Bella...
Por favor, não me odeie... Eu já me odeio por nós dois.
Estou indo embora. Para sempre. Pelo único motivo de querer te proteger.
O que houve no seu aniversário, apesar de um acidente, foi algo que eu, de certa forma, já esperava.
Isso tudo sempre foi muito perigoso... Muito arriscado. Mas sempre que eu pensava em te dizer “adeus”, você sorria, dizia que me amava, ou corava sob meu olhar... E, por Deus, eu esqueço o mundo quando isso acontece.
Mas agora não posso fechar os olhos e negar o que está bem na nossa frente. Eu sou um monstro, sem alma e egoísta... E você é preciosa demais para correr os riscos iminentes de se conviver comigo.
Eu agradeço a você por tudo... Amar você é o que me mantém vivo e, por mais distante que estejamos, eu sei que, em algum lugar, você estará mais feliz que ao meu lado.
Eu ainda me lembro da primeira vez que a vi... Eu já te amava naquela época e sabia que você seria eterna para mim. Você surgiu como um anjo, para tirar meu ser da escuridão. E agora cabe a mim me afastar... E devolver a luz a você.
Eu ainda te amo. E tenha certeza, Bella, amor, que eu sempre irei te amar. Amor de vampiro é único. Uma vez que se aloja no coração, não há como extinguir. Mas você é humana... Minha frágil humana. Minha Bella. E merece uma chance de ser feliz de verdade.
Eu sinto muito. Sou covarde o suficiente para não te dizer isso pessoalmente.
E não peço o seu perdão. Apenas desejo que me compreenda e que se lembre de que jamais te esquecerei.
Você é tudo para mim. Está fixada em meu ser. E isso é imutável.
Eu amo você. Muito.
Edward.
– Bella, amor? – a voz de Damon soou, vinda do andar de baixo.
Rapidamente guardei a carta no criado-mudo, secando as lágrimas teimosas que deslizaram por minha face. Peguei meu notebook, sentando-me desajeitadamente na cama, enquanto abria uma página qualquer da internet.
Remoer o passado era algo que eu comumente fazia. Era inevitável. Sempre que ficava sozinha em casa, acabava por me torturar com aquela carta – já amassada e desgastada tantas as vezes que ela esteve em minhas mãos.
– Oi, meu anjo – Deitou na cama, após me dar um doce beijinho. – Já terminou de arrumar as coisas?
Ele parecia não ter notado que antes eu chorava. Benditos sejam os genes de vampiro! Nada de olhos vermelhos após chorar...
– Já sim, amor – sorri, fechando o computador enquanto me deitava ao seu lado, olhando-o ternamente. – E as crianças? Correu tudo bem no caminho?
– Amor, eu as levei à escola... Há dez minutos daqui – riu. – Elas chegaram sãs e salvas – Dizendo isso, senti os braços do meu marido me acolherem, deitando minha cabeça em seu peito.
Havíamos nos mudado há poucos dias para a Itália e ainda estávamos terminando de organizar tudo em nossa nova casa.
– Sabe no que estou me lembrando? – perguntou, olhando-me.
– Hm? – sorri.
– De quando nos conhecemos...
– Você era muito galanteador... – sorri, encostando nossos narizes.
– Era? – fingiu estar aborrecido. – Eu sou galanteador...
– Tão modesto... – revirei os olhos, sorrindo, e, então, seus deliciosos lábios se encaixaram nos meus, enquanto minha mente divagava em anos passados...
Há quinze anos...
– Por favor, Bella... Essa viagem vai lhe fazer bem! – Renée tentava me convencer, implorando, por telefone.
– Mãe... – suspirei. – Eu não sei...
– Por favor, bebê – pediu, e eu pude notar seus lábios em um biquinho, do outro lado da linha.
− Tudo bem! Eu vou a essa viagem com vocês!
Poucos meses faziam desde que Edward havia partido... E eu tentava juntar os meus pedaços, dia após dia. Até que minha esfuziante mãe me telefona para fazer uma viagem de ano novo com ela e Phil, para a casa dos sogros, no interior de Virginia. “Bem vindo à Mystic Falls” a placa da cidade indicava amistosamente.
Logo era noite de ano novo e a cidade estava vibrante. Havia uma grande festa na casa do Sr. e Sra. Dwyer e aquilo não era nada do que eu queria no momento – pessoas velhas e falsamente contentes. Um verdadeiro saco.
