20 outubro 2013

DP - Capítulo 3

Hola! Como prometido, aqui está o novo capítulo de DP!
Queria agradecer muitíssimo ao apoio de cada uma de vocês... Os comentários me fazem sorrir que nem uma gayzona, gente! Hahahahaha' E um obrigada especial às divas que recomendaram a história! YEY!
Bella Alvarinho, Raira Ketilly Silva e nossa beta gatona, Aline Bomfim! Obrigada, vadias! Hahahahaha'

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Ride

“Eu ouço os pássaros na brisa de verão, eu dirijo rápido
Estou sozinha à meia noite
Tenho tentado arduamente não me meter em confusão
Mas eu tenho uma guerra em minha mente”

            Isabella fechou os olhos outra vez, resmungando com a luz do sol que cortava as longas cortinas de seu quarto e batia em seu rosto. E, então, ela sentiu o latejar de uma enxaqueca e gemeu, revirando-se na cama.
            Puta. Que. Pariu.
            Ela abriu os olhos rapidamente e sentou-se num salto na king size.
O que ela havia feito na noite anterior? Ela só poderia estar louca! Completa e inteiramente louca! Edward Masen, beijo, bebidas, conversas, maconha, amasso quente e nascer do sol na praia passaram como um flash em sua mente. Ela nunca – nunca – havia agido de forma tão espontânea e inconsequente assim. Mas o pior... Ela havia amado cada segundo.
            Depois de assistirem silenciosamente o dia nascer, o britânico levou Bella de volta ao Old Paul’s – e após um suave beijo nos lábios e uma promessa de que ela ligaria para ele quando quisesse se divertir, a morena partiu em seu Jaguar vermelho rumo a Bel Air. E ela apenas se lembrava de encontrar a mansão calada e quieta naquela manhã, esgueirando-se em seu enorme quarto a fim de algumas boas horas de sono.
            Apesar daquele completo estranho que a enfeitiçou, ela sentia a pequena vibração em seu peito por ter feito algo por conta própria, apenas ela e sua escolha de dizer “sim” a um mundo novo e repleto de descobertas e fascínios – sem hesitações, sem dúvidas, sem influências e extratos bancários de milhares de dólares. Apenas Isabella.
            A jovem havia experimentado um pequeno pedaço da liberdade, mas qual seria o tempo até o efeito da adrenalina passar e ela precisar de uma nova dose? Ela não fazia ideia.
            O celular vibrando entre os caros lençóis de linho a fez resmungar e tatear a cama a sua procura, vendo uma nova mensagem piscando com o nome de seu namorado.
            – Riley! – ela quase gritou, gemendo em alto e bom som, logo em seguida, ao ver que toda a merda que havia feito era ainda maior. Ela era a porra de uma garota comprometida que saíra aos amassos com um britânico quente na noite anterior! Perfeito.
            O que acontecera com ela, afinal? Ela amava Riley Biers. Bem, ela parecia sempre esperar mais dele, mas não podia pedir demais quando já possuía tudo. Ela gostava de sentir o corpo grande e quente dele contra a pele macia e de traços pequenos de seu próprio corpo. Ela gostava dos beijos suaves dele, do modo gentil que a língua trilhava seu lábio inferior e da mão firme pousada na base de suas costas sempre que eles precisavam cumprimentar incontáveis pessoas em algum jantar.
            Ela se sentia bem com aquilo. No entanto, agora ela enxergava que jamais se sentira completa.
            Por que sua vida tinha que ser assim? Ela sempre tinha tudo o que pessoas ao redor do mundo desejavam ter, mas ela nunca conseguia as coisas mais fáceis que todos tinham – ela não se sentia feliz, não se sentia plena, não se sentia nem ao menos sincera consigo mesma. Isabella Swan era cheia de um grande e espaçoso vazio.

