Hey, negads! Todas surtadas com o comercial do Rob pra Dior?
Hahahahaha'
Como prometido no grupo essa semana, aqui está o capítulo novo,
com direito a muita maluquice e, err... beijos, beijos! Hahahaha' LOL
Enjoy it.
Grupo (com spoilers, novidades e Instagram dos
personagens):
https://www.facebook.com/groups/501155363274932/
No capítulo anterior:
Com uma permissão final de que poderia avançar sem qualquer medo
ou renúncias, Edward fechou os olhos, roçando seu nariz contra o da jovem e
sentindo o calor do corpo pequeno e suave contra o seu. E com os dedos daquela
encantadora mulher entrelaçando os fios de cabelo de sua nuca, o britânico,
enfim, pressionou com força seus lábios contra os dela em um beijo quente, com
tanta vontade e sem qualquer pudor – como se fosse um homem sendo levado à
guerra e que, como um último pedido, beijava sua mulher com a mais desesperada
das paixões.
E ela retribuiu.
Capítulo 7: Madrid – Parte II
Risque o fósforo, ponha para
tocar alto
Dando amor ao mundo
Nós iremos levantar nossas
mãos, brilhando até o céu
Porque temos o fogo, fogo, fogo
Sim, nós temos o fogo, fogo,
fogo
(Ellie Goulding - Burn)
Adentrando com seus dedos os fios lisos e castanhos do fotógrafo, Bella o puxou
contra si e comprimiu ainda mais os lábios do jovem ao redor dos seus,
deslizando, sugando e beijando-os com toda aquela intensidade que parecia
querer sair de seu peito e explodir. Porra, aquilo era tão, tão, tão bom...
Edward puxou ainda mais o rosto da morena, apertando-o tão deliciosamente em
sua mão firme e fazendo-a delirar com aquela pegada ma-ra-vi-lho-sa. Ele
infiltrava os dedos longos por entre os cabelos de suaves ondas, enquanto sua
mão esquerda fazia o caminho até a cintura delineada da mulher e a puxava ainda
mais contra o seu corpo – podendo sentir cada curva e cada textura entre suas
roupas.
E no instante em que a língua do britânico tocou o lábio inferior da escritora,
foi impossível não ouvir um suspiro deliciado dos dois, suas línguas
encontrando-se e envolvendo-se tão sensualmente a ponto de dominar cada
contração muscular por baixo de suas peles.
A textura, o sabor, a pressão... Era como se eles já tivessem se beijado um
milhão de vezes. Mas não da forma que você pensaria que o beijo é igual ao de
tantas outras pessoas, e sim que seus lábios se conheciam há tempo o suficiente
para saberem exatamente o que mais gostavam. Como se suas línguas já soubessem
exatamente como mover, exatamente como fazer. Sim, era realmente como se eles
já tivessem se beijado um milhão de vezes, mas como se cada um desses um milhão
de beijos fosse de uma forma diferente e, a cada um deles, uma coisa a mais era
descoberta e desfrutada.
– Edward... –
A jovem choramingou em um baixo gemido, puxando os cabelos da nuca dele
enquanto seus lábios se deslocavam em um som de puro prazer, os beijos do
inglês deslizando pelas maçãs de seu rosto e sua mandíbula.
Ele aproximou novamente sua boca faminta à da morena, mordiscando o lábio
inferior que se dividia em uma respiração arfante e sedenta. Bella seria a mais bela de suas fotografias
um dia, e o britânico jurou a si mesmo que em algum momento futuro de sua vida
– dali meses ou sequer anos –, ele iria fazer uma grande exposição de arte
somente com imagens da sua bela garota.
Ela era encantadora demais para não ser mostrada ao mundo inteiro.
– Você é tão linda e viva... – ele sussurrou contra os lábios cheios e rosados
da morena, vendo-a abrir os olhos preguiçosamente e menear a cabeça com um
sorriso de lado. E, sem pensar duas vezes, colou novamente sua boca à dele.
O britânico apertou o corpo pequeno e esbelto da romancista, movendo as mãos
grandes e firmes contra suas costas e cintura. Ela era tão delicada e macia que
Edward teria que, no mínimo, se exilar em uma ilha deserta durante anos
para conseguir controlar aquele vício de não querer tocá-la a cada dois
minutos. E agora que havia experimentado da sensação de tê-la sob seus dedos,
teria que aumentar a pena do exílio para um par de décadas a mais.
Bella,
no entanto, efervescia a cada toque do inglês, movendo seus lábios e sua língua
contra e sentindo aquele sabor gostoso de menta disfarçado com um gostinho de
hortelã que simplesmente anuviava sua mente. Era tão quente e deliciosamente
cáustico estar nos braços do fotógrafo que ela se controlava para não derreter
e ficar ali para sempre.
Entretanto, um barulho os interrompeu.
Um som de passos aproximando-se fez o casal afastar seus rostos a contragosto,
arfando enquanto tentavam ouvir se realmente havia algo ao redor. E foi com um
susto que foram pegos em flagrante.
– Ali! Os intrusos estão ali! – Um guarda policial apareceu na
entrada do imenso salão de cristais, apontando para os dois antes de olhar para
trás e falar, provavelmente, com seus homens.
– Ai. Meu. Deus. – Foi somente o que deu tempo de Bella sussurrar,
com um olhar assustado, antes de sentir a mão quente do inglês a puxar para
fora dali.
– Corra, vamos! – ele murmurou à medida que corriam até a outra saída do
palácio, desviando dos passos dos guardas bem atrás.
– Como vamos sair? –
Perguntou nervosa, apertando sua mão ainda mais contra ele ao atingirem o
jardim dos fundos.
– Deve haver uma saída
por aqui; eles não vão nos pegar!
– Que fodidoooo, nós
vamos ser presos e eu vou precisar invadir sua cela pra poder te matar!
E
com uma risada do desespero da morena, Edward a puxou para correr ainda mais rápido,
desviando das árvores e logo avistando um portão lateral – já aberto por ser
quase o horário de abertura do parque.
– Olha, acho que não
vou precisar te assassinar! – ela exclamou feliz assim que passaram pelo portão
e logo esqueceram os guardas perdidos dentro do parque. Os dois correram só por
mais alguns quarteirões até que, finalmente, sentiram-se seguros o bastante
para poderem caminhar sem o risco de receberem um mandato de prisão.
E ao pararem em frente
a uma praça conhecida e já movimentada, os dois se olharam afoitos, caindo na
gargalhando logo em seguida.
–
Mulher, um dia você me mata! – Edward disse entre risos, fazendo a morena
olhá-lo com uma cara indignada.
– Mas que abusado!