– Querida, por que não dá um passeio? – A simpática mãe de Phil, uma rechonchuda idosa de curtos cabelos acinzentados, disse. – Com certeza você vai se animar... Há jovens e festividades por toda a parte!
Bom... Qualquer lugar era melhor que aquilo.
Seguindo seu conselho, peguei meu casaco atrás da porta e saí pela noite estrelada. Aquela região era muito quente – nada parecida com Forks – e creio que o fato de a cor marrom predominar, eu me lembrava de Phoenix e me sentia em casa. E isso era reconfortante.
Meneei a cabeça e, quando tornei a olhar para frente, avistei um parque de diversões. A música era alegre, havia jovens rindo e se divertindo, e luzes acolhedoras saltavam dos brinquedos típicos. Aquele ambiente me envolveu e, quando vi, já estava lá dentro.
A movimentação era constante e os vários adolescentes que ali havia estavam dançando, rindo e bebendo enquanto se revezavam nos mais diversos brinquedos.
– O que uma bela moça como você faz sozinha numa festa de ano novo? – Uma voz incrivelmente sedutora – baixa e rouca – fez-se presente ao meu lado, arrepiando os cabelos de meus braços.
Segui o som com meu olhar, deparando-me com um belo par de olhos azuis esverdeados.
– Bom... E-Eu – Ótima hora para gaguejar, Bella. Ele deve estar te achando uma idiota! – Eu saí de uma comemoração meio chata e acabei parando aqui – Soltei de uma só vez.
– Nunca a vi antes... – Franziu o cenho, analisando-me curiosamente. – É nova na cidade?
– Não – respondi, colocando uma teimosa mecha de meus cabelos atrás da orelha, enrubescendo. – Minha mãe insistiu que eu viajasse com ela e o marido, então... Aqui estou eu – sorri levemente, corando ainda mais ao notar seus hipnotizantes olhos analisando-me com uma minuciosidade embriagante.
– Prazer, então, bela dama – sorriu lindamente, fazendo meu coração bater de maneira errônea. O que estava acontecendo comigo, afinal de contas? – Damon Salvatore – Estendeu a mão.
– Isabella Swan. Mas me chame de Bella, por favor – falei, aceitando seu gesto.
Damon me surpreendeu ao tocar minha mão, levando-a até seus lábios suavemente gélidos e incrivelmente macios, dando um singelo beijo.
E, de repente, me senti presa em um mundo paralelo. Minha mente ficou em órbita naquele instante. Era como se o buraco em meu peito nunca tivesse sido aberto, ou apenas estivesse, simplesmente, cicatrizado.
– Bella? Oh, meu Deus! É você mesmo? – Um antigo tilintar de sinos soou, e percebi que era a voz de uma grande amiga.
Virei rapidamente, e meus olhos capturaram a bela garota de pele bronzeada e longos cabelos castanhos.
– Elena?! Caramba, quanto tempo! – E dizendo isso, abracei-a fortemente.
Eu visitei Mystic Falls quando tinha 14 anos de idade, e foi quando eu conheci Elena Gilbert. Ela era uma garota como eu – na sua, por assim dizer –, e fizemos amizade rapidamente, passando o verão todo grudada uma à outra. Depois, nunca mais voltei e acabamos por perder o contato. E era ótimo revê-la.
– Você tá muito gata! – sorriu, olhando-me dos pés à cabeça.
– Tá bom – revirei os olhos, achando aquilo absurdo. – Mas você, sim, está linda!
– Obrigada, amiga – sorriu. – E é tão bom ver você outra vez – Puxou-me para outro abraço de urso.
– Hm... Acho que fiquei pra escanteio – disse Damon, o divertimento evidente em seu tom de voz.
– Dramático como sempre, não Dam? – Elena riu, enquanto ele dava de ombros, rindo. – Mas vejo que você e Bella já se conheceram! – sorriu maliciosamente, fazendo-me corar e desviar meu olhar para baixo.
– Sim – ele sorriu encantadoramente.
– Agora vou roubar Bella um pouquinho! Com licença... – pediu, agarrando meu braço ao passo em que me arrastava parque adentro.
Passamos umas boas horas conversando e acabei contando de Edward para ela – editando algumas informações, evidentemente –, e antigas lágrimas retornaram ao meu rosto.
Para espantar minha dor, decidimos andar de montanha russa. E, bem, as ideias de Elena nunca falham!
– Uau! Quem é você e o que fez com a minha namorada? – Um rapaz de cabelos e olhos igualmente amendoados perguntou a minha amiga, assim que saímos do brinquedo.
