21 março 2014

DP - Capítulo 9

Bow down, bitches! Finalmente cheguei depois de um atraso do caralho, culpa da minha enxaqueca e da minha faculdade. ANYWAY, estamos aqui com um capítulo fodástico de DP inspirado em uma das minhas canções preferidas da Lana. 
Espero que gostem!

Body Electric

“Elvis é meu pai, Marilyn é minha mãe, Jesus é meu melhor amigo
Nós não precisamos de ninguém, porque temos um ao outro
Ou pelo menos eu finjo”

            A porta da frente estava destrancada quando Isabella chegou em casa no meio da manhã após a pequena fuga para Nova York – e ela não se arrependia nem um pouco da noite completamente insana e adoravelmente desfrutadora enquanto ela e o britânico caminhavam em frente ao Chelsea Hotel e fingiam ser Sid e Nancy. Algumas horas depois na classe executiva da companhia aérea, ela e sua mais recente bagunça estavam de volta a LA.
            A garota tropeçou ao tirar seus sapatos de salto dos pés cansados e passar as mãos nos cabelos revoltos e castanhos, cambaleando até a escadaria da enorme mansão em tons clássicos e brancos. Ao passar pelo hall da sala de visitas, no entanto, ela estancou.
            – Onde você estava, Isabella? – Sua mãe questionou com um olhar insuportavelmente insatisfeito, sentada com as pernas cruzadas no sofá florido à medida que seu pai fingia ler um jornal na poltrona próxima à lareira.
            As longas cortinas neutras estavam parcialmente abertas, fazendo com que a luz do Sol adentrasse timidamente o ambiente e os olhos exaustos da morena se repuxassem incômodos. Ela ainda trajava o curto vestido prateado de lantejoulas e a maquiagem da noite anterior – ela estava um caos.
            – Olha só quem chegou de Frankfurt! – Sorriu ironicamente, abrindo os braços em um falso gesto de boas vindas. – Como estavam os nazistas?
            – Pelo amor de Deus, Isabella, olhe só o que está dizendo! – Renée levantou-se, a expressão séria ao estudar a filha. – Onde você estava? Isso é cheiro de maconha?
            – Maconha, tabaco, álcool, cocaína... Qual a diferença? – Ela riu, ainda chapada demais para controlar as próprias palavras.
            – Espero que essa seja uma de suas brincadeirinhas infames!
            – Foda-se – Deu de ombros, fitando seu pai que a encarava frustrado. – Olá, papai.
            – Seu cartão de créditos nos avisou que estava gastando alguns milhares em Manhattan – ele se pronunciou. – O que foi fazer lá?
            – Visitar alguns amigos, cantarolar no Central Park... – Sorriu sarcástica, e sua mãe explodiu.
            – Chega dessa palhaçada, Isabella Swan! Você trate de ficar quieta e nos dizer o que está acontecendo! – ela gritou, fazendo a herdeira se assustar e desmanchar o sorriso. – A mãe do Riley nos telefonou e sabe o que ela disse? Que você terminou com o filho dela! Que loucura é essa?
            – Eu estava cansada, mãe! – exclamou em frustração. – Riley não é o que eu quero pra minha vida! Ele não passa de um playboy que acha que é dono da porra do mundo!
            – Como pode dizer isso do seu próprio namorado?
            – Ex.
            – Não acredito nessa loucura! – falou desesperada ao colocar a mão na testa e ofegar raivosa. – Charlie, faça alguma coisa!
            Ele suspirou, caminhando até a filha.
            – Isabella, preste atenção no que está fazendo. – murmurou alterado em seu perfeito terno Armani. – Você está jogando um futuro imenso pelos ares! Riley é um jovem bem sucedido e adorado pela mídia, você seria a esposa perfeita e estaria na mira dos melhores veículos sociais.
            – Mas eu não quero isso! – ela gritou exasperada, encarando os olhos castanhos do pai. – Eu não quero aparecer toda hora na imprensa, ser perseguida por pessoas falsas e ter que fingir uma felicidade! Eu não sou esse tipo de pessoa.
            – Você está sendo imatura...
            – Imatura? Estou sendo sincera! – explicou com a voz cansada e os olhos pesados. – Eu não quero a vida de vocês, eu não quero ser feliz apenas daquela porta pra frente. Eu quero ser feliz de todas as maneiras possíveis, e se nenhum de vocês consegue enxergar isso, eu só tenho a lamentar.
