou ser ferido outra vez.”

Kristen sentiu um movimento na cadeira a sua frente, olhando rapidamente para o inglês com um sorriso, vendo a luz do sol brilhar em seus cabelos, disparando cores louras, castanhas e levemente arruivadas aos fios rebeldes. Ele era lindo. E real.
E aquilo fez seu sorriso se alargar enquanto eles trocavam um olhar terno e deliciado, cheio de significados, embora não fosse realmente essa a intenção – fazendo a californiana desviar o olhar para seu papel e voltar a expor tudo o que um dia ela pudesse dizer.

“Mas acontece que se você não der uma chance de viver o que o destino lhe permitiu viver, você jamais descobrirá o que isso vai dar. Pode resultar em dois corações magoados e perdidos. Pode resultar em uma amizade eterna. Assim como também pode resultar em um sentimento simplesmente avassalador que sirva como uma bela história de ninar a alguma criança sem esperança, em algum lugar do mundo.
Basta tentar.”

            – Posso saber o que está escrevendo? – ele perguntou todo curioso, esgueirando-se sobre a mesa e fazendo-a rir.
            – Talvez sim, talvez não... – A jovem deliberou, mordendo o lábio inferior para esconder o sorriso. – Sabe guardar segredo ou vou ter que te matar depois?
            – Isso é uma ameaça? – Questionou divertido, levantando a sobrancelha.
            – Você considera isso uma ameaça? – ela retrucou, e ambos menearam a cabeça com uma risada – São só alguns pensamentos que me vêm de repente e eu anoto pra não esquecer, geralmente textos aleatórios ou ideias pra romances.
            – E eu vou poder ler?
            – Quem sabe um dia?! – Deu de ombros, sorrindo, deixando-o triplamente ansioso, encantado e mortificado. Céus, ela o enlouquecia sem ao menos tentar!
            Ela o enlouquecia com aquele cabelo esvoaçante e com suaves ondas que, à luz do sol, refletia um sedutor tom acobreado. Ela o enlouquecia com aquelas íris verdes penetrantes que pareciam dois olhos de um puma. Ela o enlouquecia com aquela voz firme e feminina, embora fosse pequena e parecesse tão frágil.
             – “It's fun to stay at the Y-M-C-A, it's fun to stay at the Y-M-C-A...” – A tão famosa música do Village People começou a soar no celular do Rob, fazendo-o arregalar os olhos enquanto corava até a raiz do cabelo antes de pegar o objeto na velocidade da luz.
Kristen arqueou a sobrancelha, prendendo o riso ao observar o constrangimento do britânico – suas bochechas ainda vermelhinhas ao atender a ligação.
– O que foi, Tom? – ele perguntou, revirando os olhos – Estamos naquele café que eu e você fomos ontem. Sim... Tudo bem, até mais. – Desligou o aparelho, voltando o olhar para a morena que ainda o encarava divertida. – Ele e Dakota estão vindo nos encontrar aqui.
Ela assentiu risonha, mexendo no brinco de argola em sua orelha.
– Sobre a música, bem... Hmm... – O rapaz coçou a pálpebra, procurando o que dizer. – O Tom vive fazendo essas merdas de mudar o toque do meu celular ou de colocar meu despertador pra ligar às três da manhã ou, então, fica postando fotos idiotas no meu Instagram... Da última vez ele colocou a música Baby, do Justin Bieber, e eu fiquei com cara de palhaço no dia do noivado da minha irmã, porque todos estavam em silêncio e aí tocou essa coisa maldita e...
Ele arregalou os olhos azuis, vendo que nem sabia mais o que estava dizendo.
– Fala algo, por favor.
– Um homem que quer demonstrar toda a sua masculinidade com certeza usa YMCA como inspiração! – Kristen tirou sarro da cara dele com um sorriso sapeca no rosto.
E, então, ela não aguentou mais, caindo na gargalhada com a careta mais fofa do mundo que o Robert fez. E ele até poderia ficar irritado com aquela provocadora se não fosse a risada gostosa que simplesmente aquecia seu coração.
Algumas risadas, implicações e dois cupcakes depois, Dakota e Tom chegaram com toda a discrição característica deles – leia-se: discussões, empurrões em público, gargalhadas travessas vindas da loura e um beicinho emburrado do moreno. Kristen e Robert não sabiam se riam ou se choravam ou se saíam correndo, fingindo conhecer nenhum dos dois.
– K, você precisava ver a cara de bebezão que o Tom fez; foi uma delícia para qualquer par de olhos maldosos! – A louquinha chegou com um sorriso de orelha a orelha que a fazia parecer uma criança sapeca. – E, Rob, seu amigo aqui é um péssimo perdedor!
– Não acredito que você perdeu a aposta, Thomas! – O fotógrafo zombou enquanto os amigos se sentavam à mesa redonda e grande o bastante para aconchegar todos eles ali.
– A culpa não é minha se tinham poucas louras naquele parque! – ele ergueu as mãos frustrado, arrancando uma risada dos outros três.