Isso foi tudo culpa sua, garoto de Londres! – ela riu, empurrando-o pro lado
antes de seguir andando, sentindo o sol em seus cabelos.
A escritora apenas
ouviu a risada divertida do inglês antes de ele se juntar a ela para seguirem
mais um dia de explorações pela capital espanhola.
Madrid, Espanha – Museu Reina Sofia
10h25min
O fascínio dominava cada ponto dos pensamentos de Bella.
Ela admirava totalmente encantada o quadro de Pablo Picasso tão
maravilhosamente feito em 1937. Ela admirava a mais bela pintura que seus olhos
poderiam enxergar. Ela admirava, como uma criança que descobre o mundo pela
primeira vez, o retrato da dor de um povo que sofreu as injustiças de uma
guerra. Ela admirava sua obra preferida no mundo todo.
Guernica era
a mais encantadora e fiel imagem que representava a dor da forma mais tocante
que qualquer ser humano poderia experimentar. Não era uma obra de arte qualquer
– jamais seria, jamais poderia. Aquela era a tão famosa pintura baseada na Vila
Guernica, um lugarzinho simples que fora atacado por milhares de bombas da
força aérea alemã durante a Guerra Civil Espanhola. Um cenário aprovado pelo
próprio governante da Espanha naquela época, um cenário perfeito para Hitler
treinar seus homens, um preparo para o que viria a ser a Segunda Guerra
Mundial.
Pintada com os traços duros e cubistas sempre utilizados pelo pintor, a obra
foi toda a sua indignação por aquela injustiça feita com seu povo. Ele estava
exilado na época, mas não deixou de demonstrar e mostrar ao mundo toda a sua dor,
revolta e tristeza com aquela realidade.
De
um tamanho imenso comparado à maioria das obras de arte e tomando boa parte da
parede branca do belíssimo museu, o Guernica representava
vários ângulos em um plano só e era toda em preto e branco – porque Picasso não
queria dar cores à violência.
– Eu acho que esperei a minha vida toda pra ver essa imagem de tão perto... – Bella sussurrou com os olhos embaçados de
lágrimas, tomando para si toda aquela dor que o retrato exalava. Os acordes
lentos de piano e violino de Nana, do Manuel de Falla, ao fundo, eram as
composições finais para esmagar seu coração. Eram tanta arte e beleza juntas que ela nem ao menos conseguia
respirar.
A mãe com o filho
morto nos braços, o soldado esquartejado, o touro de formas humanas, o homem
preso entre as chamas com suas mãos queimadas, a mulher correndo com a perna
mutilada sem ao menos perceber, outro homem desesperado com uma vela, o cavalo
dilacerado, a espada de madeira com uma pequena rosa cravejada em um pedido silencioso
de esperança.
– Eu não sei se todos conseguem sentir isso, mas... – ela murmurou, limpando
uma pequena lágrima que deslizou em seu rosto – Mas se ninguém sentiu, deveria
sentir.
– Eu sinto. – Edward falou baixinho ao seu lado, também
completamente preso no fascínio daquela mais pura obra de arte.
– Está vendo a imagem da mãe em desespero segurando o filho morto nos braços? –
A jovem perguntou com sua voz embargada, sem conseguir tirar os olhos do enorme
quadro.
– Sim...
– Ela simboliza a morte dos inocentes – Sussurrou com tristeza. – Ela e maioria
dos desenhos da pintura têm a língua em forma de punhal, mostrando a dor.
– A imagem dói só de olhar – ele concordou com o cenho franzido; inconformado,
sentindo tudo junto – Olhe esse soldado totalmente mutilado, representando a
força do povo contra a ditadura. Não é muito difícil imaginar porque ele está
todo despedaçado.
Bella assentiu perdida nos contornos da
imagem.
– O touro de formas humanas, um animal que simboliza a Espanha, o mito do
minotauro... – ela também disse baixinho – Ele é a identidade de um povo que é
bombardeado.
– Pablo Picasso passou uma mensagem até ao desenhar a luz da vela e a lâmpada
sob o teto – O britânico riu sem vontade, meneando a cabeça em admiração. – A
luz que representa o ataque aéreo, que mostra que o progresso nem sempre é
positivo.
– A poesia versus o progresso – ela completou – E a luz elétrica com formas
angulosas expressando a dor.
– Exatamente – ele sussurrou com as mãos no bolso – O cavalo dilacerado
representando o próprio homem, e aquele outro homem com as mãos queimadas
simbolizando a morte, porque está cercado pelo fogo na escada.
– Você sabia que ele é uma analogia a uma outra obra de arte? – Bella perguntou calmamente, olhando para o
inglês. Ele desviou os olhos da pintura para admirar os olhos verdes e felinos
completamente marejados.
– Não... Qual obra?
– O Fuzilamento de 3 de Maio, aquela pintura de Goya –
ela sorriu um pouquinho assim como o fotógrafo, que era incapaz de não se
sentir atiçado e em êxtase com aquela mulher inteligente e sensível ao seu
lado.
– É um dos meus quadros preferidos.
– É um dos meus preferidos também – Deu de ombros suavemente com um sorriso,
voltando a admirar cada traço do Guernica. – Mas sabe qual é a parte que mais me comove
nessa pintura?
– A flor? – ele adivinhou ao voltar a fitar o quadro também, fazendo-a sorrir.
– Sim... A flor fantasmagórica que, assim como Picasso, acredita que ainda há
humanidade no ser humano.
– Ainda há – Edward concordou, encostando seu braço ao da
jovem que se arrepiou ao tê-lo tão perto. – Ainda há.
E ele apenas deslizou sua mão calmamente ao seu lado, tocando os dedos de Bella e entrelaçando-os aos seus enquanto se
sentiam extasiados com toda aquela magnificência que o ser humano ainda poderia
fazer.
Madrid, Espanha – Chocolat Bar
11h28min
– Orgasmo.
– O quê? – Edward perguntou de olhos arregalados.
– Esses churros. Acabei de ter um orgasmo! – ela brincou, dando outra mordida
no doce maravilhoso, arrancando uma risada divertida do britânico.
Depois de aproveitarem uma manhã cheia de artes e surpresas no museu, os dois
seguiram para um café ali perto, acabando-se nos churros deliciosos que eram
especialidades da casa.
O ambiente pequeno, de
paredes em azul royal e azulejos em tons dourados e caramelo, era extremamente
aconchegante, dispondo apenas de um balcão de mármore à direita das portas
francesas da entrada, mesas redondas de granito claro e um grande espelho ao final
do salão. As enormes janelas de vidro forneciam uma bela vista para as ruas
antigas de Madrid, além de deixar o sol irradiar por todo o lugar.
