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07 fevereiro 2013

DP (Original) - Capítulo 2

Hey, babies! Eu nem sei como agradecer ao carinho imenso de todas vocês e a tantos comentários. Fico muito feliz por estarem curtindo DP e espero que continuem amando! Hahahaha'
E acima de tudo, um super obrigada a minha baby Aline Bomfim, a beta de "Dark Paradise" e "Burning Red" que me ajuda tanto com as ideias e a colocar as histórias em ordem! Eu te amo, vadia.
Agora aproveitem o capítulo! Boa leitura o/

Gods & Monsters

“Numa terra de deuses e monstros
Eu era um anjo vivendo no jardim do mal
Fodida, assustada, fazendo qualquer coisa que eu precisava
Brilhando como um farol em chamas”

            Ele e tudo o que tocava tinham gosto de quatro de julho. O dia da independência estadunidense, a liberdade em suas veias e artérias, transportando um fluxo de oxigênio e energia que intrigava a todos por onde passava. Inclusive Scarlett.
            – Pra onde estamos indo? – ela perguntou pela terceira vez desde que disse “sim” à proposta e Andrew a arrastou para fora do pub, com ela lhe oferecendo o Jaguar para irem até outro ponto de Los Angeles.
            – Você não desiste, não é? – retrucou com um sorriso de lado em divertimento, desviando os olhos da estrada por um segundo para ver as íris verdes curiosas da garota. – Ok, vamos ao Old Paul’s, conhece?
            – Não – Franziu o cenho ao morder o lábio inferior; um misto de temor e excitação deslizando por seus músculos.
            – É uma espécie de pub em Hollywood, estamos chegando. – Sorriu, apreciando apenas o barulho noturno da cidade enquanto as luzes de postes e bares iluminavam o interior do automóvel caro e esportivo.
            A herdeira de fato deveria ser louca por deixar um desconhecido dirigir seu carro para um lugar totalmente incógnito, mas toda aquela adrenalina apenas servia como uma descarga de sentimentos e sensações que nunca haviam tomado seu corpo antes. Ela podia sentir a vibração e o brilho por trás dos seus olhos, o aroma do perigo e o gosto tão suave que o beijo tão recente do britânico havia deixado em seus lábios.
            Alguns dizem que genialidade e loucura são sinônimos que apenas certas pessoas podem identificar – e a morena com certeza seria uma delas. Para ela, Andrew era muito mais do que um homem que ela jamais havia visto na vida. Para ela, era o descobrimento de uma nova terra que ela apenas conhecia pela televisão e contos que viajavam em seus pensamentos desde que criara idade o suficiente para se aventurar em ideias insanas e cada vez mais sombrias.
            Scarlett não queria ser má. Ela só não queria mais trair aquela vontade irrefreável que dominava seu peito.
            – Voilà! – O inglês sorriu ao estacionar o Jaguar vermelho em frente ao pub de uma área não muito movimentada do setor, as ruas escuras e alguma música do Nirvana soando de dentro do estabelecimento.
Na calçada havia algumas motocicletas reluzentes e um grupo de pessoas fumando e conversando, incluindo duas mulheres morenas e bonitas que sorriram para o britânico assim que ele saiu do veículo, aproximando-se da herdeira.
– Está tudo bem? – ele inquiriu com um olhar confuso e levemente preocupado para ela, sem nem perceber as outras duas que o encaravam.
– Tudo ótimo! – A jovem respondeu com um sorriso largo, despojada ao engolir a pontada do sentimento que a tomou ali. Qual é? Ele era dela essa noite, vadias.
– Então vamos! – Andrew sorriu de volta, fitando-a com aqueles olhos perigosos e hipnotizantes antes de envolver a mão grande ao redor dos dedos da garota e a puxar para a entrada do pub.
E era diferente de tudo o que Scarlett já havia visto com seus próprios olhos.
O ambiente era todo revestido em madeira escura e pequenos tijolos ornamentais, a luz era baixa e escura, despontando alguns pontos dourados e azul-escuros ao redor do bar. Mesas de madeira eram dispostas por todo o enorme e sombrio salão enquanto um balcão ao fundo tinha uísques e licores dispostos nos armários de vidro atrás, com alguns barmen já preparando um drinque e outro para os clientes.
E por toda a penumbra do ambiente, era possível ver vários grupos ao redor das mesas de sinuca em alguns cantos, a fumaça dos cigarros anuviando o ar e os acordes tentadores e delirantes por baixo da voz de Kurt Cobain em Heart-Shaped Box.
De repente, ela se sentiu vestida inapropriadamente para uma ocasião.
– O que houve? – Andrew questionou com os lábios em seu ouvido, fazendo-a se arrepiar brevemente com a deliciosa sensação.
– Acho que minha roupa não condiz muito com o lugar... – ela disse com um sorrisinho sarcástico ao fitar o jovem.
Os olhos azuis desviaram do rosto da morena para seu corpo esbelto e de curvas suaves, o que fez os lábios dele se curvarem ligeiramente para cima em um sorriso provocante, embora deliciado.
– Não seja por isso.
E ao murmurar essas simples palavrinhas, os dedos do inglês se desvencilharam dos dela em direção ao cardigã caro e bonito ao redor de seus ombros; ela mordeu o lábio inferior em expectativa e curiosidade.
– Importa-se? – ele questionou sensualmente, seu sotaque banhando cada letra, à medida que a garota simplesmente arqueou uma de suas delineadas sobrancelhas com um sorriso malicioso.
– À vontade.
E sem mais qualquer questionamento, Andrew rasgou a frente do delicado casaco lilás, fazendo alguns botões saltarem enquanto a morena disfarçava um pequeno grito de surpresa, vendo as mãos grandes e firmes do homem puxarem com destreza a vestimenta de sua pele antes de embolá-la e a jogar em um canto qualquer do bar.
– Espero que ela não tenha um grande valor sentimental pra você – falou em um tom baixo, referindo-se ao cardigã ao trabalhar seus dedos nos primeiros botões da camisa branca da jovem.
– Nenhum – Ela sorriu sem conseguir tirar os olhos daquele rosto de traços fortes que escondiam os maiores segredos que sua mente poderia sequer formular.
E logo, Scarlett já poderia ser facilmente incorporada ali com a camisa expondo o vale entre seus seios e o início do sutiã preto de rendas que os cobriam, fazendo um conjunto perfeito com o short surrado e o Converse preto em seus pés. Os olhos de longos cílios e delineador, assim como os lábios cheios suavemente avermelhados, eram os finais perfeitos da peça de convite para a pureza e o pecado.
Andrew se viu totalmente absorto naquela pequena e adorável estranha.
– Então... – A garota falou divertida, colocando as mãos na cintura ao observar os olhos azuis sobre seu corpo. – Tive a promessa de uma noite com novos conhecimentos...
Ele ergueu a sobrancelha em resposta antes de esconder um sorrisinho de canto.
– Só estamos começando – Apontou com a cabeça em direção ao bar, andando com a morena em seu encalço. – Já teve uma noite com José Cuervo?
– Quem? – Ela piscou; os lábios formando um pequeno “o” assim que reclinaram até o longo balcão de madeira.
– Pelo visto não! – O britânico riu baixinho, avistando o jovem amigo de pele bronzeada e cabelos escuros na cadeira ao lado. – Paul! Quem é vivo sempre aparece!
– Barnes! – Ele se virou para abraçar o companheiro, deixando visível uma longa tatuagem ao longo de seu braço, o que logo despertou a curiosidade de Scarlett.
– Não aparece mais nem em seu próprio pub?
– Sabe como é. Os negócios paralelos sempre tomam tempo – respondeu com um olhar secreto e divertido, assim como o inglês, antes de ter sua atenção tomada pela bela morena. – E quem é esse anjo?
– Scarlett Hathaway – Sorriu maliciosa ao apertar a mão do homem de traços fortes, quase indígenas.
– Paul Miller – apresentou-se, abrindo as mãos em sinal de exuberância ao prosseguir. – Curtindo o lugar?
– Adorando cada pedaço. – ela respondeu com um sorriso provocante.
– Cara, já adorei a sua garota! – O moreno comentou em uma voz vibrante ao apertar os ombros do britânico, que riu.
