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23 janeiro 2014

BR - Capítulo 11

Oi, babies! Aqui está mais um cap de BR!
Vamos ver o que os nossos putos preferidos aprontaram. Hahahaha'
Enjoy it.

Valência – Parte II
Não há nada mais perigoso que um garoto com charme
Ele é de parar o trânsito, faz minha calcinha cair
(Christina Aguilera - Candyman)

Valência, Espanha – Catedral de Valência
11h24min

            Localizada na Plaza de la Virgen ficava a bela basílica metropolitana. Construída primeiramente em 1262 com estilos gótico e barroco, a obra era imensa e ostentava uma magnificência tipicamente espanhola e média. Era lindo e imenso e parecia que Robert, Kristen e Dakota foram teletransportados para algum universo paralelo cheio de castelos de pedra.
            E muitos afirmavam que exatamente aquela catedral era verdadeiro abrigo do Cálice Sagrado.
            – Você acha que o Santo Graal está realmente aqui? – O britânico perguntou suavemente, seus olhos admirados demais pela estrutura da igreja enquanto caminhavam pelos ambientes.
            – Eu não faço ideia – A morena deu de ombros com uma risadinha. – Alguns dizem que é o lugar mais provável, mas meus sentidos de Dan Brown dizem que está no Louvre.
            – Acho que tem alguém lendo muito O Código da Vinci... – A loura passou toda travessa pelo casal, tirando fotos com a máquina do londrino.
            – O que posso dizer? Sou uma fã! – Defendeu-se ao rir, sendo seguida pelos outros dois.
            – Mas sério, pra mim ele foi sepultado junto do corpo de Jesus Cristo – Rob comentou, admirando distraidamente a bela cúpula.
            – Pode ser...
            – Quanto mistério! Vamos procurar essa budega agora! – Dakota jogou as mãos para cima, andando até a sacristia.
            – Ficou maluca, loira? – A amiga riu ao pegá-la de jeito pelo braço e a fazer sentar sobre o banco de madeira. – Agora fica quietinha aí sem dar um pio.
            – Ok, mãe – Ela revirou os olhos e apenas sobrou para os outros dois rirem.
23 dezembro 2013

BR - Capítulo 10

Babiiiies! Perdão pela demora, mas como eu disse semana passada em Dark Paradise, esses últimos tempos foram uma loucura sucks pra mim. Mas aqui está um capítulo louco e romântico de BR! Que saudades dos nossos putos! Hahahahaha'
Enjoy it.


Capítulo 10: Valência – Parte 1

Eu não acreditava em destino
Eu procuro e você está ao meu lado
Que sensação!
(Aqualung - Brighter Than Sunshine)

Arredores da Castilla-La Mancha – Estrada A3
14h58min

            Paisagem verde de belas serras e planícies, céu azul, brisa suave e Foster The People nos alto-falantes do Mustang enquanto Robert dirigia através da Espanha com Kristen ao seu lado e três putos divertidíssimos no banco traseiro. Seria perfeito se não fosse pela loura matraca que não parava de rir da revelação do Tom no banco de trás.
            – Sério mesmo que você quase já dormiu com um traveco?
            – Não me julgue, ok? – O ator se defendeu com um olhar assustado e um bico enorme nos lábios; os amigos rasgando-se em uma gargalhada enorme. – Eu estava mais que bêbado, só na hora H percebi que o que tinha ali era um pinto enorme!
            – NÃO ACREDITO! – Dakota roncou no meio do riso, gargalhando e colocando a mão na barriga.
            – E o que você fez depois? Deu um “hasta la vista” e sebo nas canelas? – A morena perguntou em diversão e meio a uma alta risada, curvando-se no ombro do fotógrafo para olhar para o banco de trás.
            – Foi! – Tom riu e a crise de risos aumentou. – Só sei que nunca mais vou sozinho pra Tijuana!
            – Graças a Deus; estava começando a duvidar da sua masculinidade, bebezão! – Sienna murmurou risonha ao apertar as bochechas do inglês.
            – Sou muito macho, irmãos!
            – Claro que é – A loura baixinha zoou outra vez, meneando a cabeça. – Ai ai, esse foi o babado do século.
            – Tá bom, agora sou eu que pergunto! – Ele revirou os olhos ao erguer as mãos. – Primeira vez de vocês?
            – Primeira vez de quê? Que transou, beijou na boca, viu Madagascar, cantou eu Eu Me Remexo Muito? – Dakota provocou, fazendo o moreno olhar com cara de descrença enquanto os outros riam. – Primeiro quem responde é o Rob!
            – Por que eu? – Fez cara de inocente.
            – Porque você é gostoso e com certeza quer comer minha amiga, então desembucha! – ela respondeu no melhor jeitinho Dakota que fez todos rirem, e o fotógrafo e a escritora trocaram um olhar divertido.
            – Okay, eu tinha uns 15 anos e foi com uma líder de torcida que vivia jogando os peitos na minha cara – Ele riu, seguido pelos outros, exceto por uma Kristen que se remexeu desgostosa no assento do passageiro. – Não demoramos nem 10 minutos no vestiário vazio, mas foi bom!
            – Agora a Kristeeeeen! – A loura maliciosa cantarolou o nome da amiga enquanto todos a olhavam com ansiedade.
            – Que bando de curiosos, meu Deus! – murmurou risonha antes de prosseguir. – Foi aos 17 com o Michael, na casa de campo da família dele quando completamos seis meses de namoro, nada demais.
            Nem deu tempo do Robert querer quebrar a cara do mané ou Kristen se sentir desconfortável, pois logo a amiga já soltou um comentário bem típico dela.
            – Pelo jeito ele tem pinto pequeno! – ela comentou embolada em uma risada alta e engraçada que fez todos gargalharem.
            – E você, Kota? Fale sobre sua primeira vez! – Tom atiçou; seu lado de velhinha fofoqueira todo curioso.
            – Minha primeira vez com homem, com mulher, orgia ou o quê? – Ela tirou uma com a cara dele, fazendo todos rirem e ele rolar os olhos. – Minha primeira vez foi com uma garota da minha aula de Francês, no colegial. A gente se conheceu, passamos a namorar e após dois meses rolou nossa primeira vez, foi maravilhoso! Três meses depois nós brigamos, terminamos, fiquei bêbada numa festa e foi aí que conheci a K!
            – E com homem? Já rolou?
            – Uma vez, já na faculdade – Ela riu. – Só serviu pra confirmar que eu gosto mesmo é das aranhas brigando!
            – MEU DEUS, EU NÃO OUVI ISSO! – Kristen soltou uma gargalhada altíssima, sendo seguida pelos outros malucos na longa viagem ao leste espanhol.

Valência, Espanha – Propriedade da família Sturridge
17h26min

            – Uau, acho que vou morar aqui pra sempre, posso? – A loura olhou com um beicinho e os olhinhos brilhando para Tom à medida que todos admiravam o belo casarão onde passariam os dois próximos dias.
            A família do ator possuía uma linda propriedade no alto de uma das serras da cidade, longe do centro e com uma visão lindíssima para as planícies verdes, as plantações e até vinhedos ao horizonte. O Sol do final da tarde resplandecia um tom lindo de dourado sobre a grama e fazia as paredes do enorme sobrado parecerem ainda mais mediterrâneas.
            A casa de três andares era estreita, com paredes de um bege envelhecido e janelas e uma porta de entrada de madeira marrom e, do outro lado, paredes salmão com janelas azul turquesa. Ao longo da construção havia uma bela escadaria de pedras cinza que circundava toda a lateral em sentindo horizontal da fachada, indo desde o gramado do jardim, passando pela porta marrom – com um longo degrau onde havia samambaias, duas cadeiras e enormes cachepôs com flores rosa choque – até dar acesso aos fundos. Árvores de flores roxas, floreiras nos parapeitos das janelas e luminárias vitorianas nas paredes davam um toque final ao charme e beleza do lugar.
            – Tudo bem, quer casar comigo, Tom? Já temos até onde morar: aqui! Não é legal? Eu sou uma gênia, eu sei que sou – Dakota continuou importunando o moreno, fazendo todos rirem e ele bagunçar seus cabelos.
            – Que bom que gostaram, galera! – Ele sorriu, caminhando até as escadas com os amigos em seu encalço. – Minha família costuma passar os feriados de final de ano aqui, então é como minha segunda ou terceira casa, já que tenho Londres e LA agora!
            – Ah, deve ter sido ótimo crescer aqui! – Kristen sorriu, abaixando-se para cheirar as flores nos grandes vasos.
            – E foi! Até o Rob já passou alguns Natais aqui com a família dele; já aprontamos muito por essas redondezas! – murmurou malicioso ao fazer um high-five com o amigo e ver as meninas revirarem os olhos.
            E assim que Tom pegou a chave guardada debaixo da mesma floreira de sempre, eles abriram a porta da frente e foram invadidos com a beleza da arquitetura mediterrânea que sempre mesclava as cores terracotas com enormes janelas e uma claridade límpida tipicamente espanhola. Paredes claras, pisos de pedras lisas, madeiras escuras, tapetes persas e cores vívidas em quadros e cortinas. Não era nada que ostentava riqueza; era apenas uma simplicidade impecável pelo bom gosto e ar médio.
            – Que lindos! São seus pais? – A escritora perguntou ao caminhar pela sala, parando em frente à lareira ao avistar alguns porta-retratos. Ela amava o modo como as histórias podiam ser impressas em uma única tela.
            Tom se aproximou com um sorriso assim como os outros – Robert abraçando a morena delicadamente pela cintura.
            – Sim. São meus pais, meu irmão mais velho, Arthur, e minha irmã caçula, Matilda. – falou ao apontar à senhora bela e ruiva, ao homem de cabelos grisalhos abraçado a ela e um jovem de seus 25 anos, com cabelos cor de fogo e olhos iguais aos de Tom, agarrado a uma garotinha sorridente de lindos olhos azuis e puxadinhos como a característica de quem possuía Síndrome de Down.
            – Seu irmão é a sua cara, mesmo com os cabelos ruivos! – Sienna riu agarrada ao britânico que puxou ela e Dakota em um abraço. – E a sua irmã é a coisa mais fofa do mundo. Que vontade de apertar!
01 novembro 2013

BR - Capítulo 9


E aí, gatonas! Todas joia?
Depois de um tempinho, aqui está a segunda parte do capítulo "Lisboa"! Espero que gostem.

No capítulo anterior:

            Taylor Stewart era o típico garoto desencanado. Magro, pele branca, olhos verdes e animados, cabelos castanhos e revirados dentro de um boné surrado – um visual despojado de skatista.
            – E aí, porque demorou tanto pra chegar? – A morena perguntou quando ele jogou os braços em seus ombros. E então ele fez uma breve expressão culpada.
            – Eu meio que trouxe um convidado.
            – Quem? – Ela franziu o cenho, olhando para os lados. E então viu a praga.
            Caminhando até onde eles estavam, ninguém mais ninguém menos do que Michael Angarano – seu patético ex-namorado – sorria para ela.