            Com seu peito frustrado e sua mente bagunçada, ela fungou e engoliu o início de um choro patético, levantando-se da cama e seguindo até o imenso banheiro de sua suíte. As paredes de um branco reconfortante ondulavam os cômodos interligados, com uma arquitetura suave que mesclava contemporaneidade com um ar mediterrâneo. Longas cortinas brancas atravessando as portas francesas que davam para a varanda, uma king-size com mais travesseiros que as cabeças da população da Etiópia, e estantes e mais estantes de livros em meio a uma enorme televisão, uma escrivaninha e tapetes claros cobrindo o reluzente piso.
            Os olhos verdes suavemente marejados rapidamente encontraram as pílulas de Prozac em meio a cremes, remédios para enxaqueca e comprimidos que sempre lhe eram úteis. E ao sentir o antidepressivo descer com a água em sua garganta, a jovem respirou fundo, tentando colocar um sorriso no rosto e sabendo que aquele era apenas mais um dia a ser levado adiante.
            Três batidas na porta a exaltaram enquanto deitava em sua cama.
            – Filha, sou eu! – A voz de Renée atravessou a madeira clara e elegante, fazendo a garota suspirar ao se acomodar entre os lençóis e murmurar um “pode entrar”.
            – Por favor, mãe, não venha com mais um sermão – falou ao fitar os olhos grandes e azuis que se aproximavam cautelosos. – Eu acabei de acordar.
            A ruiva encarou a filha de um jeito puro e calmo, um jeito maternal que Isabella não tinha muito contato, mas que sempre a deixava tranquila por dentro. E vendo a filha com um ar adormecido na cama, os cabelos bagunçados e o corpo coberto apenas por uma camisola fina por entre os lençóis, um sentimento leve de alegria preencheu seu peito, sabendo que sua menina estava bem, afinal.
            – Eu fiquei preocupada com você, Isabella – ela murmurou suavemente, sentando-se na beirada do colchão ao fitar as íris verdes miúdas de sono. – Você saiu nervosa com aquele carro e passou o resto do dia e da madrugada fora!
            – Ah, você notou? – A morena perguntou com um leve tom de escárnio, arrependendo-se de imediato. Ela não queria uma briga logo pela manhã.
            – Você ficou chateada por eu e seu pai termos dito verdades ontem? – retrucou no mesmo tom que a filha, sempre inabalável em sua pose prima-dona. – Você apenas quer chamar nossa atenção, Isabella! Fazendo um curso que não tem qualquer proximidade com os negócios de seu pai, saindo com aquele carro sem nem dizer onde está indo... Isso quando não inventa de faltar a eventos importantes e sair fumando como uma daquelas mulherzinhas da Sunset Boulevard!
            A expressão surpresa cortou os olhos da menina. E ela se sentou de repente na cama, ignorando a leve tontura que a tomou em meio à dor de cabeça e a expressão igualmente chocada de sua mãe.
            – Isabella, me desculpe, filha...
            – Está vendo só? – ela sussurrou, encarando os olhos agora baixos da ruiva. – Você diz coisas que me magoa, mãe! Você não mede suas palavras e me machuca. Eu não quero chamar a atenção de ninguém... Eu só quero ser eu mesma, sem ter que fingir ser alguém que eu não sou.
            – Você sabe que não temos espaço pra isso nesse mundo – Renée tentou explicar, agora calma.
            – Essa não sou eu, mãe. Eu só quero viver a minha vida em paz e parece que ninguém deixa isso acontecer – murmurou suavemente, desviando o olhar quase que de maneira sonhadora.
            – Filha...
            – Mas isso não importa; eu preciso tomar um banho e me arrumar – Ela deu de ombros, empurrando os lençóis para se levantar.
            – Aonde você vai? – questionou com um leve temor em sua voz, logo sendo substituído por alívio ao ouvir a resposta da jovem.
            – Vou almoçar com o Riley, ele me enviou uma mensagem dizendo que chegou de Hong Kong essa manhã.
            E sem ao menos notar o traço indiferente no rosto de linhas suaves da filha e formando um sorriso nos próprios lábios, Renée se sentiu satisfeita – sem saber que, ao fechar a porta do banheiro, Isabella se entregou ao choro que estava preso em sua garganta provavelmente desde o dia em que nasceu.
            Era pouco mais de uma da tarde quando ela adentrou o restaurante do Getty Center. As inúmeras mesas de forros caros e brancos espalhadas pelo imenso salão estavam cheias, com pessoas conversando e sorrindo em meio a assuntos civilizados da alta sociedade. Grandes janelas de vidro rodeavam todo o ambiente, possibilitando uma belíssima vista de Los Angeles naquela tarde de sábado, com uma decoração clara em nuances de branco, creme e dourado, que apenas reluzia a luz do dia. Delicadas rosas cor de salmão e tulipas roxas decoravam lindamente as mesas, enquanto alguma bossa nova flutuava na voz de Tom Jobim, baixinho nos alto-falantes.
            Sentando-se à mesa e pedindo uma taça de vinho tinto, a herdeira tentou decifrar o que teria de tão interessante ali para trazer tantas pessoas influentes da cidade – obviamente não era a comida excelente ou o arsenal cultural que possuía. Era uma questão simples de ver e ser visto. Ela estava em seu vestido azul claro da Chanel, sua sandália Gucci e uma bolsa da Marc Jacobs. Grifes, grifes e mais grifes.
            Ela poderia reconhecer Jessica do outro lado do salão exibindo seu anel de incontáveis quilates que havia ganhado de seu noivo na semana anterior e ainda não havia se cansado de exibi-lo. Ela poderia ver também Lauren desfilando em um Loubotin com seu novo namorado podre de rico que frequentava o SoHo todos os finais de semana só porque possuía o nome em uma produção ou outra de Hollywood. Ela poderia ver Leah, duas mesas à frente, sorrindo em um flerte infrutífero com o filho desse mesmo novo namorado podre de rico de Lauren. E até mesmo Embry e Jacob circulavam por ali, imaginando qual patricinha de Beverly Hills eles iriam abocanhar naquela semana para chupar seus paus duros enquanto suas namoradas gozam com algum empresário fodido.
            De fato, apenas uma questão básica de ver e ser visto.
            Era nojento.
            Antes que a morena pudesse revirar os olhos para tudo aquilo, ela sentiu um beijinho suave em seu pescoço.
            – Oi, amor – Riley murmurou em seu ouvido, sorrindo ao beijar suavemente os lábios da jovem e se acomodar na cadeira a sua frente. – Eu tive que assinar uns papéis de última hora na empresa. Está me esperando há muito tempo?
            – Não, acabei de chegar – Ela sorriu, bebericando seu vinho ao vê-lo pedir o mesmo ao garçom. – E, então, como foi a viagem?