– Aham, claro – O amigo assentiu; um sorriso irônico brincando nos lábios.
– Não me diga que você é um daqueles caras que têm fetiche com apenas um tipo de mulher? – Kristen caçoou.
– Fazer o quê se eu prefiro as louras? – Tom mexeu as sobrancelhas sugestivamente para Dakota, que rolou os olhos em uma careta de nojo.
– Sua namorada é morena! – Robert o lembrou, tomando um gole de seu frappuccino de caramelo para esconder uma risada.
Kristen e Dakota engasgaram com os donuts ao passo que o britânico de olhos azuis e cabelos negros exibia um dos inúmeros sorrisos cafajestes de seu arsenal.
– Que galinha! – A historiadora riu; seus olhos arregalados. – Você é muito cretino! Não tem vergonha nessa cara, menino?
– É como eu sempre digo: o que os olhos não veem, o coração não sente!
– O Tom ainda vai sofrer na mão de uma mulher e vai implorar pelo amor dela... – Robert jogou uma macumba básica, fazendo as garotas rirem enquanto meneavam a cabeça em descrença. – Mas a Camilla sabe das galinhagens do namorado, ela é daquelas que prefere ter um par de chifres ao invés de perder o chuchu dela.
– Ih, conheço o tipo... Mas se fosse namorado meu, eu daria um bom puxão de orelha e um chute no amiguinho aí de baixo! – Kristen provocou, puxando o cabelo do moreno debaixo do chapéu, como se fossem velhos conhecidos.
– Vocês não conhecem o bom da vida! – ele sorriu, chamando a garçonete e pedindo um milk shake e alguns cupcakes, assim como Dakota. Não deixando passar a oportunidade para oferecer uma piscadela à funcionária, é claro.
Os amigos reviraram os olhos.
– Hmm... Isso tá bom! – A escritora disse com a boca cheia, tomando um gole da bebida da amiga. – Você ficou mesmo com uma garota que nem conhecia?
– Era uma aposta, ué! Você sabe que, quando me desafiam, eu fico parecendo a Monica, de Friends!
– Ah, isso é bem verdade! – ela e os outros começaram a rir, e Tom a bolar um plano para recuperar sua reputação.
– Então que tal uma partida de sinuca? – Perguntou, descansando os cotovelos na mesa e semicerrando os olhos claríssimos pela luz do sol que atravessava o salão. – No segundo andar tem uma mesa de bilhar, o que acham?
– Sinuca é comigo mesmo! – Dakota levantou seu milk shake. – Meninas contra meninos. Eu e a K vamos acabar com vocês!
– Se eu fosse você, não iria com tanta sede ao pote... – Robert provocou, trocando um olhar de vitória com o amigo.
– Você vai perder, Barbie! – O outro acrescentou antes do britânico e ele fazerem um high five.
Kristen sorriu de lado, arqueando a sobrancelha.
– Estou prevendo dois londrinos saindo aos choros daqui!
– Rá-rá! Vai perder, Kristen! – O fotógrafo falou com ar superior enquanto todos se levantavam. A morena cruzou os braços, olhando para ele.
– Não conte com isso.
Enquanto o sol baixava e as primeiras estrelas caíam, os quatro subiram as escadas de madeira do salão, chegando ao mezanino que tinha um pequeno bar, uma mesa de sinuca e vários jovens brindando e se divertindo nas mesas ali. Grandes luminárias douradas se acendiam em um canto e outro ao passo que a melodia dançante e a voz orgástica de Enrique Iglesias começavam a soar, com I Like It.
– Certo, a dupla que fizer mais pontos sai vitoriosa e escolhe o que a dupla perdedora vai fazer. – Tom falou enquanto pegava os tacos e nos entregava. – Damas primeiro!
– Olha que ele resolveu ser cavalheiro pelo menos uma vez na vida... – A loura atiçou, escolhendo a melhor posição para a tacada inicial.
– Tenho que ser cavalheiro agora porque depois vamos destruir vocês!
Kristen olhou para o Rob ao ouvir a ameaça do moreno, o que fez os dois rirem e ficarem presos naquela pequena bolha.
IRRÁ! – Dakota gritou de repente, recebendo os olhares de quase todo o café. – Ai, como eu arraso na sinuca! Na verdade, eu arraso em tudo, então não é novidade...
Ela saiu desfilando, e a morena e o fotógrafo finalmente perceberam que a partida já havia iniciado, Tom tinha encaçapado uma bola e Dakota também, em seguida – sempre discreta, óbvio.
Kristen aproximou-se da mesa assim que o britânico mulherengo errou a jogada, acertando três bolas numa tacada só e começando sua dancinha da vitória mentalmente, junto da loura.
– Ai, amiga, assim você me orgulha!
– Eu sei, eu sei, gata... – ela brincou, rindo enquanto Robert tentava acertar a próxima rodada. E strike! Ou touchdown, gol, cesta, o equivalente da sinuca.
– Não cantem vitória antes da hora, americanas. – Tom sorriu crente que não perderia mais uma aposta para a Barbie. Ou não.
– Se eu fosse você, não estaria com esse sorriso presunçoso no rosto... Vai perder em dois tempos!