– Ela agora vai conhecer o bom e velho José Cuervo – ele murmurou, olhando para a garota antes de se curvar no balcão e pedir uma dose ao barman.
– Vou deixar vocês dois à vontade! – Paul piscou. – Qualquer coisa, estarei lá em cima, Barnes.
Andrew fez um gesto para o moreno alto quando se afastou, voltando-se para a morena ao lhe entregar a forte bebida.
– O que diabos é isso? – perguntou esperta, franzindo os lábios ao fitar o líquido dourado que exalava álcool.
Ele soltou uma risada enquanto pegava a sua própria dose.
– Uma tequila mexicana pra começar a noite!
E, com isso, entornou a bebida goela abaixo sob os olhos da morena que decidiu fazer o mesmo. O rosto delicado e feminino curvou-se em uma careta ao sentir o líquido descer queimando sua garganta e sua mente girar por um segundo ou dois.
– Boa, não é? – O britânico questionou com um sorriso, deliciado com as expressões da menina.
– Parece que acabei de abraçar o capeta.
A gargalhada do homem foi alta e Scarlett sorriu de lado ao vê-lo tão despojado e leve. Ele a cativava.
Era como se Andrew Barnes despertasse todas as mensagens e recados mais ocultos escondidos em seus pensamentos, fazendo-os acordarem para um mundo novo após noites e mais noites perdidos em si em uma redoma de cristal em que nada poderia lhe acontecer. Aquela, no entanto, não era mais uma de suas madrugadas como princesa de Mônaco ou qualquer regalia luxuosa que se comparasse a ela. Aquela era sua noite como Jim Morrison.
E foi assim quando ela entornou outro gole de José Cuervo e se sentiu a própria Frida Kahlo em suas farras e competições de bebidas e noites de tequila. Foi assim quando o britânico lhe apresentou aos limões e sais como acompanhamentos e uma dose e outra de vodca enquanto contava o quanto sua vida era um saco em Bel Air, com todos os diamantes e rivieras que meninas ao redor do mundo sonhavam – sem saber que o preço que se pagava por uma vida cheia e fútil era, na verdade, um vazio coberto por poeiras de estrelas cadentes em suas mortes iminentes.
Ela era como uma estrela perdida no universo que morria lentamente, apagando-se pouco a pouco a cada dia que nascia.
No entanto, ela ganhou uma nova perspectiva quando dois casais de amigos do seu acompanhante da noite chegaram com seus sorrisos perigosos e sortidos, alguns cigarros nos lábios e shots de tequila nas mãos. Eles eram, sem dúvidas, variações de Andrew Barnes com seus jeitos “foda-se” de tratar tudo – as palavras de uma das garotas, Anya, soando repetidamente em seus ouvidos: “Viva rápido, morra jovem, seja selvagem e divirta-se!”.
Matt Standen e Rosalie Carter pareciam os mais desencanados e cheios de sorrisos brilhantes e beijos descarados entre si. Os longos cabelos lisos da loura esvoaçando a cada movimento sutil e os carnudos lábios pintados de vermelho fechando-se ao redor do cigarro, aspirando lentamente a fumaça como alguma estrela de cinema dos anos 20. Seu namorado era alto e forte, cheio de músculos e um sorriso despojado no rosto suave de olhos azuis e cabelos curtos e ondulados, no mais severo dos tons negros da noite.
Os outros dois pareciam um pouco mais absortos em suas bebidas e olhares perigosos – Anya Dobreva com seus longos e leves cachos amendoados rodeando sua cintura em sintonia com os lábios cor de vinho ao sussurrar algo no ouvido de Demetri Fuller, que possuía expressivas íris castanhas ao redor das pupilas dilatadas e rebeldes cabelos de um castanho alourado. A jovem parecia alguma deusa das antigas estátuas gregas enquanto o louro tinha um sotaque britânico tão forte quanto o de Andrew.
– Mas o que uma princesa está fazendo aqui? – Rosalie comentou com a voz suavemente áspera em um tom irônico, enquanto o moreno beijava entretido seu pescoço. – Visitando o subúrbio?
Scarlett franziu o cenho à medida que o inglês fez uma cara feia, repreendendo a loura.
– Rose!
– Deixe-me adivinhar... – Ela arqueou uma de suas delineadas sobrancelhas, curvando-se sobre a mesa ao fitar a morena e ignorar completamente a repreensão. – Revoltou com o papai e a mamãe e decidiu bancar a inconsequente por algumas horas?
– Não, eu não “banquei a inconsequente”! – A garota retrucou sarcástica ao movimentar os dedos com aspas invisíveis; os olhos verdes soltando faíscas. – Você não sabe nem um terço das coisas que eu passei, então não tente me reprimir ou me rebaixar por não pertencer a esse lugar.
A loura mordeu o interior das bochechas ao ouvir aquelas palavras, ignorando a expressão sombriamente surpresa de Andrew à resposta enquanto os outros três seguravam um risinho. Era comum de Rosalie extrapolar e querer marcar território – não que o britânico fosse algo além de um amigo, mas aquele era o seu ambiente e o seu grupo.
Logo, o inglês engatou alguma conversa com Demetri, e a morena pegou uma garrafa de Budweiser para lhe fazer companhia antes de sentir o sorriso de Matt em sua direção, fazendo-a encará-lo com curiosidade.
– Não dê muita corda pras coisas que a Rose fala, ela soa um pouco esnobe e egoísta às vezes, mas é só o jeito dela de testar você – ele murmurou com seus olhos azuis e leves sobre a garota. – Ela só não quer que você faça alguma estupidez ou acabe colocando a todos nós em encrenca.
– Matt, eu nunca...
– Eu sei, Scar – falou seu apelido em um tom gentil, arrancando um sorrisinho dela. – É assim que Andrew a chama, não é? Acho que combina mais com você; Scarlett é formal demais.
Ela riu baixinho, assentindo.
– Eu gosto de Scar.
E por mais que aquela fosse uma visão completamente diferente de tudo que já havia provado antes, a jovem gostava de tudo aquilo – na verdade, ela adorava. Poder conhecer um universo paralelo tão distinto do seu era quase como uma brisa de ar fresco em seus pulmões ou como aquela sensação de liberdade e preenchimento ao aspirar a doce baunilha da cocaína, sentindo-a lhe rasgar por dentro até encontrar o cérebro e cada uma de suas sinapses nervosas.
No entanto, nada disso se comparava ao sentimento maravilhoso de poder e curiosidade ao conhecer um pouco mais do mundo do estranho Barnes. O jeito que ele ria com alguma piada estúpida de Matt ou alguma frase indiscreta de Anya, ou o modo como ele tratava Demetri como seu “irmão de pátria” – ganhando uma leve atenção da morena ao imaginar o que teria levado um britânico como ele à ensolarada Califórnia –, ou ainda o sorriso gentil que ele sempre dava a Rose, roubando seu cigarro vez ou outra e ganhando um olhar carrancudo da loura.
Era uma face além do olhar perigoso que exalava um sinal de alerta para qualquer um se afastar. Ele era como aquela ideia da morte – todos a temiam, mas uma vez que já a tinha a sua frente e não poderia escapar, achava-a a mais bela e tentadora experiência já sentida.
E ele era lindo, mas isso era óbvio. Andrew Barnes era tão belo quanto James Dean em seus melhores dias. O porte alto, o corpo levemente musculoso, os ombros largos e fortes em uma harmonia quase divina com seus lábios finos, o sorriso largo de dentes incrivelmente brancos e alinhados, a mandíbula marcada, o nariz reto e os olhos... Ah, aqueles olhos tão azuis e profundos apoiados pelas sobrancelhas grossas e belas, alguns tons mais escuras que a cor perfeita de cobre dos revoltos cabelos.
Scarlett estava amando participar de tudo aquilo, interessada por aquele pedaço de mundo novo entregue em uma pequena bandeja de prata como uma sobremesa servida displicentemente antes do jantar. E ela queria aquele pedaço e, quem sabe, até repeti-lo.
– Então, gata, como você conheceu o nosso bad boy ali? – Anya questionou com um sorriso suave ao se reclinar na mesa redonda. Os caras haviam ido até o balcão do outro lado do bar para pegarem mais algumas bebidas.