Capítulo 9: Lisboa – Parte II

Então 1, 2, 3, pegue minha mão e venha comigo
Porque você parece tão legal
E eu realmente quero fazê-la ser minha
(Jet - Are You Gonna Be My Girl?)

            A jovem nem teve tempo de lançar seu olhar encolhedor de bolas para o irmão, quando o dito cujo se aproximou.
            – Hey, K – ele murmurou com um sorriso e ela apenas revirou os olhos, furiosa.
            – O que você está fazendo aqui, Michael? – E pronunciar seu nome em voz alta, foi como um chamado pra todos os amigos da americana – e Rob – olharem para eles.
            – Não iríamos estar juntos no Optimus Alive! deste ano? – Deu de ombros, a expressão com uma rajada de ironia. – Era o que planejávamos, não era?
            Ela semicerrou os olhos, bufando, antes de arquear a sobrancelha e encará-lo de cima a baixo.
            Ele continuava o mesmo. Pele levemente bronzeada, cabelos com suaves ondas de um castanho claro, olhos também castanhos que soavam infantis e ingênuos, sorriso bonito e traços suaves – estava mais forte, mas era baixinho demais para ser considerado um galã. Naquele momento, a morena o definiria como “cara de retardado” e ponto.
            – Michael... – ela suspirou impaciente, colocando a mão na cintura ao andar lentamente até ele. – Nós terminamos. Acabou.
29 setembro 2013

BR - Capítulo 8

~Versão Twilight aqui.

E aí, quem estava com saudades dos nossos putos preferidos? Hahahahaha'
Mas antes do capítulo, eu queria convidá-las para lerem minha NOVA FANFIC. Yep! Quem aí leu a one-shot "Born to Die"? Pois é, ela ganhou uma fanfic só pra ela e se chama "Dark Paradise".

Sinopse: Edward, o perfeito tipo de cara errado. A reencarnação de James Dean.
Isabella, exatamente a garota certa. Uma Marilyn Monroe com perfume de frésias e cocaína. A menina de grandes olhos verdes que apenas encontra a perfeição no submundo do britânico que ela jamais imaginaria amar.
O que é bem, mal, certo, errado? O que é o paraíso, afinal? Qual a sua verdadeira definição?
Eles vão viver em um universo paralelo entre que você chamaria de paraíso e escuridão.
http://raphaella-paiva.blogspot.com/2013/02/dark-paradise.html

Passem por lá e me digam o que acham! ;)
Agradecimentos à minha putona preferida, Aline Bomfim. Nossa beta que é praticamente autora de BR e DP! Hahahahaha' Obrigada, vadia.
Agora aproveitem o capítulo. Boa leitura.


Capítulo 4: Lisboa

Quando você está perto de mim
Eu me torno radioativa
Meu sangue está queimando, radioativo
(Marina & The Diamonds - Radioactive)


Arredores de Alentejo – Air Europa Líneas Aéreas
09h53min

            – Oh, seu puto, levanta essa bunda delícia daí e me deixa ficar um pouco com a minha garota! – Dakota e todo o seu jeitinho sutil e delicado surgiram ao lado dos amigos que estavam cheios de sussurros na poltrona do avião.
            Robert apenas olhou pro olhar azul e assassino em sua direção.
            – A senhora quem manda! – Ele soltou uma risadinha ao erguer as mãos em sinal de rendição enquanto a loura sorria satisfeita e se sentava ao lado da amiga.
– Enfim a sós, srta. Stewart.
            – Ai, eu tenho medo de você às vezes, mas te adoro! – Kristen murmurou com uma gargalhada, abraçando a garota que se derreteu.
            – Também te adoro, te amo, te quero, tesão da minha vida! – ela falou alto, soltando um gritinho empolgado que ganhou os olhares de 99% dos passageiros.
            – Vergonha alheia: check! Primeiro mico em ares portugueses, vadia! – Riu com a loura, arrumando-se na poltrona para ficarem de frente uma para a outra.
            O avião da companhia aérea espanhola estava próximo do destino quando Dakota acordou depois de babar em cima do Tom, ainda aos efeitos da maconha da última madrugada. O britânico ainda estava chapado e dormindo de boca aberta assim que ela sentiu saudades da escritora e quis apenas abraçá-la e fofocar como duas velhinhas.
            – E, então, o Jude Law beija tão bem quando aparenta? – ela perguntou, mexendo as sobrancelhas sugestivamente ao olhar pra romancista.
            – Jude Law?
            – Fala sério, o Rob é a cara do Jude Law – Revirou os olhos, contando com os dedos. – Lindo, inglês, de olhos claros e aquela barba por fazer.
            – Se você diz... – Riu divertida, bagunçando os cabelos platinados.
            – Pare de me enrolar, Stew...
            – Okay, ele beija super bem! – ela confessou com um rostinho sapeca, vendo a amiga quicar em seu assento e bater palminhas. – Ele consegue ser carinhoso sem ser meloso, sensual sem ser intimidante...
            – Mas faz sua calcinha molhar, né? – Encarou com carinha sapeca, fazendo a amiga arregalar os olhos.
            – Dakota!
            – O quê? – Ela se fez de rogada, rolando os olhos outra vez. – Fala logo que ele faz sua calcinha derreter, mulher!
            – Claro que ele faz! É só olhar pra ele! – Kristen apontou discretamente para o britânico, como se fosse justificativa o bastante. – Ele é quente como o inferno.
            – Ah, se eu gostasse de homens... – Ela suspirou e a amiga soltou uma risada, meneando a cabeça em descrença.
            – Vire hétero, mas arrume outro homem, sua assanhada! – Brigou com a loura, tentando segurar o riso. – Esse já tem dona!
            – Mas já tá assim? Toda saidinha, hein, Stewart... – Dakota provocou, fazendo cócegas na costela da amiga que começou a se remexer toda.
            – Argh, loura, fica quieta! – Ela gargalhou, atacando a historiadora de volta.
            – Já que meu trabalho aqui está feito, eu vou voltar lá pro lado do babão e dormir mais um pouco – falou com uma risada, beijando a bochecha da morena enquanto se levantava. – Quero aproveitar um pouco de Lisboa antes do festival!
            – Vai lá, doida! – Kristen brincou, pegando sua edição surrada de Jogos Vorazes para ler antes de aterrissarem. Nem duas páginas depois, Robert voltou a sentar na poltrona ao seu lado.
            – E aí, sobre o que você e a Kota fofocaram? – perguntou divertido, tirando o livro da mão da garota na maior cara de pau.
            – Larga de ser enxerido, garoto! – Ela revirou os olhos, o que fez o sorriso dele se alargar.
            – Estavam falando sobre mim?
            – Ih, bateu, a cabeça? Nós temos assuntos mais interessantes! Eu, hein... – A jovem desconversou, pegando seu livro de volta ao ouvir o fotógrafo gargalhar.
            – Vou fingir que acredito...
            Kristen bufou, fingindo ler alguns parágrafos até que sentiu o dedo indicador do britânico cutucar seu ouvido.
            – Rob?
            – O quê? – respondeu distraído, ainda cutucando.
            – Quantos anos você tem? 3 ou 23? – ela perguntou descrente, dando um tapa na mão dele e desistindo completamente da leitura. – Tudo bem, vou dar atenção pra você agora!
            – Finalmente! – Ele levantou os braços em glória, fazendo a morena rir enquanto a encarou com seus olhos acinzentados.
            – Quer falar sobre o quê?
            – Quais amigos seus vão estar no festival hoje? – questionou curioso, vendo-a sorrir.
            – A Scout, a Ashley, a louca da Jessica e o gayzão do CJ. – Ela ouviu a risada do inglês, rindo junto ao de lembrar do grupo de malucos. – o CJ com certeza vai dar em cima de você e do Tom, mas é só não dar moral pra bicha!
            – Meu Deus, qual o seu problema em fazer amizades? – ele falou com uma expressão divertida, ganhando outro tapa da americana.
            – Ah, e meu irmão mais novo também vai estar lá, então se prepare! – ela avisou logo de cara, e o londrino fez um falso olhar espantado, arrancando outra gargalhada dela.
            – Você é mais apegada a ele, não é? – inquiriu em um suave tom de curiosidade.
            – Acho que sim – Ela deu de ombros antes de rir. – Como o Taylor e seu temos a mesma idade, sempre aprontamos juntos.
            – Vocês têm a mesma idade? – Rob franziu o cenho. – Como assim? Vocês dois são gêmeos?
            – Oh, não! – A escritora riu, meneando a cabeça ao se virar no assento para olhá-lo mais de perto. – O Taylor e o Dana são adotados.
            – Sério? Isso é muito legal! – Ele sorriu à medida que ela assentia; um traço de orgulho atravessando os olhos verdes.
            – Três anos depois que minha mãe deu à luz ao Cameron, ela e meu pai adotaram o Dana, que ainda era só um bebezinho! – murmurou com um beicinho fofo, fazendo o britânico sorrir admirado. – Após quatro anos, eu nasci e, quando eu completei cinco anos, o Taylor foi adotado e ele tinha a mesma idade que eu.
            – Uau, seus pais são empolgados! – ele provocou, rindo junto da garota.
            – Eles são empolgados, loucos e amorosos até cansar! – Kristen disse divertida. – Eu os adoro.
            E Robert sorriu, sabendo que amor, carinho e uma boa dose de loucura são sempre os melhores fatores para qualquer família feliz.

Lisboa, Portugal – Hotel Real Palacio
15h45min

            “O que define as pessoas é o caráter. Não seu status social, seu extrato bancário, suas ações ou seus sorrisos. Status? Pff, isso pode mudar em um piscar de olhos. Extrato bancário? Não significa coisa alguma se não for usado para o bem. Já as ações... podem ser um condenador ou um álibi, mas nunca são o suficiente. Enquanto os sorrisos... Ora, de que valem os sorrisos quando não são bons ou verdadeiros?
            O que define alguém é seu caráter, o conjunto de ações, sorrisos, os sentimentos, as atitudes, os gestos e as palavras gentis, porque as pessoas são como árvores – elas precisam de boas conversas, boas músicas e um bom ambiente para crescer; e se tiverem mais uma quantia de carinho e devoção, elas vão se transformar em um bom aliado para fazer um mundo melhor.”