            – Você não é assim, Isabella! – A ruiva disse em um tom de quem se divertia ao ouvir o comentário.
            – E alguma vez vocês pararam pra ver como eu sou de verdade? Vocês já me deixaram ser eu mesma? – perguntou frustrada, escondendo o olhar choroso e a garganta começando a se embolar.
            – Quanta bobagem! Você é tão fraca a ponto de não suportar um casamento pra ter um futuro imenso pela frente? – A ruiva comentou irônica; os olhos azuis exaltados. – Você vai sim se casar com o Riley e fingir ser a mulher mais feliz desse mundo! Hoje mesmo você vai até o apartamento dele se desculpar e dizer que tudo não passou de uma crise de ansiedade...
            – Como é que é? – gritou; o traço de mágoa e incredulidade flamejando em suas íris.
            – Você vai voltar atrás nessa decisão ridícula!
            – Quer saber? – Ela engoliu o choro que teimava em um caroço, encarando seus pais com ódio, remorso e uma pontada de ressentimento que devastou seu próprio peito. – Vocês que fiquem aí com esse orgulho e essa falsidade. Eu não participo mais desse teatro.
            – O que você quer dizer com isso, Isabella? – Sua mãe gritou, seguindo-a pelas escadas até o quarto da jovem, que invadia o closet e jogava suas roupas e seus pertences em uma mochila qualquer. – Não me venha com alguma merda pra chamar atenção, garota!
            – Eu estou cansada! – berrou com um choro que não conseguia conter mais, jogando suas coisas na bolsa com os olhos embaçados e a respiração arquejante. – Eu não sou assim, eu não quero essa vida de aparências. Eu não quero.
            – Você está sendo fraca e tola! – A mulher repreendeu, continuando a segui-la até o banheiro onde ela jogava dúzias de cremes e remédios na mala improvisada. – E vou ligar pra todas as suas amigas, proibindo-as de deixar você fazer esse teatrinho na casa de alguma delas! Vai ter que voltar pra cá quando nenhuma delas a aceitarem.
            – Não se preocupe, mamãe – Ela cuspiu em acidez ao jogar a alça pelos ombros e se virar para a ruiva. – Seus pezinhos de boneca jamais pisariam no lugar pra onde estou indo!
            E sem qualquer outra palavra, Isabella correu pelos degraus e bateu a porta da frente, arrancando seu Jaguar para o único lugar que realmente poderia chamar de lar – e deixando uma Renée irritada na sala de visitas junto de um Charlie que mais se importava com a coluna da bolsa de valores no LA Times.
Sua cabeça estava uma bagunça atordoada, o corpo pequeno tremia e a morena enxugava as lágrimas com força enquanto dirigia rumo ao centro da cidade. Ela simplesmente não conseguia entender como tivera coragem para brigar daquela forma com seus pais – mesmo após seus pequenos surtos rotineiros. Daquela vez ela se sentia mais do que apenas uma rebelde sem causa vista como inconsequente pelos pais. Daquela vez ela estava profunda e dilacerantemente magoada, e ela faria o que fosse possível para tirar aqueles pensamentos tenebrosos de sua mente e se sentir viva e feliz ao lado do inglês que realmente a fazia experimentar as melhores e piores coisas.
Ela não se importava com o Céu ou com o Inferno naquele momento. Isabella estava apenas em busca do Paraíso. E foi exatamente como ela se sentiu assim que bateu na porta do apartamento de Edward e ele a recebeu com um olhar preocupado e um abraço.
– Bella, o que aconteceu? – ele indagou aflito, puxando a garota para dentro do cômodo e jogando a mochila em seu sofá.
– Meus pais – sussurrou abatida ao fitar os olhos azuis, suas lágrimas agora secas. – Minha mãe me disse tanta coisa... Ela quer me obrigar a casar com Riley e me chamou de tola e fraca por não aguentar um pouquinho de infelicidade em troca de um status social.
– Meu Deus, Bella...
– Eu posso ficar aqui? – Mordeu o lábio inferior, confusa e com medo. – Pelo menos por enquanto.
– Claro que sim! – Ele beijou sua testa, envolvendo-a em seu peito. – O tempo que quiser, anjo.