– A gente se esbarrou no pub da Fairfax Ave e algo meio surreal aconteceu entre eu e ele que nos ligou tão de repente – Ela deu de ombros, querendo que a pequena fantasia ficasse apenas entre os dois. – Depois ele me convidou pra uma noite diferente e era tudo o que eu precisava.
– Ele é meio intimidante às vezes, não é? – Rose comentou com um sorriso ao participar da conversa das garotas, esquecendo seu ataque de minutos antes.
Scarlett surpreendeu-se de início, mas devolveu um sorriso afável à loura, apoiando os braços na mesa.
– Um pouco, sim, mas eu meio que gosto disso.
– É, ele sempre foi assim, eu acho – A outra morena murmurou, recebendo um olhar curioso da herdeira Hathaway.
– Vocês o conhecem há quanto tempo?
– Há alguns pares de anos já – Anya respondeu, acendendo um cigarro entre os lábios ao passo que a loura assentia. – Demetri o conhece há mais tempo, parece que eles viveram no mesmo lugar quando eram adolescentes.
– Como assim? Um internato ou coisa do tipo? – inquiriu confusa, ouvindo uma risada baixinha de Rosalie.
– Casa de abrigo – respondeu somente, ganhando um silencioso “oh!” de compreensão atravessar os olhos da menina. Ela imaginava que Andrew não tivera uma vida fácil, mas aquilo foi como um choque de realidade em meio à atmosfera quase inebriante.
– Então ele é órfão? – ela perguntou baixinho, com medo de as palavras soarem concretas e duras demais se ditas em um tom mais alto.
– Provavelmente, mas não sabemos de muita coisa – A loura deu de ombros, bebericando sua cerveja. – Andrew não gosta de falar sobre isso.
A jovem assentiu vagarosamente ao voltar sua atenção à Budweiser a sua frente já quase no fim. Ela já sentia sua cabeça parcialmente mais leve e fresca, mas um bichinho se remexeu dentro dela ao querer saber um pouco mais sobre o britânico que salvara de mais uma noite patética de seus sonhos. Ela queria descobrir e desvendar cada um dos fatos e segredos que Andrew tão obscuramente guardava. Seriam esses os seus demônios? Ou havia mais coisas por baixo da cobertura?
Scarlett simplesmente precisava saber. Ele a salvara e ela sentia a necessidade de fazer o mesmo.
A risada espalhafatosa de Matt, porém, levantou o olhar da garota até ele e os outros dois homens que retornavam à mesa – garrafas de Absolut na mão e olhares ansiosos nas íris.
– Uma partida de sinuca, garotas? – Demetri se aproximou com um sorriso no rosto jovial e bonito, puxando Anya da cadeira enquanto Rose e Scar se levantavam com olhares divertidos.
– E trouxemos uma surpresinha também – O britânico murmurou ao se aproximar da herdeira, sorrindo de lado ao levantar um punhado de maconha num pequeno pacotinho transparente. A garota tentou disfarçar a surpresa que brilhou em seu rosto num misto de susto e curiosidade.
– Manda aí, Andrew! – A loura exclamou com uma expressão travessa, retirando alguns papéis de seda do sutiã por baixo do vestido curto e preto, logo começando a preparar seu fumo ao escorar na mesa de bilhar oposta à que começariam a jogar.
Demetri e Anya separavam alguns shots de vodca com sorrisos nos rostos e um beijo e outro nos lábios à medida que o inglês conversava algo com Matt ao pegarem os tacos de sinuca e prepararem as bolas enumeradas na mesa.
A morena entornou uma dose da bebida vulcânica e translúcida antes de se encostar à mesa ao lado de Rose e observar a primeira tacada de um Andrew sorridente e perigoso. Ele era ainda mais lindo e fodidamente sexy ao lançar aquele olhar sobre as sobrancelhas e fazer Scarlett sorrir e morder a almofada do polegar para conter o formigamento que descia até seu baixo ventre.
– E aí, Grace Kelly, vai querer? – A mulher de cabelos dourados perguntou em um tom baixo e quente para a menina; os olhos cor de violeta fumegantes por trás da suave tragada em seu cigarro.
A morena apenas deu de ombros ao pegar a tira de seda e espalhar com cuidado a erva, antes de depositar o saquinho na borda da mesa. Os dedos finos e com as longas unhas em um vermelho vibrante enrolaram com destreza o papel e, ao olhar para cima e fitar as pupilas dilatadas do inglês hipnotizado com cada movimento seu, ela lambeu gentilmente todo o comprimento do pequeno baseado para finalizar seu fumo.
Andrew teve que controlar o aperto em seu jeans ao observar a cena, ainda sem desviar o olhar no instante em que a garota queimou a ponta do papel e, então, finalmente tragou lenta e excitantemente o cigarro que havia acabado de preparar – e ela sorriu ao sentir a fumaça quente sair de seus lábios cheios ao ter o gosto da marijuana em cada ponta de sua língua.
O homem se aproximou devagar ao entregar seu taco para Anya fazer a jogada, e Scar se sentou em cima da mesa de bilhar enquanto ele rodeava a que estava jogando até parar ao lado da morena de olhos verdes. O olhar arrasador do britânico fez a jovem se arrepiar ao sentir o cheiro de uísque vindo dele à medida que ela tragava a maconha.
E sem dizer qualquer palavra, a morena simplesmente ofereceu o baseado pra Andrew, sentindo os dedos longos e quentes tocando os seus antes de ele abocanhar e sentir a erva em seus poros, soprando a fumaça logo em seguida. Assim ficaram durante um cigarro ou dois, apenas assistindo o grupo de amigos rindo e fumando ao jogarem sinuca e fazendo um comentário e outro, com Andrew lhe sussurrando alguma conversa ao pé do ouvido e a fazendo suspirar quando sentia o sabor da boca do homem ao redor do baseado sempre que tragava outra vez.
– Eu adoro o jeito que você me olha enquanto eu trago – ela murmurou com um sorriso ao entrelaçar o baseado em seus dedos e sentir a nuvem branca ao redor.
– Que jeito? – O jovem sorriu de lado, movendo seu corpo e ficando de frente à linda menina, apoiando-se em suas mãos de cada lado dela.
Com suavidade, Scarlett puxou a marijuana novamente em seus pulmões, soprando a fumaça vagarosamente contra os lábios do britânico.
Esse jeito – ela explicou em um sussurro. – Me faz arrepiar.
Assim? – perguntou baixinho, deixando seus dedos caírem nas coxas da garota e separá-las em um movimento lento que pingava sensualidade, ficando ainda mais perto do corpo pequeno e trêmulo enquanto deslizava a ponta de seus indicadores ao longo dos braços alvos.
– Sim... – A morena suspirou, fechando os olhos ao se apoiar nos ombros largos cobertos pela jaqueta de couro.
E o nariz reto e gentil traçou cuidadosamente o pescoço feminino que cheirava a frésias e primavera, alcançando sua orelha ao sussurrar:
– Vamos ficar sozinhos.
Por favor... – ela disse em um choramingo, sentindo as mãos grandes do inglês a puxarem para fora da mesa segundos antes de flutuar com ela para as portas dos fundos do pub escuro e acolhedor.
O beco estava vazio e era iluminado apenas pela luz dourada de uma luminária ao longe; o som abafado de alguma música do Bruce Springsteen vindo do bar enquanto o inglês puxava a californiana até uma motocicleta preta e reluzente ao melhor estilo Harley-Davidson.
– Andrew, você sabe de quem é essa moto? Não podemos chegar assim...
Shhh... Ela é minha, eu sempre deixo aqui no Paul quando quero caminhar pra espairecer – ele sussurrou contra os lábios da garota ao escorar no assento do veículo e puxá-la pelos quadris em sua direção.
– Então você é como aqueles motoqueiros inconsequentes? – ela brincou com um sorriso arrastado em sua boca, deslizando carinhosamente o cigarro de cannabis entre os lábios do britânico.
– Não, eu só gosto do vento no meu rosto às vezes... – Sorriu de canto ao dar de ombros, pensando que, pela primeira vez em muito tempo, ele se sentia realmente bem sem estar embriagado para pensar na vida – ou fugir dela.
Era inegável que Scarlett era como uma anfetamina em cada uma de suas células, com seu jeito inocente e intocável que apenas o fazia se sentir mais desejoso e com vontade de lhe oferecer o mundo. Ela o fez viciar muito mais rápido que muitos tipos de drogas que já havia experimentado.