            A americana sorriu, colocando a caneta dentro do bloco de notas e o abraçando contra o seu peito enquanto escorava a cabeça no portal de madeira da enorme janela. Lisboa havia trazido o melhor de si, e ela suspirou ao observar a cidade lá embaixo cheia de portugueses e turistas animados para o festival de música.
            Após chegarem à terra de Cabral, Kristen mergulhou na cama do hotel e tirou um delicioso cochilo – assim como o fotógrafo, no quarto da frente – enquanto Tom e Dakota decidiam explorar a região. Ela não aguentava mais ouvir a loura e o moreno choramingarem de ansiedade para visitar o oceanário. E naquele instante, a escritora sentiu o calor e a brisa trazerem a inspiração assim que ela se sentou no parapeito da janela grande e de cores vibrantes, admirando as construções antigas, as ruas de pedra e o imenso Rio Tejo ao longe.
            Três batidinhas na porta tiraram sua atenção do sol brilhando contra o seu rosto, e ela atravessou o quarto de móveis coloridos e renascentistas para ver um Robert sorridente e com uma bandeja nas mãos, parado no corredor.
            Ela sorriu.
            – Veio alimentar sua senhora, Alfred? – A escritora mexeu as sobrancelhas ao dizer, ouvindo-o rir à medida que ela fechava a porta.
            – Claro, madame – respondeu animado, sentando sobre o longo tapete branco e felpudo enquanto mexia nas tigelas esmaltadas e despejava suco em dois grandes copos de alumínio.
            – O que temos aqui? – ela perguntou divertida ao sentar do seu lado.
            – Brioches, torradas, geléia de framboesa, suco de laranja... – falou com um sorriso, virando-se pra ela com uma carinha sapeca. – E morangos.
            – Hmmm... Morangos – Kristen riu, observando-o pegar a fruta e lhe oferecer, pertinho de seus lábios. Ela abriu a boca suavemente, mordendo com delicadeza e quase gemendo com o sabor doce preenchendo sua língua.
            – Bom? – A voz dele soou baixa e rouca, fazendo-a abrir os olhos e encontrar o rosto másculo e bonito a centímetros do seu.
            Ela mastigou lentamente ao murmurar um suave “hm-hum” e, então, tocou suas mãos grandes e firmes que ainda seguravam o outro pedacinho de morango.
            – Experimente – A jovem sussurrou, mas ao invés de colocar a fruta na boca dele, ela trouxe a mão quente até seus próprios lábios, mordendo novamente o morango e, sem pensar duas vezes, ela o beijou.
            E ele deslizou com desejo suas mãos rumo à cintura da mulher, gemendo ao sentir a fruta brincar na língua dela e migrar deliciosamente para a sua, dissolvendo o gostinho doce e fazendo ambos se sentirem quentes de imediato.
            – Bom, não é? – Ela sorriu contra os seus lábios, deixando seus dedos brincarem com o cabelo claro e macio dele.
            – Muito bom – Rob murmurou com um sorriso, beijando-a suavemente outra vez.
01 setembro 2013

BR - Capítulo 7

Hey, negads! Todas surtadas com o comercial do Rob pra Dior? Hahahahaha'
Como prometido no grupo essa semana, aqui está o capítulo novo, com direito a muita maluquice e, err... beijos, beijos! Hahahaha' LOL
Enjoy it.

- Se preferir ler a versão Edward/Bella, clique aqui.

Grupo (com spoilers, novidades e Instagram dos personagens): facebook.com/groups/501155363274932/


No capítulo anterior:

Com uma permissão final de que poderia avançar sem qualquer medo ou renúncias, Robert fechou os olhos, roçando seu nariz contra o da jovem e sentindo o calor do corpo pequeno e suave contra o seu. E com os dedos daquela encantadora mulher entrelaçando os fios de cabelo de sua nuca, o britânico, enfim, pressionou com força seus lábios contra os dela em um beijo quente, com tanta vontade e sem qualquer pudor – como se fosse um homem sendo levado à guerra e que, como um último pedido, beijava sua mulher com a mais desesperada das paixões.
            E ela retribuiu.


Capítulo 7: Madrid – Parte II

Risque o fósforo, ponha para tocar alto
Dando amor ao mundo
Nós iremos levantar nossas mãos, brilhando até o céu
Porque temos o fogo, fogo, fogo
Sim, nós temos o fogo, fogo, fogo
(Ellie Goulding – Burn)

            Adentrando com seus dedos os fios lisos e castanhos do fotógrafo, Kristen o puxou contra si e comprimiu ainda mais os lábios do jovem ao redor dos seus, deslizando, sugando e beijando-os com toda aquela intensidade que parecia querer sair de seu peito e explodir. Porra, aquilo era tão, tão, tão bom...
            Robert puxou ainda mais o rosto da morena, apertando-o tão deliciosamente em sua mão firme e fazendo-a delirar com aquela pegada ma-ra-vi-lho-sa. Ele infiltrava os dedos longos por entre os cabelos de suaves ondas, enquanto sua mão esquerda fazia o caminho até a cintura delineada da mulher e a puxava ainda mais contra o seu corpo – podendo sentir cada curva e cada textura entre suas roupas.
            E no instante em que a língua do britânico tocou o lábio inferior da escritora, foi impossível não ouvir um suspiro deliciado dos dois, suas línguas encontrando-se e envolvendo-se tão sensualmente a ponto de dominar cada contração muscular por baixo de suas peles.
            A textura, o sabor, a pressão... Era como se eles já tivessem se beijado um milhão de vezes. Mas não da forma que você pensaria que o beijo é igual ao de tantas outras pessoas, e sim que seus lábios se conheciam há tempo o suficiente para saberem exatamente o que mais gostavam. Como se suas línguas já soubessem exatamente como mover, exatamente como fazer. Sim, era realmente como se eles já tivessem se beijado um milhão de vezes, mas como se cada um desses um milhão de beijos fosse de uma forma diferente e, a cada um deles, uma coisa a mais era descoberta e desfrutada.
            – Rob... – A jovem choramingou em um baixo gemido, puxando os cabelos da nuca dele enquanto seus lábios se deslocavam em um som de puro prazer, os beijos do inglês deslizando pelas maçãs de seu rosto e sua mandíbula.
            Ele aproximou novamente sua boca faminta à da morena, mordiscando o lábio inferior que se dividia em uma respiração arfante e sedenta. Kristen seria a mais bela de suas fotografias um dia, e o britânico jurou a si mesmo que em algum momento futuro de sua vida – dali meses ou sequer anos –, ele iria fazer uma grande exposição de arte somente com imagens da sua bela garota.
            Ela era encantadora demais para não ser mostrada ao mundo inteiro.
            – Você é tão linda e viva... – ele sussurrou contra os lábios cheios e rosados da morena, vendo-a abrir os olhos preguiçosamente e menear a cabeça com um sorriso de lado. E, sem pensar duas vezes, colou novamente sua boca à dele.
            O britânico apertou o corpo pequeno e esbelto da romancista, movendo as mãos grandes e firmes contra suas costas e cintura. Ela era tão delicada e macia que Robert teria que, no mínimo, se exilar em uma ilha deserta durante anos para conseguir controlar aquele vício de não querer tocá-la a cada dois minutos. E agora que havia experimentado da sensação de tê-la sob seus dedos, teria que aumentar a pena do exílio para um par de décadas a mais.
            Kristen, no entanto, efervescia a cada toque do inglês, movendo seus lábios e sua língua contra e sentindo aquele sabor gostoso de menta disfarçado com um gostinho de hortelã que simplesmente anuviava sua mente. Era tão quente e deliciosamente cáustico estar nos braços do fotógrafo que ela se controlava para não derreter e ficar ali para sempre.
            Entretanto, um barulho os interrompeu.
            Um som de passos aproximando-se fez o casal afastar seus rostos a contragosto, arfando enquanto tentavam ouvir se realmente havia algo ao redor. E foi com um susto que foram pegos em flagrante.
            – Ali! Os intrusos estão ali! – Um guarda policial apareceu na entrada do imenso salão de cristais, apontando para os dois antes de olhar para trás e falar, provavelmente, com seus homens.
09 agosto 2013

BR - Capítulo 6

N/A: Hola, chicas! ~le eu já no clima do capítulo de BR! Hahahahaha'
Entonces, aqui estou eu com um capítulo enooorme, diga-se de passagem, mas que ficou A+ (pelo menos foi isso o que a beta fodex achou)! Hahahahaha' LOL
Aline Bomfim, sua vadia, obrigada por tudo!
Quem comentou, recebeu semana passada o spoiler extra! ;)
Então aqui vai o capítulo completo! Boa leitura.

Essa é a versão Robsten. Se preferir B/E, clique aqui.


Capítulo 3: Madrid – Parte I

Bem, vamos dar certo juntos, amor
Você sabe que está tão bonita
(The Beatles – Twist And Shout)

Arredores da Catalunha – Trem AVE
07h01min

            “Eu não sou do tipo de pessoa que espera um príncipe encantado. Nunca fui – bem, posso ter sido quando era somente uma criança que sonhava demais e idealizava demais, mas há um bom tempo não sou mais aquela garotinha. Hoje, eu apenas me aproximo do que eu vejo que pode ser bom pra mim. Eu me afasto do que me deprecia, do que me afunda, do que me arrasta para o chão e insiste em me deixar lá. Eu aprendi a me desapegar ao que não merece o meu apego.
            E então eu vivo. Eu me deixo viver intensa e plenamente conforme os rumos que a vida me guia, escolhendo o que me fortalece, o que me desafia, o que me instiga e o que me provoca a viver. Deixo-me ser levada pelos trens, aviões e caminhadas em direção ao desconhecido – desconhecido esse que possui aquela luz no fim do túnel, rodeado por borboletas deslumbradas pelo brilho e coloridas até o infinito de acordo com suas alegrias. E já experimentei o suficiente do desamor para não confundir o brilho mágico da luz com o brilho cegante do Sol.
            E é quando eu percebo que talvez aquela luz no fim do túnel me deixou tão deslumbrada porque me apresentou um novo universo, que do outro lado há uma outra forma de ver o mundo e encarar as coisas. Quem sabe – apenas quem sabe – lá do outro lado não possa haver alguém feito exatamente sob medida para mim? Quem sabe – apenas quem sabe – essa luz não esteja ali para me mostrar onde o meu parceiro ideal está? E quem sabe – apenas quem sabe – essa luz não seja a Europa e esse tal de príncipe não seja certo londrino que já conheci? Quem sabe?”