– Acho que a última
vez que comi um desse foi ano passado, quando passei as férias em Londres – ele
murmurou com a boca cheia, mergulhando seus churros no chocolate quente.
A escritora o observou
por um instante, fascinada como os lábios finos rodeavam o doce em uma mordida
gostosa para, em seguida, o inglês lamber suavemente o canto da boca coberto de
chocolate. O casal estava tão em sintonia que nem percebeu as mãos dadas
durante toda a visita ao museu e o caminho até o café.
– Você costuma ir
muito a Londres? – A jovem perguntou, tentando clarear seus pensamentos cada
vez menos puros em relação a ele.
– Eu tento ir o máximo
que eu posso – ele sorriu; os olhos azulados com um brilho nostálgico e saudoso
– Férias de verão e feriados de fim de ano são ocasiões obrigatórias. Minha mãe
faz questão de estar com a família reunida pelo menos durante o Natal.
– Ah, que delícia! E
suas irmãs moram lá?
–
Sim, a Victoria cuida da empresa do meu pai, então está sempre por lá. Já a
Heidi é compositora e backup singer da Lily Allen, vive em turnês, mas mora em
Londres.
– Sério? – ela
perguntou com um sorriso – Deve ser um pouco cansativo participar de turnês,
mas a experiência sempre vale a pena!
– Nem me fale, a Heidi
só reclama quando paga uns micos por não falar nada além do inglês e ser
péssima quando tenta arranhar uns idiomas. – Riu divertido.
– E você aí,
esbanjando seu espanhol fluente enquanto sua irmã paga uns vexames básicos! –
Provocou divertida, ganhando um olhar galante do londrino.
–
Falo espanhol e francês pra seduzir californianas, sabe como é! – Edward mexeu as sobrancelhas com diversão,
fazendo-a menear a cabeça com uma risada.
–
Eu só falo fluente francês e arrisco um italiano e alemão quando precisa, mas
graças à literatura! – ela sorriu, bebericando seu café mocha.
– Nada melhor que
músicas e livros pra aprender idiomas! – ele murmurou encantado com o olhar suave
e tão verde da garota – Mas a Jane fala um monte de línguas, não é?
– É, os pais da Jay
são da Suécia, mas se mudaram pra LA antes de ela nascer – A amiga explicou –
Então ela cresceu aprendendo inglês, sueco, espanhol, castelhano e francês.
Acho que ela arranha mais umas duas línguas, porque sempre foi cercada pela
família europeia e é apaixonada por arte...
– Uau, eu bem que
reparei que a beleza dela era diferente com aqueles olhos azuis enormes! – ele
riu, sendo acompanhado pela americana.
–
É, a Jane é
toda linda e meio louca, mas é uma pessoa maravilhosa. – A escritora sorriu de
uma maneira doce e o britânico se encantou ainda mais com ela.
Bella não era do tipo de pessoa que saía distribuindo sorrisos
pra todo mundo ou que expunha seus sentimentos com facilidade, mas ela era uma
garota forte, decidida e cheia de qualidades, o que a fazia ser uma daquelas
pessoas que exalavam um ar de mistério e fazia qualquer um que a conhecia
querer estar ao seu lado a cada segundo.
Era
intoxicante. E era exatamente aquilo que Edward Cullen sentia.
–
E falando no diabo, olha quem acabou de me mandar uma mensagem... – A morena
soltou uma risada divertida enquanto virava a tela do iPhone para
o fotógrafo.
– “Venham para o hotel, seus putos, tive uma ideia A+ e preciso compartilhar
com vocês” – ele leu o SMS, gargalhando com o jeito louco da loirinha – Será
que precisamos ter medo?
– Vindo de Jane Volturi,
com certeza precisamos ter medo! – Bella murmurou,
dando uma última mordida no seu churros enquanto tentava adivinhar o que a
loura havia planejado dessa vez.
Madrid, Espanha – Estrada A-1
13h36min
– Não sei porque ainda dou bola pras coisas que a loura fala – A romancista
resmungou do seu assento no banco do passageiro do conversível velho alugado, o
belo sol e a brisa espanhola batendo em seus cabelos.
– Eu sou incrível e todos amam a mim e as minhas ideias! – ela gritou do banco
de trás, fazendo os dois britânicos rirem.
A equação que levou os amigos a estarem dirigindo pela estrada principal rumo
ao interior da cidade? Jane.
Madrid, Espanha – Hotel ADA Palace
11h53min
– Jane, você cheirou cocaína? – A amiga questionou com os olhos arregalados,
fazendo a mesma pergunta pela terceira vez seguida.
– E eu lá preciso de alucinógenos pra ficar louca? – Perguntou de volta,
colocando as mãos na cintura.
– Ainda bem que você sabe – Bella não resistiu e soltou uma risada com a
cara da loura, assim como os amigos que observavam as duas com uma expressão
divertida.
– Mas, qual é, Swan, a minha ideia é ótima!
– Acampar? – Repetiu exasperada, colocando as mãos pra cima.
– Por que não? É uma boa maneira de a gente relaxar dessa rotina de viagens e
recarregar as energias pro festival de música em Lisboa, amanhã!
– Sem chances! – ela respondeu, ignorando o beicinho enorme da amiga.
– Pense bem, B... Cabana, espaço pequeno, podemos aproveitar. Não seria ótimo
comungar com a natureza?
– Sim, Bella, não seria ótimo? – Edward se juntou à loura a fim de convencer a
maluquinha – Aí você leva seu parque de diversões particular pra comungarmos
todos juntos com a natureza!
A morena semicerrou os olhos ao encarar os dois. Emmett já havia pulado para o
time da loura assim que ficou sabendo que Rosalie estaria ocupada demais no
trabalho para ficar com ele 24/7. E Edward parecia deveras entusiasmado com a
ideia...
Traidores.
– Por favorzinho... – Jane fez um biquinho adorável, olhando sob os cílios e
cruzando os dedos das mãos.
– Okay, vamos comungar! – ela exclamou em alto e bom som, vendo a amiga pular e
bater palmas enquanto o fotógrafo abria um sorriso maior que a cara – E sem
parque de diversões particular pra você!
Madrid, Espanha – Estrada A-1
13h36min
– Ah, mas a ideia da Barbie até que foi legal mesmo – Emmett murmurou meio
amuado do banco de trás do carro, ao lado da loura – Seria estranho estar na
cidade sem a minha toureira gatona.
– Meu Deus, você está concordando comigo? Ouço o coro de aleluia em algum lugar
dos céus – ela implicou toda dramática, colocando a mão no peito e arregalando
os olhos em surpresa.
