Hola! Como
prometido, aqui está o novo capítulo de DP!
Queria agradecer
muitíssimo ao apoio de cada um de vocês... Os comentários me fazem sorrir que
nem uma gayzona, gente! Hahahahaha'
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facebook(PONTO)com/groups/501155363274932/
Ride
“Eu ouço os pássaros na brisa de verão, eu dirijo rápido
Estou sozinha à meia noite
Tenho tentado arduamente não me meter em confusão
Mas eu tenho uma guerra em minha mente”
Scarlett
fechou os olhos outra vez, resmungando com a luz do sol que cortava as longas
cortinas de seu quarto e batia em seu rosto. E, então, ela sentiu o latejar de
uma enxaqueca e gemeu, revirando-se na cama.
Puta. Que. Pariu.
Ela
abriu os olhos rapidamente e sentou-se num salto na king-size.
O que ela
havia feito na noite anterior? Ela só poderia estar louca! Completa e inteiramente
louca! Andrew Barnes, beijo, bebidas, conversas, maconha, amasso quente e
nascer do sol na praia passaram como um flash
em sua mente. Ela nunca – nunca – havia agido de forma tão espontânea e
inconsequente assim. Mas o pior... Ela havia amado cada segundo.
Depois
de assistirem silenciosamente o dia nascer, o britânico levou Scar de volta ao Old Paul’s – e após um suave beijo nos
lábios e uma promessa de que ela ligaria para ele quando quisesse se divertir,
a morena partiu em seu Jaguar vermelho rumo a Bel Air. E ela apenas se lembrava
de encontrar a mansão calada e quieta naquela manhã, esgueirando-se em seu enorme
quarto a fim de algumas boas horas de sono.
Apesar
daquele completo estranho que a enfeitiçou, ela sentia a pequena vibração em
seu peito por ter feito algo por conta própria, apenas ela e sua escolha de
dizer “sim” a um mundo novo e repleto de descobertas e fascínios – sem
hesitações, sem dúvidas, sem influências e extratos bancários de milhares de
dólares. Apenas Scarlett.
A
jovem havia experimentado um pequeno pedaço da liberdade, mas qual seria o
tempo até o efeito da adrenalina passar e ela precisar de uma nova dose? Ela
não fazia ideia.
O
celular vibrando entre os caros lençóis de linho a fez resmungar e tatear a
cama a sua procura, vendo uma nova mensagem piscando com o nome de seu
namorado.
–
Ian! – ela quase gritou, gemendo em
alto e bom som, logo em seguida, ao ver que toda a merda que havia feito era
ainda maior. Ela era a porra de uma garota comprometida que saíra aos amassos
com um britânico quente na noite anterior! Perfeito.
O
que acontecera com ela, afinal? Ela amava Ian Pierce. Bem, ela parecia sempre
esperar mais dele, mas não podia pedir demais quando já possuía tudo. Ela
gostava de sentir o corpo grande e quente dele contra a pele macia e de traços
pequenos de seu próprio corpo. Ela gostava dos beijos suaves dele, do modo
gentil que a língua trilhava seu lábio inferior e da mão firme pousada na base
de suas costas sempre que eles precisavam cumprimentar incontáveis pessoas em
algum jantar.
Ela
se sentia bem com aquilo. No entanto, agora ela enxergava que jamais se sentira
completa.
Por
que sua vida tinha que ser assim? Ela sempre tinha tudo o que pessoas ao redor
do mundo desejavam ter, mas ela nunca conseguia as coisas mais fáceis que todos
tinham – ela não se sentia feliz, não se sentia plena, não se sentia nem ao
menos sincera consigo mesma. Scarlett Hathaway era cheia de um grande e
espaçoso vazio.
Com
seu peito frustrado e sua mente bagunçada, ela fungou e engoliu o início de um
choro patético, levantando-se da cama e seguindo até o imenso banheiro de sua
suíte. As paredes de um branco reconfortante ondulavam os cômodos interligados,
com uma arquitetura suave que mesclava contemporaneidade com um ar
mediterrâneo. Longas cortinas brancas atravessando as portas francesas que
davam para a varanda, uma king-size
com mais travesseiros que as cabeças da população da Etiópia, e estantes e mais
estantes de livros em meio a uma enorme televisão, uma escrivaninha e tapetes
claros cobrindo o reluzente piso.
Os
olhos verdes suavemente marejados rapidamente encontraram as pílulas de Prozac
em meio a cremes, remédios para enxaqueca e comprimidos que sempre lhe eram
úteis. E ao sentir o antidepressivo descer com a água em sua garganta, a jovem
respirou fundo, tentando colocar um sorriso no rosto e sabendo que aquele era
apenas mais um dia a ser levado adiante.
Três
batidas na porta a exaltaram enquanto deitava em sua cama.
–
Filha, sou eu! – A voz de Natalie atravessou a madeira clara e elegante,
fazendo a garota suspirar ao se acomodar entre os lençóis e murmurar um “pode
entrar”.
–
Por favor, mãe, não venha com mais um sermão – falou ao fitar os olhos grandes
e azuis que se aproximavam cautelosos. – Eu acabei de acordar.
A
ruiva encarou a filha de um jeito puro e calmo, um jeito maternal que Scarlett
não tinha muito contato, mas que sempre a deixava tranquila por dentro. E vendo
a filha com um ar adormecido na cama, os cabelos bagunçados e o corpo coberto
apenas por uma camisola fina por entre os lençóis, um sentimento leve de
alegria preencheu seu peito, sabendo que sua menina estava bem, afinal.
–
Eu fiquei preocupada com você, Scarlett – ela murmurou suavemente, sentando-se
na beirada do colchão ao fitar as íris verdes miúdas de sono. – Você saiu
nervosa com aquele carro e passou o resto do dia e da madrugada fora!
–
Ah, você notou? – A morena perguntou com um leve tom de escárnio,
arrependendo-se de imediato. Ela não queria uma briga logo pela manhã.