            Kristen sorriu ao colocar o ponto de interrogação final em seu texto. Ela não tinha certeza se aquilo poderia ser mesmo verdade, mas ela sabia que, independente do que o destino reservara para ela, suas escolhas seriam sempre as melhores e mais espontâneas possíveis. Ela estava disposta a tentar – ela iria tentar.
            – Está domada agora, milady? – Robert sorriu, acomodando-se no assento ao lado da jovem. Ela revirou os olhos, fechando seu bloco de notas e o jogando na bolsa.
            – Defina “domada”. – Arqueou uma de suas delineadas sobrancelhas; um meio sorriso brincando em seus lábios.
            – Ah, sei lá, você estava soltando os cachorros mais cedo, só queria ter certeza que é seguro estar aqui agora...
            – É que eu não sou uma pessoa matinal, aí junta minha costumeira preguiça com aquela correria pra chegar a tempo de pegar o trem, e eu simplesmente surtei! – ela riu, sendo seguida pelo britânico – Desculpa se eu te bati, não foi por mal.
            – Sem danos! – Sorriu para a dama, fazendo-a menear a cabeça para a janela da cabine.
            Digamos que uma mistura de Dakota estressada, Tom rindo a suas custas, Robert sonolento demais para perceber alguma coisa e uma bagunça pra fazer check in, check out e mais check in, deixou uma Kristen completamente louca e que começou a bater em todo mundo para ajudá-la também! Seria engraçado se não tivesse sido tão trágico!
            Alguns raios de sol já invadiam o trem de alta velocidade que circulava pela Espanha rumo à capital, o dourado refletindo na grama verde das planícies e serras ao longe com a alvorada – o céu ainda sendo disputado desde o rosa alaranjado até o azul clarinho do nascer do dia. Era quase possível sentir o cheirinho de café vindo de alguma casinha de campo ao longe.
            Não havia tantas pessoas àquela altura da viagem ainda, as poltronas, em tons de azuis e dourados, ainda meio vazias – alguns turistas cochilando, outras conversando ou simplesmente mexendo em seus tablets ou lendo algum livro de romance.
            Kristen mexia em seu iPod enquanto Robert fingia ler um folheto sobre as melhores atrações em Madrid, mais concentrado no jeito lindo e delicado que a jovem, vez ou outra, fazia um beicinho e mordia os lábios.
            – Sou completamente apaixonada por essa música do The Black Keys – Sua voz o pegou de surpresa, quase sendo pego em flagrante a analisando.
            Antes que ele pudesse perguntar, Kristen colocou o fone esquerdo no ouvido do britânico, que logo identificou os acordes de Gold On The Ceiling.
            – Somos dois! – Concordou com a garota, mexendo suavemente a cabeça conforme o som impecável da guitarra. – O estilo deles é tão anos 60.
            – Não é? – Kristen concordou retoricamente, sorrindo. – Depois dos anos 2000 terem sido péssimos, finalmente voltamos a fazer música boa. As bandas indie/rock vieram com tudo.
            – Nem me fale, eu quase fiquei louco quando vi esses caras ao vivo em um show. Eles e Muse são meus preferidos do rock atual.
            – Ah, eu ainda colocaria Foster The People aí, apesar de também ser fã de Kings of Leon e Paramore.
            – Isso, eles mandam muito bem!
            – Ano passado, eu viajei com uns amigos pra Coachella e finalmente vi The Black Keys. Não sei o que foi melhor, os shows ou a viagem! – ela riu, fazendo Robert sorrir suavemente em curiosidade.
            – Qual foi a primeira viagem que você fez com amigos? – ele perguntou; a vontade de saber cada detalhe da jovem, corroía cada um de seus poros.
            A californiana franziu o cenho em surpresa pela pergunta inesperada, mas foi impossível conter o sorriso por muito tempo.
            – Malibu, 15 anos. Eu e meus amigos tivemos que prometer pra minha mãe que não iríamos dar carona pra estranhos, fumar maconha nem escapulir pra Tijuana. – ela riu, arrancando uma gargalhada do fotógrafo – E você?
            – Glastonbury, 14 anos, um dos melhores festivais de música que já fui. – Robert respondeu, sorrindo de lado com a lembrança. – Não dei carona pra estranhos nem fumei maconha.
            – Primeiro concerto que você assistiu? – ela questionou, curiosa e deliciada com a leve brincadeira.
            – Coldplay – O londrino riu. – Eles ainda eram só quatro caras que ninguém conhecia. E você?
            – Cindy Lauper – Kristen respondeu e o britânico se acabava de rir – Minha avó era completamente apaixonada por ela e eu tive que acompanhar, okay? E as músicas da Cindy são muito boas, clássicos do pop.
            – Claro, claro. “I come home in the morning light, my mother says: when you gonna live your life right?” – ele começou a cantarolar a música, fazendo Kristen revirar os olhos.
            – Rob, para com essa merda.
            “Oh, mother, dear, we're not the fortunate ones and girls, they wanna have fun. Oh, girls just wanna have fun…” – ele continuou, remexendo os ombros e fechando a mão, como se fosse seu microfone.
            – Rob, que mico, cala essa boca – A jovem murmurou, colocando o rosto entre as mãos pra abafar um sorriso.
            – “The phone rings in the middle of the night, my father yells: what you gonna do with your life?” – O britânico se remexia pra lá e pra cá, com uma cara de bicha dos anos 80 que fez Kristen soltar uma gargalhada alta e algumas pessoas olharem risonhos pra eles. – “Oh, daddy, dear, you know you're still number one, but girls, they wanna have fun. Oh, girls just wanna have…”
            – Para com isso, Rob! – ela gritava entre uma risada e outra, batendo nos ombros largos quando ele atingiu o refrão com uma voz fina e desafinada, gargalhando.
            “That's all they really want, some fun! When the working day is done, girls, they wanna have fun… Oh, girls just wanna have fun!”
            – Robert Pattinson, pare com isso já! – Kristen conseguiu brigar no meio da sua risada, fazendo o inglês finalmente parar de cantar e começar a gargalhar junto dela.
            – Vocês poderiam ter pagado pra me ver cantar, eu faço um cosplay de arrasar!
            – Sem dúvidas! Sua tática de sedução é a melhor que já vi! – A jovem ergueu os polegares em um joinha, fazendo ambos rirem.
            – É só mais um dos meus incontáveis charmes! – ele piscou com um sorriso safado.
            – Percebe-se.
            – Agora é minha vez: primeiro álbum que você comprou? – O fotógrafo questionou quando eles conseguiram se acalmar, sorrindo de lado. – O meu foi “How To Dismantle An Atomic Bomb”, U2. – Respondeu orgulhoso.
            – Meu primeiro CD foi “Friends: The Ultimate Soundtrack” – ela respondeu com uma risada, sendo acompanhada pelo rapaz – Eu precisava ter I’ll Be There For You e Smelly Cat, então não me julgue.
            O jovem até poderia ter soltado uma piada ou duas com a resposta da morena, mas seus lábios, movimentando-se para formar o som de cada palavra, detiveram sua total atenção. Ele quase sempre se pegava atento aos lábios tão rosados e suavemente cheios da garota, eram quase como se fosse uma cereja na primavera. Era quase perturbador.
            – Primeiro beijo? – ele perguntou somente, desviando seu olhar para as íris verde-claras da garota ao seu lado. Kristen se arrepiou com o jeito hipnotizante que o britânico a encarou, como se estivesse disposto a sugar cada detalhe seu.
            Ela mordeu os lábios antes de responder.
            – Ian Mckessie, um garoto da minha aula de História, sétima série. Foi um pouco babado, mas foi legal. – ela riu, capturando novamente os olhos do inglês, que continha a risada – E você, senhor eu-tenho-incontáveis-charmes?
            – Hannah Clarke, uma lourinha da aula de Música, acho que na sétima série também. – ele franziu o cenho antes de rir – Estávamos brincando de verdade ou consequência, ela escolheu a segunda opção e foi desafiada a me beijar. Ela me pediu em namoro depois.
            – Isso que eu chamo de mulher moderna! – Kristen gargalhou divertida.
            – Terminamos no dia seguinte. – O jovem repuxou os lábios em um beicinho, em uma falsa carinha abandonada.
            – Uau, você deve ser um ótimo namorado! – ela alfinetou maldosamente com um sorrisinho, recebendo um olhar desafiador do fotógrafo. Os olhos cinza azulados ficavam tão lindos e quase esverdeados à luz do sol. Eram magnéticos.
            – Você bem que poderia experimentar e dizer por si mesma o quanto eu sou ótimo... – ele sorriu.
            – Que convencido! – A escritora exclamou, rindo com a cantada do inglês. O problema é que ela não duvidava que ele realmente deveria ser ótimo. Excelente, na verdade.

Madrid, Espanha – Palácio Real
11h36min

            Se houvesse uma palavra que poderia definir a capital espanhola seria, sem sombra de dúvidas, vivacidade. As cores tão intensas e vivas, o sol quente iluminando as ruas de prédios antigos, monumentos e praças que lembravam Paris, só que com a diferença das pessoas sempre acolhedoras que faziam com que qualquer turista se sentisse em casa. Talvez por ser uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, abrigando todo tipo de nacionalidade, talvez por simplesmente ser o jeito quente e espanhol que irradiava em cada canto.
            As amigas californianas e os amigos londrinos sentiam uma vibração mágica que circulava por ali. Eles haviam chegando somente há poucas horas à cidade, mas já amavam cada pedacinho dela. E amavam mais ainda toda aquela arquitetura grandiosa e incrivelmente maravilhosa do Palácio Real de Madrid.
            Sendo um Patrimônio Nacional, o palácio havia sido construído durante o século XVIII depois que o primeiro fora destruído por um incêndio, em 1734. Apesar de ser a moradia oficial da realeza espanhola, a residência era utilizada apenas para bailes e alguns eventos oficiais, tendo os mais de quatro mil e trezentos quartos completamente vazios enquanto grande parte da população não tinha onde morar.
            – Que irônico... – Kristen murmurou ao lado do seu inglês favorito, que fotografava o enorme lago que ficava do lado norte do palácio. Dois imensos pinheiros estavam dispostos de cada lado do jardim, junto da branca mansão colossal ao fundo; a fonte ligada, distribuindo cores azuis ao longo da água, o sol batendo e cortando as árvores de um jeito quase outonal – era uma imagem de tirar o fôlego.
            – O que é irônico? – Rob perguntou assim que pausou aquela imagem em seu filme, olhando rapidamente para a morena antes de tirar outra foto.
            – Gente sendo despejada, morando nas ruas e sem qualquer condição de vida, enquanto aqui temos quatro mil quartos em um palácio completamente vazio. – ela murmurou, meneando a cabeça e ganhando a total atenção do inglês.
            – Você tem razão – O rapaz concordou, franzindo o cenho. – Por que não enchem esse lugar com as pessoas que não têm onde morar? – Brincou, desejando que tudo fosse fácil e simples assim.
            – Exato. – ela deu de ombros – Não é como se fosse apenas estalar os dedos e tudo se resolvesse, mas isso aqui poderia ter pelo menos alguma utilidade. Uma obra tão imensa e quase divina, que só serve pra atrair turistas.
            – Eu dou a minha palavra, milady, que se um dia eu me tornar um príncipe, eu irei fazer alguma coisa pra reverter essa situação! – ele murmurou com um sorriso torto, fazendo-a morder o lábio inferior em divertimento.
            – Bem, no caso você seria príncipe da Inglaterra, mas poderia usar seus artifícios de sedução com o rei espanhol! – A escritora provocou, rindo baixinho.
            – Você seria a minha Kate? – ele sorriu, fitando aqueles olhos felinos que apenas sua garota americana possuía.
As sobrancelhas escuras, finas e delineadas arquearam surpresas com a pergunta nada discreta, e Kristen se conteve ao sentir um pequeno comichão que ia dos seus pés aos fios de seu cabelo. E sorriu.
– Se você fosse um bom William, eu até pensaria no seu caso...
Robert ficou deliciado com sua resposta.
– Hmmm... Podem ir parando de safadeza, que eu voltei! – Uma loura meio insana chegou perto do casal, arrancando uma risada do fotógrafo enquanto a morena revirava os olhos.
– Cadê o Tom? Ele não tinha ido com você? – Rob questionou meio distraído, tirando mais uma fotografia dos Jardins de Sabatini.
– Quando uns guardas saíram, eu corri até o trono pra dar uma cochilada e, quando estava voltando, vi o Thomas mijando num arbusto do jardim Real! – ela riu sapeca, e os dois a olharam com os olhos arregalados antes de caírem na gargalhada, logo em seguida.