– O que me estranha nisso é ele estar choramingando que nem um bobo
apaixonado... – O outro britânico falou com um sorriso matreiro, dirigindo o Impala 63 e
dando uma piscadela para Bella que concordou com suas palavras.
– Que bobo apaixonado o quê? – ele se endireitou, colocando seu Ray Ban enquanto fazia uma cara de machão e
cruzava os braços.
– Fala sério, Emmett, você
está gostando da Rosalie – A morena exclamou, segurando os cabelos que
voavam com o vento ao olhar para o amigo atrás.
– Ela é legal e me manda calar a boca quando quer me beijar, eu gosto de
atitude!
– Sei... – ela ergueu a sobrancelha sob os óculos escuros, rolando os olhos pra
sua teimosia.
– Oh, God, cala a boca porque tá tocando Katy Perry! – A
loura gritou emocionada, começando a se remexer toda no conversível enquanto Edward aumentava o volume do som.
– Pedindo com tanta educação assim... – Bella riu com a animação da amiga.
O
sol, a temperatura quente, o vento forte batendo em seus rostos e a música
agitada ao fundo eram o cenário perfeito para uma curta road trip. O conversível antigo voava pelas estradas
pouco movimentadas, rodeadas apenas por longas planícies verdes da vegetação
espanhola.
– “I kissed a girl and I liked it, the taste of her cherry
chapstick…” – ela cantou junto, dançando pra lá e pra
cá com os braços – Por favor, gente, essa é a música da minha vida! – Todos
riram, cantarolando junto dela.
– Jane... – O ator
chamou-a enquanto ela ainda se remexia toda desengonçada ao ritmo da canção. –
Eu estava curioso... Por que você decidiu virar gay? Você sempre soube?
A loura o olhou com um
sorriso no rosto, cuspindo os cabelos que entravam em sua boca grande demais
que não parava de cantar e falar besteiras.
– Eu sempre soube, eu
acho – ela deu de ombros com uma risada – Os garotos eram apenas... garotos ao
meu ver, nunca senti nada demais por eles. Desde pequena eu tinha mais amizade
com meninas e, na adolescência, meio que descobri que eram delas que eu
gostava.
– E seus pais levaram
isso numa boa? – Perguntou curioso.
– Super, graças a
Deus! – Murmurou entre um risinho. – No início eles ficaram meio receosos, mas
eles sabiam que era uma escolha minha e que eu me sentia bem assim.
– Isso é ótimo, Jay! –
ele sorriu, jogando um braço sobre os ombros dela.
– É sim. Meu pai foi
todo bobo no começo, achando que eu ia influenciar minha irmã mais nova, mas
não tem nada a ver – A loura revirou os olhos. – A Elle agora tem 17 anos e
adora garotos! Hoje todo mundo já acostumou lá em casa.
–
Ai, eu entendo sua escolha por garotas – Emmett suspirou com seu sorriso cafajeste –
“Pele macia, lábios vermelhos, tão beijáveis... Difícil de resistir, tão
tocáveis!” – ele murmurou a frase da música da Katy, arrancando um tapa da
loura enquanto os dois da frente gargalhavam com a interação dos doidos.
Madrid, Espanha – Camping Monte Holiday
16h47min
O acampamento era simplesmente enorme e maravilhoso – envolto por imensas
planícies verdes, as mais variadas espécies de flores que rodeavam toda a
região, belas montanhas e serras ao longe e, claro que não poderia faltar, um
enorme lago que refletia os tons azuis do céu e reluzia o sol brilhante daquela
tarde.
Assim que chegaram e se acomodaram em uma das cabanas de madeira de dois
quartos – com a loura fazendo um “cara ou coroa” um tanto quanto suspeito pra
que Edward e Bella dividissem o mesmo cômodo
à noite –, os quatro foram se divertir com as atividades da montanha.
Um rapel divertidíssimo na cachoeira, com direito a Emmett com medo de altura e Jane doida dizendo que não precisava de
cordas, e depois um passeio de bicicleta pelas serras de planícies extremamente
esverdeadas e com belas flores lilás foram o ponto alto do dia.
Edward se sentia em outra dimensão estando
naquele lugar. Ele ainda era apenas uma criança quando fora acampar com seu pai
e suas irmãs, que passaram o dia inteiro reclamando do frio do interior de
Londres. A Espanha, no entanto, era quente e viva e acolhedora, com tantas
coisas para se ver e se conhecer – e sua natureza não era muito diferente.
Eles estavam seguindo para uma das serras quando pararam para descansar em um
riacho maravilhoso, cheio de peixinhos e com a grama verde correndo por todo o
redor, apenas com algumas árvores e arbustos cheios de flores. O britânico
estava debruçado sobre uma ponte de madeira, observando as pequenas pedras sob
a água esverdeada e cristalina – a brisa batendo adoravelmente contra o seu
rosto – quando uma risadinha soou atrás dele.
– Diga X! – Bella falou
com um sorriso sapeca nos lábios rosados, tirando um retrato do inglês assim
que ele virou para olhá-la.
– Você ama a minha câmera, não é? É a terceira vez só hoje que você a rouba das
minhas coisas! – ele riu enquanto ela revirava os olhos toda linda, mas isso
era óbvio.
Os cabelos castanhos de lado num rabo de cavalo baixo, a blusinha solta que
delineava tão suavemente suas curvas e o inseparável short jeans curtinho
que o fazia querer se perder naquelas pernas – elas eram tão lindas e alvas –,
e a romancista ficava sempre tão fodidamente sexy com aquele All Star preto
e surrado...
Ser
atraente era definitivamente uma qualidade natural de BellaSwan.
– É mais o modelo do
que a câmera, sabe como é... – ela brincou, arrancando um sorriso convencido do
londrino.
– Isso foi uma
cantada?
– Ih, pode ir tirando
seu cavalinho exibido da chuva. – A escritora rebateu com um olhar de desdém
antes de começar a ignorar o rapaz e fotografar qualquer coisa que não fosse
ele.
– Eu sei que sou
irresistível com todo o meu charme inglês – ele mexeu as sobrancelhas
sugestivamente, fazendo-a morder o interior das bochechas enquanto ainda
tentava ignorá-lo.
– Não sei do que você
está falando...
E
com toda a metidez da morena e seu beicinho superior, ele sentiu vontade de
agarrá-la outra vez. Mas, ao invés disso, Edward simplesmente
correu em sua direção e roubou a câmera de volta, tirando inúmeras fotos da
garota que ria e brigava pra ele parar.
– Edward, larga de ser chato, meu Deus! – ela
gritou, colocando as mãos no rosto.
– Não posso, você é
uma ótima modelo... – O fotógrafo riu de volta pra californiana que saiu
correndo e gargalhando, com ele logo atrás.