Ela era linda e naturalmente sensual ao esboçar um suave sorriso enquanto ele segurava o baseado em seus lábios avermelhados e a via tragar calmamente o sabor da maconha, admirando cada uma de suas reações pós-êxtase no instante em que ele deixava o fumo descansar de volta em seus dedos apoiados na motocicleta.
Mas quando ela abriu os grandes olhos verdes para fitá-lo de volta, foi como se a órbita tivesse parado por um instante. Aquelas íris tão profundas e capazes de ler seus mais impuros pensamentos, envoltas daqueles longos cílios negros e o delineador curvado sobre as pálpebras.
Linda... – ele moveu os lábios em um murmúrio, sentindo o rosto da jovem tão próximo do seu e exalando aquele perfume embriagante.
E Scarlett colou os lábios aos seus.
A maciez contra a sua pele a fez delirar à medida que o homem esquecia o cigarro que segurava, enterrando os longos dedos de uma das mãos entre os cabelos castanhos da jovem enquanto a outra puxava a cintura fina para mais perto de si.
Ela suspirou ao sentir a língua áspera e quente lamber sensualmente seu lábio inferior, fazendo-a entreabrir a boca vermelha e sugá-la de volta e entrelaçar suas línguas em um beijo exasperador. Os dedos finos embromaram-se nos fios acobreados do britânico, trazendo-o, puxando-o, fundindo-o em cada uma de suas terminações nervosas, ouvindo o baixo gemido que ele soltou assim que ela sugou seus lábios antes de deslizar suas bocas juntas outra vez.
A mão esquerda de Andrew desceu suavemente rumo aos quadris da jovem, apertando a bunda firme e deliciosa em seus dedos antes de retornar para cima, desta vez, por baixo do tecido. Ela suspirou ao sentir o toque quente e másculo subir pela sua espinha, fazendo seus pelos se eriçarem quando ele caminhou de volta na ponta dos dedos.
Os lábios do inglês descolaram ofegantes dela, descendo pela mandíbula e o pescoço com beijos molhados e pequenas sucções que fez Scarlett puxar os cabelos cor de cobre em prazer, arranhando a pele da nuca do homem e o pescoço por baixo da jaqueta. Ele mordiscou sua jugular quando ela o puxou de volta e colou novamente sua boca à dele.
O sabor da maconha e algo como uísque e vodca vibrava em suas línguas, fazendo-os nunca se contentarem o bastante e quererem mais e mais um do outro, apertando-se, beijando-se, sentindo cada uma de suas fibras elétricas nas peles de seus corpos. Eles não se importavam com o que o mundo pensava ou agia, eles só queriam experimentar um ao outro e ter aquele pedaço de paraíso que haviam acabado de descobrir.
E o tempo mal importava quando se tratava dos dois naquela noite de amassos quentes e proibidos em um beco perdido de algum canto de Los Angeles, longe das etiquetas de Bel Air ou da vida perdida no Historic Core da cidade.
– Já está quase na hora de eu voltar pra casa – ela sussurrou entre um beijo e outro, àquela altura já sentada no colo do britânico enquanto se equilibravam na motocicleta.
Ele meneou a cabeça em negação, mordendo o lóbulo de sua orelha coberto por pequenos diamantes, ouvindo-a soltar um gemido baixinho contra seu rosto.
– Vamos à praia antes – O jovem murmurou, encarando-a profundamente nos olhos ao vê-la deslizar as pontas dos dedos pelos lábios dele.
Ela assentiu com um sorrisinho travesso, concordando com um suave “okay” que o fez sorrir de volta. E, montando no veículo reluzente de duas rodas, Andrew acelerou ao pilotar pelas ruas de Hollywood rumo à orla, sentindo a morena apertá-lo contra seus braços e resistir à leve pressão entre suas coxas deliciosamente coladas uma a outra.
O céu ainda estava escuro e com alguns pontinhos de estrelas pairando em um canto e outro, a cidade em uma atípica calmaria com as luzes dos postes acesas e um estabelecimento ou outro aberto. As longas ruas e avenidas praticamente vazias, algum som calmo de jazz ao longe e o vento batendo nos cabelos castanhos de Scarlett eram exatamente o que ela precisava para se sentir em paz naquele momento.
Ela apertou o corpo quente do britânico contra o seu assim que avistaram a costa ao longe, estacionando em algum canto vazio próximo à praia e caminharam lentamente e em um agradável silêncio pela areia fina e clara que beijava o Pacífico. A escuridão fazia com que apenas o som das ondas quebrando na orla fosse a única indicativa de que o mar estava tão próximo, assim como o cheiro salgado que exalava vida e harmonia vindo da água.
            Sentado na areia em meio à penumbra da noite, Andrew vasculhou o bolso interior de sua jaqueta de couro, tirando o pacotinho restante de cannabis e mostrando à californiana, que sorriu ao olhar para ele.
            – Mais um? – A voz rouca e suave soou em um tom baixo, o que fez a dama assentir enquanto pegava a erva e a tira de seda entre seus dedos, preparando calmamente um novo fumo.
            Os olhos de águia do inglês acompanharam cada movimento da morena, semicerrando-se em desejo ao vê-la deslizar sua língua ao longo do papel enrolado em um pequeno cigarro antes de queimar sua ponta e dar a primeira tragada profunda e lentamente na maconha.
Aquilo era mais sensual do que a mais bela pose da Marilyn Monroe.
            – Onde você aprendeu isso? – ele questionou suavemente ao aceitar o cigarro oferecido por ela, embriagando-se com a fumaça saindo de seus lábios. – Não era pra você ser, supostamente, uma garota inexperiente?
            Ela riu baixinho com o tom irônico, embora deliciado, que ele murmurou.
            – Os jovens da alta sociedade americana sabem muito mais do que mostram – Sorriu, arqueando uma sobrancelha ao descansar os braços sobre as pernas, brincando com alguns grãos de areia.
            – E você aprendeu como? – perguntou, tragando novamente ao admirar o belo resto distorcido em feições confusas.
            – Festinhas do pijama na época do colegial – Deu de ombros, sorrindo nostálgica. – Eu e minhas amigas alugávamos filmes, comprávamos licor de morango e Brigitte sempre tinha maconha escondida.
            – Estou surpreso! – Ele riu, fazendo-a empurrá-lo suavemente antes de pegar de volta o fumo.
            – Depois comecei a faculdade, Brigitte foi morar na França e algumas amigas decidiram mudar para “virarem exemplos” – A jovem revirou os olhos, encarando Andrew. – Eu fui uma delas, e acabei tendo que mentir até pra mim mesma.
            – O que tem no seu mundo que o faz ser tão ruim, Scar? – O britânico perguntou em um quase sussurro, curioso, preocupado, sem saber o que conter em seu peito.
            Os olhos verdes da garota apenas o encararam de volta, perdidos, como uma criança que esquece o caminho de volta para casa. Ela engoliu em seco enquanto as íris ficavam marejadas, respirando fundo ao dar de ombros outra vez.
            – Eu não sei, Andrew – Seus lábios tremeram, a voz embargada. – Eu só me sinto presa.
            – Presa a quê?
            – A tudo – ela meneou a cabeça; os grandes olhos fazendo o homem prender a respiração com a dor que encontrou ali. – Eu me sinto presa a tudo, Andrew.
            Ele não respondeu ou tentou confortar a jovem com alguma palavra estúpida de autoajuda. Ele somente se aproximou calmamente do corpo pequeno e tão delicado, deslizando seus dedos em um ritmo quase delirante pelo rosto da garota, seguindo por seus cabelos longos suavemente ondulados, acariciando sua nuca ao vê-la fechar os olhos em conforto.
            – Tão quebrada... – ele sussurrou com a alma em destroços, notando, pela primeira vez em anos, que a dor atingia alguém além dele mesmo.
E, então, ele colou seus lábios quentes aos da morena, sem pressa, sem pedidos, sem questionamentos. Apenas sentindo a textura tão suave e pura dos lábios que carregavam uma vida de palato tão agridoce.
            O que a doce Scarlett Hathaway havia feito com o forte Andrew Barnes?

