08 fevereiro 2013

DP (Original) - Capítulo 3

Hola! Como prometido, aqui está o novo capítulo de DP!
Queria agradecer muitíssimo ao apoio de cada um de vocês... Os comentários me fazem sorrir que nem uma gayzona, gente! Hahahahaha' 

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Ride

“Eu ouço os pássaros na brisa de verão, eu dirijo rápido
Estou sozinha à meia noite
Tenho tentado arduamente não me meter em confusão
Mas eu tenho uma guerra em minha mente”

            Scarlett fechou os olhos outra vez, resmungando com a luz do sol que cortava as longas cortinas de seu quarto e batia em seu rosto. E, então, ela sentiu o latejar de uma enxaqueca e gemeu, revirando-se na cama.
            Puta. Que. Pariu.
            Ela abriu os olhos rapidamente e sentou-se num salto na king-size.
O que ela havia feito na noite anterior? Ela só poderia estar louca! Completa e inteiramente louca! Andrew Barnes, beijo, bebidas, conversas, maconha, amasso quente e nascer do sol na praia passaram como um flash em sua mente. Ela nunca – nunca – havia agido de forma tão espontânea e inconsequente assim. Mas o pior... Ela havia amado cada segundo.
            Depois de assistirem silenciosamente o dia nascer, o britânico levou Scar de volta ao Old Paul’s – e após um suave beijo nos lábios e uma promessa de que ela ligaria para ele quando quisesse se divertir, a morena partiu em seu Jaguar vermelho rumo a Bel Air. E ela apenas se lembrava de encontrar a mansão calada e quieta naquela manhã, esgueirando-se em seu enorme quarto a fim de algumas boas horas de sono.
            Apesar daquele completo estranho que a enfeitiçou, ela sentia a pequena vibração em seu peito por ter feito algo por conta própria, apenas ela e sua escolha de dizer “sim” a um mundo novo e repleto de descobertas e fascínios – sem hesitações, sem dúvidas, sem influências e extratos bancários de milhares de dólares. Apenas Scarlett.
            A jovem havia experimentado um pequeno pedaço da liberdade, mas qual seria o tempo até o efeito da adrenalina passar e ela precisar de uma nova dose? Ela não fazia ideia.
            O celular vibrando entre os caros lençóis de linho a fez resmungar e tatear a cama a sua procura, vendo uma nova mensagem piscando com o nome de seu namorado.
            – Ian! – ela quase gritou, gemendo em alto e bom som, logo em seguida, ao ver que toda a merda que havia feito era ainda maior. Ela era a porra de uma garota comprometida que saíra aos amassos com um britânico quente na noite anterior! Perfeito.
            O que acontecera com ela, afinal? Ela amava Ian Pierce. Bem, ela parecia sempre esperar mais dele, mas não podia pedir demais quando já possuía tudo. Ela gostava de sentir o corpo grande e quente dele contra a pele macia e de traços pequenos de seu próprio corpo. Ela gostava dos beijos suaves dele, do modo gentil que a língua trilhava seu lábio inferior e da mão firme pousada na base de suas costas sempre que eles precisavam cumprimentar incontáveis pessoas em algum jantar.
            Ela se sentia bem com aquilo. No entanto, agora ela enxergava que jamais se sentira completa.
            Por que sua vida tinha que ser assim? Ela sempre tinha tudo o que pessoas ao redor do mundo desejavam ter, mas ela nunca conseguia as coisas mais fáceis que todos tinham – ela não se sentia feliz, não se sentia plena, não se sentia nem ao menos sincera consigo mesma. Scarlett Hathaway era cheia de um grande e espaçoso vazio.
            Com seu peito frustrado e sua mente bagunçada, ela fungou e engoliu o início de um choro patético, levantando-se da cama e seguindo até o imenso banheiro de sua suíte. As paredes de um branco reconfortante ondulavam os cômodos interligados, com uma arquitetura suave que mesclava contemporaneidade com um ar mediterrâneo. Longas cortinas brancas atravessando as portas francesas que davam para a varanda, uma king-size com mais travesseiros que as cabeças da população da Etiópia, e estantes e mais estantes de livros em meio a uma enorme televisão, uma escrivaninha e tapetes claros cobrindo o reluzente piso.