–
Você ficou chateada por eu e seu pai termos dito verdades ontem? – retrucou no
mesmo tom que a filha, sempre inabalável em sua pose prima-dona. – Você apenas
quer chamar nossa atenção, Scarlett! Fazendo um curso que não tem qualquer
proximidade com os negócios de seu pai, saindo com aquele carro sem nem dizer
onde está indo... Isso quando não inventa de faltar a eventos importantes e sair
fumando como uma daquelas mulherzinhas da Sunset
Boulevard!
A
expressão surpresa cortou os olhos da menina. E ela se sentou de repente na
cama, ignorando a leve tontura que a tomou em meio à dor de cabeça e a
expressão igualmente chocada de sua mãe.
–
Scarlett, me desculpe, filha...
–
Está vendo só? – ela sussurrou, encarando os olhos agora baixos da ruiva. –
Você diz coisas que me magoa, mãe! Você não mede suas palavras e me machuca. Eu
não quero chamar a atenção de ninguém... Eu só quero ser eu mesma, sem ter que
fingir ser alguém que eu não sou.
–
Você sabe que não temos espaço pra isso nesse mundo – Natalie tentou explicar,
agora calma.
–
Essa não sou eu, mãe. Eu só quero viver a minha vida em paz e parece que
ninguém deixa isso acontecer – murmurou suavemente, desviando o olhar quase que
de maneira sonhadora.
–
Filha...
–
Mas isso não importa; eu preciso tomar um banho e me arrumar – Ela deu de
ombros, empurrando os lençóis para se levantar.
–
Aonde você vai? – questionou com um leve temor em sua voz, logo sendo
substituído por alívio ao ouvir a resposta da jovem.
–
Vou almoçar com o Ian, ele me enviou uma mensagem dizendo que chegou de Hong
Kong essa manhã.
E
sem ao menos notar o traço indiferente no rosto de linhas suaves da filha e
formando um sorriso nos próprios lábios, Natalie se sentiu satisfeita – sem
saber que, ao fechar a porta do banheiro, Scarlett se entregou ao choro que
estava preso em sua garganta provavelmente desde o dia em que nasceu.
Era
pouco mais de uma da tarde quando ela adentrou o restaurante do Getty Center. As inúmeras mesas de
forros caros e brancos espalhadas pelo imenso salão estavam cheias, com pessoas
conversando e sorrindo em meio a assuntos civilizados da alta sociedade.
Grandes janelas de vidro rodeavam todo o ambiente, possibilitando uma belíssima
vista de Los Angeles naquela tarde de sábado, com uma decoração clara em
nuances de branco, creme e dourado, que apenas reluzia a luz do dia. Delicadas
rosas cor de salmão e tulipas roxas decoravam lindamente as mesas, enquanto
alguma bossa nova flutuava na voz de Tom Jobim, baixinho nos alto-falantes.
Sentando-se
à mesa e pedindo uma taça de vinho tinto, a herdeira tentou decifrar o que
teria de tão interessante ali para trazer tantas pessoas influentes da cidade –
obviamente não era a comida excelente ou o arsenal cultural que possuía. Era
uma questão simples de ver e ser visto. Ela estava em seu vestido azul claro da
Chanel, sua sandália Gucci e uma bolsa da Marc Jacobs. Grifes, grifes e mais
grifes.
Ela
poderia reconhecer Melissa do outro lado do salão exibindo seu anel de
incontáveis quilates que havia ganhado de seu noivo na semana anterior e ainda
não havia se cansado de exibi-lo. Ela poderia ver também Lauren desfilando em
um Loubotin com seu novo namorado podre
de rico que frequentava o SoHo todos
os finais de semana só porque possuía o nome em uma produção ou outra de
Hollywood. Ela poderia ver Avery, duas mesas à frente, sorrindo em um flerte
infrutífero com o filho desse mesmo novo namorado podre de rico de Lauren. E
até mesmo Simon e Jake circulavam por ali, imaginando qual patricinha de
Beverly Hills eles iriam abocanhar naquela semana para chupar seus paus duros
enquanto suas namoradas gozam com algum empresário fodido.
De
fato, apenas uma questão básica de ver e ser visto.
Era
nojento.
Antes
que a morena pudesse revirar os olhos para tudo aquilo, ela sentiu um beijinho
suave em seu pescoço.
–
Oi, amor – Ian murmurou em seu ouvido, sorrindo ao beijar suavemente os lábios
da jovem e se acomodar na cadeira a sua frente. – Eu tive que assinar uns
papéis de última hora na empresa. Está me esperando há muito tempo?
–
Não, acabei de chegar – Ela sorriu, bebericando seu vinho ao vê-lo pedir o
mesmo ao garçom. – E, então, como foi a viagem?
–
Foi satisfatória! Dessa vez conseguimos sair com uma boa margem de lucro com os
chineses – respondeu com um sorriso, entrelaçando seus dedos aos da jovem por
cima da mesa.
Ele
estava lindo como sempre em seu terno cinza de corte perfeito, delineando seus
ombros largos e o corpo definido; a gravata vermelha em um contraste perfeito.
Seu rosto estava suave e harmonioso, os traços bonitos e sutis de nariz fino e
reto, lábios levemente cheios em um sorriso largo e branco. Os olhos
castanho-claros e felizes evidenciando o sutil bronzeado de sua pele macia, os
cabelos da mesma cor de suas íris brigando em uma leve rebeldia como qualquer
jovem de 26 anos de idade.
–
E você? O que aprontou esse final de semana? – ele brincou com uma expressão
divertida, fazendo-a rolar os olhos para disfarçar o leve nervosismo que a
tomou.
–
Nada demais, apenas um passeio em Santa Monica e uma ida à biblioteca.
–
Que bom – Sorriu, sorvendo um gole de seu vinho e aproveitando para pegar o
cardápio e já fazerem os pedidos da entrada. – Uma salada de morangos como
sempre, querida?
