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27 fevereiro 2011

RM - Capítulo 9



Minha cabeça doía incessantemente – não no sentido literal, mas todos os acontecimentos daquele dia me assolaram. Espantei-me quando vi Edward adentrar meu consultório, a fim de devolver meu broche. As sensações que me dominaram naquele instante quase me permitiram agir impulsivamente, mas eu não podia me entregar ao desejo e amor que sentia por ele. Não poderia, por mais que eu quisesse.
Cheguei em casa estranhamente mal humorada e impaciente. Meus pensamentos estavam a mil e, por mais que eu tentasse, era como se minha mente estivesse mergulhada em um caldeirão de água fervente.
Damon e as crianças ainda não haviam chegado – segundo ele, após o trabalho, levaria Alyssa e Matt ao circo montado no centro da cidade, como havia prometido na semana anterior. E, como eu me sentia perdida em locais movimentados, recusei o passeio.
Subi as escadas apressadamente e, em poucos minutos, minhas roupas faziam parte de um monte no canto do enorme banheiro, enquanto meu corpo submergia na água repleta de espuma. O coque alto e mal feito em meus cabelos parecia inútil, rendendo-se à franja que insistia em cair sobre meus olhos, ao passo em que meus músculos se flexionavam e eu me recostava à banheira.
A letargia veio com força e precisão e, junto a ela, a calmaria. Meus olhos logo foram pesando e, antes que eu fechasse os olhos e me deixasse levar pelo cansaço, o estridente toque do celular soou, fazendo-me pular de susto. Praguejei audivelmente, amaldiçoando os sete mares, enquanto saía do conforto da água morna e cálida, enrolando-me em uma toalha qualquer.
Chegando ao quarto, peguei minha bolsa preta, ainda com raiva, e arrependendo-me depois – poderia ser Damon e as crianças. Entretanto, um número desconhecido piscava no visor, fazendo-me franzir o cenho no momento em que pressionava o botão verde.
De repente, minha voz simplesmente travou. A respiração forte do outro lado da linha se dividia entre o nervosismo e ansiedade, e todos os pelos do meu corpo se eriçaram instantaneamente, fazendo-me estremecer, em seguida. A penumbra de meu quarto – iluminado apenas pela fraca luz da lua que atravessava a imensa janela de vidro – associada ao meu temor, fez tudo se encaixar, como numa explosão de intuição.
– Edward? – Minha voz proferiu sem qualquer permissão, mas apenas ao ouvir aquela respiração do outro lado da linha, meus lábios agiram por conta própria, enquanto meu cérebro simplesmente paralisava.
– Sim, Bella – Seu suspiro, assim como sua voz, soou como rendição. – Sou eu, Edward.


RM - Capítulo 8

  