            Os olhos verdes suavemente marejados rapidamente encontraram as pílulas de Prozac em meio a cremes, remédios para enxaqueca e comprimidos que sempre lhe eram úteis. E ao sentir o antidepressivo descer com a água em sua garganta, a jovem respirou fundo, tentando colocar um sorriso no rosto e sabendo que aquele era apenas mais um dia a ser levado adiante.
            Três batidas na porta a exaltaram enquanto deitava em sua cama.
            – Filha, sou eu! – A voz de Natalie atravessou a madeira clara e elegante, fazendo a garota suspirar ao se acomodar entre os lençóis e murmurar um “pode entrar”.
            – Por favor, mãe, não venha com mais um sermão – falou ao fitar os olhos grandes e azuis que se aproximavam cautelosos. – Eu acabei de acordar.
            A ruiva encarou a filha de um jeito puro e calmo, um jeito maternal que Scarlett não tinha muito contato, mas que sempre a deixava tranquila por dentro. E vendo a filha com um ar adormecido na cama, os cabelos bagunçados e o corpo coberto apenas por uma camisola fina por entre os lençóis, um sentimento leve de alegria preencheu seu peito, sabendo que sua menina estava bem, afinal.
            – Eu fiquei preocupada com você, Scarlett – ela murmurou suavemente, sentando-se na beirada do colchão ao fitar as íris verdes miúdas de sono. – Você saiu nervosa com aquele carro e passou o resto do dia e da madrugada fora!
            – Ah, você notou? – A morena perguntou com um leve tom de escárnio, arrependendo-se de imediato. Ela não queria uma briga logo pela manhã.
            – Você ficou chateada por eu e seu pai termos dito verdades ontem? – retrucou no mesmo tom que a filha, sempre inabalável em sua pose prima-dona. – Você apenas quer chamar nossa atenção, Scarlett! Fazendo um curso que não tem qualquer proximidade com os negócios de seu pai, saindo com aquele carro sem nem dizer onde está indo... Isso quando não inventa de faltar a eventos importantes e sair fumando como uma daquelas mulherzinhas da Sunset Boulevard!
            A expressão surpresa cortou os olhos da menina. E ela se sentou de repente na cama, ignorando a leve tontura que a tomou em meio à dor de cabeça e a expressão igualmente chocada de sua mãe.
            – Scarlett, me desculpe, filha...
            – Está vendo só? – ela sussurrou, encarando os olhos agora baixos da ruiva. – Você diz coisas que me magoa, mãe! Você não mede suas palavras e me machuca. Eu não quero chamar a atenção de ninguém... Eu só quero ser eu mesma, sem ter que fingir ser alguém que eu não sou.
            – Você sabe que não temos espaço pra isso nesse mundo – Natalie tentou explicar, agora calma.
            – Essa não sou eu, mãe. Eu só quero viver a minha vida em paz e parece que ninguém deixa isso acontecer – murmurou suavemente, desviando o olhar quase que de maneira sonhadora.
            – Filha...
            – Mas isso não importa; eu preciso tomar um banho e me arrumar – Ela deu de ombros, empurrando os lençóis para se levantar.
            – Aonde você vai? – questionou com um leve temor em sua voz, logo sendo substituído por alívio ao ouvir a resposta da jovem.
            – Vou almoçar com o Ian, ele me enviou uma mensagem dizendo que chegou de Hong Kong essa manhã.
            E sem ao menos notar o traço indiferente no rosto de linhas suaves da filha e formando um sorriso nos próprios lábios, Natalie se sentiu satisfeita – sem saber que, ao fechar a porta do banheiro, Scarlett se entregou ao choro que estava preso em sua garganta provavelmente desde o dia em que nasceu.
            Era pouco mais de uma da tarde quando ela adentrou o restaurante do Getty Center. As inúmeras mesas de forros caros e brancos espalhadas pelo imenso salão estavam cheias, com pessoas conversando e sorrindo em meio a assuntos civilizados da alta sociedade. Grandes janelas de vidro rodeavam todo o ambiente, possibilitando uma belíssima vista de Los Angeles naquela tarde de sábado, com uma decoração clara em nuances de branco, creme e dourado, que apenas reluzia a luz do dia. Delicadas rosas cor de salmão e tulipas roxas decoravam lindamente as mesas, enquanto alguma bossa nova flutuava na voz de Tom Jobim, baixinho nos alto-falantes.