– Seu chato! – respondeu, rindo, arrumando o cabelo. – Ser responsável o tempo todo não é muito legal!
– Percebe-se! – riu suavemente, dando um selinho na mesma.
– Me desculpem – pediu. – Amor, essa é Bella Swan, grande amiga de infância. E Bella, esse é meu namorado, Stefan Salvatore, irmão de Damon.
– Muito prazer – falou, pegando minha mão e depositando um beijo simples e educado, sorrindo.
– O prazer é meu – retribuí o sorriso.
Assim, fomos para uma mesa numa espécie de bar que havia no parque. Damon estava lá, assistindo um jogo qualquer enquanto tomava um drink.
– Sabia que o esposo da minha mãe é jogador de beisebol? – perguntei a ele, assim que eu, Elena e Stefan nos sentamos à mesa.
– Sério? – inquiriu curioso.
– Sim...
E daí em diante o papo rolou a solta, e em questão de minutos conversávamos e ríamos como se fôssemos amigos de longa data. E aquilo era realmente bom. Esqueci do meu passado. E me deixei esquecer Edward durante aquele instante. Era como se eu sempre tivesse sido aquela adolescente ingênua e irresponsável, curtindo uma noitada com os amigos – algo que eu estava me deixando ser pela primeira vez.
E a sensação era boa. Realmente boa.
Eu não pude fingir não perceber os olhares cobiçosos, porém ternos, de Damon para mim. E eu me senti diferente com um olhar daquela intensidade... Ninguém me olhava daquela forma há muito tempo. E eu, de algum modo, me sentia completa.
Ele era agradável, lindo, inteligente e me despertava curiosidade. E o meu sexto sentido latejava... Ele era misterioso, assim como Stefan. Eles possuíam um segredo, do qual Elena era ciente. Eu podia sentir.
Entretanto, a presença deles supria a necessidade e falta dos Cullen. Era como um remédio... Uma morfina. Mas eu sabia que, assim como uma anestesia, o machucado voltaria a doer quando o efeito passasse... Quando nos afastaríamos. E isso era doloroso. Tirava toda a confortabilidade do momento.
– Stefan, vamos à roda gigante? Quero estar lá em cima quando os fogos começarem! – Elena pediu, sorrindo delicadamente, para o namorado.
– Vamos – afirmou, beijando sua testa.
– Por que não convida a Bella também, Damon? – questionou minha insistente amiga. – Ela adora rodas gigantes!
E, dizendo isso, o casal saiu, deixando-me corada e encabulada.
– Gostaria...? – O Salvatore mais velho perguntou; seus olhos incrivelmente azuis agora pela luz da lua no centro do céu.
– Claro! – Mordi o lábio inferior assim que ele levantou, oferecendo seu braço, como um perfeito cavalheiro do século passado. Aceitei o gesto, direcionando-me até a enorme fila do brinquedo.
– Posso te contar um segredo? – sussurrou em meu ouvido, enquanto aguardávamos a nossa vez de entrar.
– Claro! – sorri, olhando-o. Ainda estávamos de braços dados.
– Você me acha sexy – piscou; um sorriso brincando em seus lábios.
– Posso te contar um segredo? – indaguei em vingança, sorrindo e arqueando uma sobrancelha.
– Manda a ver.
– Você é muito presunçoso.
Ele riu, fazendo-me acompanhá-lo. Seu humor negro e divertimento era uma fórmula perfeita para mim. O modo como ele descontraía me lembrava de Emmett.
– Bom, algumas garotas não resistem à minha aparência, minha beleza, meu charme e minha incrível habilidade de ouvir Taylor Swift – Continuamos nosso joguinho.
– Bom, alguns garotos não resistem à minha aparência simples e comum, minha beleza nada gritante, minha falta de coordenação motora e minha incrível habilidade de ouvi-los falar sobre jogos de beisebol e carros.
– Tenho que informá-la, Srta. Swan, que sua aparência não é nada simples. Você é linda, bela, como seu próprio nome diz – repreendeu-me, olhando nos meus olhos daquele jeito novamente. Entorpecente.
– Agradeço o elogio, Sr. Sexy! – ele riu, tanto quanto eu, ao ouvir o apelido patético.
Logo nossa vez chegou e entramos na minúscula cabine da roda gigante. Sentamo-nos lado a lado a fim de apreciar a vista da cidade.
Para ouvir: Avril Lavigne – When You’re Gone
Um silêncio instalou entre nós ao passo em que rodávamos no brinquedo, e somente quando ele soltou meu braço e entrelaçou nossas mãos notei que ainda estávamos muito próximos.