Madrid, Espanha – Mercado de San Miguel
17h13min

            Após um almoço dos deuses no Botín – o restaurante mais antigo do mundo que, céus, oferece o melhor assado da cozinha castelhana – e uma tarde desfrutando cada obra de arte no Museu do Prado, os jovens decidiram experimentar as maravilhas do mercado gourmet mais famoso de Madrid.
            – Dá pra acreditar que isso foi construído em 1916 e, com tanta gente aqui todos os dias, isso continua impecável? – Robert falou totalmente impressionado e absorto pela arquitetura do lugar.
            Mesmo tendo passado por reformas, a fachada do lugar era toda mantida como a original, revestida em ferro e imensas paredes de vidro, assim como o amadeiramento escuro que rodeava todo o local. Era enorme, com traços que lembravam a arquitetura renascentista – daquelas cidadezinhas onde os mercadores faziam feiras para vender peixes e trigos, e os mecenas divulgavam as obras de arte.
            – É massa pra cacete! – Tom exclamou com animação, bagunçando os cabelos de Dakota enquanto entrava no mercado lotado, com a loura brava logo atrás, pulando em suas costas.
            – Soaria muito doente mental se eu dissesse que adoro esses dois pirados? – A romancista brincou ao lado do fotógrafo, rindo ao desviarem de algumas pessoas para poderem entrar.
            – Acho que só um pouco – ele respondeu em tom de brincadeira, sorrindo ainda mais assim que avistou as delícias culinárias nos balcões das lojas; havia de tudo um pouco.
            – God, eu quero experimentar tudo que couber na minha barriga! – Kristen murmurou gulosa, arrancando uma gargalhada do britânico. Logo ele a arrastou até uma lojinha à sua direita, que servia o tão ilustre Jamón-Ibérico.
            Assim que Robert pediu o aclamado presunto curado e com um tempero delicioso, a morena pôde se sentir nas nuvens com o sabor.
            – Isso é bom, não é? – ele perguntou ao mastigar outra fatia, tão maravilhado quando a americana – Madrid é uma cidade pra se comer bem, de fato.
            – Nem me fale, estou pensando seriamente em ficar por aqui mesmo! – ela riu ao degustar ainda mais – Preciso aprender a preparar um desses.
            – Você cozinha? – O britânico inquiriu em surpresa, olhando para a morena.
            – Tá brincando? Eu amo cozinhar, é um dos meus passatempos preferidos – ela sorriu, deixando-o deslumbrado – Só perde pra ler e escrever.
            – As únicas coisas que sei fazer é ferver água! – ele confessou, fazendo a romancista rir deliciosamente.
            – Mas é inútil mesmo...
            – Pior que sou. – eles riram – Só sirvo pra fazer macarrão instantâneo e uns ovos fritos de vez em quando. O Tom que cozinha algumas coisas e nos salva da miséria.
            – Um dia desses, cozinho algo pra você – Kristen deu uma piscadela, e o inglês teve vontade de agarrá-la por ser tão linda e sexy e perfeita.
            – Promessa é dívida! – ele brincou, pegando a mão da morena antes de levá-la até uma lojinha de tortillas e, depois de se empanturrarem com uma torta feita de batatas, os dois decidiram experimentar os famosos mojitos.
            – Estou me sentindo o Jack Sparrow só com o cheiro de rum dessa bebida! – A escritora comentou divertida, encarando seu coquetel com muita hortelã e duas rodelinhas de limão.
            – Ao capitão Sparrow! – Rob brindou, tilintando seu copo ao da morena antes de dar o primeiro gole em uma careta. – Isso é bom, mas prefiro a boa e velha Heineken.
            – Novidade. – ela revirou os olhos com um sorriso.
            Assim que experimentaram alguns iogurtes gregos e comeram uma paella de dar inveja a qualquer mortal, o casal seguiu até uma loja elegante e em tons dourados que havia no mercado, onde poderiam degustar os mais variados vinhos espanhóis.
            O inglês puxou uma banqueta para a morena se acomodar, sentando-se ao seu lado no balcão coberto por taças de cristais e inúmeras garrafas da bebida, assim como os armários de madeira à frente.
            – Você entende de vinhos? Não sei nada de marcas ou vinhedos. – Kristen confessou com uma risada, enquanto Rob assentia e pedia duas taças da região de Rioja, em seu espanhol impecável.
            Estava mais calmo ali em vista do restante do lugar, e eles puderam apreciar a boa ópera de Julián Gayarre vindo em um tom baixo e harmonioso dos alto-falantes, à medida que uma mulher bonita lhes servia o vinho tinto.
            – Isso parece estar bom – O fotógrafo murmurou, equilibrando a haste em seus dedos e apreciando a cor do líquido.
            – Hm-hum – A romancista concordou baixinho, fechando os olhos ao sentir o aroma tão delicado e intoxicante da bebida. Rob perdeu a fala assim que os lábios doces e rosados da morena preencheram a borda da taça e bebericaram o vinho tão deliciosamente. E quase gemeu quando ela passou a língua pelo canto da boca, abrindo seus grandes olhos verdes para ele.
            Ele engoliu em seco ao sentir o olhar tão preso ao seu, como se aquela garota estivesse à deriva e ele fosse o único ponto que ela poderia enxergar. Hipnotizante seria pouco.
            E então, Kristen deslizou sua mão direita calmamente até a coxa do rapaz, coberta apenas por uma calça jeans, sentindo os músculos da perna do jovem estremecerem entre seus dedos. Tudo que ela poderia notar eram apenas o calor que atravessava sua pele, o olhos tão cinza e azulados e um pequeno zumbido ao fundo – além os lábios tão quentes do inglês tão próximos dos seus.
            – “Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou...” – É claro, é óbvio, é certo e inconfundivelmente evidente e inquestionável que aquela voz de empata-beijo, cantarolando a música de Branca de Neve, era ninguém mais ninguém menos que Dakota Fanning acompanhada de Tom Sturridge, fazendo Robert e Kristen se desvencilharem rapidamente enquanto os dois se aproximavam alheios de tudo.
            – E aí, galera, vamos dar o fora? Ainda quero dar uma volta pela cidade das mulheres quentes! – Tom comentou, mexendo os ombros em uma dancinha ridícula ao sorrir sedutor.
            O fotógrafo e a escritora apenas riram levemente, tentando desviar o olhar um do outro ao se levantarem para acompanhar os dois energúmenos. Se eles se olhassem nos olhos, era bem provável se agarrarem em cima do balcão e se comerem ali mesmo. Oh, Deus, dai-me forças, Kristen pensou exasperada.