            Sentando-se à mesa e pedindo uma taça de vinho tinto, a herdeira tentou decifrar o que teria de tão interessante ali para trazer tantas pessoas influentes da cidade – obviamente não era a comida excelente ou o arsenal cultural que possuía. Era uma questão simples de ver e ser visto. Ela estava em seu vestido azul claro da Chanel, sua sandália Gucci e uma bolsa da Marc Jacobs. Grifes, grifes e mais grifes.
            Ela poderia reconhecer Melissa do outro lado do salão exibindo seu anel de incontáveis quilates que havia ganhado de seu noivo na semana anterior e ainda não havia se cansado de exibi-lo. Ela poderia ver também Lauren desfilando em um Loubotin com seu novo namorado podre de rico que frequentava o SoHo todos os finais de semana só porque possuía o nome em uma produção ou outra de Hollywood. Ela poderia ver Avery, duas mesas à frente, sorrindo em um flerte infrutífero com o filho desse mesmo novo namorado podre de rico de Lauren. E até mesmo Simon e Jake circulavam por ali, imaginando qual patricinha de Beverly Hills eles iriam abocanhar naquela semana para chupar seus paus duros enquanto suas namoradas gozam com algum empresário fodido.
            De fato, apenas uma questão básica de ver e ser visto.
            Era nojento.
            Antes que a morena pudesse revirar os olhos para tudo aquilo, ela sentiu um beijinho suave em seu pescoço.
            – Oi, amor – Ian murmurou em seu ouvido, sorrindo ao beijar suavemente os lábios da jovem e se acomodar na cadeira a sua frente. – Eu tive que assinar uns papéis de última hora na empresa. Está me esperando há muito tempo?
            – Não, acabei de chegar – Ela sorriu, bebericando seu vinho ao vê-lo pedir o mesmo ao garçom. – E, então, como foi a viagem?
            – Foi satisfatória! Dessa vez conseguimos sair com uma boa margem de lucro com os chineses – respondeu com um sorriso, entrelaçando seus dedos aos da jovem por cima da mesa.
            Ele estava lindo como sempre em seu terno cinza de corte perfeito, delineando seus ombros largos e o corpo definido; a gravata vermelha em um contraste perfeito. Seu rosto estava suave e harmonioso, os traços bonitos e sutis de nariz fino e reto, lábios levemente cheios em um sorriso largo e branco. Os olhos castanho-claros e felizes evidenciando o sutil bronzeado de sua pele macia, os cabelos da mesma cor de suas íris brigando em uma leve rebeldia como qualquer jovem de 26 anos de idade.
            – E você? O que aprontou esse final de semana? – ele brincou com uma expressão divertida, fazendo-a rolar os olhos para disfarçar o leve nervosismo que a tomou.
            – Nada demais, apenas um passeio em Santa Monica e uma ida à biblioteca.
            – Que bom – Sorriu, sorvendo um gole de seu vinho e aproveitando para pegar o cardápio e já fazerem os pedidos da entrada. – Uma salada de morangos como sempre, querida?
            – Claro, está ótimo – respondeu com leveza, absorvendo a pontada de ansiedade e frustração junto do restante do álcool em sua taça.
            Quando o garçom se retirou com os pedidos, Ian olhou suavemente para sua garota, colocando uma mecha longa e escura atrás de sua orelha.
            – Eu senti sua falta essa semana – ele murmurou com um sorriso e a herdeira suspirou com a sensação de aconchego que a preencheu, fechando os olhos com os dedos dele contra o seu rosto.
            – Sentiu?
            – Muita – Assentiu, descendo seus dedos para o pescoço alvo e macio. – Fiquei imaginando nós dois naquela cidade enorme, conhecendo cada lugar juntos.
            – Tem muitos museus por lá? – inquiriu divertida, entrelaçando sua mão à do namorado enquanto olhava seus olhos brilhantes.
            – Acho que sim, eu só tive tempo de visitar o Museu de Arte – Franziu o cenho ao tentar se lembrar, logo sorrindo para sua menina. – Você iria amá-lo, assim como iria adorar os shoppings e os restaurantes. Extremamente caros e elegantes, um requinte magnífico!