– Você é incrivelmente linda... – sussurrou; seu hálito refrescante e doce me inebriava.
– Não diga mentiras... – sussurrei de volta, fechando os olhos enquanto nos aproximávamos. – Não precisa inventar elogios pra poder me beijar... Apenas faça.
– Bella – olhou em meus olhos, levemente confuso e ofendido. – Você me atrai e... eu quero ficar com você mais que tudo. Mas eu não estou mentindo... E eu te desejo de uma forma completa – seus olhos azuis profundos me lembravam um oceano em fúria durante uma forte tempestade. – E é estranho porque eu pensava amar outra pessoa há até duas horas... E você apareceu e me fez mudar toda a mente.
– Damon...
– Bella, eu não quero apenas beijar você... Eu quero ter você... Eu quero ser seu, e isso não se resume a uma noite de sexo. Muito pelo contrário – franziu o cenho. – Eu quero você como pessoa... Quero te ter ao meu lado. Eu acho que me apaixonei por você.
Depois dessa declaração, o inevitável aconteceu. Naquela noite beijei Damon Salvatore pela primeira vez, em meio aos fogos de artifício que anunciava a chegada do novo ano. E da minha nova vida também.
O restante da festa foi incrível. Diverti como nunca! Damon e eu nos entregamos aos beijos, mas nada ocorreu além disso. Ele me acompanhou até a casa dos Srs. Dwyer, selando nossos lábios mais uma vez antes de ir embora.
E pela primeira vez, os pesadelos não me atormentaram. Não sonhei com Edward e, por mais que o meu coração batesse por Damon naquele momento, eu sabia que sempre pertenceria ao vampiro de cabelos cor de bronze.
No dia seguinte, decidi ir à praia (N/A: Eu sei que em Mystic Falls não há praia realmente, mas criei uma ^^). O dia estava frio e nublado e como ainda era de manhazinha, não havia praticamente ninguém nas ruas. Apenas eu e o tempo.
Sentei na areia fofa e clara, deixando meus olhos percorrerem o imenso azul do mar. O tom da água me fez lembrar de um belo par de olhos da mesma cor. Aquilo me intrigou. Era como se o oceano me chamasse. E eu ignorei o fato de ele estar raivoso, correndo em sua direção e me jogando em águas profundas.
A água gelada fez meus pelos se arrepiarem e meu queixo tremer incessantemente, mas a onda de adrenalina era pulsante e envolvente. Tentei nadar, mas a força do mar era traiçoeira e me puxava mais para longe. Minha respiração acelerou em pânico e meu coração vacilou umas batidas. Eu estava afogando.
Eu senti que as ondas estavam brigando comigo, como se estivessem determinadas a se juntarem pra me partir ao meio. A água raivosa era preta em todas as direções; não havia nem um brilho para me guiar.
Eu lutei pra manter o meu ar para dentro, a fim de manter os meus lábios selados na minha última reserva de oxigênio. A água gelada estava deixando meus braços e pernas dormentes. Eu nem sentia mais as ondas batendo. Agora era mais como uma vertigem, como um rodopio sem esperança na água.
Eu não queria mais lutar. E não era a cabeça leve, o frio, e nem os meus braços falhando quando os meus músculos desistiram de exaustão, que me deixaram contente por estar aqui onde eu estava.
Eu estava quase feliz por estar tudo acabado. Essa era uma morte mais fácil do que as outras que eu enfrentei. Estranhamente tranquila.
A corrente ganhou nesse momento, me jogando abruptamente contra alguma coisa dura, uma rocha invisível na escuridão. Ela bateu solidamente em minha cabeça, me atingindo como uma barra de ferro, e então o ar foi roubado dos meus pulmões, escapando com uma grossa nuvem de bolhas prateadas.
A água entrou pela minha garganta, me engasgando e queimando. A barra de aço parecia estar me arrastando para a escuridão, para o fundo do oceano.
– Bella! – eu ouvia, mas estava longe demais... Eu não conseguia alcançar. – Bella, por favor...
O que senti depois foi um líquido morno em minha boca. Alguém tentava me fazer tomar algo e tinha gosto de ferrugem... e sal. Entretanto, o sabor ruim deu lugar a um prazer indescritível e meus dentes e lábios se prenderam ao que me fornecia aquela bebida.
Logo, minha mente foi puxada por forças mais profundas. E a inconsciência me atingiu mais uma vez.