E ela se sentiu acolhida ali, como se realmente fosse bem vinda e querida, como se pudesse ser quem quisesse ser sem o risco de ser criticada ou ter mil pedras jogadas sobre seu corpo. Ela se sentiu em casa.
– Vai tomar um banho, você precisa esfriar a cabeça e descansar – O londrino falou ao colocar o rosto delicado em suas mãos e fitar os grandes olhos verdes. Ela parecia uma boneca de porcelana prestes a se quebrar e ele sentia uma vontade irrefreável de cuidá-la e jamais deixá-la cair.
Assentindo e com um “obrigada” sendo soado baixinho pela voz feminina, a jovem pegou sua mochila e caminhou para a suíte à medida que Edward seguiu para a cozinha.
O quarto estava parcialmente escuro com as cortinas pretas entreabertas quando Bella tirou seus sapatos e os jogou em algum canto, tirando seu vestido e ficando com a lingerie preta da noite anterior. E enquanto revirava uma das gavetas do pequeno closet em busca de uma toalha, seus olhos grudaram no saquinho transparente armazenado bem ali.
Era como se a solução para os seus problemas estivesse diante dela, chamando-a e clamando-a por uma saída perfeita para o barulho em sua mente. Ela não se sentia como Eva cobiçando o conhecimento na fruta da árvore proibida, ela se sentia cobiçando exatamente a falta de conhecimento da névoa a que todos os seus problemas seriam dissolvidos. Sem mais aquele aperto no peito, sem mais aquela gritaria ensandecida em sua cabeça.
A herdeira olhou ao seu redor por um instante, pegando a cocaína guardada no pacote e quebrando uma das pedras sobre a cômoda. Ao encontrar um papel, ela o envolveu como um canudo e, após separar uma carreira oca do pó branco, todos os seus neurônios foram banhados pela anestesia ao aspirar cada partícula. E ela sorriu ao sentir seu nariz arder e então coçá-lo rapidamente, prendendo-se à sensação escandalosamente maravilhosa preenchendo todas as células de seu corpo.
De fato, era como se os problemas presos em seu cérebro fossem dizimados. Ela sentia a força em seus músculos, o sangue em suas veias e cada batida extremamente gloriosa de seu coração. Nada de dor, nada de incômodos. Apenas aquela alucinação embriagante de estar livre e absolutamente escudada por mil exércitos, como se nada pudesse a atingir.
De repente, ela estava bem.
Sorrindo e limpando os resquícios do pó em seu rosto, a morena guardou o resto da cocaína e pegou uma toalha, seguindo para o banheiro e, enfim, deixando a água mergulhar no corpo relaxado.
Durante metade do dia, ela e Edward compartilharam a cama macia do quarto, empoleirando-se entre os lençóis com beijos, amassos, conversas lentas e sussurradas junto de alguns cigarros de marijuana. A fumaça saía pela janela entreaberta enquanto apenas sentiam um ao outro e o sabor de suas línguas envolvendo-se entre si, alimentadas deliciosamente pelo sabor da erva e carícias intensas de um carinho que desconheciam.
Falaram sobre tudo, falaram sobre nada – simplesmente sentiam o calor um do outro e seus músculos apetecendo com cada vibração corpórea de aconchego, crentes de que além de toda a loucura que levavam para suas vidas, eles estavam certos em ficar juntos e permanecerem juntos. Poderia ser até errado a forma que tentavam descobrir o mundo, mas era furiosamente certo que, mesmo da forma incorreta, eles eram corretos em se conhecerem.
E no meio da tarde, ambos decidiram se vestir e pilotar pela cidade em busca de diversão. A Harley-Davidson roncava seus motores e Bella apertava suas coxas entre os quadris do rapaz, usando seus All Stars vermelhos, um short jeans qualquer e uma camisa azul turquesa de mangas curtas com pequenas flores onduladas, amarrada em um laço na barra. O inglês, é claro, estava em seu irresistível jeans escuro e camiseta preta.
Entre a estrada aberta, o sol californiano e as palmeiras se movimentando conforme a brisa, ambos se viam em alguma parte de Los Angeles que a herdeira não conhecia. Ela podia sentir o mar em algum lugar não muito longe, o calor acariciar sua pele e logo se viu caminhando de mãos dadas junto de Edward assim que estacionaram no gramado de uma bela casa branca de madeira. Na imensa varanda da frente, ela sorriu ao avistar Heidi, Rose e Victoria conversando entretidas ao passo que Demetri, Emmett, James e Sam riam sentados num antigo Bel Air conversível verde aspargo.