“Você tem aquele remédio que eu preciso
Narcótico, atire-o direto no coração, por favor
Eu não quero realmente saber o que é bom pra mim”


E então, o que acharam? Estou curiosa pra saber se estão gostando.
Andrew um verdadeiro mistério, nossa Scar quebradiça... E os amigos tanto quanto diferentes! Hahahaha' Estão curtindo esse clima da história?
Espero que tenham gostado, de coração. Comentem e logo, logo trarei o próximo capítulo!
Fiquem com Deus, seus veadões!
Toodles honey
06 fevereiro 2013

DP (Original) - Capítulo 1

Hey, babies! Eu queria agradecer o carinho de todas vocês que comentaram e já apoiaram essa minha nova loucura logo no prólogo! Muito obrigada.
E aqui está o primeiro capítulo! Espero que gostem.

Grupo (spoilers, prévias, detalhes da fanfic): https://www.facebook.com/groups/501155363274932/

Bel Air

“Gárgulas paradas em frente ao seu portão
Tentando me dizer para esperar
Mas eu não posso esperar para ver você
Então eu corro como se estivesse louca
Até a porta do paraíso”


            Socorro, socorro, socorro, socorro. Era apenas o que Scarlett conseguia pensar. Ela estava tão cansada, tão frustrada – tão calma e bela externamente, mas terrivelmente agitada e gritando por ajuda internamente.
            A brisa suave movimentava as palmeiras do imenso jardim da mansão Hathaway, coberto pela mais fina e aparada grama ao longo de toda a planície rodeada de rosas e uma grande piscina. Era lindo, era tranquilo, era perfeito quando visto por alguém de fora.
            Sabe aqueles quadros de Monet? Aquelas belíssimas pinturas impressionistas que retratam paisagens delicadas e suaves, jardins e as mais encantadoras flores? Obras tão gentilmente esculpidas por um dos mais talentosos pintores da história, obras que eram extremamente belas, embora suavemente melancólicas quando apreciadas de perto. Obras feitas por um pintor nos piores dias de sua vida, que havia perdido a visão e descarregava todos os seus sentimentos sufocantemente angustiantes em belas telas. Obras que escondiam toda a tristeza e angústia por trás dos mais lindos traços de pincéis.
            Os quadros de Monet eram como a vida de Scarlett Hathaway. Sempre bela, sempre com um sorriso de deusa em sua mente de diamante, mas simplesmente uma bagunça por dentro e uma ânsia por liberdade tão grande quanto os céus e tão oscilante quanto o mais perigoso ponto do oceano Índico. Ela queria tudo. Ela queria o mundo. Ela queria o paraíso.
            – Filha, vai sair com seu namorado esta noite? – A voz suave de sua mãe soou do outro lado da pequena mesa posta para o brunch no jardim.
            – Não sei, ele ainda não voltou de Hong Kong – Scarlett respondeu ao olhar em seus grandes olhos azuis e delicados, sorvendo um gole do suco de laranja.
            – Se ele não voltar hoje, poderíamos fazer compras, o que acha? – Sorriu de canto. – Ou então visitar os Bellamy, faz tempo que não vemos Courtney e Emma.
            Ela apenas deu de ombros ao esconder um baixo suspiro, vendo seu pai se aproximar da mesa de madeira branca e sentar ao lado de Natalie.
            – Bom dia, queridas – ele as cumprimentou com um sorriso em seu rosto galante e jovial, beijando a testa da filha antes de selar rapidamente os lábios contra os da esposa de cabelos ruivos e lisos.
            – Bom dia, pai – Scarlett respondeu mecanicamente, muito mais atenta ao croissant em seu prato.
            – Eu estava conversando com alguns acionistas esta manhã e vamos ganhar muito com o yuan nos próximos dias; estamos prevendo uma ótima cotação – Christian comentou ao tomar um gole de seu café, voltando-se para sua menina. – Você deveria ter entrado no curso de Economia ou Relações Internacionais, meu bem, a empresa estaria aos seus pés.
            – Você sabe que eu não gosto de nada disso, pai – Ela revirou os olhos, tentando não soar ácida.
            – E vai continuar mesmo fazendo Psicologia? – Sua mãe questionou com um leve traço superior. – Pelo menos conseguimos tirar Metafísica e Antropologia da sua cabeça!
            – Vocês não tiraram nada da minha cabeça! – ela falou alguns oitavos mais alto, tentando controlar sua expressão irritada e cada vez mais magoada. – Desculpe se eu não sou a filhinha perfeita que faz exatamente o que vocês querem. Eu só estou me encontrando.
            – E vai se encontrar até quantos anos? Quando completar 40 e ainda ser uma mulher solteira que nem quis herdar a empresa do pai?
            – Argh, vocês são patéticos! – A morena saltou de sua cadeira ao empurrar seus talheres. – O mundo é muito mais do que essa vidinha fútil que vocês levam!
            – Scarlett! – Natalie a repreendeu, perdendo sua pose prima-dona por dois segundos. – Aonde você vai?
            – Pra qualquer lugar! – ela respondeu num átimo, tirando a chave do bolso traseiro do seu short jeans surrado enquanto se afastava dos pais.
            E ainda ouvindo algum burburinho sobre ela continuar dirigindo aquela máquina de acidentes que chamava de carro e ignorar o motorista da família, Scarlett adentrou seu Jaguar vermelho parado na entrada principal da mansão e pisou no acelerador para fugir o mais rápido possível de Bel Air.
            O vento cortou rápido seu rosto ao atravessar os vidros abertos do carro enquanto alguma música do Elvis Presley adentrava seus ouvidos e se afundava em cada um dos poros entreabertos de seu corpo. A única coisa que ela conseguia enxergar eram as palmeiras, as serras ao longe e a estrada de Los Angeles que ela amava tanto quanto se sentir livre.
            A jovem Hathaway sentia-se sufocada, presa em uma gaiola dourada mantida por seus pais, apenas à espera do próximo comprador que a apresentaria uma falsa ideia de liberdade. Mas ela não queria um dono, ela não pertencia a ninguém. Ela queria se sentir em paz consigo mesma, em paz com o mundo ao seu redor.
            Scarlett tinha desejos intensos e obscuros dentro de si. E ela queria a possibilidade de ser livre para experimentá-los quantas vezes pudesse e quisesse. Ela queria ser verdadeira consigo mesma e com as pessoas ao seu redor, sem precisar fingir interesse em assuntos que não lhe importavam nem um centésimo ou esboçar sorrisos falsos e ser questionada cinquenta vezes se ela estava bem e, em todas essas cinquenta perguntas, responder mentiras ao dizer que nunca esteve melhor.
            Porque ela não estava melhor – aliás, ela não estava bem. Ela não passava de uma menina partida ao meio desde o dia em que nasceu. Talvez fosse um traço da sua personalidade, mas talvez fosse um pedaço quebrado de sua alma que apenas precisava ser remendado.