A romancista fitou Rob ao ouvir os outros dois baterem boca, notando que ele ria deliciosamente antes de fitá-la de volta. Ele se aproximou da jovem rapidamente, tentando encontrar alguma palavra coerente enquanto mirava a face feminina que exibia uma expressão divertida e ansiosa – embora fosse meio difícil dividir sua atenção com as pernas alvas e tão sutilmente torneadas da garota, cobertas apenas por um short jeans surrado cheio de spikes.
– Bela jogada! Tom deve estar mirabolando mil formas de reverter a pontuação! – ele disse com um sorriso lindo.
– Só dei um pouco de trabalho pra ele – Kristen sorriu, umedecendo os lábios ao se apoiar no taco.
– Onde aprendeu a jogar assim? – Questionou curioso, querendo saber cada detalhe sobre a morena, cada coisa que ela amava, cada coisa que a fazia sorrir, cada segredo que ela pudesse esconder. Ele se sentia como um menino fascinado quando estuda o sistema solar pela primeira vez.
– Cameron, meu irmão mais velho, me ensinou. – ela disse com um sorriso nostálgico que fez Robert se encantar – Mas quando se junta um grupo de amigos loucos, algumas bebidas e Los Angeles, a gente acaba aprendendo umas dicas a mais.
– Muito útil! – O londrino brincou, erguendo a sobrancelha.
– Ah, com certeza... – Murmurou com uma piscadela. – E você, garoto de Londres? Você não é tão mal também...
– Acho que dou pro gasto! – eles riram, olhando-se tão profundamente que seria capaz de sentirem as vibrações saírem do corpo de um e atravessar o corpo do outro – Algumas noitadas em pubs têm suas vantagens.
– Sei... Você tem cara de quem passa noites em pubs tomando todas com os amigos, isso sim. – ela alfinetou com uma risada sapeca, arrancando uma gargalhada dele.
– Como você é má!
– Sou sincera, admita! – A garota desafiou, colocando a mão livre na cintura. – Você é daqueles que curte pegar mulheres, noitadas quentes, sexo sem compromisso. O básico.
– Isso é você com ciúmes? – ele provocou com seu sotaque britânico ainda mais acentuado, arqueando a sobrancelha ao se aproximar perigosamente.
– Vai sonhando. – Kristen mordeu o lábio inferior, não desviando o olhar por um segundo sequer.
– Não sei se você está muito certa sobre isso... – O fotógrafo murmurou; seu hálito doce batendo sedutoramente contra o rosto da jovem. – Sou homem de uma mulher só.
– E eu deveria acreditar?
– Ah – ele suspirou –, com certeza deveria.
E ela simplesmente se esqueceu de como se respirar. Os olhos acinzentados de Robert a consumiam por inteiro, como se tivessem a dose exata de torpor que a fizesse se esquecer de causas, consequências ou a merda que fosse sobre responsabilidade e cuidado. Ele era excitante através daquele sorriso convincente e olhar infantil – seu oposto perfeito já que o britânico sabia bem o que o sorriso de criança e o olhar maduro da garota faziam com ele.
Mas naquele instante, Kristen não sorria. Não que ela não estivesse feliz ou totalmente em êxtase com aquele homem que a tirava do sério, mas sim porque seus pensamentos estavam em um lugar muito menos apropriado do que um sorriso permitiria dar. Ela estava fascinada, encantada e totalmente obcecada por Robert Pattinson.
– GANHEI, PORRA! – A voz da louca da Dakota fez os dois sobressaltarem, pulando em seus lugares e se afastando como se nada houvesse acontecido.
Mentira, a escritora e o fotógrafo trocaram um olhar cheio de expectativas antes de sequer notarem o que havia acontecido. E eles entenderam uma pequena promessa escondida ali.
“We are the champions, my friends...” – A loura cantarolava, girando com seu taco como se fosse sua acompanhante. – “And we'll keep on fighting 'till the end...”.
– Argh, sua Barbie macumbeira! – Tom exclamava com um bico que poderia competir com o da Agnes, de “Meu Malvado Favorito”. Mesmo emburrado, ele ficava tão fofinho.
“We are the champions, we are the champions. No time for losers, ‘cause we are the champions...” – ela cantou enquanto dançava pra lá e pra cá, fazendo uma pausa dramática antes de se aproximar do perdedor e: – “Of the world!”.
Ela soltou uma gargalhada escandalosa assim como Robert e Kristen, ouvindo o branquelo, de olhos claros, rosnar e revirar os olhos.
– É, Thomas, hoje não é seu dia! – O amigo comentou divertido, colocando uma mão em seu ombro enquanto as amigas cantavam juntas a música do Queen.
– Esqueceu que você é do meu time, animal? – ele perguntou, o que fez o inglês arregalar os olhos e ouvir a risada das garotas.
– Foda-se, foi você quem perdeu – Retrucou, roubando o chapéu do parceiro e colocando em sua cabeça. Tom apenas deu de ombros, já na miséria dessa vida difícil e mal agradecida mesmo.