– Olha só quem apareceu! – Demetri brincou com seus cabelos castanho-alourados ao pular do capô do carro.
– Minha garota precisava de um ar – Sorriu ao jogar um dos braços sobre os ombros da morena. Ela soltou uma risadinha, tirando a franja dos olhos em seu penteado solto e delicado com uma presilha.
– Onde vocês estavam na noite passada? – James perguntou ao soprar a fumaça de seu cigarro. – Perderam uma fuga interessante contra a polícia.
– O que vocês fizeram? – O britânico riu, sentando-se no capô e puxando a garota entre suas pernas.
– Estávamos armados quando roubamos a 7-Eleven.
– Ideia da Heidi, obviamente – Demetri provocou.
– O que eu fiz dessa vez? – Ela cruzou os braços ao se aproximar, esquivando-se do ex-namorado também inglês.
– Estávamos falando sobre ontem e seu surto de adrenalina – Emmett falou ao ligar o rádio do veículo e sintonizar alguma canção do The Doors.
– Ah, sim! Estávamos precisando de diversão. – Ela soltou uma risada, acomodando-se ao lado do casal com um sorriso. – Oi, garotão! Bella, eu senti sua falta, little bitch.
– Eu também – murmurou ao sorrir, sendo puxada pela mulher até as escadas da varanda enquanto o bad boy conversava alguma coisa com os garotos.
– Vai um? – Ofereceu um cigarro ao se sentar em um dos degraus, muito bem aceito pela californiana. E como não tinham nenhum isqueiro, Isabella fitou os olhos castanhos da morena ao colocar o cigarro em seus lábios e encostar a ponta do seu ao que estava na boca de Heidi, acendendo-o lentamente.
Ela soprou com suavidade a névoa branca e sorriu maliciosamente contra o olhar da garota, logo surgindo com um assunto.
– Essa casa é sua? – inquiriu ao olhar para trás e acenar para as outras duas mulheres.
– É da Rose e do Emmett – Tragou o tabaco ao responder, admirando os homens rirem, fumarem e compartilharem uma garrafa de Jack Daniels. – Eles moram juntos desde que conheço a loura.
– Onde vocês se conheceram?
– Somos garçonetes num restaurante em Venice – Deu de ombros, encarando os olhos verdes. – Meus pais morreram há dois anos, então larguei a faculdade e logo conheci a galera.
– Eu sinto muito.
– Está tudo bem – Sorriu de lado, franzindo as sobrancelhas delineadas por dois segundos. – Mas e você, Bella? Diga-me o que uma garota como você faz aqui.
Ela suspirou, mordendo os lábios.
– Minha vida é uma merda, Heidi. Eu me sinto sufocada – murmurou tristonha, enxergando o claro azul do mar ao longe do outro lado da rua. – E agora tem o Edward – Ela sorriu de repente. – Eu sou louca por ele.
– Isso é bem perceptível – falou com uma risadinha, deitando a cabeça no ombro da jovem. – Eu nunca vi o garotão mais de duas vezes com a mesma garota.
– Sério?
– Vai por mim. Ele está louco por você também.
– Sabe... – ela comentou baixinho, fazendo a morena a olhar. – Edward é sempre tão misterioso e fechado... Ele me contou algumas coisas sobre seu passado, mas ainda é tão solitário e introspectivo.
– Dê tempo a ele – disse com um pequeno sorriso. – E prepare a si mesma para o que ele lhe disser. Eu não sei sobre o que ele passou, mas tenho certeza que você vai ajudá-lo de alguma forma.
A herdeira sorriu, puxando a garota para um abraço.
Minutos depois, Rose surgiu com um sorriso, garrafas de cerveja, maços de cigarros e alguns pares de baseados repletos de cannabis. A cabeleira loura se iluminava à luz do Sol que estava perto de se pôr, abraçando Emmett e sorrindo ao dividir as tragadas. As garotas rapidamente foram até eles e bebiam, conversavam e fumavam enquanto tinham suas mentes altas demais e sorrisos fáceis no rosto.
O britânico beijou o pescoço da californiana quando a puxou para a grande mesa de madeira num lugar afastado do jardim gramado, sentando-se lado a lado e sentindo a brisa das palmeiras ondular seus cabelos contra o céu dourado do fim de tarde. Isabella sorriu ao tragar o tabaco e soltar a fumaça suavemente, colocando o cigarro entre os dedos e o colocando sensualmente entre os lábios do homem, que sorriu de lado, extraindo e distribuindo a bruma no ar.