18h02min
Pessoas de todas as
idades se reuniam no enorme gramado perto da piscina do imenso acampamento, a
grande maioria crianças e jovens, com as garotas de coques e tiaras para
protegerem o cabelo. Mas quem em sã consciência faz guerra de pós coloridos com
medo de se sujar?
O lema ali era a diversão.
A Jane corria
de um lado para o outro ao redor das pessoas no que ela dizia ser um
“aquecimento” pré-combate, enquanto Emmett com certeza planejava alguma coisa
porque aquele sorrisinho nos lábios carnudos nunca aparecia sem algum objetivo
obscuro. Já a morena, no entanto, parecia estar nada feliz. O motivo? Uma ruiva
da muito atraente cheia de conversinha pra certo britânico...
Eles
haviam passado a tarde toda grudados um no outro, com conversinhas ao pé do
ouvido, implicâncias típicas dos dois e risadas e mais sorrisos. E, então, eles
seguem para a beira da piscina a fim de uma boa descontração para encontrarem
uma vaca atirada. Argh, argh, argh!
Bella não gostava nada daquilo, mas tentou ser o mais imparcial
possível. Ela não era o tipo de garota que sentia ciúmes de um cara assim, ela
era o tipo de garota que ignorava e não estava nem aí. Ponto.
Cruzando os braços e
revirando os olhos, a escritora começou a prestar atenção no céu azul, o sol
forte espanhol, a brisa agradável e a galera que estava ansiosa para o início
da brincadeira. Até que o barulho irritante e alto da corneta spray soou,
iniciando a guerra!
–
Ahhhh, salve-se quem puder! – A voz do Emmett gritou de algum lado enquanto todo
mundo começou a correr e a jogar pós coloridos em todo mundo.
Cada um tinha uma
bolsa lateral cheia de pozinhos e era impossível escapar do lilás, amarelo,
verde, rosa e azul que se espalharam pelo ar em questão de segundos. Era uma
verdadeira loucura.
–
Ai, Senhor, me proteja porque sou péssima de mira! – Jane gritou do lado de Bella,
logo saindo correndo em outra direção ao receber uma bola gasosa na cara,
fazendo a morena gargalhar e devolver o ataque pro garotinho que as tinham
sujado.
Limpando
parte da sujeira amarela dos olhos, a romancista era atacada por inúmeras
rajadas coloridas, assim como todos, mal enxergando alguns palmos à frente. E,
ao olhar para o lado e não ver Edward mais ali conversando com a tal ruiva
peituda, um beicinho emburrado rapidamente se formou em seus lábios.
– Mas que biquinho
enorme é esse, B? – A voz do inglês soou ao lado da jovem e, antes que ela
pudesse virar para vê-lo, uma massa enorme de pó voou na sua cara, sujando toda
a sua bochecha.
– Edward!
– ela brigou, mal contendo o sorriso divertido com a risada maldosa e deliciosa
que ele soltou, fazendo-a revidar com um contra-ataque cor de rosa bem no rosto
do britânico.
– Como estamos
agressivos hoje! – ele falou com uma risada sapeca, aproximando-se e lambuzando
todo o cabelo preso da morena.
– Cadê a sua ruiva?
Vai lá sujar ela... – A californiana provocou em um sorrisinho, pegando outra
porção de pó antes de jogar no peito dele.
Ele, porém, a fitou
sério por um momento, tocando o braço da jovem quando ela estava prestes a
lambuzar seu cabelo. E olhou fundo nos olhos tão verdes no rosto sujinho da
morena.
– Você acha que depois
dessa manhã, eu brincaria com você desse jeito? – Perguntou com toda a
sinceridade que podia; o beijo ainda tão recente passando repetidas vezes em
sua memória.
–
O que aconteceu essa manhã? – ela desconversou ao erguer as sobrancelhas e
morder o lábio a fim de prender um sorriso. Edward apenas
riu para, em seguida, ligar o foda-se e puxar a morena para seus braços em um
beijo delicioso.
Por que ele tinha que beijar tão bem?, Bella se perguntou ao sentir os lábios do
fotógrafo tão macios e frescos contra os seus, deixando-se derreter nos braços
tão grandes e ardentes que apenas ele possuía. E, então, sentiu a boca do
londrino deslizar por entre seus lábios entreabertos, e a língua quente sugar a
sua com aquele gosto tão prazeroso e gostoso e que dava vontade de ter cada vez
mais.
Ela nunca se cansaria
daquilo.
Edward sentiu seus pulmões gritarem por fôlego assim que deslocou
seus lábios da morena, respirando em arquejos assim como ela. Ele fitou os
olhos claros e tão expressivos no momento em que ela o encarou com toda aquela
intensidade. Era como se eles compartilhassem grandes segredos juntos, passando
bilhetes escondidos como dois colegiais inconsequentes. Mas eram dois adultos
ali. Dois adultos que não podiam mais negar aquela atração quase magnética que
os envolvia como dois pólos distintos.
Isso até que um jato
de água atingiu a perna da morena que soltou um grito com o líquido gelado
junto da risadinha de dois pirralhos ao longe, com inúmeros balões de água nas
mãos.
–
É GUERRA! – Emmett gritou logo atrás dos garotos, e toda
a meninada do acampamento surgiu com bexigas cheias de água, atacando todo
mundo com as pequenas bombas.
–
Tão Emmett
McCarty uma coisa
dessas... – O fotógrafo murmurou do lado da escritora, ambos gargalhando em
seguida quando um balão atingiu o rosto dele, molhando-o de cima a baixo.
– Se fodeu! – ela zoou
toda divertida.
– Ah, você acha isso
engraçado, Swan? – Questionou com um tom de perigo, embora tivesse um sorriso
nos lábios. A jovem apenas arregalou os olhos e soltou outro grito antes de
tentar correr, sentindo o ataque em seu ombro direito ensopando sua blusinha.
–
Você que me aguarde, garoto de Londres! – ela berrou, roubando a munição de um
moleque ao seu lado antes de jogar a bexiga que alcançou a perna do Edward.
Ele somente correu em
sua direção, pegando a morena no colo e jogando-a em seu ombro como um saco de
batatas.
– Edward!
– Gritou com uma gargalhada, batendo na bunda dele que riu deliciosamente
enquanto andava rumo à área de banho.
– Olha que tarada
você! – ele provocou de volta, dando um tapão na bunda da garota.
– Hey! –
ela nem teve tempo de gritar quando sentiu a água gelada da piscina no momento
em que o inglês pulou lá dentro com ela. – Edward, seu
filho da puta!