Barcelona, Espanha - Ruas de Sarrià-Sant Gervasi
22h14min

– Tem certeza que você não vai ficar muito fora da sua rota? – Kristen perguntou receosa, olhando para o britânico.
– É claro que não – ele sorriu, sentindo a leve brisa perfumada da cidade soprar seu rosto enquanto caminhava tranquilamente com os amigos – Eu e Tom estamos hospedados no Silken St. Gervasi, só há uns minutos daqui.
Após a partida de bilhar, os rapazes decidiram acompanhar as amigas até o hotel delas, aproveitando para passarem mais um tempinho juntos. Dakota e Tom andavam mais a frente, ainda discutindo sobre o resultado da aposta e decidindo o que os ingleses teriam que pagar por terem perdido o jogo.
A noite estava quente, bonita e estrelada como sempre, deixando Barcelona em sua costumeira beleza. Algumas pessoas passeavam por ali, algumas bebendo em barzinhos próximos, outras saindo de lojas, cheias de sacolas de compras. Era possível ouvir acordes de violão vindos de um restaurante da esquina, tocando alguma canção de Alejandro Sanz.
Robert olhou para a morena ao seu lado, caminhando lentamente e tirando uma mecha e outra de seu cabelo que deslizava por seu rosto a cada sopro delicado do vento. Os longos cílios emoldurando os olhos marcados por delineador, os lábios rosados e cheios, aquela voltinha pra baixo de seu nariz de perfil. E, então, foi pego no flagra pelo olhar tão verde e astuto que só ela possuía.
Ele sorriu ao vê-la morder o lábio e semicerrar os olhos em questionamento, perguntando-se internamente por que o britânico confundia tanto seus pensamentos.
– O que você vai fazer amanhã? – O jovem inquiriu sutilmente, contendo sua ansiedade e colocando as mãos nos bolsos do jeans; seu sotaque fazendo os pêlos de Kristen se eriçarem.
– Eu e Dakota estávamos pensando em visitar o Museu Picasso pela manhã e aproveitar os fogos de Sant Joan à noite, mas ainda não planejamos nada ao certo... – ela murmurou antes de sorrir – Por quê?
– Ouvi falar que o parque de diversões daqui é incrível. Vamos? – Perguntou com um sorriso de lado e a olhando daquela forma adorável.
– Claro, seria ótimo! E depois poderíamos emendar pra irmos à praia assistir a queima de fogos do festival de solstício.
– Podemos chamar os dois malucos ali da frente – Falou, apontando para os amigos, o que fez a morena rir.
– Vai ser maravilhoso, Robert. – ela disse suavemente, deixando o rapaz deliciado pela forma tão macia que os lábios dela se moveram ao dizer seu nome. E só então ele notou que já estavam parados em frente ao hotel das meninas.
– Passo aqui pra pegar vocês? – O fotógrafo perguntou, não querendo deixar a jovem tão cedo. Era como se ele não tivesse tido o suficiente de Kristen Stewart ainda. Era como se ele a quisesse mais e mais perto a cada segundo ao seu lado.
– Que tal nos encontrarmos lá? A loura quer comprar algumas coisas mais cedo, então nos encontramos no parque lá pelas dez.
– Ótimo, qualquer coisa me ligue ou mande um SMS... – ele sorriu, lembrando-se que tinha trocado todo o tipo de contato e redes sociais com a escritora. Tudo para não perdê-la de vista outra vez.
– Pode deixar. – Os lábios rosados brincaram com um sorriso enquanto ela se aproximava deliciosamente do britânico. – Até amanhã! – Murmurou, beijando seu rosto e abraçando-o pelos ombros. Ele era tão quente e forte...
E Rob a abraçou de volta, apertando os braços ao redor da cintura fina e esbelta da californiana, sentindo as maçãs de seu rosto queimarem onde os lábios tocaram.
– Até amanhã e foi um enorme prazer conhecê-la, Kristen.
– O prazer foi todo meu. – ela sussurrou de volta, sabendo que algo estava prestes a mudar em breve. E para melhor. 