          Eu não pude impedir os sentimentos que me assolaram naquela noite. Todas as minhas emoções foram postas em prova, em um nível de risco acima do limite de segurança. Eu estava ciente dos pensamentos ao meu redor, mas não era fácil sentir o amor que emanava de Bella – o que era bastante evidente pelo dom de Jasper.
            Algo que eu não suportava era fitar os deslumbrantes olhos dela... Se eu o fizesse, certamente, todas as minhas barreiras cairiam e um ato impensado tomaria conta do momento. E eu não podia me permitir àquilo. Eu deveria ser forte, pois tinha uma esposa e filha a honrar.
            Pude escutar perfeitamente a conversa entre Charlize e ela. Minha mulher era dona de um caráter impenetrável e sólido, e não foi espanto algum ver sua ética, educação e, principalmente, respeito e compreensão para com Bella. No entanto, as palavras da outra mulher me foram mais doloridas do que o necessário. Teria mesmo ela deixado toda a nossa história para trás? O amor que meu irmão sentia vindo dela seria devotado apenas para sua nova família? E porque diabos eu estava preocupado com isso, afinal? Que inferno!
            De qualquer forma, não pude negar o quão bem Damon fazia à esposa. O amor, carinho e paixão que exalava dele era tão puro quanto as cristalinas águas dos Andes. E o pior: Bella parecia amá-lo com a mesma intensidade. E aquilo me corroia aos poucos, dolorosa e lentamente... Eu sabia que aquele estava sendo o gesto mais egoísta que pratiquei em toca a minha existência, embora impedi-lo era inevitável – Eu não podia disfarçar o quanto ainda amava aquela mulher.
            E os filhos dos dois... Eram tão amorosos e apegados aos pais. Alyssa e Matthew eram crianças adoráveis, que nos conquistou como num estalar de dedos. Portanto, ver Bella como mãe ainda era algo novo para mim... Eu nunca havia imaginado essa faceta dela, na qual ela desempenhava com exatidão e delicadeza. Como seria se eu tivesse dado uma chance a nós? Teríamos tido quantos filhos? Como eles seriam? As perguntas sem respostas apenas atenuavam minha dor.
            Lorenzo, porém, se tratou de ser o restaurador de sentimentos da noite, colocando eu e Bella para cantar frente a todos. Não sei dizer o que houve comigo enquanto dedilhava as notas da canção favorita de Esme... Era como se meus dedos fossem tão teimosos a ponto de iniciar, sozinhos, a melodia que compus à Bella, há tantos anos. Foi, assim, um ato impensado – No momento em que iniciei a música, acabei me deixando levar e, quando vi, era a canção da mulher que tanto amava que soava no ambiente, fazendo-me pará-la e começar a tocar e cantar outra que havia composto dias após partir de Forks.
            A letra era totalmente destinada à Bella... Assim como a melodia doce e suave. Entretanto, pude sentir o significado de suas palavras no instante em que foi a vez dela cantar. A cifra, letra, a magnitude de sua voz... Era como se tudo me envolvesse. Meus olhos se prenderam aos dela, ao passo em que ela cantava com tamanha perfeição.
            O momento, porém, em que cantamos juntos, foi o estopim para meu ser naquela noite. Eu não suportava não saber o que se passava em sua mente e em seu coração. Eu me sentia isolado e sem rumo com a intensidade de seu olhar, a profundidade de suas palavras e a doçura de seus gestos. Eu tinha vontade de parar tudo a minha volta apenas para contemplar sua beleza, para, em seguida, pegá-la em meus braços e beijar seus lábios sem medo.
            Mas se de vontades e desejos fosse feito o mundo, todos estaríamos perdidos. Deste modo, recobrei a minha consciência, vendo minha família me fitar com curiosidade, inclusive Alice. Ela havia tido uma visão, eu sentia isso, embora eu não pudesse ver, pois minha irmã sabia bloquear seus pensamentos como ninguém. Eu iria instigá-la em outra oportunidade a fim de saber o que ela havia previsto.
            A noite passou naturalmente bem, até que fui embora com minha esposa e filha, não sem antes, claro, ouvir Jasper e Bella conversando. Apenas ao ouvir a palavra “perdão”, o meu maior desejo era correr até ela e implorar para que ela fizesse o mesmo comigo, nem que fosse preciso ajoelhar aos seus pés. Entretanto, a covardia e medo por um sonoro “não” me impediu – Eu não conseguiria ouvir sua rejeição. Não estava forte o suficiente.
Ao chegar em casa, coloquei Wendy calmamente em sua cama, após trocá-la com cuidado para que não despertasse. Deitei com minha Charlize, que logo adormeceu – mais quieta do que de costume. Assim, velei o sono de minhas duas amadas, desejando velar também o de certa mulher, que costumava dizer que me amava durante seus sonhos.
            No dia seguinte, Lize acordou cedo a fim de organizar alguns detalhes de uma nova coleção com minha irmã, deixando nossa filha na casa de meus pais, enquanto eu rumava para o hospital. Ao me vestir e passar pela recepção, decidi examinar o pequenino Pietro.
– Olá, campeão! – cumprimentei-o animado, vendo um sorriso iluminar seu rosto. – Como estamos essa manhã?
– A cabeça dói um poco, tio Edward – respondeu, fazendo uma leve careta.
– Ele reclama de algumas dores, Dr. Cullen, mas está melhor em comparação há alguns dias – Sua mãe, uma jovem de 23 anos que tinha sua beleza escondida pelas olheiras profundas embaixo dos olhos azuis e pele pálida, deixando seus curtos e ondulados cabelos loiro acastanhados um pouco sem vida.
– Que bom que você está melhorando, garotão – sorri, acariciando sua cabeça raspada e fitando seus castanhos olhos, ao passo em que me sentava ao seu lado, na cama de grossos lençóis brancos. – Você está fazendo um tratamento muito intenso agora, então é normal sentir algumas dores e cansaço...
Entretanto, um forte cheiro de morango e frésias invadiu minhas narinas, quase me provocando uma vertigem. E, antes que eu pudesse dizer algo ou ter qualquer reação, três batidas tímidas soaram na porta, ganhando a atenção da jovem Isabela – mãe de Pietro –, que a abriu.
– Bom dia, Dra. Salvatore! – A mulher a recebeu, ao passo em que os grandes e surpresos olhos de Bella estudavam o quarto claro e aconchegante.