            – E as pessoas de lá são muito acolhedoras? – ela tentou esboçar um sorriso, querendo saber mais do que apenas coisas luxuosas que eles poderiam experimentar em Hong Kong.
            – Não notei realmente, mas a região oferece ótimas oportunidades pro meu negócio de softwares avançados, então os empreendedores são sempre muito promissores. – O homem deu de ombros ao sorrir desatento. – A cidade tem o nosso nível, amor. Vou levá-la até lá da próxima vez!
            – Será ótimo – Fingiu uma expressão de agrado que o empresário não percebeu, sorrindo de volta e beijando os delicados ossos de sua mão.
            – Senhores, o pedido de vocês. – O garçom se aproximou, educado em sua roupa social e engomada, e servindo ao casal que sorriu.
            E eles ficaram ali em um típico almoço de sábado. Sorriram um para o outro, conversaram sobre seus pais, os negócios de Ian e o curso de Scarlett. Tiveram que parar a refeição no meio para cumprimentar quatro ou cinco pessoas – marcarem uma partida de golfe que nunca aconteceria com um deputado, fingir que assistiram ao novo filme de uma amiga atriz, dizer que marcariam uma festa no iate com uns amigos ao irem a Saint-Tropez no próximo verão, ouvir os novos boatos de que o filho de um renomado executivo havia engravidado uma prostituta de Nova York e que um amigo empresário da Wall Street havia falido após uma aplicação equivocada na bolsa de valores.
            E daí? Scarlett não queria saber nada daquilo. Por que ela iria jogar golfe com um deputado filho da mãe que não fez nem um quarto do que havia prometido em sua última campanha eleitoral? Por que ela iria assistir a um filme ridículo de um cachorro falante que uma garota, que só falava mal dela pelas costas, havia feito? Por que ela iria querer fazer uma festa no iate de seu namorado para um bando de jovens que só sabiam gastar o dinheirinho do querido papai? Por que diabos ela iria querer saber que um cara que ela mal conhecia havia engravidado Kate Moss, Julia Roberts ou qualquer outra mulher? Ou por que ela iria querer saber que um empresário que ela vira uma ou duas vezes havia falido?
            Pelo amor de Deus, saber ou não de qualquer uma daquelas fofocas não iria mudar sua vida ou encontrar a cura do câncer!
            A cabeça da jovem herdeira estava dando nós com toda aquela encenação. E só haviam se passado vinte anos naquela peça de teatro. Como ela faria para aguentar mais vinte, trinta, quarenta anos? Aquele era um meio tão falso, tão manipulador, tão cruel. Um dia todos beijavam os seus pés, no outro já te apunhalavam com uma adaga de prata pelas costas.
            Futilidade era o lema daquelas pessoas, quiçá o lema dela mesma.
            A noite anterior havia sido tão sincera, honesta, repleta das mais honradas insanidades que sua mente ou seu corpo haviam presenciado e que, perto daquela piscina rasa da alta sociedade, parecia como a lâmpada mágica do Aladdin. Scarlett não queria mais ficar sã e salva na superfície, ela queria pisar no fundo da piscina e sentir o que havia ali que faz as pessoas afundarem.
            Se você se mantém emergido, você não faz ideia do que pode haver lá no fundo. Mas se você está submerso, você tem a absoluta certeza do que há ali e pode escolher continuar ou então retornar ao plano raso.
            Sinceramente, Scarlett Hathaway preferiria morrer afogada procurando pelas águas profundas do que estar numa vida limitada pela superfície.
            Ela gostaria de estar com Andrew Barnes naquele momento. Ela gostaria de sentir o corpo másculo e quente contra o seu, de descobrir cada coisa que havia por trás dos olhos do britânico e implorar para ele lhe mostrar toda a beleza expressionista de seu mundo. Ela já tinha o suficiente de superficialidade, de impressionismo – de belas pinturas de Monet e bossa nova. Chega de cultura para a alta sociedade, feita pela elite para a elite. Chega de belas imagens que escondiam a melancolia, chega de Wave tocando nos alto-falantes daquele restaurante.
            Era uma arte linda, de fato. Mas não era o bastante para Scarlett. Não mais.
            – Vejo você amanhã à noite? – Ian sussurrou em seu ouvido, depositando um suave beijo na pele de seu pescoço ao acariciar os cabelos escuros.