            – Foi satisfatória! Dessa vez conseguimos sair com uma boa margem de lucro com os chineses – respondeu com um sorriso, entrelaçando seus dedos aos da jovem por cima da mesa.
            Ele estava lindo como sempre em seu terno cinza de corte perfeito, delineando seus ombros largos e o corpo definido; a gravata vermelha em um contraste perfeito. Seu rosto estava suave e harmonioso, os traços bonitos e sutis de nariz fino e reto, lábios levemente cheios em um sorriso largo e branco. Os olhos castanho-claros e felizes evidenciando o sutil bronzeado de sua pele macia, os cabelos da mesma cor de suas íris brigando em uma leve rebeldia como qualquer jovem de 26 anos de idade.
            – E você? O que aprontou esse final de semana? – ele brincou com uma expressão divertida, fazendo-a rolar os olhos para disfarçar o leve nervosismo que a tomou.
            – Nada demais, apenas um passeio em Santa Monica e uma ida à biblioteca.
            – Que bom – Sorriu, sorvendo um gole de seu vinho e aproveitando para pegar o cardápio e já fazerem os pedidos da entrada. – Uma salada de morangos como sempre, querida?
            – Claro, está ótimo – respondeu com leveza, absorvendo a pontada de ansiedade e frustração junto do restante do álcool em sua taça.
            Quando o garçom se retirou com os pedidos, Riley olhou suavemente para sua garota, colocando uma mecha longa e escura atrás de sua orelha.
            – Eu senti sua falta essa semana – ele murmurou com um sorriso e a herdeira suspirou com a sensação de aconchego que a preencheu, fechando os olhos com os dedos dele contra o seu rosto.
            – Sentiu?
            – Muita – Assentiu, descendo seus dedos para o pescoço alvo e macio. – Fiquei imaginando nós dois naquela cidade enorme, conhecendo cada lugar juntos.
            – Tem muitos museus por lá? – inquiriu divertida, entrelaçando sua mão à do namorado enquanto olhava seus olhos brilhantes.
            – Acho que sim, eu só tive tempo de visitar o Museu de Arte – Franziu o cenho ao tentar se lembrar, logo sorrindo para sua menina. – Você iria amá-lo, assim como iria adorar os shoppings e os restaurantes. Extremamente caros e elegantes, um requinte magnífico!
            – E as pessoas de lá são muito acolhedoras? – Ela tentou esboçar um sorriso, querendo saber mais do que apenas coisas luxuosas que eles poderiam experimentar em Hong Kong.
            – Não notei realmente, mas a região oferece ótimas oportunidades pro meu negócio de softwares avançados, então os empreendedores são sempre muito promissores. – O homem deu de ombros ao sorrir desatento. – A cidade tem o nosso nível, amor. Vou levá-la até lá da próxima vez!
            – Será ótimo – Fingiu uma expressão de agrado que o empresário não percebeu, sorrindo de volta e beijando os delicados ossos de sua mão.
            – Senhores, o pedido de vocês. – O garçom se aproximou, educado em sua roupa social e engomada, e servindo ao casal que sorriu.
            E eles ficaram ali em um típico almoço de sábado. Sorriram um para o outro, conversaram sobre seus pais, os negócios de Riley e o curso de Isabella. Tiveram que parar a refeição no meio para cumprimentar quatro ou cinco pessoas – marcarem uma partida de golfe que nunca aconteceria com um deputado, fingir que assistiram ao novo filme de uma amiga atriz, dizer que marcariam uma festa no iate com uns amigos ao irem a Saint-Tropez no próximo verão, ouvir os novos boatos de que o filho de um renomado executivo havia engravidado uma prostituta de Nova York e que um amigo empresário da Wall Street havia falido após uma aplicação equivocada na bolsa de valores.
            E daí? Isabella não queria saber nada daquilo. Por que ela iria jogar golfe com um deputado filho da mãe que não fez nem um quarto do que havia prometido em sua última campanha eleitoral? Por que ela iria assistir a um filme ridículo de um cachorro falante que uma garota, que só falava mal dela pelas costas, havia feito? Por que ela iria querer fazer uma festa no iate de seu namorado para um bando de jovens que só sabiam gastar o dinheirinho do querido papai? Por que diabos ela iria querer saber que um cara que ela mal conhecia havia engravidado Kate Moss, Julia Roberts ou qualquer outra mulher? Ou por que ela iria querer saber que um empresário que ela vira uma ou duas vezes havia falido?
            Pelo amor de Deus, saber ou não de qualquer uma daquelas fofocas não iria mudar sua vida ou encontrar a cura do câncer!
            A cabeça da jovem herdeira estava dando nós com toda aquela encenação. E só haviam se passado vinte anos naquela peça de teatro. Como ela faria para aguentar mais vinte, trinta, quarenta anos? Aquele era um meio tão falso, tão manipulador, tão cruel. Um dia todos beijavam os seus pés, no outro já te apunhalavam com uma adaga de prata pelas costas.
            Futilidade era o lema daquelas pessoas, quiçá o lema dela mesma.
            A noite anterior havia sido tão sincera, honesta, repleta das mais honradas insanidades que sua mente ou seu corpo haviam presenciado e que, perto daquela piscina rasa da alta sociedade, parecia como a lâmpada mágica do Aladdin. Isabella não queria mais ficar sã e salva na superfície, ela queria pisar no fundo da piscina e sentir o que havia ali que faz as pessoas afundarem.
            Se você se mantém emergido, você não faz ideia do que pode haver lá no fundo. Mas se você está submerso, você tem a absoluta certeza do que há ali e pode escolher continuar ou então retornar ao plano raso.
            Sinceramente, Isabella Swan preferiria morrer afogada procurando pelas águas profundas do que estar numa vida limitada pela superfície.
            Ela gostaria de estar com Edward Masen naquele momento. Ela gostaria de sentir o corpo másculo e quente contra o seu, de descobrir cada coisa que havia por trás dos olhos do britânico e implorar para ele lhe mostrar toda a beleza expressionista de seu mundo. Ela já tinha o suficiente de superficialidade, de impressionismo – de belas pinturas de Monet e bossa nova. Chega de cultura para a alta sociedade, feita pela elite para a elite. Chega de belas imagens que escondiam a melancolia, chega de Wave tocando nos alto-falantes daquele restaurante.
            Era uma arte linda, de fato. Mas não era o bastante para Isabella. Não mais.
            – Vejo você amanhã à noite? – Riley sussurrou em seu ouvido, depositando um suave beijo na pele de seu pescoço ao acariciar os cabelos escuros.
            – Tem certeza que não vai poder me buscar? – ela perguntou, fitando os olhos castanhos que se sentiram brevemente culpados.