RM - Capítulo 7



Meus sentimentos e emoções nunca estiveram em um nível tão intenso. E eu tinha certeza que minha vida era uma constante roleta russa – Eu passei tempo demais sem ter qualquer vestígio daquela família, e hoje minha sorte mudou.
Eu queria sentir ódio, rancor e ressentimento por eles, mas o meu coração não permitia tal ato. Era como se eu estivesse fadada a amá-los incondicionalmente. Tantos anos serviram para extinguir a mágoa adquirida, bem como para suturar todas as feridas profundamente abertas em meu peito. E no instante em que meus olhos capturaram aqueles que um dia cheguei a considerar minha família, eu senti toda a paz preencher minha alma e apaziguar o meu ser.
Eu não podia negar o quanto fiquei feliz ao abraçar Carlisle e Esme e perceber que a recíproca era mais que verdadeira. Com Alice, Emmett e Jasper não foi diferente – Eles sempre me trataram como uma irmã, e eu sentia falta do quanto estar perto deles me fazia bem. Rosalie me cumprimentara com um aceno rápido, e eu respeitava seu antagonismo quanto a mim.
No entanto, eu não estava pronta para encarar Edward... Principalmente após saber que ele havia seguido em frente. Eu me recusava a aceitar que ele havia se casado – Era doloroso demais. –, e eu tinha, porém, que acarretar sua decisão, pois foi a mesma que eu tomei para minha vida. E Charlize era uma mulher tão gentil... Merecia o amor de Edward. O amor que um dia já pertencera a mim.
E, como se um magnetismo tomasse conta do meu corpo, percebi as douradas e intensas íris me fitarem, e foi impossível não seguir a direção. Lá estava ele, lindo como sempre – A mesma pele branca e marmórea, mas que por tantas noites me aqueceram; os mesmo cabelos na cor única de bronze, desorganizados como de praxe; os mesmos belos olhos idênticos aos raros topázios incrustados em anéis vitorianos; e o mesmo sorriso torto, dando o vislumbre de delicadas covinhas no canto dos lábios, sempre me deixando entorpecida...
Soltei fortemente o ar, notando que o segurava até então. Era uma árdua tarefa me concentrar em outras coisas enquanto o encarava... Era como se todo o resto se desligasse, e só houvesse Edward no meu mundo, puxando-me e deixando-me desnorteada, tamanho meu deslumbramento.
E, quando vi, meus lábios estavam se movendo, proferindo o nome que durante anos não perpassou por minha garganta, em um cumprimento sussurrado. Eu não podia negar a satisfação que me atingiu no momento em que ouvi meu nome sair por entre seus lábios em um singelo “Olá, Bella”. Eu me senti como uma menina que foge de casa e passa anos vagando sem rumo e, enquanto fitava Edward, eu me senti em casa.
Tentei evitar seu olhar durante todos os minutos em que conversávamos na mesma mesa, tentei fingir que sua presença ali era ilustrativa, embora meus olhos sempre me desobedecessem, assim como meu coração cada vez mais descompassado.
E Edward tinha uma filha! Ele foi agraciado com um grande milagre chamado Wendy, e ela era simplesmente a cópia fiel e feminina dele. E todos achando que vampiros não podiam ter a honra de conceber um filho.
Então, a família Cullen descobriu o que eu, meu marido, filhos e cunhados éramos, por um deslize da mente de Stefan e Elena. Explicamos a eles algumas características de nossa espécie e o encantamento era tangível nos olhos de cada um ali, inclusive Carlisle e Edward. Porém, o que realmente me surpreendeu foi o silêncio e quietude de Charlize, e eu podia sentir sua apreensão – Ela, de algum modo, foi quem reuniu todos nós ali, ela foi quem trouxe a ex-namorada de seu esposo de volta, e eu entendia perfeitamente seu medo e angústia. Mas Edward parecia amá-la tanto... Apenas o modo que ele a olhava decodificava todos os sentimentos existentes entre ambos, e eu confesso que o “Eu te amo” trocado entre eles não passou despercebido por mim.
Senti o cheiro doce e almiscarado de girassol e frutas cítricas sobressaltando o banheiro vazio, e, pelo reflexo do espelho, vi Charlize adentrando o ambiente, levemente nervosa e tensa.
Olhei-a, franzindo o cenho, enquanto terminava de passar o rosado blush nas maçãs do meu rosto. Guardei o estojo de maquiagem ao vê-la se aproximando, respirando fundo e aparentando estar designada. Ela ficou ao meu lado, fitando seu reflexo e mexendo em suas douradas e onduladas mechas. Logo, fechou os olhos e suspirou.
– Eu vim em missão de paz – Seus lábios se movimentaram em um sussurro, subitamente constrangida.


RM - Capítulo 6



         Era como se o meu coração morto voltasse a bater descontroladamente. Os pelos de minha pele fria e dura como mármore se eriçaram ao ver tão expressivos olhos outra vez. Minha mente estava em órbita, eu estava em um mundo paralelo... E uma linha tênue entre os dois mundos me mantinha acordado.

Para ouvir: Lifehouse – Everything

            Era ela, Isabella Swan. A minha Bella estava bem na minha frente naquele instante.
            Olhei para um ponto fixo na enfeitada mesa, perdendo-me em meus devaneios. O momento em que meu passado e meu presente se reuniam era enlouquecedor. Minha respiração se tornou ofegante e minha primeira reação foi olhar para a minha esquerda, ao lado de Carlisle, onde minha irmã preferida estava.
            Alice sabia o que eu procurava em sua mente, mas seu olhar confuso e indagador me deram a entender que ela nada vira. Como seria possível Bella estar aqui? Minha irmã vidente não havia previsto essa cena. E eu não sabia por que estava tão apavorado.
            A quem eu queria enganar, afinal? Eu nem precisei fitar o Jasper para perceber o amor devastador que preenchia cada fibra do meu ser por estar a apenas alguns passos daquela antiga menina... Que se tornara uma mulher ainda mais sedutora do que era há quinze anos...
            Ela estava tão linda... Muito mais do que sempre foi.
            Eu costumava me prender em seu olhar único, afundando-me no profundo mar de luxúria e paixão que dali exalava... E eu podia sentir que agora não era diferente.
            – Gente, essa é Bella Salvatore – Minha esposa disse amigavelmente. – A nova médica do hospital da cidade.

RM - Capítulo 5



– Isso, querida. Agora acrescente os ovos na batedeira – falei calmamente para Alyssa, que me obedecia atenciosamente.
            Minha filha de apenas seis anos havia implorado para eu ensiná-la a fazer um bolo e, como uma boa mãe coruja que era, cedi aos seus grandes e brilhantes olhos azuis – idênticos aos de Damon.
            – Assim, mamãe? – Sua fina voz soou tão leve quanto o bico de um beija-flor em uma rosa.
            Observei minha delicada garotinha colocar a teimosa franja castanha escura atrás da orelha, pegando um dos ovos que estavam sobre a bancada, quebrando-o em seguida.
            No entanto, ela usou muita força, fazendo com que toda a clara voasse em nossos rostos. Rimos, ao passo em que eu tirava aquela gosma do seu pequeno nariz.
            – Ops! – riu suavemente, enquanto eu terminava de limpar sua face. – Força demais.
            – Força demais – concordei ao sorrir.
            Assim que terminei de nos limpar, continuamos a preparar o bolo de chocolate, até que, de repente, uma camada de farinha de trigo veio em nossa direção, fazendo-nos gritar.