Madrid, Espanha – Plaza de Toros de las Ventas
18h30min

– Gente, eu não sei se quero assistir a uma tourada; não sou muito a favor disso então nem quero testemunhar... – A escritora murmurou assim que chegaram à praça onde havia uma imensa e famosa arena.
Na verdade, ela vinha murmurando isso desde que os quatro pegaram um táxi rumo à segunda maior praça de touros do mundo, perdendo apenas para o México. A ideia havia sido de Tom que sempre teve curiosidade de assistir ao espetáculo de perto, mas os outros três – mesmo não concordando muito com o show – decidiram o acompanhar.
– Relaxa, K, eu acho que a tourada já começou e nem deve ter mais ingressos – O ator piscou, passando os braços ao redor dos ombros da morena. – Só de ver essa arena foda de perto, já vale a corrida!
E com um sorriso de lado, ela teve que concordar. De fora, a arena era magnífica e lembrava até um pouco o Coliseu, embora fosse inúmeras vezes menor. Toda arquitetada em estilo árabe, de tons terracotas com os pequenos tijolos aparentes e belíssimos arcos geminados com detalhes em azulejos azuis pintados à mão. E com a luz do sol de final de tarde iluminando toda a praça, o monumento ficava ainda mais belo e grandioso.
– Madrid, eu te quero pra sempre! – Dakota gritou com os braços abertos toda emocionada, deitando de cara no chão de concreto liso da praça.
– Jesus Cristo! Para de me passar vergonha, loura. – A amiga ralhou com as mãos no rosto, sem saber se ria ou se chorava. Os dois britânicos estavam pendurados um no outro enquanto gargalhavam e as pessoas passavam por ali olhando pra baixinha como se ela tivesse três cabeças.
– Ai, me deixa ser feliz! – ela murmurou do chão, fechando os olhos e sendo feliz.
De repente, um som de passos pesados e fortes começou a soar, vindo da arena, e logo alguns gritos e uma zoeira de “pega o touro”, “ah, meu Deus” e “cuidado, meu povo” se juntou à bagunça! Dakota levantou do chão rapidinho com uma cara de assustada, assim como os amigos e as várias pessoas que circulavam pela praça – até que um touro negro e completamente enorme surgiu de uma das entradas do picadeiro, correndo e fazendo todo mundo correr junto.
– Caralhoooo! – A loura gritou, andando e correndo que nem uma barata tonta, enquanto o Rob agarrou a Kristen, puxando-a para si em proteção – os dois tentavam entender o que estava acontecendo, já o Thomas, claro que começou a ter uma crise de riso.
– Meu Deus, a gente não dá uma dentro! – ele exclamou com uma risada, colocando as mãos no joelho à medida que o touro bufava e corria atrás de uns turistas com camisas floridas e sandalinhas de Jesus.
Kristen abafou uma risadinha quando o chifre do animal pegou na bunda de uma velha metida, erguendo a saia dela.
Olé, olé! – Tom começou a cantarolar, indo atrás do bicho.
– O que você vai fazer, seu demente? – O fotógrafo perguntou com uma risada e os olhos arregalados.
– Domar o touro, ué!
E, então, ele correu até o bovino que estava na outra direção da praça, mandando beijos pra um grupo de garotas que estavam escondidas atrás de um banco.
– Vou protegê-las, gatas, não se preocupem! – Murmurou todo exibido, chegando perto do touro e dançando e pulando na sua frente. – Calma aí, cara, vamos ganhar umas gatinhas. – ele disse pro animal que soltou uma lufada de ar e, totalmente bravo, começou a correr atrás do branquelo.
– Ah, nem! – Kristen soltou uma gargalhada ao ver a cena, remexendo-se nos braços do Robert, em diversão.
– AHHHH, FODEU, FODEU! – Tom começou a gritar e correr do animal, todo desengonçado e mexendo os braços e as pernas. – FODEU, GALERA!
El toro, el toro! Olé! – A loura provocava, quicando e rindo do britânico como uma criança sapeca que adorava fazer arte.
Assim que Rob controlou os risos e foi em direção ao amigo pra tentar ajudá-lo, o touro o viu e, correndo com uma cara de pânico, o Tom também foi em direção ao fotógrafo, tropeçando e caindo que nem um ovo podre em cima dele.
– Fodeeeeeu! – Foi a única coisa que o moreno falou, fechando os olhos e sentindo o touro cheirando seu cangote.
¡Alto! ¡Alto, toro!
Uma voz feminina soou em um espanhol firme, de cima dos garotos. As bufadas do touro ficaram mais baixas e Tom criou coragem de abrir os olhos azuis, mal enxergando por conta da luz do sol batendo em seu rosto.
– Você já está a salvo, machão! – A mulher exclamou para o britânico, tentando esconder a diversão em sua voz. E foi aí que o ator conseguiu vê-la.
Ela era linda. Porra, ela era muito gata!
Vestida em um traje típico de toureiros, era possível ver os fios louros escondidos pelo quepe do uniforme, e sua expressão risonha e levemente arrogante. A pele bronzeada, os olhos verde azulados, o nariz pequeno e os lábios finos e rosados eram o conjunto perfeito. Ela era linda e fodidamente sexy com aquela roupa.
– Você é minha heroína – ele murmurou com sua costumeira voz galante, junto do seu sorriso de comedor. Tão Tom...
Rob soltou uma risada com a total falta de vergonha na cara do amigo, ficando em pé e sendo acudido pela sua californiana preferida. As mãos alvas e pequenas eram pressionadas em seu peitoril e em seus cabelos raivosos.
– Você está bem? – ela perguntou preocupada, tirando uma mecha castanha alourada que caía na testa do britânico.
– Estou ótimo, Kristen, nenhum arranhão – O jovem garantiu, sorrindo pra ela ao sentir a carícia tão meiga e inocente em seus cabelos. Ele tinha vontade de agarrá-la ali mesmo.
Até que Tom começou a divagar todo sério:
– O Thomas não cria juízo! – A morena disse, meneando a cabeça e soltando uma gargalhada abafada quando o ouviu cantando a toureira.
– Quando eu estava em uma prisão no Vietnã, eu só enxergava um pequeno azul pela janela, mas ele nem se compara ao azul dos seus olhos.
– Ai, meu pâncreas! – Dakota falou de algum lugar enquanto Kristen e Rob riam. A expressão da loura espanhola era indecifrável.
– Por que eu sinto que já ouvi essa cantada tosca em Os Simpsons? – A escritora perguntou baixinho pro fotógrafo, que apenas deu de ombros e riu.
– Você é a mulher mais linda que já vi na vida – Tom continuou, formando uma concha com a mão e colocando na testa, pra poder observar melhor a mulher que estava em pé ao lado dele, ainda esparramado no concreto. – Vamos sair hoje à noite, planejar nosso casamento e imaginar como serão nossos filhos meio britânicos, meio espanhóis?
Ele mexeu as sobrancelhas sugestivamente, e a toureira não conseguiu fazer outra coisa se não cair na gargalhada e se virar para o Rob.
– Ele está bem? – ela perguntou, referindo-se ao babaca estirado no chão.
Dakota simplesmente se aproximou e colocou uma mão no ombro da outra loura, como se desse os pêsames.
– Fica tranquila, estou há alguns dias com o bobão e ele é assim mesmo. – Explicou com calma, fazendo a mulher rir e ajudar o londrino a se levantar.
– Sou Sienna Miller, metidão. – ela sorriu, soando meio sou-inteligente-o-bastante-pra-te-mandar-pastar-então-não-banque-o-espertinho-comigo – E você é...?
– Tom Sturridge, a seu dispor! – ele respondeu, beijando as costas da mão direita da espanhola.
Tão de pertinho e uns bons centímetros mais alto que ela, era possível ver as pequenas sardas distribuídas pelo nariz simétrico e as maçãs do rosto. Os olhos cobertos por lápis e sombra escura deixavam os olhos ainda mais claros, mais esverdeados que azuis e extremamente hipnóticos.
– É um prazer conhecê-lo, Tom – Respondeu com um sorriso afável, embora ainda estivesse cética. Ela era esperta demais pra cair nesses truques tão antigos quanto Júlio César dando uns pegas na Cleópatra.
– E esses são meus amigos: Kristen Stewart, Robert Pattinson e Dakota Fanning. – ele os apresentou, bagunçando os cabelos da lourinha implicante enquanto dizia seu nome – Essa aqui é a mais chata de todos, mas eu aturo.
– São todos britânicos? – A toureira perguntou curiosa, e era possível identificar um sotaque espanhol bem leve em suas palavras.
– Não, só eu e o Tom, as meninas são dos EUA – O fotógrafo sorriu, beijando a testa de Kristen em um carinho singelo e tão natural que ele mal percebeu. As borboletas no estômago da americana, no entanto, perceberam muito bem.
– Sabia que a Espanha ajudou os britânicos durante a ditadura napoleônica? – Tom murmurou sensualmente para Sienna, que revirou os olhos com medo do que estava por vir. – Que tal se você der uma ajudinha pra mim também? – ele perguntou, mexendo as sobrancelhas.
– E você sabia que também houve uma guerra entre a Espanha e a Inglaterra, que durou 20 anos? – ela respondeu com um sorriso irônico, colocando as mãos na cintura. Os amigos riam ao ver a interação dos dois.
– Então que tal a gente pular essa parte e ir direto pra conciliação?
– Meu Deus, você não desiste, não é? – A madrileña tentou esconder um sorriso de lado, arqueando a sobrancelha ao fitar os olhos azul-claros do rapaz.
– Vai por mim, isso só fica pior! – Kristen falou exasperada, arrancando uma risada de todos ali.
– Bem, eu tenho que voltar agora e mandar esse rapazinho pra dentro. – Sienna comentou, arrumando seu quepe para proteger os olhos do sol enquanto se voltava para o touro que mastigava algo, há alguns metros.
– Posso acompanhá-la? – O moreno perguntou receoso, com um brilho no olhar um tanto quanto distinto. E Robert ficou intrigado com o amigo mulherengo parecer realmente tão interessado em uma mulher.
Depois de morder os lábios e semicerrar os olhos ao deliberar, a toureira sorriu ao responder:
– Se prometer não dançar e chamar a atenção do touro... – Eles riram.
– Prometido! – Thomas cruzou os indicadores e beijou-os de ambos os lados, num sinal de juramento. A espanhola assentiu com uma risadinha, meneando a cabeça ao passo que se despedia dos três jovens e era seguida pelo londrino rumo à arena.
Okay, precisamos nos benzer ou qualquer coisa do tipo – A escritora falou, abraçando a cintura de Rob com uma mão enquanto jogava seu braço direito pelos ombros de Dakota. –, porque nós quatro juntos realmente só dá merda!
Os amigos gargalharam ao concordar com a morena.