– Você é uma pequena tentadora, Bella... – murmurou em seu ouvido, beijando o lóbulo entre o grande brinco de argola, deslizando-se para a boca entreaberta esperando pela sua.
– Eu sou o que você quiser – falou ao encarar o fundo dos olhos azuis terrivelmente desejosos, mordendo o lábio inferior fino e rosado. – O que você quiser.
Ela o beijou cautelosamente, sentindo a língua áspera acariciar a sua e as grandes mãos engancharem nos fios de sua nuca, puxando-a para senti-la ainda mais. Ambos ficaram ali, provocando-se, beijando-se, sentindo-se perigosamente atentos um ao outro embaixo das nuvens douradas do crepúsculo. E a jovem sorriu ao encostar-se no peito do inglês e encontrar um daqueles brinquedos de soltar de bolhas jogado na mesa onde estava sentada.
– Olha só... – murmurou divertida ao retirar a haste e soprar dezenas de bolhas de sabão. Os lábios de Edward repuxaram-se num sorriso ao estourar as pequenas esferas que dançavam no ar.
A morena colocou o cigarro em sua boca por um instante, devolvendo-o ao rapaz enquanto assoprava a fumaça dentro das pequenas bolhas que ficavam opacas e brancas, fazendo-a sorrir ainda mais. Depois distribuía as pequenas esferas com o ar puro de seus pulmões, observando-as brilharem e refletirem a cor dourada e esverdeada dos céus e das palmeiras em movimento, até que elas se cansavam de flutuar e caíam na grama ou simplesmente murmuravam um baixo “ploc” ao serem estouradas.
E Isabella descansou o corpo contra os músculos do londrino, sentindo seu ar preencher as pequenas bolhas mesmo quando o dia caiu e a noite começou a aparecer através das pinturas escuras do alto.
– Hey, tá rolando uma festa na casa do Paul – Demetri expressou um sorriso alto através das luzes do poste e da varanda. – Vamos?
– Acho que eu e a Bella vamos voltar – O londrino falou ao se aproximar e colocar a mão ao redor da cintura fina.
– Por quê? – Ela franziu o cenho, logo sorrindo para ele. – Vai ser ótimo.
– As festas do Paul são diferentes. Tem certeza que quer ir?
– Claro que sim! – Sorriu, virando-se para a galera. – Eu não perco isso por nada.
E ligando o “foda-se” para qualquer tipo de preocupação que poderia exalar, Edward arrastou a garota para sua motocicleta assim como James e Victoria. Os outros saltaram no antigo carro de Emmett e cantaram pneu rumo à festa há poucas milhas dali.
Cherry Bomb estourava nos alto-falantes vindos de uma casa escura e cheia de pessoas. A música de The Runaways agitava em seu hard rock setentista assim que o grupo de amigos chegou, sorrindo e deixando-se levar pela guitarra pesada, pessoas conversando e dançando animadas no jardim penumbroso enquanto, dentro da propriedade grande de dois andares, gente pulava, bebia, ria e escandalizava no ritmo da música.
Apesar do tom sombrio, Isabella amou cada pedaço daquele lugar. O som vindo da sala escura energizava a galera – as paredes tinham discos de vinis pendurados, tons vermelhos e esverdeados e luzes que piscavam e pareciam deixar o movimento ainda mais vibrante a ponto de embriagar. Uma forte fumaça de tabaco e maconha tomava conta de todo ar e o britânico ofereceu um copo de cerveja para a garota que pulava e se divertia ao sentir cada pegada do rock.
– “Hello, daddy, hello, mom. I’m your ch-ch-ch-ch-cherry bomb!” – ela gritou junto da música, pulando, jogando seus cabelos, perdida em si e em seus pensamentos.
Ela era uma pequena bomba de cereja prestes a explodir. O dia com seus pais havia encurtado o pavio e ela podia sentir as faíscas se aproximando cada vez mais dos explosivos em seu corpo, pronta para mostrar ao mundo para o que realmente viera e estivera pronta.
Olá, mundo! Ela era sua garota selvagem que não tinha absolutamente nada a perder.
Edward sorriu para ela, arrancando a bebida de sua mão e jogando em um lugar qualquer enquanto enlaçava as grandes mãos em sua cintura. Ela o encarou suada e ofegante, sorrindo aos quatro ventos e finalmente leve por dentro.