RM - Capítulo 4



               O cheiro de Charlize estava diferente naquela tarde, eu podia sentir desde a garagem. Terminei de estacionar o Volvo, entrando em nossa grande casa em seguida.
               Passei pela grande sala de estar, e pude ouvir Wendy em seu quarto, assistindo televisão, enquanto minha esposa estava no closet. Subi as escadas, rumo ao segundo andar, sentindo o aroma de Charlize ainda mais forte. E eu conhecia aquele cheiro... Era frésias e lavanda, e continha um delicado perfume artificial de morangos.
               Não pude evitar o sobressalto em meu coração morto ao me lembrar dela... A dona desse inconfundível aroma. Entretanto, seria impossível, não seria? Bella hoje estaria com 33 anos, e morando nos Estados Unidos, não aqui na Itália. E se esse fosse realmente seu delicado perfume, eu teria notado o arrebatador cheiro de seu sangue... Convidativo e entorpecente.
               – Já chegou do hospital, amor? – perguntou minha mulher; só então percebi que acabara de entrar em nosso quarto.
               – Oh, sim, querida – respondi, jogando minha maleta em um canto qualquer do ambiente e deitando na cama – O movimento era pouco e assim resolvi voltar mais cedo, para descansar para a festa de logo mais, à noite.
               – Sim – ouvi seus lábios se movimentarem num sorriso. – E o que acha desse vestido? – questionou, parando no batente das portas duplas que davam para o grande cômodo abarrotado de roupas.  
               Engasguei ao vê-la. Ela estava surpreendentemente mais linda do que nunca! O longo vestido dourado escuro repleto de pedras brilhantes realçava sua pele levemente bronzeada, assim como suas curvas perfeitas.
            – E então? – perguntou outra vez, dando uma giro de 360° graus. – Aprovado?
            – Aprovadíssimo – sorri maliciosamente, levantando-me e indo a sua direção.
            – Edward, eu já estou pronta... – sorriu, afastando-se de mim com as mãos no ar. – Você vai amassar meu vestido e borrar a maquiagem...
            – Quem liga pra isso? Você é linda de qualquer jeito... – sussurrei ao me aproximar, colando nossos corpos ao prensá-la na parede.
            Não dei chances de desculpas serem proferidas por seus avermelhados lábios, capturando-os em um beijo quente e sedutor. Meus dedos se enroscaram nos nós de seus cabelos da nuca enquanto minha mão livre firmava-a pela cintura, trazendo-a de encontro ao meu corpo.
            Ela sorriu durante o beijo, mordendo meu lábio inferior ao passo em que espalmava suas pequenas mãos em meu peito. Olhei profundamente em seus famintos olhos verdes, e senti minhas costas irem de encontro à parede do lado oposto ao que estávamos no momento em que um sorriso lascivo brincou em seus lábios.
            – Brincou com fogo, Dr. Cullen – sussurrou, maneando a cabeça, falsamente decepcionada.
            – Oh, não... Deixei minha esposa brava! – arregalei os olhos, fingindo estar com medo. Ela riu alto, seus curtos cachos loiros movendo-se conforme sua encantadora risada.
            – E agora tem que pagar – piscou, e logo sua boca quente trilhava um caminho que ia desde a base de meu pescoço até meus lábios.

RM - Capítulo 3



Bella...

Por favor, não me odeie... Eu já me odeio por nós dois.
Estou indo embora. Para sempre. Pelo único motivo de querer te proteger.
O que houve no seu aniversário, apesar de um acidente, foi algo que eu, de certa forma, já esperava.
Isso tudo sempre foi muito perigoso... Muito arriscado. Mas sempre que eu pensava em te dizer “adeus”, você sorria, dizia que me amava, ou corava sob meu olhar... E, por Deus, eu esqueço o mundo quando isso acontece.
Mas agora não posso fechar os olhos e negar o que está bem na nossa frente. Eu sou um monstro, sem alma e egoísta... E você é preciosa demais para correr os riscos iminentes de se conviver comigo.
Eu agradeço a você por tudo... Amar você é o que me mantém vivo e, por mais distante que estejamos, eu sei que, em algum lugar, você estará mais feliz que ao meu lado.
Eu ainda me lembro da primeira vez que a vi... Eu já te amava naquela época e sabia que você seria eterna para mim. Você surgiu como um anjo, para tirar meu ser da escuridão. E agora cabe a mim me afastar... E devolver a luz a você.
Eu ainda te amo.  E tenha certeza, Bella, amor, que eu sempre irei te amar. Amor de vampiro é único. Uma vez que se aloja no coração, não há como extinguir. Mas você é humana... Minha frágil humana. Minha Bella. E merece uma chance de ser feliz de verdade.
Eu sinto muito. Sou covarde o suficiente para não te dizer isso pessoalmente.
E não peço o seu perdão. Apenas desejo que me compreenda e que se lembre de que jamais te esquecerei.
Você é tudo para mim. Está fixada em meu ser. E isso é imutável.
Eu amo você. Muito.

Edward.