Ele ria divertido,
alguns metros a sua frente, feito uma criança travessa, e era impossível não
rir de volta. Ele era tão malditamente lindo com aquele cabelo molhado caindo
na testa, a camiseta quase transparente colando em cada um de seus músculos, os
olhos de um azul brilhante...
– Bella,
acho que seus peitos estão aparecendo – Comentou risonho com aquele olhar
safado. Rapidamente, ela correu o olhar para baixo e viu que o sutiã branco
estava todo à mostra pela blusa transparente.
– Argh, que perversão
pelos meus peitos, homem! – A garota brigou com um sorriso de lado, colocando
os braços ao redor do corpo.
– Ué, não posso fazer
nada se eles são bonitos – Deu de ombros ainda sorrindo.
Ela riu com a safadeza
do britânico, jogando uma rajada de água na cara dele, que apenas gargalhou.
20h54min
O sol estava quase todo escondido atrás de alguma serra no horizonte enquanto
os quatro amigos viajantes e mais alguns campistas adolescentes estavam
rodeados na fogueira, aquecendo-se no friozinho que bateu nas montanhas da
Espanha ao final do dia. O céu tinha poucas nuvens e algumas estrelas já
despontavam de todos os lados, ainda naquele tom anoitecido de azul mesclado
com pequenas nuances alaranjada e cor de rosa.
Biscoitos, doces, marshmallows e
chocolate quente compunham o cardápio da noite dos jovens. Bella sentiu seu braço se arrepiar com o
ventinho frio que apareceu, e o britânico ao seu lado calmamente deslizou um
cobertor pelos ombros da morena, cobrindo os dois feitos rolinhos primavera.
Ela sorriu para ele em
um silencioso “obrigada”, ganhando como resposta um suave beijo na testa que a
fez fechar os olhos em apreciação.
– Pronto, agora eu sou uma hippie perfeita! – Jane murmurou do outro lado da fogueira,
finalmente conseguindo terminar uma das tranças no cabelo.
Edward e Bella riram da loura, assim como os
outros ali.
– Tem certeza que você é uma hippie agora?
– A escritora perguntou divertida, tomando um gole de seu chocolate quente.
– Claro que tenho, só não manjo muito em fazer tranças, mas tudo bem... – ela
disse em sua voz fina e acolhedora, pronta pra colocar as incontáveis flores
nas mechas platinadas. Ela passara a tarde colhendo pequenos jasmins e lavandas
pro seu novo look Woodstock
e arrasar como uma pequena diva dos anos 70.
– Se eu fosse Jimi Hendrix, te pegaria, loura! – Emmett brincou com uma risada, recebendo um marshmallow na
cara em seguida.
– Falando em pegar... – A historiadora pigarreou com uma carinha esperta e um
sorrisinho sapeca. – Swan, hoje eu vi uma cena que o seu sempre fiel amigo
Mike iria odiar!
A romancista cuspiu toda a bebida de volta na caneca.
– O quê?
– Quem é Mike? – Emmett perguntou antes que o amigo pudesse
abrir a boca.
– O namorado dela – A loura murmurou como se fosse óbvio, dando um olhar
sugestivo pra escritora, que sentiu dois olhares britânicos sobre ela.
– Isso é sério? – Edward perguntou confuso e totalmente
chocado.
– É sim. – ela confirmou, dando de ombros.
– Mas o quê? Como assim? Por que você não me contou, Bella?
– ele tentou formular alguma coisa coesa em sua mente – Eu não acredito nisso.
E ele ficou sério, perdido nos próprios pensamentos. Como ela pôde fazer isso
com ele? Justo ele que havia sido completamente honesto desde o momento em que
colocou seus olhos nela.
Bella apenas olhou culpada pra amiga do
outro lado da fogueira que não conseguiu resistir. E dois segundos depois, Jane soltava uma estrondosa gargalhada em
divertimento, assim como a morena que também não aguentou mais.
– Ain, Edward, você é
tão previsível! – A Barbie tentou dizer entre risadas e roncos totalmente
divertida.
– É mentira? – ele perguntou com o cenho franzido, encarando as duas
californianas em crise.
– Você devia ter visto a sua cara! – Bella gargalhou
outra vez, afogando-se no próprio ar ao ouvir o suspiro de alívio do rapaz,
assim como as risadinhas de Emmett.
– Isso não teve graça. – Brincou, finalmente rindo também e envolvendo um de
seus braços ao redor da garota.
– Ah, teve sim! – ela riu, descansando a cabeça no ombro dele ao olhar para a
amiga em agradecimento. Toma essa, Cullen! Isabella 1 X 0 Ruiva Peituda.
Muitas risadas, conversas idiotas e guloseimas depois, os amigos riam de algum
vídeo no tablet do Emmett,
à medida que a romancista se livrava do cobertor que aquecia ela e o britânico.
A brisa fria do lago havia passado e ela já se sentia quente o bastante perto
do jovem.
– Quer dar uma volta, B? – Edward perguntou, desviando a atenção do
vídeo e fitando os olhos verdes apenas cobertos por um pouco de rímel.
– Claro – ela sorriu, pegando sua mão estendida quando ele levantou antes dela
e lhe ofereceu um gesto inglês. – Que cavalheiro, milord! – Murmurou divertida, encaixando seu braço ao
dele enquanto caminhavam rumo ao lago.
Eles andaram alguns minutos em silêncio, confortáveis apenas estando ao lado um
do outro. Era possível ouvir alguns sons de grilos e as conversas da fogueira
ao longe por baixo da respiração e os passos dos dois, o barulhinho suave do
caminhar das águas da lagoa e, vez ou outra, um vagalume voando ao redor deles.
Era calmo e acolhedor.
– O que é aquilo? – Bella viu algo brilhando perto de um
arbusto, e correu para se abaixar e pagar o objeto – Olha isso!
O londrino riu enquanto ela sorria feito uma criança, soprando a haste redonda
e vendo inúmeras bolhas de sabão saindo do pequenino cilindro.
– Não vejo uma coisa dessas há séculos! – ela soltou um risinho enquanto
soprava novamente, sentando-se na grama de frente ao enorme lago.
– Minhas irmãs tinham uma coleção disso quando eram pequenas – Compartilhou ao
sentar ao lado da morena, estourando uma bolha e outra que flutuava ao redor
dos dois.
– Ah, eu vivia soltando bolhas escondido dos meus irmãos, porque eu era a
machona da casa – ela disse divertida, arrancando uma risada engraçada do
britânico.
– Juro que eu não consigo visualizar uma mini-Bella que seja tão macha e bruta.
– Ih, pior que eu era. Não posso nem mentir! – Riu com ele, deitando-se no
gramado enquanto formava outra bolha. – Qualquer dia desses, eu procuro uma
foto no meu notebook e
te mostro.