            Ela riu irônica ao limpar uma lágrima quente que escorregou do canto de seu olho, deixando sua outra mão firmando contra o volante insurgente e desenfreado do carro. Ela era fodidamente como um quadro de Monet – um significado triste enterrado sob uma linda imagem.
            O dia já se escondia aos poucos quando ela estacionou seu Jaguar em algum pub da Fairfax Avenue, os longos cabelos castanhos movimentando-se contra a brisa suave que cortava o pôr do sol. A jovem passara o final da manhã e a tarde presa em alguma biblioteca de Santa Monica depois de horas sentada na areia da praia, fazendo perguntas jamais respondidas ao Pacífico e desejando ali deitar e ser levada um dia, sem qualquer remorso ou medo de se quebrar ainda mais.
            E caminhando sobre os velhos All Stars que davam pavor a sua mãe, Scarlett adentrou o ambiente e deixou-se embriagar daquele aroma de tabaco e cevada que lembrava algum beco de Londres, sem qualquer objetivo, apenas querendo adiar o inadiável talvez.
            Andando nas ruas e escondendo as mãos no bolso para se proteger do friozinho noturno que invadia o inverno californiano, um homem encontrava-se perdido em sua própria mente insana e cheia de demônios que nunca o deixaram em paz.
            Ele não era um homem que esperava demais do mundo, das pessoas ou de si mesmo. Ele não era um homem que tinha medo de ser apenas parte de um sistema sem saída e que o envolvia e o sufocava como uma cobra píton. Aquele era apenas um homem errado e quebrado que sofrera todas as decepções e naufragou tantas vezes naquela vida que ele nem ao menos se sentia merecedor de uma outra vida perdida em uma próxima reencarnação.
            Mas ele não era um homem bom também. Ou honesto. Ah, não... Aquele era o tipo dos mais espertos homens que abrigavam a Terra – ele era quase um protótipo do cara que fazia as mulheres suspirarem e caírem aos gracejos, que tinha o destino em suas próprias mãos e licor de malte enterrado nas fibras de sua língua, dando-lhe o sabor mais perigoso e delicioso para qualquer pessoa provar.
            Digamos que se James Dean tivesse uma outra vida após sua morte no trágico acidente de 1955, essa outra vida seria na pele deste homem perdido – ou não tão perdido assim – que caminhava pelas calçadas da Fairfax Avenue, em seu olhar claro semicerrado e as mãos displicentemente nos bolsos da calça jeans. E foi esse mesmo olhar claro que, ao passar pela fachada de um de seus pubs preferidos em LA, avistou algo que simplesmente o capturou.
Sentada próxima ao balcão amadeirado estava a garota num short jeans surrado, uma camisa branca de botões, e um cardigã lilás florido e alegre demais para um lugar onde as pessoas costumavam encher a cara para esquecer suas vidas miseráveis. Mas algo no rosto entristecido da jovem o fez entender que sua roupa não condizia com suas feições cabisbaixas e ingênuas que lembravam a doce Marilyn Monroe. As unhas longas e vermelhas e o cabelo escuro, repleto de pequenas ondas, cobriam-lhe a face, permitindo-o ter o vislumbre apenas dos lábios avermelhados em um beicinho. E aquele rosto escondido por entre as mãos da jovem, fez o homem aproximar-se perigosamente.
            Passando pela enorme porta de madeira da entrada, ele logo foi invadido pelo aroma de suor e tabaco do lugar, quente até demais se comparando ao frio e a pequena garoa que começava a dominar as ruas de Los Angeles. E, ao som de alguma música antiga de Van Morrison, o britânico de descontrolados cabelos acobreados aproximou-se, sentindo pequenas ondas de calor conforme seus passos seguiam rumo à morena.
            – Com licença? – Sua voz pronunciou em um tom baixo enquanto sua mão direita tocava com cuidado a pele do ombro da garota coberto pelo delicado casaco. E foi um trabalho árduo controlar a vontade de deslizar os dedos ao longo do pescoço tão alvo e tão macio. Seria como seda...
            A resposta não veio. Ao invés de um convencional “sim?” ou então “pois não?”, o homem foi completamente dominado e sugado por orbes tão esverdeadas que o fizeram prender a respiração. Scarlett, no entanto, tentava memorizar cada traço daquele homem tão lindo e de ar tão perigoso a sua frente. Ele soava tão misterioso por trás daquela jaqueta de couro e calças jeans, o cabelo bagunçado e aquele olhar sedutor com um sorriso de lado. Faltava apenas um cigarro no canto dos lábios finos e rosados para parecer uma cópia perfeita de James Dean.
            E foi como se seus problemas não estivessem mais ali. Na verdade, foi como se Scarlett não se importasse mais com eles, que esquecesse a recente briga que tivera com seus pais. Eles tentavam controlar cada pedaço de sua vida repleta de diamantes e vestidos caros, carros importados e inúmeros Louboutins – eles eram a reencarnação de uma família rica e perfeita dos anos 50, que não saíam de suas mansões se não fosse para ir a jantares com sócios e empresários bem sucedidos, salões de beleza, shoppings ou campos de golfe, que tinham pavor de dirigir à noite pela Sunset Boulevard e de conversar com pessoas que não possuíssem uma renda mensal menor que punhados de milhares de dólares.
            – Importaria se eu me sentasse ao seu lado? – ele murmurou novamente; a voz embebida de simpatia e curiosidade, os olhos azuis ainda perdidos nos olhos verdes.
            – Tudo bem – Scarlett respondeu delicadamente, mordendo o lábio inferior enquanto assistia o belo jovem se acomodar no banco de madeira a sua esquerda.
            – Um Bourbon, por favor, Bill! – Ele gesticulou para o garçom do outro lado do longo balcão, olhando rapidamente para a mulher ao seu lado antes de prosseguir com um sorriso. – E uma dose de Bacardi Breezer pra senhorita aqui.
            Scarlett olhou-o com surpresa, as sobrancelhas levantadas.
            – Eu sinto muito, mas eu não bebo – murmurou apressadamente, mordendo o lábio inferior outra vez, que ganhou certa atenção em demasia do jovem.
            – Se você vai me contar o que tanto lhe aflige, acredite, é preciso pelo menos uma dose de rum pra contar com sinceridade! – Exibiu um sorriso cafajeste, recebendo as bebidas do garçom e entregando o pequeno copo à garota.
            – E quem disse que eu tenho algum problema? – questionou com ar de petulância, jogando o cabelo por trás dos ombros antes de afastar a dose de Bacardi. – E se eu, por acaso, tivesse algum problema, você seria a última pessoa no mundo a quem eu contaria.
            A resposta ácida e afiada fez o sorriso do britânico se alargar, constatando que a garota tinha uma personalidade e tanto. Definitivamente uma Marilyn Monroe.
             – Uma moça como você num lugar como esse, sozinha e com essa cara de poucos amigos... – Bebericou seu uísque, sentindo o líquido aquecer sua garganta ao procurar pelas palavras certas. – Não me leve a mal, mas você exala infelicidade. E algo me diz que isso tem nome e sobrenome. Quem é ele?