– Bella, amor? – a voz de Damon soou, vinda do andar de baixo.
            Rapidamente guardei a carta no criado-mudo, secando as lágrimas teimosas que deslizaram por minha face. Peguei meu notebook, sentando-me desajeitadamente na cama, enquanto abria uma página qualquer da internet.
            Remoer o passado era algo que eu comumente fazia. Era inevitável. Sempre que ficava sozinha em casa, acabava por me torturar com aquela carta – já amassada e desgastada tantas as vezes que ela esteve em minhas mãos.
– Oi, meu anjo – Deitou na cama, após me dar um doce beijinho. – Já terminou de arrumar as coisas?
            Ele parecia não ter notado que antes eu chorava. Benditos sejam os genes de vampiro! Nada de olhos vermelhos após chorar...
– Já sim, amor – sorri, fechando o computador enquanto me deitava ao seu lado, olhando-o ternamente. – E as crianças? Correu tudo bem no caminho?
– Amor, eu as levei à escola... Há dez minutos daqui – riu. – Elas chegaram sãs e salvas – Dizendo isso, senti os braços do meu marido me acolherem, deitando minha cabeça em seu peito.
            Havíamos nos mudado há poucos dias para a Itália e ainda estávamos terminando de organizar tudo em nossa nova casa.
– Sabe no que estou me lembrando? – perguntou, olhando-me.
– Hm? – sorri.
– De quando nos conhecemos...
– Você era muito galanteador... – sorri, encostando nossos narizes.
Era? – fingiu estar aborrecido. – Eu sou galanteador...
– Tão modesto... – revirei os olhos, sorrindo, e, então, seus deliciosos lábios se encaixaram nos meus, enquanto minha mente divagava em anos passados...

Há quinze anos...