Madrid, Espanha – Hotel ADA Palace
20h59min

            O sol estava se pondo enquanto Kristen terminava de se arrumar, o céu em um tom de azul marinho e as luzes do Edifício Metrópolis acesas, em frente à sacada de seu quarto. O hotel, localizado na via mais aclamada da capital, ficava em frente ao edifício da escola de cinema e artes de Madrid que esbanjava o estilo francês Beaux-Arts – todo em cores claras e com uma belíssima cúpula em xistos negros esverdeados com adornos de ouro, além da magnífica estátua da victoria alada que ficava no topo do mesmo.
            A estalagem onde ela e os amigos estavam hospedados possuía os mesmos traços clássicos da fascinante escola na rua da frente, e a romancista se sentia em um verdadeiro mundo à parte. Era simplesmente adorável o modo como a cidade fornecia vários cenários diferentes a cada lugar que conhecia.
            Olhando-se mais uma vez no espelho de corpo que havia no quarto, ela se sentia mais do que satisfeita com a sua produção da noite. Um delicado vestido preto caía perfeitamente em seu corpo esbelto e de curvas suaves, com as alças grossas, um decote em V e comprimento que permitia uma boa visão de suas coxas alvas e bonitas. Parecia o traje que alguma mulher dos anos 50 facilmente usaria em casa, mas que envolvia a morena como se fosse feito especialmente para ela.
            Um Loubotin nude, um bracelete prata, seu inseparável anel no indicador e um par de brincos pequenos e brilhantes compunham o restante do visual.
            – Kristen Stewart, você está quente! – ela disse com um sorriso para si mesma; os lábios vermelhos e os olhos com delineador nas pálpebras sendo o charme final.
            Ao apagar a luz do abajur que iluminava o cômodo que ela e a amiga dividiam, a escritora fechou a porta do quarto e se dirigiu à saleta que interligava os quartos das garotas e dos garotos. O queixo de Dakota foi ao chão e voltou ao fitar a morena.
            – UAU! – Exclamou em alto e bom som, arrancando uma risada de Kristen, enquanto se levantava do sofá de estampa florida.
            – Muito produzida ou ficou mesmo legal? – A jovem perguntou levemente insegura pela primeira vez em minutos.
            – Está perfeita, gata! Robert vai gozar só de te ver! – ela garantiu ao se aproximar da amiga, que riu deliciosamente.
            – Então vamos encontrar os garotos. – Piscou para a loura que estava deslumbrante como sempre em seu curto vestido rosa-claro e um Mary Jane preto nos pés.
            Pelo jeito, as cantadas de pedreiro do Tom haviam dado certo com a toureira, já que ele a havia convidado para um jantar no hotel naquela mesma noite, junto dos amigos. Depois de passar o restante do dia com ela, os dois já pareciam íntimos e interessados o bastante um no outro – sem falar que era divertidíssimo ver o jeito sagaz da jovem para cada gracinha que o britânico lançava.
            Assim, todos decidiram se vestir a caráter para estarem à altura do jeito clássico e elegante do local, a fim de aproveitarem uma noite fresca e deliciosa no restaurante do ADA Palace.
            Chegando ao terraço onde ficava o restaurante do hotel, as meninas sentiram uma agradável brisa movimentar suavemente seus vestidos e cabelos, refrescando o verão espanhol. Havia mesas redondas e cadeiras, de um tom calmo de bege, dispostas por todo o ambiente – a decoração toda em um estilo quase vitoriano com o parapeito baixo e lindamente desenhado em arcos, luminárias antigas e belíssimas irradiando suaves luzes douradas, e tendo como vista a cúpula e a escultura do Edifício Metrópolis da Gran Via.
            Era lindo e elegante ao extremo, sem ser ostentoso demais.
            Ao andarem entre as várias pessoas que conversavam e jantavam alegremente ali, a loura e a morena avistaram os amigos em uma mesa a uma distância perfeita da banda, que tocava Quisiera Ser, de Alejandro Sanz com as Destiny’s Child. O ritmo latino e agitado do violão dava ao lugar o toque espanhol que faltava.
            – ¡Hola, muchachos! – Dakota chegou toda trabalhada no catalão, chamando a atenção para ela e a amiga assim que chegaram à mesa. Os olhos animados dos britânicos e da madrileña dirigiram-se às duas, principalmente um certo par de íris cinza azuladas que fitou a escritora de cima a baixo.
            – ¡Hola, chicas, cómo están guapas! – Sienna elogiou com um sorriso largo no rosto delicado. Os olhos esverdeados pareciam maiores com a maquiagem carregada e bem feita, os lábios em tom nude destacando seu bronzeado.
            Sem o uniforme, ela parecia ser ainda mais jovem e com um rosto juvenil – os cabelos dourados e meio ondulados batendo nos ombros, a franja despojada caída na testa, e um vestido delicado e branco sobre o corpo magro de os seios suavemente fartos.
            – Kristen veio pra matar, hein? – O londrino de cabelos negros falou com uma piscadela, fazendo-a corar e revirar os olhos. – E não queria admitir, mas você está um pitel, Kota!
            – Argh, você é tão patético! – ela escondeu um sorriso enquanto todos se cumprimentavam com beijinhos no rosto.
            A morena sentiu seu corpo imediatamente quente quando sua bochecha encostou com a de Robert. Era óbvio que ele estava malditamente lindo com uma calça jeans escura, camisa de botões branca, blazer cinza, a barba bem feita e os cabelos em sua costumeira desordem britânica.
            – Kristen – ele suspirou no ouvido da americana antes de umedecer os lábios e olhá-la com aqueles olhos tão intensos e penetrantes –, você está... completamente deslumbrante.
            Ela sorriu de lado, o que fez os olhos acinzentados acompanharem a boca quente e vermelha da garota como se ele tivesse descoberto o Santo Graal. Mas, porra, ela estava linda, sexy e provocante com a pele branca reluzindo e aqueles lábios rubros e aquelas pernas e o vão sutil entre os seus seios...
            – E eu vou te tirar pra dançar agora – ele falou com um sorriso, entrelaçando seus dedos aos da morena e puxá-la até o lado do parapeito, onde alguns casais dançavam.
            – Mas, Rob, eu não sei dançar bolero, ou salsa, ou que seja isso – A romancista tentou explicar com uma risada, embora estivesse nervosa. Ela ainda tentava entender se o nervosismo era devido à dança inesperada ou pelo simples fato de estar tão perto do inglês.
            – É só seguir seus instintos, Kristen – ele murmurou somente, esboçando um sorriso torto de derrubar calcinhas junto daquele sotaque.
            Deste modo, o fotógrafo se colocou de frente à bela mulher, sentindo algo se revirar em seu estômago ao notar o olhar tão verde em sua direção. Ele engoliu em seco ao retribuir o olhar, deslizando sua mão direita pela cintura fina e delineada da jovem no mesmo instante em que sua mão grande e firme envolveu a mão pequena e delicada dela. E, então, respirou fundo antes de começar a guiá-la entre o ritmo suave e agitado da melodia espanhola.
            “Te has preguntado alguna vez, di la verdad, si siente el viento debajo de tu ropa cuando te bañas en el mar desnuda y te acaricia el cuerpo...” – ele sussurrou a letra da música, meio perdido em si, meio divagante.
Kristen sentiu seu corpo se arrepiar, aconchegando o rosto entre o pescoço do rapaz. E lá estava aquele cheiro delicioso de Dior – cítrico demais, envolvente demais.
– Você é bom nisso... – ela murmurou baixinho no ouvido dele, fechando os olhos e sentindo o quadril tão sensualmente contra o seu.
– A acompanhante ajuda... – Respondeu com um sorriso singelo em sua voz, seus lábios tocando a orelha da morena ao dizer cada palavra.
Ele deslizava seu corpo tão deliciosamente contra o seu, movendo com calma, sentindo cada centímetro um do outro, cada pedaço escondido, cada terminação nervosa. Ela estava delirante e totalmente perdida nos braços fortes e quentes do britânico; e sentiu seus pêlos se arrepiarem quando a voz da cantora integrou à canção em uma tradução óbvia de amor: “São desses beijos que não são frio nem calor, mas, se são da tua boca, eu também os quero...”.
Robert sentiu o nariz fino e pequeno da garota acariciar a pele de seu pescoço, fazendo-o fechar os olhos em delírio, apreciando cada gota do carinho que ele poderia absorver e passar a eternidade pedindo por mais. E enquanto se perdiam um no outro, absortos em um pequeno mundo que envolvia apenas os dois, eles mal perceberam quando a melodia se esvaiu aos poucos, quebrando a pequena magia que os preencheu por inteiro naqueles poucos minutos que pareceram uma dimensão em paralelo ao mundo real.
E eles não se surpreenderiam se alguém lhes confirmasse isso.
– Você é realmente bom nisso – ela sorriu completamente afetada com a proximidade de seus corpos enquanto se separavam; os primeiros acordes agitados de La Tortura, com Shakira e Alejandro Sanz, começando a soar pelo enorme terraço.
– E você está realmente deslumbrante esta noite – O jovem murmurou com um sorriso, banhando-se nos olhos caribenhos da escritora que mordeu os lábios ao soltar uma risadinha. – Vamos voltar pra mesa? – Questionou ainda sorrindo.
Assentindo, Kristen permitiu-se deliciar com a mão firme do inglês posando na base de suas costas ao acompanhá-la até onde os amigos conversavam, entre risos e bebidas.
– Mas ele era muito idiota e entendeu que eu estava o chamando de corno ao invés de porco! – O casal ouviu a voz alta e animada de Sienna assim como a gargalhada dos outros dois. – Fala sério, porque eu o chamaria de corno se ele estava colocando suco de groselha no umbigo? Ew, meu irmão é muito tapado.
– Quando a gente era adolescente, o Robert inventou de tomar cerveja até a cevada sair pelo umbigo! – Tom comentou com uma risada enquanto o fotógrafo puxava a cadeira da morena e se sentava à mesa. – O resultado foi nossa primeira ressaca e vômito no meu colchão.
– Que nojo! – A historiadora fez uma careta à medida que todos riam ao imaginar a cena. – Pelo menos não fez como a Stew, que bebeu tanto na primeira festa da faculdade que fez topless em cima do balcão!
– Dakota! – A amiga gritou com os olhos arregalados, Robert ficou com a boca aberta e os outros três riram escandalosamente.
– Ela ficou recebendo convite pra sair com os veteranos nos seis meses seguintes! – ela continuou com uma risada, fazendo Kristen esconder a mão no rosto e conter o riso.
– Eu fico totalmente fora de mim quando estou bêbada, vocês não vão querer presenciar isso! – A morena garantiu ao se recuperar, sorrindo para os amigos.
– Ah, eu vou querer sim! – O ator provocou, ganhando um chute da escritora, por baixo da mesa, ao passo que os outros riam.
– Essa será uma informação bem útil para o futuro! – Robert murmurou safado só pra ela, ao seu lado esquerdo, que apenas meneou o rosto com um sorriso esperto.
– Nem ouse me provocar, garoto de Londres.
– Ah, mas assim é sempre melhor – ele sorriu torto, arrancando-lhe uma risadinha.
– Então, Sienna – A loura maluca começou mais sã desta vez. –, você é toureira há muito tempo?
– Há dois anos apenas – Respondeu com um sorriso após dar um gole em seu vinho branco. – Apesar de muitas pessoas discordarem da profissão, é algo que eu cresci convivendo e ouvindo falar; meu pai e avô eram toureiros, então eu meio que sempre soube que queria isso pra mim.
– E você não acha muito perigoso? Não tem medo de algo acabar acontecendo? – Kristen perguntou com um tom de preocupação. Todos sabiam que não era a carreira mais segura a se seguir.
– São cargos do ofício, acho – ela sorriu, dando de ombros – É o risco a se correr, mas eu realmente gosto do que faço.
– É verdade, quando a gente faz algo que nos deixa feliz, não há nada nem ninguém que nos impeça – O inglês de cabelos escuros concordou.
– E você é ator há quanto tempo? Será que já te vi em algum filme? – A espanhola lhe perguntou, curiosa.
– Comecei a levar a sério de uns três anos pra cá – Tom respondeu concentrado, embora fosse possível ver um traço de orgulho; ele amava o que fazia. – Eu fiz umas propagandas pra Fendi e pra Diesel, uns papéis em filmes indie e uma participação em True Blood.
– E a sua bunda apareceu em True Blood? – Dakota perguntou com uma risada e todos a acompanharam.
– Rá-rá, Barbie, morri de rir – ele falou com uma careta, não resistindo a uma risada – Não fiz cena indecente com ninguém lá, apesar das séries da HBO serem do tipo que têm um pouco de enredo no sexo, e não o contrário!
– Que maus vocês, eu gosto! – Kristen fez um beicinho, arrancando risadinhas.
– Mas agora o Tom vai deslanchar, ele recebeu um roteiro do Walter Salles e fez um teste pro novo filme do Martin Scorsese – O amigo comentou orgulhoso.
– É, mas falta me avisarem se eu passei ou não – Murmurou meio inseguro, brincando com a taça de vinho.
– Espera aí, Martin Scorsese? – A romancista inquiriu com um sorriso e o rostinho de quem acabou de ter uma ideia. – Meus pais o conhecem, eu posso pedir pra eles te indicarem direto pro Scorsese.
– O quê? Seus pais conhecem o diretor de O Aviador, A Invenção de Hugo Cabret e New York, New York? – O ator questionou totalmente surpreso e de olhos arregalados, assim como os acompanhantes da mesa, exceto por Dakota.
– Claro. – A morena respondeu como se estivesse dizendo que a noite está linda. – Minha mãe é roteirista e meu pai é produtor do programa do Jay Leno; minha família toda é meio que envolvida com o cinema e a televisão.
Caralho, sua mãe é roteirista e seu pai é produtor?
– São – ela riu – Minha mãe embarcou como diretora agora e está com um projeto pro final do ano, já o meu irmão mais velho é ator de filmes independentes e escreve alguns roteiros de vez em quando.
– A mãe dela é a Jules Stewart – A amiga loura explicou de uma vez, sorrindo.
– Ah, eu já ouvi falar! Ela é boa! – Rob falou com um sorriso para a morena, que revirou os olhos em modéstia.
– Ela é louca e meio cabeça oca, mas é maravilhosa – ela sorriu.
– Uau, K, eu nem sei como agradecer – Tom falou com uma expressão de imensa gratidão e alegria, deixando a jovem animada com isso.
– Larga de ser besta, Thomas, vai ser um prazer e minha mãe adora trabalhar com novos atores; aposto que ela também vai te oferecer um papel no filme dela.
E a noite se seguiu com muitas risadas, histórias comprometedoras, garrafas de vinho e pratos típicos maravilhosos da Espanha. O relógio já anunciava as primeiras horas da madrugada e restaram apenas eles e alguns gatos pingados pelo imenso terraço.
A lenta melodia de Crazy, de Julio Iglesias, invadia o ambiente, assim como o vento calmo e gentil da noite de verão. Os acordes suaves e com aquele leve tom francês compunham o cenário perfeito para Sienna e o britânico que beijavam e se acariciavam no parapeito do hotel, debaixo de uma das luminárias antigas. Dakota havia sumido com alguma argentina hospedada ali, e Kristen tinha sua cabeça deitada delicadamente sobre o ombro direito de Rob, apreciando o único integrante que sobrara da banda dedilhar seus dedos pelo violão e cantar a velha canção.
E entre os sussurros de apreciação da bela música, um leve cantarolar acompanhando-lhe e carícias delicadas nos cabelos da morena, o fotógrafo londrino sentiu o leve ressonar feminino entre seu peito. Com um sorriso aconchegante e seu coração se aquecendo com aquela sensação de lar, Robert colocou a dama delicadamente em seus braços, admirando-a tão bela e adormecida contra si.
Movendo-se com calma e perfeição, ele a carregou pelas escadarias do hotel, abrindo com cuidado a porta branca e de desenhos delicados antes de depositá-la com todo o carinho possível entre os lençóis de linho branco. E ele não se preocupou em fechar as portas de vidro que forneciam a encantadora visão das luzes da escola de artes, deixando a brisa veraneia acariciar a pele de sua ainda mais encantadora californiana.