– Eu vou cobrar, você está me devendo muitas coisas já! – ele falou convencido,
deitando-se ao seu lado.
– Ai, como você é metido! Quando parar com essas crises de metidez, eu cozinho
aquele prato que estou devendo.
– Você cozinha há muito tempo? – Perguntou curioso, querendo descobrir cada
detalhe da escritora.
– Desde que eu tenho uns 14 anos, eu acho. Eu conheço a Kate desde aquela
época, então aprendemos a cozinhar juntas. – Sorriu com a lembrança,
soprando uma bolha na cara do inglês, que riu. – Já que meus pais nunca foram
muito bons com comida e a Kate foi criada com a avó, nós pedíamos receitas pra
Sra. Denali e tentávamos em casa. Até que a gente foi pegando jeito da coisa e
foi melhorando...
– Ah, eu conversei sobre isso com ela, em Barcelona – ele comentou – Ela é chef de
cozinha, não é?
– Ela é sim! Eu sempre fui mais apegada à literatura, mas a Kate desde então
quis levar a culinária a sério.
– Eu acho tão legal isso de levar um sonho adiante, sabe? Dar a cara a bater e
tentar fazer o que realmente gosta. – Edward murmurou com um sorriso, ganhando o
olhar da escritora – Minha mãe sempre foi uma cozinheira de mão cheia, então
nunca me deixava chegar perto das panelas dela, por isso sou um terror na
cozinha!
Eles riram, olhando um nos olhos do outro. Apreciando o momento, as risadas, as
confissões por incontáveis minutos ou horas. Perdidos demais um no outro para
repararem em qualquer coisa que não fossem os olhos que brilhavam com uma
palavra ou outra, ou um sorriso que aparecia entre gargalhadas contagiantes no
meio de histórias divertidas e hilárias do passado de um deles.
– E aí eles queriam ir pra Long Beach, mas eu não queria porque eu tava numa
TPM terrível e então o Mike me
encheu tanto o saco que acabei cedendo... – Bella comentou em um momento ao contar sobre
o aniversário catastrófico do seu irmão mais velho, rindo e revirando os olhos
com as memórias.
– Mike?
– O britânico perguntou; um bichinho o cutucando ao ouvir aquele nome pela
segunda vez.
– Argh, esquece isso. – ela meneou a cabeça, corando ao morder o lábio
inferior.
– Bella,
é sério. – Pediu com sinceridade, apoiando-se no cotovelo para fitar os olhos
verdes da morena.
– Ele é meu ex, nada demais.
– Nada demais? – Questionou ao olhar fundo em seus olhos, vendo-a assentir.
– A gente namorou por dois anos, mas ele não entendia que eu queria ser
escritora ou qualquer coisa que envolvesse uma editora de livros! – ela
murmurou levemente frustrada – Como um bom produtor novato em Hollywood, ele
queria que eu seguisse o mesmo ramo da minha família e atuasse nos filmes que
ele trabalhava.
– E você não gostava disso? – ele deduziu curioso.
– Eu detestava! Adoro ver filmes, não estar neles. – Rolou os olhos. – Ele era
um cara legal, mas apenas o fato de não respeitar o que eu realmente amo fazer,
acabou nos distanciando e provocando tantas brigas que eu terminei o namoro.
– Eu sei como é isso – ele concordou com ela, sendo sincera ao fitá-la com os
olhos completamente nus – Mas se me permite dizer, seu ex foi um completo
idiota!
– Ah, isso eu descobri com o tempo – ela soltou uma risadinha, soprando outra
bolha em descontração enquanto se envolviam em tantos assuntos e tantas
confidências.
E assim eles ficaram... Tagarelando, trocando segredos e intimidades, falando
de mais e de menos até que nem se davam conta do que falavam mais, soltando
bolhas, brincando, conhecendo um ao outro. Era como seu primeiro dia de aula em
que você tem aquele medinho inicial, mas depois que conhece o ambiente, quer aprender
tudo de uma vez só.
Ambos nem notaram quando a noite vagarosamente virava dia e os primeiros
tímidos raios de sol preenchiam o ambiente, tocando as folhas verdes das
árvores e refletindo suavemente no lago.
– Qual a sua melhor
memória de infância? – ela inquiriu com um sorriso, apoiando-se no braço
direito para poder enxergar melhor o fotógrafo ao seu lado.
– Acho que as manhãs de sábado, quando meu pai colocava Van Morrison pra tocar
e ele e minha mãe rodopiavam por toda a sala comigo, Vicky e Heidi – Edward falou baixo em um murmúrio, sorrindo
nostálgico com a lembrança maravilhosa; as risadas altas dos três pequenos, a
felicidade tão plena. – E você?
– Com certeza os dias de chuva – ela sorriu, fechando os olhos e quase sendo
teletransportada pelas imagens em sua mente – Meu pai colocava Elvis bem alto
no vinil enquanto eu sentava no acolchoado da janela pra reler algum livro do
Tolstói. Sempre acabava com nós seis conversando alguma bobeira e tomando
chocolate na sala.
– Você sente falta de quando era criança? – Perguntou tranquilo, preso no
encanto e em cada palavra dita pela romancista.
– Às vezes bate aquela saudade – ela deu de ombros com um sorriso, olhando nos
olhos acinzentados dele – Mas a gente faz o presente pra ele se transformar em
boas memórias no futuro.
E o jovem fitou as palavras tão honestas, mas inteligentes daquela mulher com
sorriso de menina. Ela era encantadora em todas as formas justificáveis e fazia
sua mente explodir a cada novo detalhe. Ela era, de fato, uma das mulheres mais
agradáveis de conversar e com o melhor beijo que já havia experimentado na
vida. Melhores beijos, na verdade, no plural.
– Realmente faremos o presente valer boas memórias – ele esboçou aquele sorriso
torto que ela tanto adorava, fazendo-a sorrir de volta como um ato puramente
involuntário. E foi quando ela fitou novamente seus olhos e viu que eles
estavam direcionados aos seus lábios entreabertos em um suspiro.
– E você gostaria de fazer uma memória agora? – A voz suave e feminina soou
baixa nos ouvidos do britânico, arrepiando-o com aquele tom firme que só ela
tinha.
Edward olhou outra vez nos olhos de um verde
quase dourado nas íris da escritora.
– Eu fodidamente adoraria – Respondeu completamente sincero, arrancando uma
risadinha da morena. Isso se ele não tivesse tomado os lábios cheios aos seus.
E ela correspondeu da melhor forma possível, entrelaçando seus dedos aos cabelos
da nuca do londrino enquanto sentia o impulso do corpo forte e másculo
empurrando-a em direção à grama e a deitando confortavelmente entre algumas
flores que ali havia.