            – Tem certeza que não vai poder me buscar? – ela perguntou, fitando os olhos castanhos que se sentiram brevemente culpados.
            – Eu sinto muito, querida, mas eu ainda tenho que terminar uns contratos na empresa hoje e amanhã à tarde – Beijou seus lábios, sussurrando contra eles. – Mas leve o Sr. e a Sra. Hathaway para o jantar, meus pais vão adorar.
            – Tudo bem – A morena assentiu enquanto eles estavam parados no lado de fora do restaurante, encostados em seu Jaguar.
            – Até amanhã, amor – ele murmurou com um lindo sorriso ao colar seus lábios novamente. Ela retribuiu o longo beijo, sentindo a língua do jovem acariciando deliciosamente a sua.
Uma sensação dúbia atravessava seu peito e sua mente – ela gostava do jovem, ela não queria magoá-lo ao parecer distante, mas também não queria magoá-lo demonstrando uma proximidade que não era tão real quanto parecia. E acabou desvencilhando seus lábios dele cedo demais, esboçando um pequeno e confuso sorriso que o fez franzir o cenho por dois segundos, logo deixando de lado para sorrir outra vez.
            – Até, Ian!
            E ao abrir a porta de seu carro vermelho e reluzente, a herdeira logo girou a chave na ignição, movimentando os dedos em um delicado aceno antes de pisar no acelerador de volta para casa. Seus pensamentos estavam tão agitados e indecisos, sempre protelando, com medo de tomar um passo brusco e acabar caindo no meio do caminho. Eram tão poucas as vezes que a garota se sentia bem em seu mundo – mas ela sempre se sentia bem com Ian, pelo menos até aquele momento.
E, então, ela se lembrava da noite anterior e dos poucos instantes que levou para logo se sentir viva e completa. Andrew e Anya foram os primeiros a fazê-la se sentir rapidamente em casa em uma dimensão tão densa e perigosa, e foram os primeiros a tentá-la a ficar exatamente ali.
Assim que parou o Jaguar na garagem e viu a coleção completa de carros italianos de seu pai ali, Scarlett percebeu que ele com certeza estaria em casa. Honestamente, ela não queria arranjar uma discussão ao ouvir os sermões de Christian sobre ela ter passado a noite fora sem dar sinal de vida e fuckbla. Ele falaria e ela retrucaria – o que iniciaria uma possível guerra civil.
A herdeira simplesmente suspirou, pegando seu maço de Marlboro Lights e acendendo o primeiro cigarro antes de fechar a porta do carro com seus quadris. E ela sorriu ao tragar e sentir o tabaco enaltecê-la na fumaça branca e calmante, saindo a passos lentos e suaves nos saltos de seus peep-toes de finas e elaboradas correntes douradas em volta do tecido preto de camurça – ao melhor estilo fashion goddess da Gucci.
O vestido azul claro de botões se movimentou levemente com a brisa – o grosso cinto marrom escuro em sua cintura dando-lhe um ar delicado e harmonioso – quando a jovem atravessou o imenso portão prateado da mansão Hathaway, avistando a rua de Bel Air estreita e de mão única, sem calçadas e asfalto perfeito como todas as outras. Inúmeras árvores cobriam a vista para o interior dos jardins luxuosos de muros vivos das mansões ao longo de todo o bairro, que mais parecia um condomínio, da classe alta de LA.
Enquanto caminhava por ali, entre tragadas de cigarro e o céu nublado do final da tarde, Scarlett pôde ouvir o som crescente dos motores de alguma motocicleta. E então, viu Andrew vindo na direção oposta à dela.
O britânico não fazia ideia do por que estava ali – apesar de sua mente insistir que ele apenas precisava ter mais uma visão da morena que o deixou completamente hipnotizado. Ele queria apenas vê-la, nem que fosse de longe, através das grades dos portões de Bel Air, mas, quando percebeu, já havia pegado sua Harley-Davidson e apertava o botão para entrar no glamuroso bairro. Foda-se se ali só tivesse celebridades esnobes, produtores metidos, executivos empertigados ou políticos mesquinhos, Andrew apenas precisava se sentir no mesmo lugar que Scarlett mais uma vez.