–
Claro, está ótimo – respondeu com leveza, absorvendo a pontada de ansiedade e
frustração junto do restante do álcool em sua taça.
Quando
o garçom se retirou com os pedidos, Ian olhou suavemente para sua garota,
colocando uma mecha longa e escura atrás de sua orelha.
–
Eu senti sua falta essa semana – ele murmurou com um sorriso e a herdeira
suspirou com a sensação de aconchego que a preencheu, fechando os olhos com os
dedos dele contra o seu rosto.
–
Sentiu?
–
Muita – Assentiu, descendo seus dedos para o pescoço alvo e macio. – Fiquei
imaginando nós dois naquela cidade enorme, conhecendo cada lugar juntos.
–
Tem muitos museus por lá? – inquiriu divertida, entrelaçando sua mão à do
namorado enquanto olhava seus olhos brilhantes.
–
Acho que sim, eu só tive tempo de visitar o Museu de Arte – Franziu o cenho ao
tentar se lembrar, logo sorrindo para sua menina. – Você iria amá-lo, assim
como iria adorar os shoppings e os
restaurantes. Extremamente caros e elegantes, um requinte magnífico!
–
E as pessoas de lá são muito acolhedoras? – ela tentou esboçar um sorriso,
querendo saber mais do que apenas coisas luxuosas que eles poderiam
experimentar em Hong Kong.
–
Não notei realmente, mas a região oferece ótimas oportunidades pro meu negócio
de softwares avançados, então os
empreendedores são sempre muito promissores. – O homem deu de ombros ao sorrir
desatento. – A cidade tem o nosso nível, amor. Vou levá-la até lá da próxima
vez!
–
Será ótimo – Fingiu uma expressão de agrado que o empresário não percebeu,
sorrindo de volta e beijando os delicados ossos de sua mão.
–
Senhores, o pedido de vocês. – O
garçom se aproximou, educado em sua roupa social e engomada, e servindo ao
casal que sorriu.
E
eles ficaram ali em um típico almoço de sábado. Sorriram um para o outro,
conversaram sobre seus pais, os negócios de Ian e o curso de Scarlett. Tiveram
que parar a refeição no meio para cumprimentar quatro ou cinco pessoas –
marcarem uma partida de golfe que nunca aconteceria com um deputado, fingir que
assistiram ao novo filme de uma amiga atriz, dizer que marcariam uma festa no
iate com uns amigos ao irem a Saint-Tropez no próximo verão, ouvir os novos
boatos de que o filho de um renomado executivo havia engravidado uma prostituta
de Nova York e que um amigo empresário da Wall
Street havia falido após uma aplicação equivocada na bolsa de valores.
E
daí? Scarlett não queria saber nada daquilo. Por que ela iria jogar golfe com
um deputado filho da mãe que não fez nem um quarto do que havia prometido em
sua última campanha eleitoral? Por que ela iria assistir a um filme ridículo de
um cachorro falante que uma garota, que só falava mal dela pelas costas, havia
feito? Por que ela iria querer fazer uma festa no iate de seu namorado para um bando
de jovens que só sabiam gastar o dinheirinho do querido papai? Por que diabos
ela iria querer saber que um cara que ela mal conhecia havia engravidado Kate
Moss, Julia Roberts ou qualquer outra mulher? Ou por que ela iria querer saber
que um empresário que ela vira uma ou duas vezes havia falido?
Pelo
amor de Deus, saber ou não de qualquer uma daquelas fofocas não iria mudar sua
vida ou encontrar a cura do câncer!
A
cabeça da jovem herdeira estava dando nós com toda aquela encenação. E só
haviam se passado vinte anos naquela peça de teatro. Como ela faria para
aguentar mais vinte, trinta, quarenta anos? Aquele era um meio tão falso, tão
manipulador, tão cruel. Um dia todos beijavam os seus pés, no outro já te
apunhalavam com uma adaga de prata pelas costas.
Futilidade
era o lema daquelas pessoas, quiçá o lema dela mesma.
A
noite anterior havia sido tão sincera, honesta, repleta das mais honradas
insanidades que sua mente ou seu corpo haviam presenciado e que, perto daquela
piscina rasa da alta sociedade, parecia como a lâmpada mágica do Aladdin.
Scarlett não queria mais ficar sã e salva na superfície, ela queria pisar no
fundo da piscina e sentir o que havia ali que faz as pessoas afundarem.
Se
você se mantém emergido, você não faz ideia do que pode haver lá no fundo. Mas
se você está submerso, você tem a absoluta certeza do que há ali e pode
escolher continuar ou então retornar ao plano raso.
Sinceramente,
Scarlett Hathaway preferiria morrer afogada procurando pelas águas profundas do
que estar numa vida limitada pela superfície.
Ela
gostaria de estar com Andrew Barnes naquele momento. Ela gostaria de sentir o
corpo másculo e quente contra o seu, de descobrir cada coisa que havia por trás
dos olhos do britânico e implorar para ele lhe mostrar toda a beleza
expressionista de seu mundo. Ela já tinha o suficiente de superficialidade, de
impressionismo – de belas pinturas de Monet e bossa nova. Chega de cultura para
a alta sociedade, feita pela elite para a elite. Chega de belas imagens que
escondiam a melancolia, chega de Wave
tocando nos alto-falantes daquele restaurante.
Era
uma arte linda, de fato. Mas não era o bastante para Scarlett. Não mais.
–
Vejo você amanhã à noite? – Ian sussurrou em seu ouvido, depositando um suave
beijo na pele de seu pescoço ao acariciar os cabelos escuros.
–
Tem certeza que não vai poder me buscar? – ela perguntou, fitando os olhos
castanhos que se sentiram brevemente culpados.