05h08min

            – Kristen... – ela ouviu uma voz cantarolar seu nome baixinho, perto do seu ouvido – Kriiiisteeen...
            Resmungando e abrindo o olho direito pra olhar por cima do travesseiro, ela viu Robert Pattinson do seu lado na cama, com um sorriso de menino atentado e lindamente arrumado.
            – Que horas são, porra? O que você quer? – Perguntou mal-humorada, voltando a fechar os olhos.
            – Que sem graça você, eu vim te acordar pra dar um passeio matinal comigo! – ele piscou, formando um beicinho irresistível nos lábios.
            – Sei...
            – Anda, levanta daí, milady, eu quero muito fotografar o Palácio de Cristal do Parque del Retiro, e esse é o horário perfeito!
            – Rob, ainda está escuro...
            – Por favoooor... – ele implorou com um beicinho ainda maior e os olhos grandes assim que a jovem o encarou.
            – Ok, ok – ela bufou ao se sentar na cama e esfregar os olhos, bocejando em toda a sua bagunça matutina.
            – Kristen... – O fotógrafo chamou com uma voz meio assustada meio surpresa meio deliciada. – Você dorme pelada?
            Só então ela notou que estava sem sutiã.
            – AHHHH! – ela soltou um grito; com sorte, notando que o edredom cobria os mamilos polêmicos – Argh, vaza daqui e me deixa trocar de roupa, seu pervertido!
            E Robert saiu do quarto entre risadas, desejando ter visto um pouco mais que o vão entre os seus seios. A escritora tinha a terrível mania de tirar o sutiã quando ia deitar, ou no meio da noite, quando esquecia. Argh!

Madrid, Espanha – Parque del Retiro
05h31min

            Com o embaraço do quarto logo esquecido e uma explicação sobre como a jovem foi parar em sua cama sem se lembrar como, os dois seguiram para o parque mais famoso – e extremamente enorme – de Madrid. Contudo, ao notar que não havia absolutamente nenhum turista ali, Kristen ficou encucada – e ofereceu sua melhor bitch face para o britânico que caminhava ao seu lado.
            – O quê? – ele questionou com uma carinha de santo ao notar o olhar indagador da morena.
            – Por que não tem mais ninguém por aqui, senhor eu-só-quero-fotografar-o-parque?
            – Ué, vai ver está todo mundo dormindo...
            – Desembucha, Pattinson!
            – Promete que não vai ficar brava? – Pediu com um sorriso amarelo.
            – Robert...
            – Tá bom, é que o parque só abre depois das seis, mas eu sempre quis fotografar o Palácio de Cristal durante o nascer do sol. – O rapaz explicou com ansiedade, e a americana estagnou em sua frente assim que chegaram a um dos portões do parque.
            – Você quer dizer que vamos entrar escondidos? – Perguntou com os olhos verdes arregalados.
            – Ninguém vai saber, vamos! – E ele a puxou sem nem ao menos esperar por uma resposta, ambos com cara de adolescentes fugitivos enquanto pulavam o portão de grades até o lado de dentro do belo lugar.
            – Se formos presos, eu entro na sua cela só pra te matar com as minhas próprias mãos. – Kristen o jurou de morte, o que fez o londrino gargalhar ao correrem por entre os lagos e as planícies esverdeadas do parque.
            Sem conseguir conter a sensação de perigo que – pra falar a verdade – era maravilhosa, a morena se juntou a ele nas risadas à medida que desviavam das incontáveis árvores e, enfim, avistavam o belíssimo palácio que Robert tanto desejava fotografar.
            O céu já clareava com o amanhecer e a garota ficava deslumbrada com as flores de todos os tipos colorindo ao redor dos cristais e vidros que rodeavam as paredes da imensa construção. O lago que ficava logo a frente era dominado pela nuance extremamente clara de azul, refletindo a flora e as árvores tão lindas e delicadas em volta. Mas apenas quando adentraram o Palácio de Cristal é que, tanto o fotógrafo quanto a escritora, tiveram a verdadeira noção da grandiosidade daquele lugar.
            Com uma arquitetura maravilhosamente esculpida em traços clássicos e que lembravam as construções francesas, o palacete era, na verdade, uma imensa estufa que abrigava plantas exóticas em alguns dos magníficos halls. Aquela sala que descobriram, porém, estava completamente vazia e rodeada da beleza tão Real que chegava a ser divina.
            Ela era simplesmente enorme, com pilastras finas e claras sustentando a arquitetura do ambiente. As paredes eram completamente cobertas por belíssimas janelas de arco todas em vidro e cristais, assim como o teto formado por uma cúpula absolutamente de tirar o fôlego – permitindo a vista das árvores e as mais encantadoras flores que circundavam o lado de fora do local.
            E o chão... Ah, o chão era simplesmente da mais bela cor prateada que, naquele momento – como em um timing maravilhosamente perfeito –, era iluminado pela luz do Sol que nascia e irradiava por todo o ambiente, fazendo com que o piso extremamente elegante e refinado refletisse as mais variadas cores transmitidas pela estrela maior, como se fosse um chão coberto por águas que irradiavam tudo.
            Era como ver a explicação de Newton em plena ação, com a luz branca do Sol batendo tão surpreendentemente contra as janelas de vidros e cristais e, então, refletindo nas sete cores do arco-íris por todo o imenso salão.
            Kristen suspirou.
            – Meu Deus... – ela sussurrou maravilhada; seus olhos completamente perdidos por entre a beleza tão fascinante que havia ali.
            – Você tirou as palavras da minha boca – Robert murmurou ao seu lado, ganhando seu olhar, no mesmo estado entorpecente e brilhantemente deslumbrado com tudo aquilo.
            E fitando o belo homem ao seu lado totalmente preso naquela perfeição – como uma criança maravilhada com seu primeiro presente de Natal –, a jovem romancista notou o quanto as luzes refletidas o deixavam ainda mais lindo. Os olhos não mais cinzas e sim de um tom de azul esverdeado que a fez esquecer como se respirar, assim como os lábios finos e rosados formando aquele sorriso torto que tanto fazia seus pensamentos anuviarem.
            Mas ao notar o olhar sobre seu rosto, o britânico fitou, então, a bela californiana ao seu lado. E foi a vez dele de esquecer de esquecer como se respirar.
            A pele alva perdida entre o brilho das cores que invadiam o salão de cristais, os olhos felinos em um misto de verde e dourado, os lábios tão deliciosamente cheios e naquele tom rosado que o fazia perder a consciência.
            Ela era infinitamente linda. E seria sua.
            – Kristen... – ele pronunciou em um quase inaudível sussurro, aproximando-se da morena que o fitava atordoada pelo brilho, pelas cores, pela intensidade, pelo olhar que apenas ele sabia lançar.
            E sem pensar duas vezes, sem hesitar um segundo sequer, sem ter medo de agir com inconsequências ou dúvidas, aquele londrino que tanto idolatrava a californiana deslizou a mão direita, tão delicadamente quanto um sussurro, pela face corada e tão viva da jovem. Ela mordeu o lábio em expectativa, desejando, mais do que nunca, ser possuída e tomada por aquele homem que tanto mexia com cada um dos seus cinco sentidos.
            Com uma permissão final de que poderia avançar sem qualquer medo ou renúncias, Robert roçou seu nariz contra o da jovem, sentindo o calor do corpo pequeno e suave contra o seu. E com os dedos daquela encantadora mulher entrelaçando os fios de cabelo de sua nuca, o britânico, enfim, pressionou com força seus lábios contra os dela em um beijo quente, com tanta vontade e sem qualquer pudor – como se fosse um homem sendo levado à guerra e que, como um último pedido, beijava sua mulher com a mais desesperada das paixões.

            E ela retribuiu.
Você sabe que me tem agora
Assim como eu soube que você teria
(The Beatles - Twist And Shout)


N/A: EHHHHH, OUÇO O CORO DE ALELUIA! Hahahahahaha' LOL
E, então, o que acharam do capítulo? Pelo amor de deus, suas fia de kenga, comentem dizendo o que acharam porque estou ansiosa pra caraio. *o*
Hahahahahahahaha'
Brincadeiras no trem, Robert querendo que a Kristen seja sua Kate (e eu morrendo, pq sim kkkkkk'), climão na degustação de vinho e Dakota empatando, A TOUREIRA DIVA, RK quase se comendo na pista de dança e, ENFIM, FINALMENTE, GRAÇAS A DEUS, O BEIJO!
Hahahahahaha'
Lembrem-se, REVIEW = PREVIEW! E quem recomendar, ganha uma surpresinha extra o//
Toodles honey

 
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