            – Eu sinto muito, querida, mas eu ainda tenho que terminar uns contratos na empresa hoje e amanhã à tarde – Beijou seus lábios, sussurrando contra eles. – Mas leve o Sr. e a Sra. Swan para o jantar, meus pais vão adorar.
            – Tudo bem – A morena assentiu enquanto eles estavam parados no lado de fora do restaurante, encostados em seu Jaguar.
            – Até amanhã, amor – ele murmurou com um lindo sorriso ao colar seus lábios novamente. Ela retribuiu o longo beijo, sentindo a língua do jovem acariciando deliciosamente a sua.
Uma sensação dúbia atravessava seu peito e sua mente – ela gostava do jovem, ela não queria magoá-lo ao parecer distante, mas também não queria magoá-lo demonstrando uma proximidade que não era tão real quanto parecia. E acabou desvencilhando seus lábios dele cedo demais, esboçando um pequeno e confuso sorriso que o fez franzir o cenho por dois segundos, logo deixando de lado para sorrir outra vez.
            – Até, Riley!
            E ao abrir a porta de seu carro vermelho e reluzente, a herdeira logo girou a chave na ignição, movimentando os dedos em um delicado aceno antes de pisar no acelerador de volta para casa. Seus pensamentos estavam tão agitados e indecisos, sempre protelando, com medo de tomar um passo brusco e acabar caindo no meio do caminho. Eram tão poucas as vezes que a garota se sentia bem em seu mundo – mas ela sempre se sentia bem com Riley, pelo menos até aquele momento.
E, então, ela se lembrava da noite anterior e dos poucos instantes que levou para logo se sentir viva e completa. Edward e Heidi foram os primeiros a fazê-la se sentir rapidamente em casa em uma dimensão tão densa e perigosa, e foram os primeiros a tentá-la a ficar exatamente ali.
Assim que parou o Jaguar na garagem e viu a coleção completa de carros italianos de seu pai ali, Isabella percebeu que ele com certeza estaria em casa. Honestamente, ela não queria arranjar uma discussão ao ouvir os sermões de Charlie sobre ela ter passado a noite fora sem dar sinal de vida e fuckbla. Ele falaria e ela retrucaria – o que iniciaria uma possível guerra civil.
A herdeira simplesmente suspirou, pegando seu maço de Marlboro Lights e acendendo o primeiro cigarro antes de fechar a porta do carro com seus quadris. E ela sorriu ao tragar e sentir o tabaco enaltecê-la na fumaça branca e calmante, saindo a passos lentos e suaves nos saltos de seus peep-toes de finas e elaboradas correntes douradas em volta do tecido preto de camurça – ao melhor estilo fashion goddess da Gucci.
O vestido azul claro de botões se movimentou levemente com a brisa – o grosso cinto marrom escuro em sua cintura dando-lhe um ar delicado e harmonioso – quando a jovem atravessou o imenso portão prateado da mansão Swan, avistando a rua de Bel Air estreita e de mão única, sem calçadas e asfalto perfeito como todas as outras. Inúmeras árvores cobriam a vista para o interior dos jardins luxuosos de muros vivos das mansões ao longo de todo o bairro, que mais parecia um condomínio, da classe alta de LA.
Enquanto caminhava por ali, entre tragadas de cigarro e o céu nublado do final da tarde, Isabella pôde ouvir o som crescente dos motores de alguma motocicleta. E então, viu Edward vindo na direção oposta à dela.
O britânico não fazia ideia do por que estava ali – apesar de sua mente insistir que ele apenas precisava ter mais uma visão da morena que o deixou completamente hipnotizado. Ele queria apenas vê-la, nem que fosse de longe, através das grades dos portões de Bel Air, mas, quando percebeu, já havia pegado sua Harley-Davidson e apertava o botão para entrar no glamuroso bairro. Foda-se se ali só tivesse celebridades esnobes, produtores metidos, executivos empertigados ou políticos mesquinhos, Edward apenas precisava se sentir no mesmo lugar que Isabella mais uma vez.
E após rodar as ruas estreitas e bem cuidadas, ele se viu na Bellagio Road, pronto para pegar o portão leste e enfim deixar essa obsessão instantânea sair de seus pensamentos, ao voltar para o centro da cidade. Contudo, a visão da linda garota apareceu – distraída ao caminhar pelo asfalto. O Marlboro entre os dedos finos de longas unhas vermelhas, as pernas esbeltas pelo salto alto e o corpo graciosamente moldado entre o vestido. Ela não parecia a menina que conhecera na noite anterior, e sim uma mulher que faria qualquer homem estar aos seus pés – embora ele não pudesse negar que, de qualquer forma, qualquer homem sempre estaria aos seus pés.
E ela arregalou os olhos maquiados assim que o viu, surpresa e deliciada pelos traços perigosos e de sorriso leve e sedutor do inglês. Ele estava lindo como sempre em seus jeans, camiseta branca, jaqueta de couro, cabelos desalinhados e olhar tentador como quem dizia “aproxime se tiver coragem”.
Isabella não hesitou ao dar os últimos passos que o deixou a sua frente, assim que ele desligou a moto.
– O que diabos você está fazendo aqui? – ela perguntou com um sorriso, confusa e completamente maravilhada.
Ele sorriu daquele jeito que somente James Dean sorriria, encarando-a deliciosamente antes de ser direto em sua resposta.
– Eu não consegui parar de pensar em você, Bella.
A californiana não sabia se era a voz suavemente rouca, o olhar profundo ou o jeito sincero que ele disse aquelas palavras, mas ela sentiu os pelos de seu corpo se eriçarem ao ouvi-las.
– Me leva com você? – murmurou ao morder o lábio inferior, precisando de ar, precisando de vida, precisando de liberdade.
– O quê? – Franziu as sobrancelhas em um tom surpreso, vendo-a se aproximar ainda mais e olhá-lo com certeza.
– Me leve com você esta noite, pra qualquer lugar.
– Eu levo – Ele sorriu outra vez, fazendo a garota esboçar seu sorriso de menina e enlaçar o pescoço do britânico, que deslizou as mãos em sua cintura antes de sentir os lábios quentes beijando-o com avidez.
Edward retribuiu com o mesmo fogo e a mesma sensação vibrante em seu peito, entrelaçando seus dedos entre os longos fios castanho da morena que puxava seus cabelos rebeldes de volta, sentindo suas línguas se tocarem e se acariciarem no gostinho delicioso que os envolveu. Ela suspirou quando precisaram afastar suas bocas para respirar; ofegantes e proibidos ao se olharem daquela maneira quente que parecia dominar os dois sempre que se viam.
E ela sorriu matreira e divertida quando subiu na garupa da moto e enroscou suas coxas entre os quadris do homem, apertando o abdômen firme por baixo da jaqueta no instante que ele acelerou e riu suavemente, avançando para as estradas de Los Angeles.