–
Eu sinto muito, querida, mas eu ainda tenho que terminar uns contratos na
empresa hoje e amanhã à tarde – Beijou seus lábios, sussurrando contra eles. –
Mas leve o Sr. e a Sra. Hathaway para o jantar, meus pais vão adorar.
–
Tudo bem – A morena assentiu enquanto eles estavam parados no lado de fora do
restaurante, encostados em seu Jaguar.
–
Até amanhã, amor – ele murmurou com um lindo sorriso ao colar seus lábios
novamente. Ela retribuiu o longo beijo, sentindo a língua do jovem acariciando
deliciosamente a sua.
Uma sensação
dúbia atravessava seu peito e sua mente – ela gostava do jovem, ela não queria
magoá-lo ao parecer distante, mas também não queria magoá-lo demonstrando uma
proximidade que não era tão real quanto parecia. E acabou desvencilhando seus
lábios dele cedo demais, esboçando um pequeno e confuso sorriso que o fez
franzir o cenho por dois segundos, logo deixando de lado para sorrir outra vez.
–
Até, Ian!
E
ao abrir a porta de seu carro vermelho e reluzente, a herdeira logo girou a
chave na ignição, movimentando os dedos em um delicado aceno antes de pisar no
acelerador de volta para casa. Seus pensamentos estavam tão agitados e
indecisos, sempre protelando, com medo de tomar um passo brusco e acabar caindo
no meio do caminho. Eram tão poucas as vezes que a garota se sentia bem em seu
mundo – mas ela sempre se sentia bem com Ian, pelo menos até aquele momento.
E, então, ela
se lembrava da noite anterior e dos poucos instantes que levou para logo se
sentir viva e completa. Andrew e Anya foram os primeiros a fazê-la se sentir
rapidamente em casa em uma dimensão tão densa e perigosa, e foram os primeiros
a tentá-la a ficar exatamente ali.
Assim que
parou o Jaguar na garagem e viu a coleção completa de carros italianos de seu
pai ali, Scarlett percebeu que ele com certeza estaria em casa. Honestamente,
ela não queria arranjar uma discussão ao ouvir os sermões de Christian sobre
ela ter passado a noite fora sem dar sinal de vida e fuckbla. Ele falaria e ela retrucaria – o que iniciaria uma
possível guerra civil.
A herdeira
simplesmente suspirou, pegando seu maço de Marlboro
Lights e acendendo o primeiro cigarro antes de fechar a porta do carro com
seus quadris. E ela sorriu ao tragar e sentir o tabaco enaltecê-la na fumaça
branca e calmante, saindo a passos lentos e suaves nos saltos de seus peep-toes de finas e elaboradas
correntes douradas em volta do tecido preto de camurça – ao melhor estilo fashion goddess da Gucci.
O vestido azul
claro de botões se movimentou levemente com a brisa – o grosso cinto marrom
escuro em sua cintura dando-lhe um ar delicado e harmonioso – quando a jovem
atravessou o imenso portão prateado da mansão Hathaway, avistando a rua de Bel
Air estreita e de mão única, sem calçadas e asfalto perfeito como todas as
outras. Inúmeras árvores cobriam a vista para o interior dos jardins luxuosos
de muros vivos das mansões ao longo de todo o bairro, que mais parecia um condomínio,
da classe alta de LA.
Enquanto
caminhava por ali, entre tragadas de cigarro e o céu nublado do final da tarde,
Scarlett pôde ouvir o som crescente dos motores de alguma motocicleta. E então,
viu Andrew vindo na direção oposta à dela.
O britânico
não fazia ideia do por que estava ali – apesar de sua mente insistir que ele
apenas precisava ter mais uma visão da morena que o deixou completamente
hipnotizado. Ele queria apenas vê-la, nem que fosse de longe, através das
grades dos portões de Bel Air, mas, quando percebeu, já havia pegado sua Harley-Davidson e apertava o botão para
entrar no glamuroso bairro. Foda-se se ali só tivesse celebridades esnobes,
produtores metidos, executivos empertigados ou políticos mesquinhos, Andrew
apenas precisava se sentir no mesmo lugar que Scarlett mais uma vez.
E após rodar
as ruas estreitas e bem cuidadas, ele se viu na Bellagio Road, pronto para pegar o portão leste e enfim deixar essa
obsessão instantânea sair de seus pensamentos, ao voltar para o centro da
cidade. Contudo, a visão da linda garota apareceu – distraída ao caminhar pelo
asfalto. O Marlboro entre os dedos
finos de longas unhas vermelhas, as pernas esbeltas pelo salto alto e o corpo
graciosamente moldado entre o vestido. Ela não parecia a menina que conhecera
na noite anterior, e sim uma mulher que faria qualquer homem estar aos seus pés
– embora ele não pudesse negar que, de
qualquer forma, qualquer homem sempre estaria aos seus pés.
E ela arregalou
os olhos maquiados assim que o viu, surpresa e deliciada pelos traços perigosos
e de sorriso leve e sedutor do inglês. Ele estava lindo como sempre em seus
jeans, camiseta branca, jaqueta de couro, cabelos desalinhados e olhar tentador
como quem dizia “aproxime se tiver coragem”.
Scarlett não
hesitou ao dar os últimos passos que o deixou a sua frente, assim que ele
desligou a moto.
– O que diabos
você está fazendo aqui? – ela perguntou com um sorriso, confusa e completamente
maravilhada.
Ele sorriu daquele
jeito que somente James Dean sorriria, encarando-a deliciosamente antes de ser
direto em sua resposta.
– Eu não
consegui parar de pensar em você, Scar.
A californiana
não sabia se era a voz suavemente rouca, o olhar profundo ou o jeito sincero
que ele disse aquelas palavras, mas ela sentiu os pelos de seu corpo se
eriçarem ao ouvi-las.
– Me leva com
você? – murmurou ao morder o lábio inferior, precisando de ar, precisando de
vida, precisando de liberdade.