– Você é um perigo, Isabella – murmurou encarando as íris verdes que o hipnotizavam. E o sorriso da jovem aumentou.
– Eu sou sua cherry bombdaddy! – gritou animada, jogando os braços em seus ombros e o puxando para um beijo quente e avassalador.
            – Eu vou cumprimentar um pessoal – ele falou em seu ouvido. – Quer vir comigo?
            Ela meneou a cabeça negativamente, roubando a cerveja de alguém que passou ali perto.
            – Vou encontrar as meninas!
            E após ganhar mais um beijo nos lábios, a herdeira seguiu pelo ambiente cheio de pessoas que pulavam, avistando Heidi e as outras duas mulheres sentadas no sofá com algo que ela sabia muito bem ser cocaína.
            – Já estão se divertindo sem mim? – ela brincou ao se sentar entre a ruiva e a morena, vendo a última sorrir.
            – Vamos começar agora, gata – murmurou, espalhando as pedras na mesa de centro e, então, quebrando-as com o fundo de um copo com alguns resquícios de uísque. – O segredo está em sentir cada partícula de cada pó.
            Ao falar, ela se curvou para o vidro e aspirou a pequena fileira branca, entorpecendo-se até o cérebro.
            – Você sente cada parte do seu corpo vibrando. – Sorriu completamente aérea. – Sua vez.
            Isabella fez exatamente o que a garota havia feito, inclinando-se e movendo sua narina ao longo de toda a carreira da droga. Um sorriso brincou em seus lábios à medida que ela sentia suas cartilagens arderem em sensibilidade, subindo aquela sensação indescritível entre seus olhos e sua mente instantaneamente embriagada.
            – Você tem que sentir o pó banhando seus neurônios... – sussurrou no ouvido da bilionária. – Sentir a droga enviar uma onda de energia por cada célula...
            – Sim… – murmurou chapada e maravilhosamente bem anestesiada entre a experiência extracorpórea. Era como se ela pudesse experimentar mil sensações em uma só, vibrando, suando, correndo por dentro e sentindo-se instigada por cada espasmo provocante em seus músculos.
            – Você pode sentir? – Heidi inquiriu baixinho com o nariz tocando a pele sensível de seu pescoço.
            – Eu posso sentir tudo – Esboçou um sorriso satisfeito e distante, fitando as íris castanhas e marcadas pela maquiagem bem feita.
            A amiga sorriu e então Victoria puxou as duas e Rosalie para a pista de dança no meio da sala. Black Sabbath explodia com Paranoid ensurdecedoramente alto nos tímpanos e no corpo de cada um ali, pulsando enquanto as garotas pulavam, dançavam, moviam-se insanamente na melodia ainda mais pesada e contagiante.
            – Porra, eu amo essa música! – Heidi gritou ao se sentir vibrando e enlouquecida em cada ritmo e instrumento, pegando copos de cerveja quando a herdeira encontrou uma garrafa cheia de Smirnoff jogada em uma das poltronas.
            Ela se banhou em vodca e sentiu a bebida arder em sua garganta, jogando para as mulheres e rindo, berrando, totalmente envolvida na área da legião de soldados invisíveis que cobriam seu corpo como um manto. Eles a protegiam, mostravam-lhe o melhor do mundo da forma mais burlesca e rude possível, fazendo-a se apaixonar pela loucura maravilhada de um universo paralelo de pensamentos e ideias insanas.
            A ruiva de longos cabelos ondulados puxou Isabella para um dos cantos da varanda onde o som ainda vibrava em volumes irreais, vendo inúmeras pessoas pintando seus rostos de caveiras e sorrindo dementes e psicóticas com a fantasia facial. As duas e mais pares e pares de homens e mulheres coloriram seus próprios rostos com a mesma imagem mortífera e as duas riram ainda mais ao se sentirem alucinadamente perdidas e embriagadas com as drogas, as bebidas, as músicas e as pessoas suadas e enérgicas rodeando-as.
            A voz de Ozzy Osbourne parecia ainda mais alta e aguda quando retornaram para dentro, pulando e dançando enlouquecidas ao berrarem absurdos e palavras desconexas. As luzes estavam sombrias, a canção era pesada, o povo quente e o calor pareciam acalentar a morena – e ela nunca se sentiu mais viva.
            Ela cantava o corpo elétrico.