O vento acariciando seus cabelos, o som rouco da Harley, o corpo quente do inglês. Isabella não precisava de mais nada. Era como se a guerra em sua mente se transformasse em ruínas distantes de dias difíceis, era como se nunca tivesse existido. Seus olhos se fechavam e sua cabeça se movimentava calmamente contra a brisa, contra a sensação absolutamente delirante de finalmente ter saído de sua gaiola.
Eles apenas dirigiram, apenas sentiram a liberdade das ruas e da estrada aberta camuflando seus medos, seus receios, todos os seus traumas e cada um de seus demônios. Edward sentiu uma fagulha preenchê-lo como há anos não sentia, como há anos nem mesmo se lembrava. Isabella viu o mundo por outros olhos.
Quantas vezes ela já não havia dirigido sozinha em seu carro pelas mesmas estradas, pelas mesmas avenidas e rodovias? Melrose parecia tão mais viva, Rodeo Drive parecia tão maior do que realmente era, a Sunset Boulevard parecia mais bela e cheia de cores e maravilhas, e Hollywood & Vine... Ah, Hollywood & Vine estava ainda mais poética e hipnotizantemente encantadora!
Era como se a jovem sempre tivesse enxergado tudo da maneira errada, como se fosse cega. Agora ela poderia admirar cada milímetro dos encantos de sua doce Califórnia.
– Está a fim de um pouco de diversão? – Edward perguntou por cima do barulho do motor e do vento que corria contra eles, virando a cabeça suavemente na direção da garota.
– Você está mesmo me perguntando isso? – ela retrucou com uma risada divertida, fazendo-o gargalhar ao perceber sua pergunta retórica. E, então, ele acelerou através da longa e lendária Rota 66.
O céu já havia escurecido quando eles chegaram a um posto de gasolina que estava praticamente vazio e quase fantasmagórico, com apenas um caminhão e um SUV abastecendo por baixo das luzes brancas e fluorescentes das lâmpadas, e um ou dois pares de pessoas na loja de conveniência. Isabella desceu da motocicleta assim que eles pararam para o britânico encher o tanque, olhando ao redor e percebendo que a noite havia deixado a estrada aberta levemente sombria e obscura, como se seguir por aquelas direções fosse um caminho sem volta ou um precipício tão alto que você nem conseguia enxergar o que havia lá em baixo.
– Acho que está virando rotina eu te salvar de um dia entediante – Edward sorriu ao colocar a mangueira de volta na bomba de combustível, ganhando a atenção da morena que soltou uma risadinha.
– E, então, pra que tipo de diversão o herói vai me levar? – questionou com uma pitadinha de humor negro na voz, o que fez o homem se sentir ainda mais atiçado e divertido na presença daquela recente estranha.
– Na verdade, a diversão é que está vindo pra cá! – ele brincou, logo ouvindo os motores potentes em duas rodas se aproximando em um timing perfeito da estação de gás.
E em questão de segundos, cinco Harleys pretas preenchiam as vagas dos abastecedores e se amontoavam ali, os amigos do inglês entre conversas e risadas altas em suas calças jeans, jaquetas, coletes e toucas de couro, exceto pelas garotas em seus shorts, croppeds franjados ou camisetas de ombros caídos da Budweiser.
Edward ria quando puxou a morena distraidamente pela cintura, encaixando-a deliciosamente ao seu lado.
– Foi mal a demora, Masen, mas as garotas resolveram aprontar algumas pelo meio do caminho – Emmett disse maliciosamente enquanto riam, aproximando-se do rapaz em um cumprimento masculino.
– Que surpresa – respondeu irônico, arrancando gargalhadas das meninas ao passo que ele puxava sua morena para conhecer a galera.
– Quem é a gata? – James deu uma piscadela pra ela, que riu divertida.
– Essa é a Bella, nossa nova companhia – Sorriu, apontando para os amigos em seguida. – E, Bella, esses são James, Victoria, Sam e Felix; os outros quatro, você já conhece.
Victoria e James supostamente eram um casal, com seus abraços de mãos bobas e olhares cheios de segundas intenções. Ela tinha uma beleza exótica e exuberante com suas longas e onduladas madeixas de um ruivo alaranjado e grandes olhos azuis na pele alva de pequenas sardas – apenas dois ou três centímetros mais baixa que o louro de pele dourada, cabelos curtos e olhos verde azulados pequeninos pelo bonito sorriso de dentes brancos e uma barba por fazer.
Sam tinha a pele amorenada e definida, traços fortes de nativo americano e mechas curtas num castanho escuro, ao passo que Felix possuía o mesmo porte alto e forte de Emmett, pele de um suave bronzeado nas linhas bem definidas de seu rosto másculo com pequenos olhos e cabelos num mesmo tom claro de castanho.
A herdeira acenou com um sorriso, sendo bem recebida – principalmente ao cumprimentar Emmett, Rose, Demetri e Heidi, que logo tratou de inteirá-la ao grupo.
– Ah, gata, você e o garotão aqui deviam ter ficado até mais tarde ontem – A morena de olhos sedutores sorriu com seu fiel cigarro entre os dedos, oferecendo-o à garota.
– Heidi, o que você andou aprontando? – O londrino perguntou com diversão, parcialmente enfeitiçado pelo jeito tentador que Isabella tragava o tabaco.
– Nada demais, mas vocês podiam ter ficado pra uma festinha a três... – Ela esboçou aquele sorriso perigoso que era praticamente sua marca registrada, fazendo os amigos rirem e a Swan arquear uma de suas delineadas sobrancelhas como quem havia adorado a novidade. E ela mordeu os lábios deliciosamente com a ideia.
E eles ficaram por ali, apenas conversando como velhos amigos por alguns punhados de minutos. Todos insanos, chapados, sorridentes e perigosos. Todos livres. Eles não tinham medo – apenas uma obsessão pela vida que deixaria qualquer pessoa intrigada da cabeça aos pés, pensando se eles eram propositalmente loucos ou loucamente propositais. Era um enigma que ninguém precisava questionar.
Isabella entregou o cigarro delicadamente aos lábios finos e macios de Edward, sorrindo quando ele soprou a fumaça contra sua boca entreaberta e a capturou em um beijo calmo e quente. O sabor de quatro de julho continuamente ali, mostrando que a independência sempre começava com um ato de rebeldia.
E entre uma risada e outra, as garotas chamaram a jovem para irem comprar algumas bebidas e cigarros na loja de conveniência. Só havia as quatro ali, além do atendente velho e com cara de poucos amigos que lia desinteressado a algum jornal, ouvindo um som baixo da rádio local que tocava These Boots Are Made For Walking, da Nancy Sinatra.
– Ui, olha isso! – Rosalie ergueu uma revista feminina de uma das prateleiras, mostrando uma matéria de capa sobre relacionamentos quentes e BDSM, o que arrancou risadinhas das mulheres.
– Apelando pro sadomasoquismo agora, loura? – Victoria inquiriu com um sorriso ao mexer sugestivamente as sobrancelhas.