Eu tenho passado os últimos oito meses
Pensando que tudo o que o amor faz
É partir, queimar e acabar
Mas em uma quarta-feira, em um café
Eu vi recomeçar


(Taylor Swift - Begin Again)

E, então, qual o veredito? Hahahahaha'
Me digam o que acharam da tão esperada conversa entre os dois, do jogo básico de sinuca e essa fofice entre RK! Gente, quero apertar, sos! Hahaha'
Comentários trazem capítulos, então não deixem de comentar bastante, recomendar e todo esse blá-blá-blá que ADORO! hoho'
Toodles honey

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1 comentários:

Cris Souza disse...

EBA!! Mais um capítulo de BR e mencionar ‘Corazón Partio’ é me fazer viajar nas lembranças. Adoro essa música. Aliás, adoro o Alejandro Sánz. Tenho esse cd dele, adorava ouvi-lo e cantar junto com ele. ¿Qué? Aprendí español en la escuela.... u.u kkkkkkkk #parei
Bom, deixa eu parar de suspirar e tentar deixar uma review decente.
O que dizer? Suspiros não param de sair de mim, Rapha. Ai que “encontro” delicioso. Toda a conversa, a interação, a cumplicidade surgindo, os risos, as provocações de leve...TUDO tão natural e gostoso de ler que não tem como não sorrir enquanto está lendo. Sério! Estou meio que com câimbra no maxilar porque o sorriso não saiu do rosto durante toda a conversa entre eles.
Eles se perdem um no outro e se encontram ao mesmo tempo. #suspira
É muito gostoso de ler. Ai, sua escrita é maravilhosa, menina!! Clap, clap, clap... e o que o que foi esse trecho da escrita “dela”? LINDO. Amei isso. Cada pedacinho.
Ai, ai, suspirando!!
Porém, contudo, todavia...tinha um amigo palhaço no caminho. Tom colocar YMCA como toque no celular dele é sacanagem....kkkkkkkkkkk e ele todo constrangido foi muito fofo!!! E ninguém resistiria a zoa-lo. Muito menos Kristen...kkkkkkkk #adorei
E os dois malucos divertidos se juntando a eles no café e com Dakota zoando o Tom por ter perdido a aposta foi bem legal.
Mas, PARA TUDO...o que foi essa provocação sexy pra porra e essa troca de olhares quentes entre Robert e Kristen durante a sinuca? Pelo amor de Nossa Senhora das Mulheres na Seca...tô arfando aqui com essa intensidade!!! Que sexy!! PQP! Sim, preciso xingar!!
Se Dakota não interrompe com sua cantoria com a vitória delas...as coisas iam esquentar mais. Só acho. #calor
Menina!!! Eles se perdem...se devoram e se memorizam com os olhos...são tão intensos que você sente tudo que eles descrevem um sobre o outro.
Ai, ai...não estou sabendo lidar com essa intensidade, viu! O que foi essa “despedida” cheia de promessas? Socorro...não estou sabendo lidar. Ansiosíssima pelo próximo capítulo e pelas aventuras desse quarteto exótico e divertido.
Rapha...nem sei mais o que dizer. Mas, garanto que AMEI. Amei cada pedacinho do capítulo. Descrevo a leitura dele em suspiros, sorrisos, transe e calor com essa intensidade entre eles. E totalmente deliciada e apaixonada por sua escrita.
PARABÉNS, linda!!
Beijão,
Cris <3

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