E após rodar as ruas estreitas e bem cuidadas, ele se viu na Bellagio Road, pronto para pegar o portão leste e enfim deixar essa obsessão instantânea sair de seus pensamentos, ao voltar para o centro da cidade. Contudo, a visão da linda garota apareceu – distraída ao caminhar pelo asfalto. O Marlboro entre os dedos finos de longas unhas vermelhas, as pernas esbeltas pelo salto alto e o corpo graciosamente moldado entre o vestido. Ela não parecia a menina que conhecera na noite anterior, e sim uma mulher que faria qualquer homem estar aos seus pés – embora ele não pudesse negar que, de qualquer forma, qualquer homem sempre estaria aos seus pés.
E ela arregalou os olhos maquiados assim que o viu, surpresa e deliciada pelos traços perigosos e de sorriso leve e sedutor do inglês. Ele estava lindo como sempre em seus jeans, camiseta branca, jaqueta de couro, cabelos desalinhados e olhar tentador como quem dizia “aproxime se tiver coragem”.
Scarlett não hesitou ao dar os últimos passos que o deixou a sua frente, assim que ele desligou a moto.
– O que diabos você está fazendo aqui? – ela perguntou com um sorriso, confusa e completamente maravilhada.
Ele sorriu daquele jeito que somente James Dean sorriria, encarando-a deliciosamente antes de ser direto em sua resposta.
– Eu não consegui parar de pensar em você, Scar.
A californiana não sabia se era a voz suavemente rouca, o olhar profundo ou o jeito sincero que ele disse aquelas palavras, mas ela sentiu os pelos de seu corpo se eriçarem ao ouvi-las.
– Me leva com você? – murmurou ao morder o lábio inferior, precisando de ar, precisando de vida, precisando de liberdade.
– O quê? – Franziu as sobrancelhas em um tom surpreso, vendo-a se aproximar ainda mais e olhá-lo com certeza.
– Me leve com você esta noite, pra qualquer lugar.
– Eu levo – Ele sorriu outra vez, fazendo a garota esboçar seu sorriso de menina e enlaçar o pescoço do britânico, que deslizou as mãos em sua cintura antes de sentir os lábios quentes beijando-o com avidez.
Andrew retribuiu com o mesmo fogo e a mesma sensação vibrante em seu peito, entrelaçando seus dedos entre os longos fios castanho da morena que puxava seus cabelos rebeldes de volta, sentindo suas línguas se tocarem e se acariciarem no gostinho delicioso que os envolveu. Ela suspirou quando precisaram afastar suas bocas para respirar; ofegantes e proibidos ao se olharem daquela maneira quente que parecia dominar os dois sempre que se viam.
E ela sorriu matreira e divertida quando subiu na garupa da moto e enroscou suas coxas entre os quadris do homem, apertando o abdômen firme por baixo da jaqueta no instante que ele acelerou e riu suavemente, avançando para as estradas de Los Angeles.
O vento acariciando seus cabelos, o som rouco da Harley, o corpo quente do inglês. Scarlett não precisava de mais nada. Era como se a guerra em sua mente se transformasse em ruínas distantes de dias difíceis, era como se nunca tivesse existido. Seus olhos se fechavam e sua cabeça se movimentava calmamente contra a brisa, contra a sensação absolutamente delirante de finalmente ter saído de sua gaiola.
Eles apenas dirigiram, apenas sentiram a liberdade das ruas e da estrada aberta camuflando seus medos, seus receios, todos os seus traumas e cada um de seus demônios. Andrew sentiu uma fagulha preenchê-lo como há anos não sentia, como há anos nem mesmo se lembrava. Scarlett viu o mundo por outros olhos.
Quantas vezes ela já não havia dirigido sozinha em seu carro pelas mesmas estradas, pelas mesmas avenidas e rodovias? Melrose parecia tão mais viva, Rodeo Drive parecia tão maior do que realmente era, a Sunset Boulevard parecia mais bela e cheia de cores e maravilhas, e Hollywood & Vine... Ah, Hollywood & Vine estava ainda mais poética e hipnotizantemente encantadora!
Era como se a jovem sempre tivesse enxergado tudo da maneira errada, como se fosse cega. Agora ela poderia admirar cada milímetro dos encantos de sua doce Califórnia.