– O quê? –
Franziu as sobrancelhas em um tom surpreso, vendo-a se aproximar ainda mais e
olhá-lo com certeza.
– Me leve com
você esta noite, pra qualquer lugar.
– Eu levo –
Ele sorriu outra vez, fazendo a garota esboçar seu sorriso de menina e enlaçar
o pescoço do britânico, que deslizou as mãos em sua cintura antes de sentir os
lábios quentes beijando-o com avidez.
Andrew
retribuiu com o mesmo fogo e a mesma sensação vibrante em seu peito,
entrelaçando seus dedos entre os longos fios castanho da morena que puxava seus
cabelos rebeldes de volta, sentindo suas línguas se tocarem e se acariciarem no
gostinho delicioso que os envolveu. Ela suspirou quando precisaram afastar suas
bocas para respirar; ofegantes e proibidos ao se olharem daquela maneira quente
que parecia dominar os dois sempre que se viam.
E ela sorriu
matreira e divertida quando subiu na garupa da moto e enroscou suas coxas entre
os quadris do homem, apertando o abdômen firme por baixo da jaqueta no instante
que ele acelerou e riu suavemente, avançando para as estradas de Los Angeles.
O vento
acariciando seus cabelos, o som rouco da Harley,
o corpo quente do inglês. Scarlett não precisava de mais nada. Era como se a
guerra em sua mente se transformasse em ruínas distantes de dias difíceis, era
como se nunca tivesse existido. Seus olhos se fechavam e sua cabeça se
movimentava calmamente contra a brisa, contra a sensação absolutamente
delirante de finalmente ter saído de sua gaiola.
Eles apenas
dirigiram, apenas sentiram a liberdade das ruas e da estrada aberta camuflando
seus medos, seus receios, todos os seus traumas e cada um de seus demônios.
Andrew sentiu uma fagulha preenchê-lo como há anos não sentia, como há anos nem
mesmo se lembrava. Scarlett viu o mundo por outros olhos.
Quantas vezes
ela já não havia dirigido sozinha em seu carro pelas mesmas estradas, pelas
mesmas avenidas e rodovias? Melrose
parecia tão mais viva, Rodeo Drive
parecia tão maior do que realmente era, a Sunset
Boulevard parecia mais bela e cheia de cores e maravilhas, e Hollywood & Vine... Ah, Hollywood &
Vine estava ainda mais poética e hipnotizantemente encantadora!
Era como se a
jovem sempre tivesse enxergado tudo da maneira errada, como se fosse cega.
Agora ela poderia admirar cada milímetro dos encantos de sua doce Califórnia.
– Está a fim de
um pouco de diversão? – Andrew perguntou por cima do barulho do motor e do
vento que corria contra eles, virando a cabeça suavemente na direção da garota.
– Você está
mesmo me perguntando isso? – ela retrucou com uma risada divertida, fazendo-o
gargalhar ao perceber sua pergunta retórica. E, então, ele acelerou através da
longa e lendária Rota 66.
O céu já havia
escurecido quando eles chegaram a um posto de gasolina que estava praticamente
vazio e quase fantasmagórico, com apenas um caminhão e um SUV abastecendo por
baixo das luzes brancas e fluorescentes das lâmpadas, e um ou dois pares de
pessoas na loja de conveniência. Scarlett desceu da motocicleta assim que eles
pararam para o britânico encher o tanque, olhando ao redor e percebendo que a
noite havia deixado a estrada aberta levemente sombria e obscura, como se
seguir por aquelas direções fosse um caminho sem volta ou um precipício tão
alto que você nem conseguia enxergar o que havia lá em baixo.
– Acho que
está virando rotina eu te salvar de um dia entediante – Andrew sorriu ao
colocar a mangueira de volta na bomba de combustível, ganhando a atenção da
morena que soltou uma risadinha.
– E, então,
pra que tipo de diversão o herói vai me levar? – questionou com uma pitadinha
de humor negro na voz, o que fez o homem se sentir ainda mais atiçado e
divertido na presença daquela recente estranha.
– Na verdade,
a diversão é que está vindo pra cá! – ele brincou, logo ouvindo os motores
potentes em duas rodas se aproximando em um timing
perfeito da estação de gás.
E em questão
de segundos, cinco Harleys pretas
preenchiam as vagas dos abastecedores e se amontoavam ali, os amigos do inglês
entre conversas e risadas altas em suas calças jeans, jaquetas, coletes e toucas de couro, exceto pelas garotas em
seus shorts, croppeds franjados ou camisetas de ombros caídos da Budweiser.
Andrew ria
quando puxou a morena distraidamente pela cintura, encaixando-a deliciosamente
ao seu lado.
– Foi mal a
demora, Barnes, mas as garotas resolveram aprontar algumas pelo meio do caminho
– Matt disse maliciosamente enquanto riam, aproximando-se do rapaz em um
cumprimento masculino.
– Que surpresa
– respondeu irônico, arrancando gargalhadas das meninas ao passo que ele puxava
sua morena para conhecer a galera.
– Quem é a
gata? – Brady deu uma piscadela pra ela, que riu divertida.
– Essa é a
Scar, nossa nova companhia – Sorriu, apontando para os amigos em seguida. – E,
Scar, esses são Brady, Katherine, Sam e Jack; os outros quatro, você já
conhece.
Katherine e
Nicholas supostamente eram um casal, com seus abraços de mãos bobas e olhares
cheios de segundas intenções. Ela tinha uma beleza exótica e exuberante com
suas longas e onduladas madeixas de um ruivo alaranjado e grandes olhos azuis
na pele alva de pequenas sardas – apenas dois ou três centímetros mais baixa
que o louro de pele dourada, cabelos curtos e olhos verde azulados pequeninos
pelo bonito sorriso de dentes brancos e uma barba por fazer.