– Por favor, Bella... Essa viagem vai lhe fazer bem! – Renée tentava me convencer, implorando, por telefone.
– Mãe... – suspirei. – Eu não sei...
– Por favor, bebê – pediu, e eu pude notar seus lábios em um biquinho, do outro lado da linha.
− Tudo bem! Eu vou a essa viagem com vocês!
            Poucos meses faziam desde que Edward havia partido... E eu tentava juntar os meus pedaços, dia após dia. Até que minha esfuziante mãe me telefona para fazer uma viagem de ano novo com ela e Phil, para a casa dos sogros, no interior de Virginia. “Bem vindo à Mystic Falls” a placa da cidade indicava amistosamente.
            Logo era noite de ano novo e a cidade estava vibrante. Havia uma grande festa na casa do Sr. e Sra. Dwyer e aquilo não era nada do que eu queria no momento – pessoas velhas e falsamente contentes. Um verdadeiro saco.
– Querida, por que não dá um passeio? – A simpática mãe de Phil, uma rechonchuda idosa de curtos cabelos acinzentados, disse. – Com certeza você vai se animar... Há jovens e festividades por toda a parte!
            Bom... Qualquer lugar era melhor que aquilo.
            Seguindo seu conselho, peguei meu casaco atrás da porta e saí pela noite estrelada. Aquela região era muito quente – nada parecida com Forks – e creio que o fato de a cor marrom predominar, eu me lembrava de Phoenix e me sentia em casa. E isso era reconfortante.
Meneei a cabeça e, quando tornei a olhar para frente, avistei um parque de diversões. A música era alegre, havia jovens rindo e se divertindo, e luzes acolhedoras saltavam dos brinquedos típicos. Aquele ambiente me envolveu e, quando vi, já estava lá dentro.
            A movimentação era constante e os vários adolescentes que ali havia estavam dançando, rindo e bebendo enquanto se revezavam nos mais diversos brinquedos.
            – O que uma bela moça como você faz sozinha numa festa de ano novo? – Uma voz incrivelmente sedutora – baixa e rouca – fez-se presente ao meu lado, arrepiando os cabelos de meus braços.
            Segui o som com meu olhar, deparando-me com um belo par de olhos azuis esverdeados.
            – Bom... E-Eu – Ótima hora para gaguejar, Bella. Ele deve estar te achando uma idiota! – Eu saí de uma comemoração meio chata e acabei parando aqui – Soltei de uma só vez.
            – Nunca a vi antes... – Franziu o cenho, analisando-me curiosamente. – É nova na cidade?
            – Não – respondi, colocando uma teimosa mecha de meus cabelos atrás da orelha, enrubescendo. – Minha mãe insistiu que eu viajasse com ela e o marido, então... Aqui estou eu – sorri levemente, corando ainda mais ao notar seus hipnotizantes olhos analisando-me com uma minuciosidade embriagante.
            – Prazer, então, bela dama – sorriu lindamente, fazendo meu coração bater de maneira errônea. O que estava acontecendo comigo, afinal de contas? – Damon Salvatore – Estendeu a mão.
            – Isabella Swan. Mas me chame de Bella, por favor – falei, aceitando seu gesto.
            Damon me surpreendeu ao tocar minha mão, levando-a até seus lábios suavemente gélidos e incrivelmente macios, dando um singelo beijo.
            E, de repente, me senti presa em um mundo paralelo. Minha mente ficou em órbita naquele instante. Era como se o buraco em meu peito nunca tivesse sido aberto, ou apenas estivesse, simplesmente, cicatrizado.
            – Bella? Oh, meu Deus! É você mesmo? – Um antigo tilintar de sinos soou, e percebi que era a voz de uma grande amiga.
            Virei rapidamente, e meus olhos capturaram a bela garota de pele bronzeada e longos cabelos castanhos.
            – Elena?! Caramba, quanto tempo! – E dizendo isso, abracei-a fortemente.
            Eu visitei Mystic Falls quando tinha 14 anos de idade, e foi quando eu conheci Elena Gilbert. Ela era uma garota como eu – na sua, por assim dizer –, e fizemos amizade rapidamente, passando o verão todo grudada uma à outra. Depois, nunca mais voltei e acabamos por perder o contato. E era ótimo revê-la.
            – Você tá muito gata! – sorriu, olhando-me dos pés à cabeça.
            – Tá bom – revirei os olhos, achando aquilo absurdo. – Mas você, sim, está linda!
            – Obrigada, amiga – sorriu. – E é tão bom ver você outra vez – Puxou-me para outro abraço de urso.
            – Hm... Acho que fiquei pra escanteio – disse Damon, o divertimento evidente em seu tom de voz.
            – Dramático como sempre, não Dam? – Elena riu, enquanto ele dava de ombros, rindo. – Mas vejo que você e Bella já se conheceram! – sorriu maliciosamente, fazendo-me corar e desviar meu olhar para baixo.
            – Sim – ele sorriu encantadoramente.
            – Agora vou roubar Bella um pouquinho! Com licença... – pediu, agarrando meu braço ao passo em que me arrastava parque adentro.
            Passamos umas boas horas conversando e acabei contando de Edward para ela – editando algumas informações, evidentemente –, e antigas lágrimas retornaram ao meu rosto.
            Para espantar minha dor, decidimos andar de montanha russa. E, bem, as ideias de Elena nunca falham!
            – Uau! Quem é você e o que fez com a minha namorada? – Um rapaz de cabelos e olhos igualmente amendoados perguntou a minha amiga, assim que saímos do brinquedo.
            – Seu chato! – respondeu, rindo, arrumando o cabelo. – Ser responsável o tempo todo não é muito legal!
            – Percebe-se! – riu suavemente, dando um selinho na mesma.
            – Me desculpem – pediu. – Amor, essa é Bella Swan, grande amiga de infância. E Bella, esse é meu namorado, Stefan Salvatore, irmão de Damon.
            – Muito prazer – falou, pegando minha mão e depositando um beijo simples e educado, sorrindo.
            – O prazer é meu – retribuí o sorriso.
            Assim, fomos para uma mesa numa espécie de bar que havia no parque. Damon estava lá, assistindo um jogo qualquer enquanto tomava um drink.
            – Sabia que o esposo da minha mãe é jogador de beisebol? – perguntei a ele, assim que eu, Elena e Stefan nos sentamos à mesa.
            – Sério? – inquiriu curioso.
            – Sim...
            E daí em diante o papo rolou a solta, e em questão de minutos conversávamos e ríamos como se fôssemos amigos de longa data. E aquilo era realmente bom. Esqueci do meu passado. E me deixei esquecer Edward durante aquele instante. Era como se eu sempre tivesse sido aquela adolescente ingênua e irresponsável, curtindo uma noitada com os amigos – algo que eu estava me deixando ser pela primeira vez.
            E a sensação era boa. Realmente boa.
            Eu não pude fingir não perceber os olhares cobiçosos, porém ternos, de Damon para mim. E eu me senti diferente com um olhar daquela intensidade... Ninguém me olhava daquela forma há muito tempo. E eu, de algum modo, me sentia completa.
            Ele era agradável, lindo, inteligente e me despertava curiosidade. E o meu sexto sentido latejava... Ele era misterioso, assim como Stefan. Eles possuíam um segredo, do qual Elena era ciente. Eu podia sentir.
            Entretanto, a presença deles supria a necessidade e falta dos Cullen. Era como um remédio... Uma morfina. Mas eu sabia que, assim como uma anestesia, o machucado voltaria a doer quando o efeito passasse... Quando nos afastaríamos. E isso era doloroso. Tirava toda a confortabilidade do momento.
            – Stefan, vamos à roda gigante? Quero estar lá em cima quando os fogos começarem! – Elena pediu, sorrindo delicadamente, para o namorado.
            – Vamos – afirmou, beijando sua testa.
            – Por que não convida a Bella também, Damon? – questionou minha insistente amiga. – Ela adora rodas gigantes!
            E, dizendo isso, o casal saiu, deixando-me corada e encabulada.
            – Gostaria...? – O Salvatore mais velho perguntou; seus olhos incrivelmente azuis agora pela luz da lua no centro do céu.
            – Claro! – Mordi o lábio inferior assim que ele levantou, oferecendo seu braço, como um perfeito cavalheiro do século passado. Aceitei o gesto, direcionando-me até a enorme fila do brinquedo.
            – Posso te contar um segredo? – sussurrou em meu ouvido, enquanto aguardávamos a nossa vez de entrar.
            – Claro! – sorri, olhando-o. Ainda estávamos de braços dados.
            – Você me acha sexy – piscou; um sorriso brincando em seus lábios.
            – Posso te contar um segredo? – indaguei em vingança, sorrindo e arqueando uma sobrancelha.
            – Manda a ver.
            – Você é muito presunçoso.
            Ele riu, fazendo-me acompanhá-lo. Seu humor negro e divertimento era uma fórmula perfeita para mim. O modo como ele descontraía me lembrava de Emmett.
            – Bom, algumas garotas não resistem à minha aparência, minha beleza, meu charme e minha incrível habilidade de ouvir Taylor Swift – Continuamos nosso joguinho.
            – Bom, alguns garotos não resistem à minha aparência simples e comum, minha beleza nada gritante, minha falta de coordenação motora e minha incrível habilidade de ouvi-los falar sobre jogos de beisebol e carros.
            – Tenho que informá-la, Srta. Swan, que sua aparência não é nada simples. Você é linda, bela, como seu próprio nome diz – repreendeu-me, olhando nos meus olhos daquele jeito novamente. Entorpecente.
            – Agradeço o elogio, Sr. Sexy! – ele riu, tanto quanto eu, ao ouvir o apelido patético.
            Logo nossa vez chegou e entramos na minúscula cabine da roda gigante. Sentamo-nos lado a lado a fim de apreciar a vista da cidade.