– Emmett já é intenso o suficiente, por favor! – respondeu, abanando o rosto e fazendo as três rirem outra vez.
– James então... Nem preciso falar muito! – A ruiva murmurou maliciosamente antes de desviar seu olhar para a herdeira. – Já o Edward, eu tenho certeza que deve ser quente!
Ela arregalou os olhos por dois segundos, logo soltando uma risada e olhando para as jovens, cheia de segundas e terceiras intenções.
– Quando provar, eu falo como é! – ela brincou com um sorriso, sendo seguida pela gargalhada alta das meninas à medida que caminhavam por um dos corredores calmos e pequenos da lojinha, a forte luz fluorescente lampejando ao redor.
Até que Bella notou Victoria lançar um rápido olhar por cima das gôndolas e se certificar que o homem continuava no mesmo lugar para, então, pegar uma garrafa de Johnnie Walker e deslocá-la suavemente para dentro de sua bolsa.
A garota conteve sua expressão surpresa, abaixando a cabeça para olhar Rose e ver que ela passava a mão em alguns biscoitos e colocava dentro da jaqueta.
– Gata... – Heidi sussurrou para ela com um sorrisinho, apontando com a cabeça para alguns doces na prateleira de trás, enquanto escondia dois maços de Marlboro Reds nos bolsos de seu short jeans.
E a menina sorriu ao morder levemente o lábio inferior, agachando-se para pegar algumas balinhas e as pôr disfarçadamente dentro do vestido, não resistindo ao abrir um pirulito e colocá-lo em sua boca para sugar o gostinho doce do açúcar. No entanto, o barulhinho alto do “pop” ao tirar o doce de seus lábios fez o atendente velho e barbudo olhar na direção das garotas e ver que coisa boa elas não estariam fazendo.
Hey, o que estão fazendo aí? – ralhou com sua voz grossa e rouca, arrancando um olhar assustado e de adrenalina das garotas que riram antes de correrem em direção à porta de vidro. – Devolvam isso, suas vadias!
A herdeira tentou conter o riso com o pirulito em seus lábios, sendo arrastada por Heidi enquanto corriam a passos largos até os rapazes que conversavam e riam despojados e distraídos nas motos.
– Vamos, vamos, vamos! – Rosalie gritou ao montar na garupa do veículo, seguida pelas meninas.
Eles as encararam confusos e assustados, mas ao verem o homem correr para fora do estabelecimento em busca das mulheres, rapidamente tomaram a direção de suas motocicletas – com Edward puxando a morena rapidamente para si – e saindo em disparada enquanto aceleravam a milhas por hora na estrada aberta da Califórnia.
O vento frio ricocheteava o rosto e os cabelos dos amigos inconsequentes, a risada alta das garotas e a expressão divertida dos garotos sendo as companhias da noite escura e cheia de estrelas no céu. Isabella se sentia verdadeiramente livre, como se o destino, os universos e o mundo pertencessem apenas a ela. Além de livre, era libertador.
A californiana tirou uma de suas mãos da cintura do jovem para o delicioso pirulito de morango em seus lábios, chupando-o rapidamente antes de deslizar seu rosto de maneira suave para frente e sorrir ao colocá-lo na boca do britânico. Ela pôde ver o sorriso formando no rosto másculo quando ele retirou a mão esquerda do guidão da moto para puxar o doce dos lábios e murmurar para a garota:
– Você é louca.
– O quê? – ela gritou por cima do alto ruído do motor contra a ventania da corrida, aproximando-se ainda mais do homem.
– Você é completamente louca! – falou num tom elevado e uma risada na garganta, ouvindo a gargalhada pura e límpida atrás de seu corpo. – E eu adoro isso!
Como resposta, a morena apenas apertou ainda mais o dorso do britânico contra o seu peito, mordendo a pele de seu pescoço e arrancando um riso dele no instante que ela roubou o pirulito dos lábios finos para colocar em sua própria língua outra vez.
Assim que chegaram a Hermosa Beach, Victoria e Rose saíram puxando James e Emmett ao correrem pela areia da praia deserta, enquanto Heidi pulava nas costas de Felix, e Sam e Demetri conversavam e riam de alguma coisa.
A herdeira sentiu o inglês puxá-la levemente para si, escorando em sua moto de frente à orla. Ela encarou os olhos azuis e brilhantes ao acariciar os cabelos claros.
– Obrigada, Edward – sussurrou, encostando seus narizes e deixando-o se afogar no olhar verde e intenso da garota.
– Pelo quê? – perguntou confuso, deslizando seus dedos involuntariamente pelas coxas alvas.
– Por me dar tudo isso.
Ele não precisou perguntar a que ela se referia; ambos já sabiam. Tudo o que a jovem precisava era do mundo a seus pés – não o mundo em migalhas que sua classe a oferecia em uma bandeja de ouro, e sim um mundo que não tinha ninguém para lhe servir, mas que poderia oferecer de tudo.
Edward a beijou lentamente, apreciando cada textura e pressão dos lábios e da língua quente da americana que puxava os fios de seus cabelos e fundia o corpo ao seu. E os dois sorriram quando ouviram os amigos gritarem e rirem ao acenderem uma fogueira alta e abrirem a garrafa de uísque.
Isabella tirou seus saltos, jogando-os num canto qualquer ao se sentar entre o britânico e Heidi, rindo e dividindo o gargalo do Johnnie Walker roubado à medida que ouviam as histórias de James fugindo da polícia de Nova York, quando morava em Coney Island. Ele e Victoria provavelmente teriam um ar que exalava tanto perigo quanto Heidi e Demetri, cheios de mistérios e com seus jeitos desligados quando fumavam a maconha trazida por Sam. Felix, Rose e Emmett, no entanto, eram mais desencanados – e quase lembravam o tipo “fugitivo” da herdeira que só queria escapar da realidade e encontrar um verdadeiro lar onde pudesse descansar sua cabeça.
Logo, Rosalie, Felix e Demetri pegaram as Harleys e começaram a dirigir pela areia feito loucos, com suas gargalhadas escandalosas que faziam todos se divertirem, enquanto Victoria corria e desenhava palavras no ar com um sparkler. O bastão de faíscas, formando corações e letras dos Beatles, deixava tudo com uma atmosfera encantadora e totalmente hipnotizante que, combinada à fogueira imensa e à nuvem branca dos cigarros de marijuana, parecia um sonho da Alice em seu País das Maravilhas.
E Isabella e Edward riram empolgados quando um Demetri chapado caiu da motocicleta em câmera lenta, rindo ao se estirar no chão e arrancando gargalhadas dos amigos quando saiu correndo com seu cocar de nativo-americano encontrado por ali, aproximando-se do casal e colocando-o na cabeça da herdeira com algum sinal de reverência que fez todos se divertirem.
– À nossa mais nova companheira! – falou animado, mas com uma voz levemente arrastada que arrancou ainda mais risadas dos parceiros.
Ela riu ao entregar seu baseado para o britânico e ajeitar o cocar grande e em tons brancos e azuis.