            – Antes meu problema fosse um homem. – ela resmungou com ironia, roubando a dose de Bourbon do jovem e fazendo uma careta com o sabor terrível do álcool, deixando-o surpreso.
            – E o que seria então? – ele perguntou; a curiosidade flamejando em seus olhos.
            – Família, sonhos, frustrações... O de sempre. – desdenhou, fitando o oceano azul que banhava as íris do homem. – Qual o seu nome e seu maior problema, senhor do sotaque britânico?
            – Nome: Andrew Barnes, problema: minha vida fodida. – respondeu perto demais, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha da morena. – E os seus, madame?
            – Scarlett Hathaway, e minha habilidade de sonhar demais.
            – Uma vida não é vida se não tiver sonhos, Scar. – ele murmurou delicadamente, mal percebendo o apelido que fez o estômago da garota se revirar de ansiedade. Ele a intoxicava.
            – Então quais são seus sonhos, Andrew?
            – Me livrar dos demônios dentro de mim.
            A honestidade pegou ambos desprevenidos. Scar não esperava uma resposta tão sombria, e Andrew não esperava responder com tamanha sinceridade. Era como se o abismo que existisse entre suas realidades criasse uma ponte que interligava seus mundos – era algo puramente natural e vibrava por dentro.
            – E esses demônios já deixaram sua alma alguma vez? – ela inquiriu suavemente, incapaz de quebrar o olhar que os sustentava com tamanha precisão.
            – Eu sinto como se eles estivessem me deixando pela primeira vez.
            Scarlett se arrepiou ao ouvir as palavras do inglês. Ele demonstrava ser tão leve, desligado, quase feliz, exalando uma espécie de calma quase letárgica que funcionou como uma tragada de cannabis direto no pulmão. A garota tentou ler aquelas íris azuis que a fitavam tão profundamente e, embora a expressão no rosto de traços fortes fosse quase narcótica, os olhos transmitiam um pequeno rastro de medo, ira, cansaço...
            Ela ficou absolutamente encantada e mortalmente curiosa, sentindo cada fibra energética do corpo tão elétrico daquele homem servindo como um feromônio e a atraindo como uma abelha enlouquecida atrás do grão de pólen. Ela quase podia sentir o gosto de perigo e liberdade que ele alastrava.
            – E o que você faz pra viver, Andrew? – perguntou suavemente, afastando-se ligeiramente enquanto tentava se recompor.
            – Você não vai querer saber... – Ele sorriu de lado, olhando-a vagamente divertido antes de entornar outra dose de uísque.
            A morena salivou ao morder o lábio inferior e tentar decifrar aquele homem – seria um trabalho para no mínimo mil soldados.
            – Conte-me sobre você, Scar – murmurou calmamente, encaixando seus olhos azuis em cada centímetro da linda dama. – Quantos anos você tem? Dezessete dezoito...?
            – Vinte – respondeu seca ao revirar os olhos com breves memórias. – Uma bela festa no Soho House, devo ressaltar! – Ela soltou um risinho irônico, arqueando as sobrancelhas.
            – Você não gosta mesmo da vida que leva, não é? – perguntou exalando curiosidade, tentando entender o que tanto a prendia e a fazia odiar aquilo.
            – O que tem pra gostar? – Deu de ombros, olhando-o sincera. – Dinheiro não é tudo, Andrew.
            – Isso me soa um típico discurso de quem sempre teve o dinheiro aos seus pés.
            – Exatamente – Scarlett apontou para ele, sorrindo ao ter seu ponto. – O dinheiro é bom, mas não é o fim dos problemas de ninguém. Pra mim, ele é apenas o começo de todos eles.
            – O dinheiro ou a consequência do dinheiro? – questionou intrigado, sorrindo novamente.
            – Os dois. Quem tem dinheiro uma vez, sempre vai querer continuar fazendo dinheiro. – falou com suavidade, bebericando o Bourbon do homem. – É um mundo sem escapatória onde, se você for o vencedor, vai desperdiçar sua vida pra nunca perder seu posto; e se for perdedor, vai desperdiçar sua vida tentando provar o contrário.
            – Um argumento muito bem elaborado pra uma garota que só tem vinte anos – Ele franziu o cenho intrigado, absorto e enrolado com aquelas palavras.
            – Eu nunca me medi através da idade... – ela sussurrou, deixando seus olhos varrerem o local de tons marrons e dourados, com pessoas conversando alto e bebendo cervejas. – Eu acho que sou daquelas pessoas que pensam demais sobre tudo, que querem demais e acabam morrendo frustradas.
            – E o que você tanto procura, Scar? – O britânico se aproximou perigosamente, lendo os olhos profundos e claros em íris tão misteriosas. Ela o fascinava.
            – Liberdade – falou em um murmúrio que fez os pelos do homem se eriçarem. – Paixão, desejo, vida. Paraíso.
            – E escuridão? – Ele levantou uma de suas sobrancelhas ao questionar, observando um pequeno sorriso brincar nos lábios da morena.
            – Escuridão e paraíso sempre estiveram ligados pra mim, Andrew – sussurrou com o nariz a centímetros do seu.
– Como amantes? – perguntou com um sorrisinho de canto e os olhos azuis ardendo ao se aproximar ainda mais da jovem.
– Como Catherine e Heathcliff, ou Romeu e Julieta. – ela respondeu satisfeita, aproximando-se lentamente a ponto de sentir a respiração baixa de Edward contra o seu rosto – o aroma suave de hortelã e algo que ela sabia muito bem se tratar de marijuana fez sua mente se anuviar.
E sem pensar em mais ou menos, ele simplesmente desfez o pequeno espaço que os separava, colando seus lábios finos e macios aos da morena que tanto o embriagou desde o momento em que pusera os olhos nos seus. E ela experimentou cada pelo de seu corpo se arrepiando ao sentir sua boca sendo pressionada tão perfeita e deliciosamente contra a dele.
Cedo demais, no entanto, os lábios descolaram dos seus.
Scarlett piscou repetidas vezes, confusa e totalmente perdida na intensidade tão rápida e fugaz; os olhos azuis do britânico queimando em chamas e um brilho que a intoxicou ao mesmo tempo em que a arrepiou dos pés à cabeça. Ele era quente. E a intrigava a ponto de colocar todos os seus pensamentos em um balão de ar.
– Então, Scar... – Ele moveu o rosto no sorriso cafajeste e esperto tipicamente James Dean. – Se você odeia tanto a sua vida, venha e conheça a minha por uma noite.
E ela mordeu os lábios com aquela pequena e atrevida tentação. Ela queria experimentar algo novo, ela precisava experimentar algo novo ou correria o risco de ficar louca. E aquele estranho que exalava sexo e perigo até poderia ser a letra escarlate que a levaria a um caminho sem volta – mas, com certeza, também seria sua tábua de salvação.