As mãos grandes apertaram deliciosamente as maçãs do rosto da morena antes de
descerem torturantemente devagar para a cintura, coberta por uma regata branca
soltinha com alguma frase em português do Cazuza. O jovem simplesmente adorava
o jeito que ela se vestia, mas ele adorava ainda mais o que havia por baixo de
todas aquelas roupas.
A pele quente, sedosa, quase aveludada o fazia se controlar para não fazer
alguma coisa rápido demais. Aquela hollywoodiana simplesmente o enlouquecia.
Os lábios quentes e rosados sugaram com suavidade o lábio inferior dele,
fazendo-o suspirar e morder sua boca de volta antes de sugar a língua da jovem
em um beijo delicioso com sabor de chocolates e marshmallows. Eles deslizavam com calma e vontade,
sentindo suas línguas se tocarem e se enrolarem e se descobrirem da melhor
forma possível. Era tão gostoso que os fizeram gemer baixinho.
– Porra, Bella, o que
você fez comigo? – ele arquejou entre os seus lábios, sentindo a respiração de
ambos em ofegos enquanto os dedos da garota acariciavam seus cabelos.
– Eu não sei... – Suspirou com a boca colada a sua, olhando nos olhos quentes
do fotógrafo e sentindo o toque suave em sua cintura e quadris. – Eu não era
tão gay assim
antes de te conhecer.
Ele sorriu ao ver os olhos verdes divertidos e tão honestos.
– Adeus, dignidade? – Edward brincou, convidando-a para uma pequena
vida indigna e totalmente jovem e inconsequente.
Os melhores prazeres humanos eram feitos da forma mais indecorosa e indecente.
Como devorar uma deliciosa barra de chocolate e se lambuzar todo. Como brincar
na terra com os primos e sujar toda a roupa e as mãos. Ou escutar aquela música
e colocar no repeat só
pra poder dançar e cantar sozinho e, quem sabe, até fazer aquele solo de
guitarra que a gente nunca dá conta com o instrumento de verdade. Ou como ler
aquele livro e não resistir em colocar o marca página só para ir direto naquela
cena preferida quando for reler. Ou assistir aquele filme de terror e gritar
com o personagem pra não sair sozinho pela floresta ao ouvir um barulho
suspeito, mas depois fechar os olhos com medo de o vilão alcançá-lo.
Ou, então, beijar
aquele cara inglês que você simplesmente não consegue resistir.
– Adeus, dignidade. – ela concordou, pulando no mesmo barco que o britânico e
se deixando levar pelo que o seu fodido coração dizia.
Indignidade. Essa era a palavra-chave.
E, então, ele a puxou para outro beijo. E depois mais um beijo e depois mais
dois ou três. Até que uma risadinha baixa e infantil soou atrás de ambos.
Descolando seus lábios e olhando para o lado, avistaram uma garotinha morena e
toda fofa em um pijama do Bob Esponja e olhar sapeca, fitando os dois.
– Moça – A voz fininha disse enquanto ela colocava o dedo na boca – Esse
brinquedo que solta bolhas é meu. Será que pode me devolver?
– Oh! – Bella arquejou exasperada, arregalando os
olhos ao se desvencilhar do britânico – Me desculpe, é todo seu, gatinha!
– Obrigada! É que eu esqueci ontem e voltei pra pegar assim que amanheceu! Se
eu perder, a mamãe me mata! – ela falou com uma carinha culpada, fazendo a
escritora e o fotógrafo rirem divertidos ao verem a menininha correndo de volta
até as cabanas.
– Meu Deus, já amanheceu e eu nem reparei! – A jovem comentou surpresa,
arrumando os cabelos à medida que observava a luz do início do dia iluminando
as árvores e o lago.
– Eu muito menos – Edward riu, olhando para o seu relógio de
pulso antes de abrir a boca com um susto – Caralho, já são seis horas! Temos
que correr pra não perder o avião!
– O quê? Por que isso sempre acontece com a gente? – ela perguntou desesperada,
levantando enquanto ouvia a risada do inglês a seguindo. – Precisamos procurar
a Jane e o Emmett!
– Eu ouvi que eles iam cedinho pra uma meditação hippie da
cabana principal, eles devem estar lá!
E os dois saíram correndo pelo gramado do acampamento até que chegaram nessa
tal meditação. Leia-se: muita fumaça suspeita no ar, o sol entrando pelas
enormes janelas de vidro, pessoas dançando em círculos com sáris nas mãos
enquanto alguma música do Bob Marley tocava alto. Emmett estava capotado no meio de alguns puffs e Jane trotava pra lá e pra cá com a bandeira
dos Estados Unidos nas mãos, cheia de flores no cabelo e um headband torto
na testa.
– Meu. Deus. – Bella murmurou totalmente abismada, para nas
imensas portas duplas de madeira, ao lado do londrino.
– Chame os dois que eu vou tirar um monte de fotos, porque sim! – ele falou com
um sorriso sacana, ganhando uma gargalhada da morena que correu em direção aos
dois toscos.
Já
que a câmera estava na sua cabana, Edward pegou o iPhone e
começou a sessão de fotos com direito a Emmett babando, chamando pela Rosalie feito
um bebê e tropeçando nos sáris e nos tapetes, e uma Jane fugindo da amiga aos gritos, tentando
se defender com a bandeira do país enquanto dizia que agora seria a nova Janis
Joplin.
Muitas
gargalhadas sacanas depois, Edward e Bella enfim conseguiram pegar
as malas e jogar os dois tapados no conversível alugado, rumo ao aeroporto.
– Que Lisboa nos traga
dias mais tranquilos! – A escritora falou divertida ao pegarem a estrada
principal, olhando para o banco traseiro e vendo os amigos babando
abraçadinhos.
– Eu acho isso meio
difícil, mas não custa nada sonhar! – O britânico riu, sabendo que pelo menos
Madrid já lhe trouxera os melhores dias vividos naquela viagem.
A música toca, estou acordando
Paramos a batida e consumimos
mais
E agora acabou, temos o amor
Não há segredo agora, não há
segredo agora
(Ellie Goulding - Burn)
E aí, gostaram do cap?
Hahahaha'
O beijo no palácio, B/E
contemplando o Guernica (minha cena preferida *-*), um pouquinho mais sobre o
passado dos nossos babies, Jane e suas ideias! LOL
Ai minha gente? E os pós
coloridos? E esse final? Espero que estejam gostando!
E comentem. Não vou ficar
postando se não tiver comentários. Além do mais, quem comentar, recebe um inbox no Facebook com spoiler do próximo cap!
REVIEW = PREVIEW!
Toodles honey