“Eu canto o corpo elétrico
Os exércitos daqueles que amo me envolvem e são por mim envolvidos,
Eles não me deixarão em paz até que eu os atenda ou os responda
E descarregue-os e carregue-os por completo com a carga da alma.”.

            Bella sentiu um corpo vibrante e perigosamente quente em seu dorso, rodeando longas mãos em seus quadris e remexendo-se sensualmente com o corpo sedutor na melodia de cada instrumento. Ela sorriu quando os dedos do homem deslizaram por seus lábios e depositaram uma bala de êxtase em sua língua ansiosa por vibrações interruptas de calor e magias radiantes de forças físicas.

“A feminilidade e tudo o que é da mulher — e o homem que provém da mulher,”

            Sentindo o sabor adocicado da droga em sua língua, ela a chupou deliciosamente e deslizou sua mão para a nuca de Edward atrás de si, puxando os fios dos cabelos castanhos drogados e alucinados em um desejo que ele não poderia reprimir. A boca do britânico circulava pelo pescoço alvo da jovem e sugava, lambia e mordia a pele que fazia seu corpo tremer.

“O ventre, os seios, os mamilos, o leite materno, as lágrimas, os sorrisos, o pranto, olhares amorosos, perturbações do amor e excitações,”

            As mãos grandes e ásperas deslizavam pelo corpo pequeno e esbelto enquanto seus lábios chupavam a tez perfumada, escorrendo seu toque pelos seios intumescidos e firmes em vontade, apertando-os e sentindo a garota se arrepiar sob seu corpo.

“A voz, a dicção, a linguagem, o murmúrio, os gritos altos,”

            – Edward... – Ela suspirou ao fechar os olhos e puxar ainda mais os fios de seus cabelos, ouvindo-o rosnar contra seu ouvido.
            – Você acaba comigo, Bella – murmurou ao morder a orelha, apertando ainda mais os seios e colando as costas em seu peito.
           
“Comida, bebida, pulso, digestão, suor, sono, passeios, natação,”

            O suor escorregava da nuca pálida em contraste aos longos fios escuros e o inglês mordeu bem ali, fazendo-a se arrepiar outra vez e soltar um gemido que o deleitou. Ela o sentia experimentar, fazer e dizer coisas que estavam além de qualquer entendimento ou estudo em sua mente, que ele simplesmente não conseguia controlar e dominava cada ponto e cada junta e cada circulação de seu corpo suspenso em um desejo perturbador.

“O equilíbrio dos quadris, os saltos, as flexões, os braços que se curvam para abraçar as pernas,”

            Uma das pequenas mãos se esticou para tocar a coxa do homem coberta pelo jeans áspero, cravando as longas unhas através da textura ao passo em que sentia a ereção pressionada em seu traseiro e os braços musculosos circundando e envolvendo seu corpo pequeno como uma pequena criança travessa. Uma pequena lolita.

“As modificações contínuas dos movimentos da boca e em torno dos olhos,”

E então ele puxou o rosto pintado rumo aos seus lábios, beijando-a, sugando sua boca, sua língua, sugando cada sabor com o palato da vida, o palato do saber, do viver, do sentir, do ser. O jovem entrelaçou os dedos nos cabelos da menina e a sentiu ainda mais prensada em seu corpo, transmitindo sua vibração, seu aconchego, seu calor.