– É uma honra, senhores! – respondeu maravilhada e talvez levemente aérea.
Uma salva de palmas e assovios dos amigos insanos e completamente entregues a mais enlouquecedora das liberdades, fez a garota se sentir como se tivesse encontrado o lar para descansar sua cabeça.
– Adivinhem o que chegou pra mim hoje, galera! – Sam murmurou malicioso com algo em mãos e, em seguida, jogou pequenas pedrinhas de cocaína para os amigos.
– Caralho, Sam, como eu te amo! – Heidi gritou com um sorriso largo no rosto de traços belos e delicados, ouvindo a risada dos outros, assim como Bella, que – apesar de ter sido uma surpresa para ela – não poderia estar mais interessada e perigosamente curiosa.
– São novinhas e estão puras, vocês vão amar!
Heidi e Demetri logo dividiram uma pedra, ao quebrá-la com algum cartão de crédito idiota e enrolar um pequeno papel para dar a primeira aspirada, assim como James, Emmett e Sam, que jogou outro pedaço para Edward e sua garota.
A morena nem deu tempo de ele questionar se realmente queria fazer aquilo com ela ali, mas logo viu a jovem logo sorrindo misteriosamente para ele antes de pegar o pacotinho transparente e retirar a pedra de lá.
No entanto, ela hesitou por dois segundos, sem saber o que fazer ou como fazer.
– Bella... – O homem tentou pronunciar, confuso, intrigado e totalmente à mercê daquela mulher que o virava de ponta-cabeça.
– Venha me ajudar, Edward – ela esboçou um sorriso lento para ele que, anestesiado por aqueles olhos grandes e verdes, sorriu de volta para a californiana e apoiou a pedra branca no plano da garrafa de uísque quase vazia.
Ele pegou o cartão prateado que agora passava pela mão de Emmett, e quebrou a cocaína até virar pequenos grãos de pó, formando alguns pares de fileiras brancas e opacas. Sem precisar pensar em pegar algum papel, Isabella retirou uma nota de cinquenta dólares de dentro do sutiã escuro, retribuindo o sorriso malicioso e divertido que o britânico lhe lançou.
E ao enrolar a nota de dinheiro e formar um pequeno canudo, Edward deslocou-o para seu nariz, aspirando uma carreira completa e sentindo sua cabeça rodar e parecer amortecida por longos segundos. Ele apenas sorriu preguiçosamente para a herdeira, que, curiosa, pegou a nota enrolada e a colocou por cima da segunda fila do pó da cocaína, sugando com sua narina esquerda metade do conteúdo ali, podendo sentir suas cartilagens arderem enquanto sua mente entrava em um estado mórbido de prazer e embriaguez que a deixou tanto assustada quanto irremediavelmente maravilhada.
Seus pensamentos formavam pequenas nuvens nebulosas e adoravelmente coloridas em meio à sensação de poder e força que jamais a havia possuído de maneira tão intensa. Ela quase podia sentir seu peito pulsando com cada uma das batidas rápidas e erráticas de seu coração, seus músculos vibrando por debaixo da pele que parecia ter a vivacidade de mil deusas nórdicas.
Era como se ela fosse invencível.
Tudo era maior, mais forte, mais vivo, mais intenso. Eram risadas e gargalhadas altas que logo se misturavam a mais aspiradas e mais pensamentos e visões e sons que iam da mais feroz lucidez a mais inapta alucinação.
Edward tinha um sorriso fácil no rosto – seus olhos leves e escuros de pupilas dilatadas – quando olhou para a jovem, talvez um pouco mais sóbrio que os miligramas de pó que havia ingerido outra vez, minutos atrás. Ele viu um pequeno rastro branco nas suaves maçãs do rosto da garota, que o encarou de volta, sorrindo distraída e alta.
O inglês soltou um riso baixo e deliciado, deslizando a ponta de seu polegar em sua pele alva e macia ao retirar os resquícios brancos do pó. E, então, escorregou seus dedos até os lábios cheios e avermelhados que se abriram instantaneamente e sugaram a cocaína no dedo do homem.
Ele sentiu seu membro latejar contra a calça jeans.
A língua quente da morena rodeou lentamente o polegar do britânico, prendendo-o em uma leve sucção que quase o fez gemer vergonhosamente sem ao menos estarem nus. E sem dar brechas para qualquer coisa, Isabella colou sua boca à do misterioso Masen, sugando sua língua, seus lábios e depois os mordiscando – sentindo a ereção do jovem pressionado contra sua intimidade coberta apenas pelo curto vestido e a calcinha de renda, assim que ela sentou em seu colo.
As mãos do londrino apertaram o rosto da garota contra o seu, puxando-a e apertando-a contra si, sentindo-a em cada lugar, em cada canto, em cada esquina das juntas furiosas de seu corpo. E enquanto ela puxava e abraçava o pescoço do homem contra seu torso, os dedos longos e firmes escorregaram maldosamente para as pernas esbeltas e desnudas contra os seus quadris, adentrando a saia maleável do vestido como se já tivesse feito aquilo infinitas vezes.
Bella suspirou em deleite contra os lábios lânguidos presos aos seus, sentindo as grandes e fortes mãos do britânico massagearem a pele macia de suas coxas, subindo displicentemente para sua bunda e a prendendo num aperto que fez a jovem soltar outro suspiro. Merda, ele era tão bom...
– Edward – ela sussurrou de olhos fechados, infiltrando a mão direita da gola da camiseta branca do rapaz, logo abaixo de sua nuca. E pôde ouvir o baixo grunhido que ele soltou assim que as longas unhas vermelhas arranharam a pele de suas costas, subindo e descendo a linha de sua coluna num ritmo vertiginosamente embriagante.
Os olhos azuis e dilatados a fitaram outra vez, ambos os lábios esboçando sorrisos tencionados de prazer e insanidade que chegavam ao limiar do paraíso e, em seguida, retornavam à superfície terrestre.
Os amigos estavam em suas próprias dimensões, cheirando a baunilha e tomando goles de licor enquanto se iluminavam com os bastões de faíscas e corridas delirantes de motocicleta ao longo da areia clara da praia – sentindo a brisa marítima bater em seus rostos e acalentarem suas almas com cada onda que tocava a orla.
Entretanto, apesar de toda aquela maravilha de estar em uma terra desconhecida e completamente atraente, Edward temeu pela pequena estranha que havia tropeçado em seu caminho. Seu mundo era obscuro e sem volta, era uma realidade que muitos temiam e poucos sobreviviam – e ele tinha medo de qual destino a garota que o encantara teria forças para tomar.
Isabella, de fato, havia encontrado seu ninho e não poderia se sentir melhor. Ou, quem sabe, ela ainda fosse apenas um filhote que não estava pronto para voar sozinho?
Mas ao encarar Edward e ver seu olhar exibindo as mais infinitas sensações que iam desde à preocupação à mais incessante das euforias, ela soube que, talvez, já era hora de se entregar ao ar livre.