Sam tinha a
pele amorenada e definida, traços fortes de nativo americano e mechas curtas
num castanho escuro, ao passo que Jack possuía o mesmo porte alto e forte de
Matt, pele de um suave bronzeado nas linhas bem definidas de seu rosto másculo
com pequenos olhos e cabelos num mesmo tom claro de castanho.
A herdeira
acenou com um sorriso, sendo bem recebida – principalmente ao cumprimentar
Matt, Rose, Demetri e Anya, que logo tratou de inteirá-la ao grupo.
– Ah, gata,
você e o garotão aqui deviam ter ficado até mais tarde ontem – A morena de
olhos sedutores sorriu com seu fiel cigarro entre os dedos, oferecendo-o à
garota.
– Anya, o que
você andou aprontando? – O londrino perguntou com diversão, parcialmente
enfeitiçado pelo jeito tentador que Scarlett tragava o tabaco.
– Nada demais,
mas vocês podiam ter ficado pra uma festinha a três... – Ela esboçou aquele sorriso
perigoso que era praticamente sua marca registrada, fazendo os amigos rirem e a
Hathaway arquear uma de suas delineadas sobrancelhas como quem havia adorado a
novidade. E ela mordeu os lábios deliciosamente com a ideia.
E eles ficaram
por ali, apenas conversando como velhos amigos por alguns punhados de minutos.
Todos insanos, chapados, sorridentes e perigosos. Todos livres. Eles não tinham
medo – apenas uma obsessão pela vida que deixaria qualquer pessoa intrigada da
cabeça aos pés, pensando se eles eram propositalmente loucos ou loucamente
propositais. Era um enigma que ninguém precisava questionar.
Scarlett
entregou o cigarro delicadamente aos lábios finos e macios de Andrew, sorrindo
quando ele soprou a fumaça contra sua boca entreaberta e a capturou em um beijo
calmo e quente. O sabor de quatro de julho continuamente ali, mostrando que a
independência sempre começava com um ato de rebeldia.
E entre uma
risada e outra, as garotas chamaram a jovem para irem comprar algumas bebidas e
cigarros na loja de conveniência. Só havia as quatro ali, além do atendente
velho e com cara de poucos amigos que lia desinteressado a algum jornal,
ouvindo um som baixo da rádio local que tocava These Boots Are Made For Walking, da Nancy Sinatra.
– Ui, olha
isso! – Rosalie ergueu uma revista feminina de uma das prateleiras, mostrando
uma matéria de capa sobre relacionamentos quentes e BDSM, o que arrancou
risadinhas das mulheres.
– Apelando pro
sadomasoquismo agora, loura? – Katherine inquiriu com um sorriso ao mexer sugestivamente
as sobrancelhas.
– Matt já é
intenso o suficiente, por favor! – respondeu, abanando o rosto e fazendo as
três rirem outra vez.
– Brady
então... Nem preciso falar muito! – A ruiva murmurou maliciosamente antes de
desviar seu olhar para a herdeira. – Já o Andrew, eu tenho certeza que deve ser
quente!
Ela arregalou
os olhos por dois segundos, logo soltando uma risada e olhando para as jovens,
cheia de segundas e terceiras intenções.
– Quando
provar, eu falo como é! – ela brincou com um sorriso, sendo seguida pela
gargalhada alta das meninas à medida que caminhavam por um dos corredores
calmos e pequenos da lojinha, a forte luz fluorescente lampejando ao redor.
Até que Scar
notou Katherine lançar um rápido olhar por cima das gôndolas e se certificar que
o homem continuava no mesmo lugar para, então, pegar uma garrafa de Johnnie Walker e deslocá-la suavemente
para dentro de sua bolsa.
A garota
conteve sua expressão surpresa, abaixando a cabeça para olhar Rose e ver que
ela passava a mão em alguns biscoitos e colocava dentro da jaqueta.
– Gata... –
Anya sussurrou para ela com um sorrisinho, apontando com a cabeça para alguns
doces na prateleira de trás, enquanto escondia dois maços de Marlboro Reds nos bolsos de seu short jeans.
E a menina
sorriu ao morder levemente o lábio inferior, agachando-se para pegar algumas
balinhas e as pôr disfarçadamente dentro do vestido, não resistindo ao abrir um
pirulito e colocá-lo em sua boca para sugar o gostinho doce do açúcar. No
entanto, o barulhinho alto do “pop” ao tirar o doce de seus lábios fez o
atendente velho e barbudo olhar na direção das garotas e ver que coisa boa elas
não estariam fazendo.
– Hey, o que estão fazendo aí? – ralhou
com sua voz grossa e rouca, arrancando um olhar assustado e de adrenalina das
garotas que riram antes de correrem em direção à porta de vidro. – Devolvam
isso, suas vadias!
A herdeira
tentou conter o riso com o pirulito em seus lábios, sendo arrastada por Anya
enquanto corriam a passos largos até os rapazes que conversavam e riam despojados
e distraídos nas motos.
– Vamos,
vamos, vamos! – Rosalie gritou ao montar na garupa do veículo, seguida pelas
meninas.
Eles as
encararam confusos e assustados, mas ao verem o homem correr para fora do
estabelecimento em busca das mulheres, rapidamente tomaram a direção de suas
motocicletas – com Andrew puxando a morena rapidamente para si – e saindo em
disparada enquanto aceleravam a milhas por hora na estrada aberta da
Califórnia.
O vento frio
ricocheteava o rosto e os cabelos dos amigos inconsequentes, a risada alta das
garotas e a expressão divertida dos garotos sendo as companhias da noite escura
e cheia de estrelas no céu. Scarlett se sentia verdadeiramente livre, como se o
destino, os universos e o mundo pertencessem apenas a ela. Além de livre, era
libertador.
A californiana
tirou uma de suas mãos da cintura do jovem para o delicioso pirulito de morango
em seus lábios, chupando-o rapidamente antes de deslizar seu rosto de maneira
suave para frente e sorrir ao colocá-lo na boca do britânico. Ela pôde ver o
sorriso formando no rosto másculo quando ele retirou a mão esquerda do guidão
da moto para puxar o doce dos lábios e murmurar para a garota:
– Você é
louca.