– Está a fim de um pouco de diversão? – Andrew perguntou por cima do barulho do motor e do vento que corria contra eles, virando a cabeça suavemente na direção da garota.
– Você está mesmo me perguntando isso? – ela retrucou com uma risada divertida, fazendo-o gargalhar ao perceber sua pergunta retórica. E, então, ele acelerou através da longa e lendária Rota 66.
O céu já havia escurecido quando eles chegaram a um posto de gasolina que estava praticamente vazio e quase fantasmagórico, com apenas um caminhão e um SUV abastecendo por baixo das luzes brancas e fluorescentes das lâmpadas, e um ou dois pares de pessoas na loja de conveniência. Scarlett desceu da motocicleta assim que eles pararam para o britânico encher o tanque, olhando ao redor e percebendo que a noite havia deixado a estrada aberta levemente sombria e obscura, como se seguir por aquelas direções fosse um caminho sem volta ou um precipício tão alto que você nem conseguia enxergar o que havia lá em baixo.
– Acho que está virando rotina eu te salvar de um dia entediante – Andrew sorriu ao colocar a mangueira de volta na bomba de combustível, ganhando a atenção da morena que soltou uma risadinha.
– E, então, pra que tipo de diversão o herói vai me levar? – questionou com uma pitadinha de humor negro na voz, o que fez o homem se sentir ainda mais atiçado e divertido na presença daquela recente estranha.
– Na verdade, a diversão é que está vindo pra cá! – ele brincou, logo ouvindo os motores potentes em duas rodas se aproximando em um timing perfeito da estação de gás.
E em questão de segundos, cinco Harleys pretas preenchiam as vagas dos abastecedores e se amontoavam ali, os amigos do inglês entre conversas e risadas altas em suas calças jeans, jaquetas, coletes e toucas de couro, exceto pelas garotas em seus shorts, croppeds franjados ou camisetas de ombros caídos da Budweiser.
Andrew ria quando puxou a morena distraidamente pela cintura, encaixando-a deliciosamente ao seu lado.
– Foi mal a demora, Barnes, mas as garotas resolveram aprontar algumas pelo meio do caminho – Matt disse maliciosamente enquanto riam, aproximando-se do rapaz em um cumprimento masculino.
– Que surpresa – respondeu irônico, arrancando gargalhadas das meninas ao passo que ele puxava sua morena para conhecer a galera.
– Quem é a gata? – Brady deu uma piscadela pra ela, que riu divertida.
– Essa é a Scar, nossa nova companhia – Sorriu, apontando para os amigos em seguida. – E, Scar, esses são Brady, Katherine, Sam e Jack; os outros quatro, você já conhece.
Katherine e Nicholas supostamente eram um casal, com seus abraços de mãos bobas e olhares cheios de segundas intenções. Ela tinha uma beleza exótica e exuberante com suas longas e onduladas madeixas de um ruivo alaranjado e grandes olhos azuis na pele alva de pequenas sardas – apenas dois ou três centímetros mais baixa que o louro de pele dourada, cabelos curtos e olhos verde azulados pequeninos pelo bonito sorriso de dentes brancos e uma barba por fazer.
Sam tinha a pele amorenada e definida, traços fortes de nativo americano e mechas curtas num castanho escuro, ao passo que Jack possuía o mesmo porte alto e forte de Matt, pele de um suave bronzeado nas linhas bem definidas de seu rosto másculo com pequenos olhos e cabelos num mesmo tom claro de castanho.
A herdeira acenou com um sorriso, sendo bem recebida – principalmente ao cumprimentar Matt, Rose, Demetri e Anya, que logo tratou de inteirá-la ao grupo.
– Ah, gata, você e o garotão aqui deviam ter ficado até mais tarde ontem – A morena de olhos sedutores sorriu com seu fiel cigarro entre os dedos, oferecendo-o à garota.
– Anya, o que você andou aprontando? – O londrino perguntou com diversão, parcialmente enfeitiçado pelo jeito tentador que Scarlett tragava o tabaco.
– Nada demais, mas vocês podiam ter ficado pra uma festinha a três... – Ela esboçou aquele sorriso perigoso que era praticamente sua marca registrada, fazendo os amigos rirem e a Hathaway arquear uma de suas delineadas sobrancelhas como quem havia adorado a novidade. E ela mordeu os lábios deliciosamente com a ideia.