“Estou cansada de sentir como se eu fosse fodidamente louca
Estou cansada de dirigir até eu ver estrelas nos meus olhos
É tudo o que eu tenho pra me manter sã, baby”


Gostaram? Hahahaha' Por favor, não deixem de comentar e me deixarem sabendo o que estão achando da história! ;)
Além do mais, quanto mais comentários, mais rápido sai o próximo capítulo! E temos o REVIEW = PREVIEW! Quem comentar, recebe um MP com spoiler do cap seguinte! u.u
Obrigada mais uma vez, babies!

Toodles honey

1 comentários:

Cris Souza disse...

E cheguei em DP também!! \o/

Quê? Estava sentindo falta da intensidade que encontro aqui. u.u

Ai, ai...essa história te faz pensar e repensar sobre algumas coisas. De repente você pensa “do que Isabella reclama tanto?”. A vida dela não parece ser tão ruim assim. Ela tem tudo e pode fazer tudo que quiser. Pode fazer a porcaria da faculdade que os pais querem e conciliar com algo que queira fazer também. Mas, daí você começa a se sufocar com tanta importância ao material e à aparência, às grifes, à vida luxuosa que a cerca e então começa a se sentir presa também.

É difícil inserir-se de verdade na vida dela quando é tão distante da sua, mas você consegue simpatizar com a agonia dela. E, principalmente, você simpatiza com a necessidade de liberdade dela.

E deixando a Beward de lado (na verdade não consigo u.u), esse Riley é tão...tão...me dá sono. Ela o descreve como um “cara perfeito”. Mas, caras perfeitos não existem. E ele parece tão interessado nas futilidades que ela despreza, que não consigo vê-la suportando a encenação por muito tempo. Porém, ele realmente parece um cara bacana. Dentro da vida que ela não quer ter, é claro.

Tenso. É tenso “estar” no mundo dela. Você se sente presa com ela e sente falta de Edward. #sos

Então, quando ele surge tudo muda. O ar fica mais leve e arrepios na pele são inevitáveis. #suspiros

Bella é tão intensa que você sente junto. Seja a agonia dela quando está encenando em seu mundo perfeito, seja quando está livre e hipnotizada pela “aventura” que Edward lhe proporciona. Me surpreendi com a chegada dele. Achei que ela o procuraria de novo. Gostei disso. E gostei mais ainda da aceitação e entusiasmo dela. Se jogando nele sem pensar. Adooooro.

E quem não quer bancar a “vida loka” uma vez na vida? Ser livre e fazer o que bem entender ou quiser. Utopia, ás vezes. Outras, uma realidade possível. Você realmente compreende a necessidade de Bella. E especialmente a ligação que ela e Edward estão criando. Arriscada, sim. Porém, deliciosa de compartilhar. E, independentemente, de aprovação para o uso de drogas ou não para se sentir livre, pois acho que há formas melhores para isso, eu consigo perfeitamente compreender essa necessidade de experimentar tudo que surge para ela. E ele, obscuro e intenso, se preocupa com ela. Preocupa-se com ela no “mundo dele”. E isso é fofo. Pois, logo você pensaria que ele não se preocuparia com nada.

E aaaaaah eles são tão quentes juntos. Intensos. Excitantes. Sério! Eu me arrepio e me excito com cada detalhe, cada descrição. Eu realmente sinto junto e amo muito tudo isso!!!

Será que o filhote vai voar sozinha? São mundos extremos. E você fica presa na deliciosa espera do vai acontecer com esses dois. Como será esse voo de Isabella? Ah, tenho certeza que terá momentos deliciosamente agradáveis!!

Ah, Rapha, nem sei mais o que dizer e acho que já falei demais. História maravilhosamente bem escrita e viciante. Adorando mais a cada capítulo.

Parabéns, gata!!

Ansiosa pelo próximo! Beijão!! <3

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