– O quê? – ela
gritou por cima do alto ruído do motor contra a ventania da corrida, aproximando-se
ainda mais do homem.
– Você é
completamente louca! – falou num tom elevado e uma risada na garganta, ouvindo
a gargalhada pura e límpida atrás de seu corpo. – E eu adoro isso!
Como resposta,
a morena apenas apertou ainda mais o dorso do britânico contra o seu peito,
mordendo a pele de seu pescoço e arrancando um riso dele no instante que ela
roubou o pirulito dos lábios finos para colocar em sua própria língua outra
vez.
Assim que
chegaram a Hermosa Beach, Katherine e
Rose saíram puxando Brady e Matt ao correrem pela areia da praia deserta,
enquanto Anya pulava nas costas de Jack, e Sam e Demetri conversavam e riam de
alguma coisa.
A herdeira
sentiu o inglês puxá-la levemente para si, escorando em sua moto de frente à
orla. Ela encarou os olhos azuis e brilhantes ao acariciar os cabelos claros.
– Obrigada,
Andrew – sussurrou, encostando seus narizes e deixando-o se afogar no olhar
verde e intenso da garota.
– Pelo quê? –
perguntou confuso, deslizando seus dedos involuntariamente pelas coxas alvas.
– Por me dar
tudo isso.
Ele não
precisou perguntar a que ela se referia; ambos já sabiam. Tudo o que a jovem
precisava era do mundo a seus pés – não o mundo em migalhas que sua classe a
oferecia em uma bandeja de ouro, e sim um mundo que não tinha ninguém para lhe
servir, mas que poderia oferecer de tudo.
Andrew a
beijou lentamente, apreciando cada textura e pressão dos lábios e da língua
quente da americana que puxava os fios de seus cabelos e fundia o corpo ao seu.
E os dois sorriram quando ouviram os amigos gritarem e rirem ao acenderem uma
fogueira alta e abrirem a garrafa de uísque.
Scarlett tirou
seus saltos, jogando-os num canto qualquer ao se sentar entre o britânico e
Anya, rindo e dividindo o gargalo do Johnnie
Walker roubado à medida que ouviam as histórias de Brady fugindo da polícia
de Nova York, quando morava em Coney Island. Ele e Katherine provavelmente
teriam um ar que exalava tanto perigo quanto Anya e Demetri, cheios de
mistérios e com seus jeitos desligados quando fumavam a maconha trazida por Sam.
Jack, Rose e Matt, no entanto, eram mais desencanados – e quase lembravam o
tipo “fugitivo” da herdeira que só queria escapar da realidade e encontrar um
verdadeiro lar onde pudesse descansar sua cabeça.
Logo, Rosalie,
Jack e Demetri pegaram as Harleys e
começaram a dirigir pela areia feito loucos, com suas gargalhadas escandalosas
que faziam todos se divertirem, enquanto Katherine corria e desenhava palavras
no ar com um sparkler. O bastão de
faíscas, formando corações e letras dos Beatles, deixava tudo com uma atmosfera
encantadora e totalmente hipnotizante que, combinada à fogueira imensa e à
nuvem branca dos cigarros de marijuana,
parecia um sonho da Alice em seu País das Maravilhas.
E Scarlett e Andrew
riram empolgados quando um Demetri chapado caiu da motocicleta em câmera lenta,
rindo ao se estirar no chão e arrancando gargalhadas dos amigos quando saiu
correndo com seu cocar de nativo-americano encontrado por ali, aproximando-se
do casal e colocando-o na cabeça da herdeira com algum sinal de reverência que
fez todos se divertirem.
– À nossa mais
nova companheira! – falou animado, mas com uma voz levemente arrastada que
arrancou ainda mais risadas dos parceiros.
Ela riu ao
entregar seu baseado para o britânico e ajeitar o cocar grande e em tons
brancos e azuis.
– É uma honra,
senhores! – respondeu maravilhada e talvez levemente aérea.
Uma salva de
palmas e assovios dos amigos insanos e completamente entregues a mais
enlouquecedora das liberdades, fez a garota se sentir como se tivesse encontrado o lar para descansar sua
cabeça.
– Adivinhem o
que chegou pra mim hoje, galera! – Sam murmurou malicioso com algo em mãos e,
em seguida, jogou pequenas pedrinhas de cocaína para os amigos.
– Caralho,
Sam, como eu te amo! – Anya gritou com um sorriso largo no rosto de traços
belos e delicados, ouvindo a risada dos outros, assim como Scar, que – apesar
de ter sido uma surpresa para ela – não poderia estar mais interessada e
perigosamente curiosa.
– São novinhas
e estão puras, vocês vão amar!
Anya e Demetri
logo dividiram uma pedra, ao quebrá-la com algum cartão de crédito idiota e
enrolar um pequeno papel para dar a primeira aspirada, assim como Brady, Matt e
Sam, que jogou outro pedaço para Andrew e sua garota.
A morena nem
deu tempo de ele questionar se realmente queria fazer aquilo com ela ali, mas
logo viu a jovem logo sorrindo misteriosamente para ele antes de pegar o
pacotinho transparente e retirar a pedra de lá.
No entanto,
ela hesitou por dois segundos, sem saber o que fazer ou como fazer.
– Scarlett...
– O homem tentou pronunciar, confuso, intrigado e totalmente à mercê daquela
mulher que o virava de ponta-cabeça.
– Venha me
ajudar, Andrew – ela esboçou um sorriso lento para ele que, anestesiado por
aqueles olhos grandes e verdes, sorriu de volta para a californiana e apoiou a
pedra branca no plano da garrafa de uísque quase vazia.