Meus olhos se abriram de forma cansada, preguiçosa devido à claridade irritante que me atormentava. Movimentei meu corpo e notei estar deitada em algo macio e confortável. Ajustei minha vista e percebi estar em um quarto luxuoso e elegante, mas, de algum modo, simples. O que me acordara havia sido um relâmpago – vários deles faziam o céu brilhar naquele instante, enquanto a chuva torrencial caía, batendo na janela de vidro do ambiente como pérolas de um colar arrebentado se debulhando.
– Como você está? – Um sussurro preencheu o silêncio do quarto e pude notar Damon levantando-se de uma poltrona, me ajudando a sentar na cama.
– Bem – respondi. – Bem até demais – acrescentei ao não sentir, ao menos, uma dor muscular.
– Que bom – sorriu verdadeiramente; suas mãos tocando em minha mandíbula. – Fiquei apavorado quando te vi afogando.
– Foi você quem me tirou da água?
– Sim – assentiu. – Eu sei que não é um bom momento, mas... Eu queria te dar um presente.
– Damon, eu... Não preciso de presentes...
– Por favor? É algo de família.
– Ok – revirei os olhos, sorrindo.
Ele se levantou rapidamente, indo até uma mesa que havia no quarto e pegando uma delicada correntinha prata.
– Eu queria que você usasse isso – pediu, mostrando-me o colar – Como uma proteção – sorriu.
– Sou tão azarada assim? – perguntei divertida. Ele riu, colocando o acessório em meu pescoço. – Então, isso é um “sim”?
– Estamos considerando um sólido “talvez”.
Rimos, e ele me deu um suave beijo na testa. Coloquei o pingente do colar entre meus dedos, e vi o quanto era lindo. Era redondo, com uma fina borda videira cravada ao redor, na beira do círculo do lado de fora, e havia uma espécie de planta dentro. Era pequena e delicada, da cor verde.
– O que é? – perguntei curiosa.
– É uma erva chamada verbena – deu de ombros, olhando para o presente. – É a proteção da qual falei – sorri.
– Obrigada.
E os dias foram passando... E em breve chegou a hora de eu partir. Precisava voltar à Forks.
Os meses voaram como vento e logo um ano havia se passado. Eu recebia as várias cartas de admissões das mais diversas universidades e precisava escolher em qual cursaria. Enquanto isso, eu me mantive contato com Damon, Elena e Stefan. Eu sei que era covardia, mas sempre que a dor em meu peito retornava e minha mente voltava para Edward, eu corria para ligar o computador e escrever um e-mail para meus novos amigos.
Qualquer coisa para ocupar meus pensamentos.
O que não conseguia esquecer era sobre o que ocorrera tempo atrás... Quando Damon salvou minha vida. Eu podia jurar que o que havia bebido, quando fui retirada da água, era sangue... Mas aquilo era impossível!
Resolvi, então, ir para a Berkeley University, na Califórnia e fiquei surpresa ao saber que os irmãos Salvatore e Elena também a escolheram.
Ao sair do aeroporto, peguei o primeiro taxi, rumo à universidade. E foi quando ocorreu...
Eu mexia em minha bolsa naquele instante, procurando meu celular para poder avisar à Elena que já havia chegado à cidade, e o motorista dirigia tranquilamente naquela noite quente de sexta-feira.
De repente, o barulho alto do freio me assustou, fazendo-me olhar através do para-brisa. Apenas tive tempo de ver um cervo correndo na frente do carro e o motorista desviar do animal, o que nos fez cair em um barranco.
Vi o motorista bater a cabeça contra o volante com força e eu senti que bati a cabeça no vidro da minha janela e depois a batendo contra o painel do carro. Ainda estava lúcida ao ver que fomos batendo em várias árvores, na descida do barranco.
Foi quando a inconsciência me bateu. E eu senti meu coração bater pela última vez.
Tempo presente...
– Foi naquela noite que você se transformou em vampira – Damon falou, acariciando meus cabelos.
– Sim... E agora vá logo buscar Alyssa e Matthew na escola! – falei, levantando-me da cama, selando nossos lábios num beijo rápido, enquanto corria até o closet. – Temos a festa beneficente do hospital hoje à noite, esqueceu?
– Não – respondeu, rindo da minha pressa. – Vou buscar as crianças!
Ouvi seus passos rápidos na escada e a porta da sala sendo aberta.
– Amo você! – gritou, indo até a garagem.
– Também amo você – sussurrei, sabendo que ele ouviria. Só não sabia que aquela frase era mais destinada ao dono da carta, que estava escondida em nosso quarto.