“A pele, o bronzeado que o sol lhe causa, as sardas, o cabelo,
A curiosa sensação que se tem quando se apalpa a carne desnuda de um corpo,”

            As bocas se desgrudaram ofegantes e ansiosas, e Edward virou a garota de frente para ele. Ela sorriu ao ver a face pintada como uma caveira bela e assustadoramente desejosa, mordendo o lábio inferior do rapaz enquanto descia seus beijos insanos e erráticos pela mandíbula coberta por uma suave barba por fazer, mordiscando o lóbulo da orelha e, então, umedecendo-o e assoprando deliciosamente. Ele rosnou, apertando-a contra si.

“Os círculos recorrentes da respiração, aspirando e expirando,”

            Suas respirações ofegavam e arquejavam contra o calor excessivo, os beijos quentes, os corpos vulcânicos e as bebidas, as drogas percorrendo caminhos inseguros de seus cérebros em busca de alucinações exatas e referidas em seus olhos como loucuras visuais. Isabella não sabia mais identificar o que era real ou não, apenas observava os borrões ao seu redor, as caveiras loucas e felizes dançando e pulando e o homem a sua frente espremendo-a contra seus músculos definidos e deliciosamente perturbadores contra a pele em chamas.

“A beleza da cintura, e logo dos quadris, e ainda para baixo em direção aos joelhos,”

            O britânico deslizou suas mãos para os quadris da herdeira, apertando a bunda firme entre seus dedos ansiosos e controlando a vontade insana em deslizá-los por dentro dos jeans curtos da garota para encontrar sua feminilidade quente. Ela ofegou ao beijá-lo outra vez, deslizando seus toques pelos ombros do rapaz e sentindo-o vibrar contra ela ao ritmo hipnotizante da música.

“Os pequenos glóbulos vermelhos dentro de ti ou de mim — os ossos e a medula dentro deles,
A fantástica conscientização da saúde;”

            E assim, ela descolou seus lábios com um sorriso perigoso, os olhos cansados e o corpo estranhamente parecendo vivo e tenaz demais. Edward sorriu ao encarar as íris verdes expressivas e completamente embriagadas, perdidas em algum espaço entre as consequências e o tempo.
            Ela riu, erguendo os braços e pulando com a batida da guitarra ensurdecedora à medida que os rostos ao seu redor pareciam obscuras fantasias fantasmagóricas que a atormentaram em algum momento de sua vida. Mas naquele momento ela não se importava mais. Ali era outra Isabella, outra menina, outra mulher que estava disposta a experimentar cada gosto novo que a vida e o mundo poderiam lhe proporcionar.
            Sua cabeça girava, seu corpo parecia ter vida própria e seus olhos enxergavam mistos de borrões, fantasmas e caveiras que a enlouqueciam e a hipnotizavam enquanto dançava e pulava com cada batida. A alucinação fazia sua visão enganar demais, sua audição sentir demais e seu tato parecia perdido na gravidade. Seu corpo tinha vida própria e ela sentia cada coisa absolutamente estranha, nova e contagiante que ela poderia experimentar e sentir de novo e de novo e de novo sem nunca se cansar.
            Seu espírito tinha se libertado, seu lado mais obscuro havia sido posto à prova e a jovem tinha certeza que não o deixaria se esconder tão cedo. Ali ela vivia 100%, ela sentia, via e experimentava tudo. Era como ser uma deusa em um mundo onde os humanos não possuíam nada de mais.
Agora ela estava completa.
            Isabella, a partir daquele momento, cantava o corpo elétrico.

“Oh, eu digo que estas não são partes e poemas do corpo apenas, mas também da alma,
Oh, eu digo agora, essas são da alma!”.

“Nós nos divertimos toda sexta à noite
Dançando intensamente no pálido luar
Grand Ole Opry, nós nos sentimos bem

Maria reza o terço por minha mente quebrada”

Gostaram? Muahahaha' Minha inspiração foi esse lindo poema do Walt Whitman, usado pela Lana no curta-metragem TROPICO. ♥
Tenho que dizer que apesar desse tema obscuro da história, eu sou puxada por cada coisa que escrevo e acabo me apaixonando pelos personagens! Hahahaha' 

E sobre o próximo capítulo... Vocês não perdem por esperar! Muahahaha'

Toodles honey

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