Para ouvir: Avril Lavigne – When You’re Gone

            Um silêncio instalou entre nós ao passo em que rodávamos no brinquedo, e somente quando ele soltou meu braço e entrelaçou nossas mãos notei que ainda estávamos muito próximos.
            – Você é incrivelmente linda... – sussurrou; seu hálito refrescante e doce me inebriava.
            – Não diga mentiras... – sussurrei de volta, fechando os olhos enquanto nos aproximávamos. – Não precisa inventar elogios pra poder me beijar... Apenas faça.
            – Bella – olhou em meus olhos, levemente confuso e ofendido. – Você me atrai e... eu quero ficar com você mais que tudo. Mas eu não estou mentindo... E eu te desejo de uma forma completa – seus olhos azuis profundos me lembravam um oceano em fúria durante uma forte tempestade. – E é estranho porque eu pensava amar outra pessoa há até duas horas... E você apareceu e me fez mudar toda a mente.
            – Damon...
            – Bella, eu não quero apenas beijar você... Eu quero ter você... Eu quero ser seu, e isso não se resume a uma noite de sexo. Muito pelo contrário – franziu o cenho. – Eu quero você como pessoa... Quero te ter ao meu lado. Eu acho que me apaixonei por você.
            Depois dessa declaração, o inevitável aconteceu. Naquela noite beijei Damon Salvatore pela primeira vez, em meio aos fogos de artifício que anunciava a chegada do novo ano. E da minha nova vida também.
            O restante da festa foi incrível. Diverti como nunca! Damon e eu nos entregamos aos beijos, mas nada ocorreu além disso. Ele me acompanhou até a casa dos Srs. Dwyer, selando nossos lábios mais uma vez antes de ir embora.
            E pela primeira vez, os pesadelos não me atormentaram. Não sonhei com Edward e, por mais que o meu coração batesse por Damon naquele momento, eu sabia que sempre pertenceria ao vampiro de cabelos cor de bronze.
            No dia seguinte, decidi ir à praia (N/A: Eu sei que em Mystic Falls não há praia realmente, mas criei uma ^^). O dia estava frio e nublado e como ainda era de manhazinha, não havia praticamente ninguém nas ruas. Apenas eu e o tempo.
            Sentei na areia fofa e clara, deixando meus olhos percorrerem o imenso azul do mar. O tom da água me fez lembrar de um belo par de olhos da mesma cor. Aquilo me intrigou. Era como se o oceano me chamasse. E eu ignorei o fato de ele estar raivoso, correndo em sua direção e me jogando em águas profundas.
            A água gelada fez meus pelos se arrepiarem e meu queixo tremer incessantemente, mas a onda de adrenalina era pulsante e envolvente. Tentei nadar, mas a força do mar era traiçoeira e me puxava mais para longe. Minha respiração acelerou em pânico e meu coração vacilou umas batidas. Eu estava afogando.
            Eu senti que as ondas estavam brigando comigo, como se estivessem determinadas a se juntarem pra me partir ao meio. A água raivosa era preta em todas as direções; não havia nem um brilho para me guiar.
Eu lutei pra manter o meu ar para dentro, a fim de manter os meus lábios selados na minha última reserva de oxigênio. A água gelada estava deixando meus braços e pernas dormentes. Eu nem sentia mais as ondas batendo. Agora era mais como uma vertigem, como um rodopio sem esperança na água.
Eu não queria mais lutar. E não era a cabeça leve, o frio, e nem os meus braços falhando quando os meus músculos desistiram de exaustão, que me deixaram contente por estar aqui onde eu estava.
Eu estava quase feliz por estar tudo acabado. Essa era uma morte mais fácil do que as outras que eu enfrentei. Estranhamente tranquila.
A corrente ganhou nesse momento, me jogando abruptamente contra alguma coisa dura, uma rocha invisível na escuridão. Ela bateu solidamente em minha cabeça, me atingindo como uma barra de ferro, e então o ar foi roubado dos meus pulmões, escapando com uma grossa nuvem de bolhas prateadas.
A água entrou pela minha garganta, me engasgando e queimando. A barra de aço parecia estar me arrastando para a escuridão, para o fundo do oceano.
            – Bella! – eu ouvia, mas estava longe demais... Eu não conseguia alcançar. – Bella, por favor...
            O que senti depois foi um líquido morno em minha boca. Alguém tentava me fazer tomar algo e tinha gosto de ferrugem... e sal. Entretanto, o sabor ruim deu lugar a um prazer indescritível e meus dentes e lábios se prenderam ao que me fornecia aquela bebida.
            Logo, minha mente foi puxada por forças mais profundas. E a inconsciência me atingiu mais uma vez.
            Meus olhos se abriram de forma cansada, preguiçosa devido à claridade irritante que me atormentava. Movimentei meu corpo e notei estar deitada em algo macio e confortável. Ajustei minha vista e percebi estar em um quarto luxuoso e elegante, mas, de algum modo, simples. O que me acordara havia sido um relâmpago – vários deles faziam o céu brilhar naquele instante, enquanto a chuva torrencial caía, batendo na janela de vidro do ambiente como pérolas de um colar arrebentado se debulhando.
            – Como você está? – Um sussurro preencheu o silêncio do quarto e pude notar Damon levantando-se de uma poltrona, me ajudando a sentar na cama.
            – Bem – respondi. – Bem até demais – acrescentei ao não sentir, ao menos, uma dor muscular.
            – Que bom – sorriu verdadeiramente; suas mãos tocando em minha mandíbula. – Fiquei apavorado quando te vi afogando.
            – Foi você quem me tirou da água?
            – Sim – assentiu. – Eu sei que não é um bom momento, mas... Eu queria te dar um presente.
            – Damon, eu... Não preciso de presentes...
            – Por favor? É algo de família.
            – Ok – revirei os olhos, sorrindo.
            Ele se levantou rapidamente, indo até uma mesa que havia no quarto e pegando uma delicada correntinha prata.
            – Eu queria que você usasse isso – pediu, mostrando-me o colar – Como uma proteção – sorriu.
            – Sou tão azarada assim? – perguntei divertida. Ele riu, colocando o acessório em meu pescoço. – Então, isso é um “sim”?
            – Estamos considerando um sólido “talvez”.
            Rimos, e ele me deu um suave beijo na testa. Coloquei o pingente do colar entre meus dedos, e vi o quanto era lindo. Era redondo, com uma fina borda videira cravada ao redor, na beira do círculo do lado de fora, e havia uma espécie de planta dentro. Era pequena e delicada, da cor verde.
            – O que é? – perguntei curiosa.
            – É uma erva chamada verbena – deu de ombros, olhando para o presente. – É a proteção da qual falei – sorri.
            – Obrigada.
            E os dias foram passando... E em breve chegou a hora de eu partir. Precisava voltar à Forks.
Os meses voaram como vento e logo um ano havia se passado. Eu recebia as várias cartas de admissões das mais diversas universidades e precisava escolher em qual cursaria. Enquanto isso, eu me mantive contato com Damon, Elena e Stefan. Eu sei que era covardia, mas sempre que a dor em meu peito retornava e minha mente voltava para Edward, eu corria para ligar o computador e escrever um e-mail para meus novos amigos.
            Qualquer coisa para ocupar meus pensamentos.
            O que não conseguia esquecer era sobre o que ocorrera tempo atrás... Quando Damon salvou minha vida. Eu podia jurar que o que havia bebido, quando fui retirada da água, era sangue... Mas aquilo era impossível!
            Resolvi, então, ir para a Berkeley University, na Califórnia e fiquei surpresa ao saber que os irmãos Salvatore e Elena também a escolheram.
            Ao sair do aeroporto, peguei o primeiro taxi, rumo à universidade. E foi quando ocorreu...
            Eu mexia em minha bolsa naquele instante, procurando meu celular para poder avisar à Elena que já havia chegado à cidade, e o motorista dirigia tranquilamente naquela noite quente de sexta-feira.
            De repente, o barulho alto do freio me assustou, fazendo-me olhar através do para-brisa. Apenas tive tempo de ver um cervo correndo na frente do carro e o motorista desviar do animal, o que nos fez cair em um barranco.
Vi o motorista bater a cabeça contra o volante com força e eu senti que bati a cabeça no vidro da minha janela e depois a batendo contra o painel do carro. Ainda estava lúcida ao ver que fomos batendo em várias árvores, na descida do barranco.
Foi quando a inconsciência me bateu. E eu senti meu coração bater pela última vez.