Ele pegou o
cartão prateado que agora passava pela mão de Matt, e quebrou a cocaína até
virar pequenos grãos de pó, formando alguns pares de fileiras brancas e opacas.
Sem precisar pensar em pegar algum papel, Scarlett retirou uma nota de
cinquenta dólares de dentro do sutiã escuro, retribuindo o sorriso malicioso e
divertido que o britânico lhe lançou.
E ao enrolar a
nota de dinheiro e formar um pequeno canudo, Andrew deslocou-o para seu nariz,
aspirando uma carreira completa e sentindo sua cabeça rodar e parecer
amortecida por longos segundos. Ele apenas sorriu preguiçosamente para a
herdeira, que, curiosa, pegou a nota enrolada e a colocou por cima da segunda
fila do pó da cocaína, sugando com sua narina esquerda metade do conteúdo ali,
podendo sentir suas cartilagens arderem enquanto sua mente entrava em um estado
mórbido de prazer e embriaguez que a deixou tanto assustada quanto
irremediavelmente maravilhada.
Seus pensamentos
formavam pequenas nuvens nebulosas e adoravelmente coloridas em meio à sensação
de poder e força que jamais a havia possuído de maneira tão intensa. Ela quase
podia sentir seu peito pulsando com cada uma das batidas rápidas e erráticas de
seu coração, seus músculos vibrando por debaixo da pele que parecia ter a
vivacidade de mil deusas nórdicas.
Era como se
ela fosse invencível.
Tudo era
maior, mais forte, mais vivo, mais intenso. Eram risadas e gargalhadas altas
que logo se misturavam a mais aspiradas e mais pensamentos e visões e sons que
iam da mais feroz lucidez a mais inapta alucinação.
Andrew tinha
um sorriso fácil no rosto – seus olhos leves e escuros de pupilas dilatadas –
quando olhou para a jovem, talvez um pouco mais sóbrio que os miligramas de pó
que havia ingerido outra vez, minutos atrás. Ele viu um pequeno rastro branco
nas suaves maçãs do rosto da garota, que o encarou de volta, sorrindo distraída
e alta.
O inglês
soltou um riso baixo e deliciado, deslizando a ponta de seu polegar em sua pele
alva e macia ao retirar os resquícios brancos do pó. E, então, escorregou seus
dedos até os lábios cheios e avermelhados que se abriram instantaneamente e
sugaram a cocaína no dedo do homem.
Ele sentiu seu
membro latejar contra a calça jeans.
A língua
quente da morena rodeou lentamente o polegar do britânico, prendendo-o em uma
leve sucção que quase o fez gemer vergonhosamente sem ao menos estarem nus. E
sem dar brechas para qualquer coisa, Scarlett colou sua boca à do misterioso
Barnes, sugando sua língua, seus lábios e depois os mordiscando – sentindo a
ereção do jovem pressionado contra sua intimidade coberta apenas pelo curto
vestido e a calcinha de renda, assim que ela sentou em seu colo.
As mãos do
londrino apertaram o rosto da garota contra o seu, puxando-a e apertando-a
contra si, sentindo-a em cada lugar, em cada canto, em cada esquina das juntas
furiosas de seu corpo. E enquanto ela puxava e abraçava o pescoço do homem
contra seu torso, os dedos longos e firmes escorregaram maldosamente para as
pernas esbeltas e desnudas contra os seus quadris, adentrando a saia maleável
do vestido como se já tivesse feito aquilo infinitas vezes.
Scar suspirou
em deleite contra os lábios lânguidos presos aos seus, sentindo as grandes e
fortes mãos do britânico massagearem a pele macia de suas coxas, subindo
displicentemente para sua bunda e a prendendo num aperto que fez a jovem soltar
outro suspiro. Merda, ele era tão bom...
– Andrew – ela
sussurrou de olhos fechados, infiltrando a mão direita da gola da camiseta
branca do rapaz, logo abaixo de sua nuca. E pôde ouvir o baixo grunhido que ele
soltou assim que as longas unhas vermelhas arranharam a pele de suas costas,
subindo e descendo a linha de sua coluna num ritmo vertiginosamente
embriagante.
Os olhos azuis
e dilatados a fitaram outra vez, ambos os lábios esboçando sorrisos tencionados
de prazer e insanidade que chegavam ao limiar do paraíso e, em seguida,
retornavam à superfície terrestre.
Os amigos
estavam em suas próprias dimensões, cheirando a baunilha e tomando goles de
licor enquanto se iluminavam com os bastões de faíscas e corridas delirantes de
motocicleta ao longo da areia clara da praia – sentindo a brisa marítima bater
em seus rostos e acalentarem suas almas com cada onda que tocava a orla.
Entretanto,
apesar de toda aquela maravilha de estar em uma terra desconhecida e
completamente atraente, Andrew temeu pela pequena estranha que havia tropeçado
em seu caminho. Seu mundo era obscuro e sem volta, era uma realidade que muitos
temiam e poucos sobreviviam – e ele tinha medo de qual destino a garota que o
encantara teria forças para tomar.
Scarlett, de
fato, havia encontrado seu ninho e não poderia se sentir melhor. Ou, quem sabe,
ela ainda fosse apenas um filhote que não estava pronto para voar sozinho?
Mas ao encarar
Andrew e ver seu olhar exibindo as mais infinitas sensações que iam desde à
preocupação à mais incessante das euforias, ela soube que, talvez, já era hora
de se entregar ao ar livre.
“Estou cansada de sentir como se eu fosse fodidamente louca
Estou cansada de dirigir até eu ver estrelas nos meus olhos
É tudo o que eu tenho pra me manter sã, baby”
Gostaram? Hahahaha'
Por favor, não deixem de comentar e me deixarem sabendo o que estão achando da
história! ;)
Além do mais, quanto
mais comentários, mais rápido sai o próximo capítulo!
Obrigada mais uma vez,
babies!
Toodles honey