“Você tem o dom para o mais violento tipo de amor lá fora
Meu amor, minha doce criança, você é divino
Ninguém nunca lhe disse que está tudo bem em brilhar?”



E aí? Ruim? Bom? Ótimo? Péssimo? Hahahahaha'
Agora sim a fanfic vai começar de verdade! o/
Não deixem de comentar, dizendo o que acharam ou o que esperam. 
Até mais, babies.
Toodles honey
05 fevereiro 2013

DP (Original) - Capítulo 5

Oi, gatonas! Perdão pela demora em postar. Como disse no grupo, o mês de novembro foi meio complicado pra mim, mas agora vamos que vamos!
E aí, quem assistiu TROPICO aqui? Gente, morri com tanta perfeição! Tive várias inspirações pra DP u.u
E sem mais enrolação, espero que gostem do capítulo. Eu particularmente amo capítulos pós-primeira vez do casal (66'

Black Beauty

“Eu coloro o céu de preto
Você disse que se fosse do seu jeito
Você faria o mundo noturno hoje
Então ele combinaria com o humor da sua alma”

            A cama estava quente e macia, os lençóis ondulando seus corpos relaxados e em um frisson desesperado de calmaria e aconchego. Andrew suspirou tranquilo ao abrir os olhos para a manhã nublada em preto e branco, sentindo seu corpo espremido em um abraço envolta da pele macia e pálida de Scarlett, ressonando de costas pra ele enquanto sentia as grandes mãos a protegendo em seu inconsciente.
            E o britânico apertou-a um pouco mais em seus braços, escondendo o rosto nos cabelos escuros e perfumados ao fechar os olhos à bonança. Ele poderia ficar ali eternamente.
            Um resmungo baixinho soou no quarto de tons cinzentos daquela manhã que anunciava uma chuva, e o homem sorriu ao ver a garota se ajeitar na cama e os cabelos em seu pescoço se movimentarem, deixando uma tatuagem à mostra que o surpreendeu. Era uma pequena cruz feita em tinta preta, logo abaixo da nuca, deixando a pele alva ainda mais apetitosa. Ele sorriu ao depositar um beijinho no desenho, fazendo Scar gemer e se apertar no abraço forte.
            – Às vezes eu esqueço que você não é tão inocente quanto parece – Andrew sussurrou rouco no ouvido da morena, ouvindo os doces lábios se moverem em um sorriso lento.
            – Que atrevido – Ela fingiu um ultraje, virando-se na cama e enrolando suas pernas entre as do britânico antes de deixá-lo deliciado com as íris verdes e preguiçosas da americana.
            A jovem envolveu suas mãos no corpo quente enquanto sentia sua nudez ser aquecida em deleite entre os músculos do inglês, escondendo seu rosto no peitoral firme e fechando os olhos para aproveitar cada centímetro daquela sensação maravilhosa e entorpecente que Andrew Barnes sempre lhe referia.
            – São quantas horas? – ela murmurou com um beicinho nos lábios, apertando ainda mais o corpo forte. – Eu tenho aula.
            Ele riu da preguiça personificada, mexendo-se até conseguir enxergar o relógio digital no criado-mudo atrás da menina, o que a fez perceber um pequeno desenho tatuado na costela do britânico que a intrigou.
            – Quem é Elizabeth? – perguntou em um tom de curiosidade, lendo a palavrinha em letra cursiva depois que ele deitou novamente e a puxou para si.
            Quem poderia ser? Ela tinha certeza que Andrew não seria do tipo de cara que tatuaria o nome de uma namorada ou grande amiga. Apesar de saber tão pouco sobre ele, a jovem colocaria a mão no fogo ao dizer que o britânico não era do tipo que se deixa levar por afetos ou qualquer coisa irracional o bastante para ser considerada um sentimento. Ele era livre com ela e com seus amigos, mas aquele homem possuía uma grande barreira e um sinalizador que alarmava uma sirene em chamas de que ele era perigo.
            E depois de um longo momento em silêncio, ele respondeu quando ela já não esperava por resposta alguma.
            – Ela era minha mãe. – Scarlett cruzou seu olhar ao dele, vendo o cenho franzido enquanto ele engolia em seco ao fitá-la de volta. – Ela morreu quando eu era criança.
            – Eu sinto muito – sussurrou sentida, deslizando seus dedos para o rosto suave com uma barba por fazer, acariciando a mandíbula marcada no rosto bonito.
            – Não sinta – ele murmurou sombrio de repente, tocando a mão pequena e a afastando antes de se sentar sem encará-la. – Eu não quero pena de ninguém, Scar.
            Ela suspirou ao enxergar um pequeno menino ali. Ele estava tão machucado...
            – Andrew... – ela chamou baixinho, acariciando suavemente as costas bronzeadas e definidas do inglês. – Se você quiser...
            – Eu não quero falar sobre isso, ok? – O homem se exaltou, embora não tivesse alterado um único oitavo em sua voz. Ele não se virou para a garota, no entanto. Ela apenas observou os ossos secos tencionados em sua alma e a sensação de estar sendo empurrada de um precipício.         
Mas ela controlou o aperto em seu peito ao erguer o rosto.
            – Ok, eu tenho que ir. – falou enquanto varria o quarto com os olhos à procura de suas roupas da noite anterior.
Ela não havia reparado antes, mas a suíte não era grande, era um tanto quanto simples. Carpete cinza, paredes claras e uma grande janela com vista para o centro de Los Angeles, escondida entre longas cortinas pretas. Uma porta aberta mostrava o início do corredor, enquanto outras duas indicavam o banheiro e um pequeno closet. Um típico apartamento de um jovem solteiro que não parecia muito apegado a bens materiais.
Antes que Scarlett se levantasse, no entanto, ela ouviu um longo suspiro sair dos lábios do rapaz – e sua voz rouca e baixa preencheu o ambiente no instante seguinte.
– Ela foi assassinada. – murmurou com o rosto escondido entre as mãos. – Meu pai era um drogado de merda, viciado em heroína, que morreu de overdose. E foi minha mãe quem teve de arcar com todas as consequências.
 
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