Tempo presente...

            – Foi naquela noite que você se transformou em vampira – Damon falou, acariciando meus cabelos.
            – Sim... E agora vá logo buscar Alyssa e Matthew na escola! – falei, levantando-me da cama, selando nossos lábios num beijo rápido, enquanto corria até o closet. – Temos a festa beneficente do hospital hoje à noite, esqueceu?
            – Não – respondeu, rindo da minha pressa. – Vou buscar as crianças!
            Ouvi seus passos rápidos na escada e a porta da sala sendo aberta.
            – Amo você! – gritou, indo até a garagem.
            – Também amo você – sussurrei, sabendo que ele ouviria. Só não sabia que aquela frase era mais destinada ao dono da carta, que estava escondida em nosso quarto.

26 fevereiro 2011

Respiro Me


Sinopse: 

Edward se foi após a desastrosa festa de aniversário de sua frágil humana. E uma carta foi tudo o que deixou para se explicar. Sem despedidas, sem mentiras. Apenas as palavras supriram sua dor.

Bella viu sua alma beirar o desespero ao saber da partida dos Cullen, ao encontrar uma carta de Edward em sua cama, no meio da noite.

Quinze anos se passaram... E as vidas de ambos tomaram proporções nunca imaginadas.

Edward se casou com uma híbrida, e agora é pai de uma doce garotinha.

Bella, agora, também é casada e mãe de um lindo casal de gêmeos. O intrigante é que ela se tornou uma bela imortal, mas de uma linhagem diferente – da mesma espécie de seu marido.

E um curso desenfreado do destino coloca as vidas de Edward Cullen e Bella Salvatore juntas outra vez. E eles podem sentir um laço os unindo por um sentimento ainda avassalador.

Seriam eles capazes de resistirem a essa paixão?


Classificação: +18

Categorias: The Vampire Diaries, Saga Crepúsculo.

Shippers: Bella/Edward, Bella/Damon, Edward/Charlize.

Terminada: Sim | Última atualização: 21/04/2013



• Terá POV (Point Of View) do Edward e da Bella;

• The Twilight Saga The Vampire Diaries não me pertencem.

Capítulos:

02. Modifiche
03. Iniziare
06. Verità
07. Canzoni
09. Scia
12. Luce
13. Conferenza
14. Notte
15. Promesse
16. Frenesia
17. Vietato
18. Respirare
19. Epilogo

Respiro Me também disponível:

 
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