E eles ficaram por ali, apenas conversando como velhos amigos por alguns punhados de minutos. Todos insanos, chapados, sorridentes e perigosos. Todos livres. Eles não tinham medo – apenas uma obsessão pela vida que deixaria qualquer pessoa intrigada da cabeça aos pés, pensando se eles eram propositalmente loucos ou loucamente propositais. Era um enigma que ninguém precisava questionar.
Scarlett entregou o cigarro delicadamente aos lábios finos e macios de Andrew, sorrindo quando ele soprou a fumaça contra sua boca entreaberta e a capturou em um beijo calmo e quente. O sabor de quatro de julho continuamente ali, mostrando que a independência sempre começava com um ato de rebeldia.
E entre uma risada e outra, as garotas chamaram a jovem para irem comprar algumas bebidas e cigarros na loja de conveniência. Só havia as quatro ali, além do atendente velho e com cara de poucos amigos que lia desinteressado a algum jornal, ouvindo um som baixo da rádio local que tocava These Boots Are Made For Walking, da Nancy Sinatra.
– Ui, olha isso! – Rosalie ergueu uma revista feminina de uma das prateleiras, mostrando uma matéria de capa sobre relacionamentos quentes e BDSM, o que arrancou risadinhas das mulheres.
– Apelando pro sadomasoquismo agora, loura? – Katherine inquiriu com um sorriso ao mexer sugestivamente as sobrancelhas.
– Matt já é intenso o suficiente, por favor! – respondeu, abanando o rosto e fazendo as três rirem outra vez.
– Brady então... Nem preciso falar muito! – A ruiva murmurou maliciosamente antes de desviar seu olhar para a herdeira. – Já o Andrew, eu tenho certeza que deve ser quente!
Ela arregalou os olhos por dois segundos, logo soltando uma risada e olhando para as jovens, cheia de segundas e terceiras intenções.
– Quando provar, eu falo como é! – ela brincou com um sorriso, sendo seguida pela gargalhada alta das meninas à medida que caminhavam por um dos corredores calmos e pequenos da lojinha, a forte luz fluorescente lampejando ao redor.
Até que Scar notou Katherine lançar um rápido olhar por cima das gôndolas e se certificar que o homem continuava no mesmo lugar para, então, pegar uma garrafa de Johnnie Walker e deslocá-la suavemente para dentro de sua bolsa.
A garota conteve sua expressão surpresa, abaixando a cabeça para olhar Rose e ver que ela passava a mão em alguns biscoitos e colocava dentro da jaqueta.
– Gata... – Anya sussurrou para ela com um sorrisinho, apontando com a cabeça para alguns doces na prateleira de trás, enquanto escondia dois maços de Marlboro Reds nos bolsos de seu short jeans.
E a menina sorriu ao morder levemente o lábio inferior, agachando-se para pegar algumas balinhas e as pôr disfarçadamente dentro do vestido, não resistindo ao abrir um pirulito e colocá-lo em sua boca para sugar o gostinho doce do açúcar. No entanto, o barulhinho alto do “pop” ao tirar o doce de seus lábios fez o atendente velho e barbudo olhar na direção das garotas e ver que coisa boa elas não estariam fazendo.
Hey, o que estão fazendo aí? – ralhou com sua voz grossa e rouca, arrancando um olhar assustado e de adrenalina das garotas que riram antes de correrem em direção à porta de vidro. – Devolvam isso, suas vadias!
A herdeira tentou conter o riso com o pirulito em seus lábios, sendo arrastada por Anya enquanto corriam a passos largos até os rapazes que conversavam e riam despojados e distraídos nas motos.
– Vamos, vamos, vamos! – Rosalie gritou ao montar na garupa do veículo, seguida pelas meninas.
Eles as encararam confusos e assustados, mas ao verem o homem correr para fora do estabelecimento em busca das mulheres, rapidamente tomaram a direção de suas motocicletas – com Andrew puxando a morena rapidamente para si – e saindo em disparada enquanto aceleravam a milhas por hora na estrada aberta da Califórnia.
O vento frio ricocheteava o rosto e os cabelos dos amigos inconsequentes, a risada alta das garotas e a expressão divertida dos garotos sendo as companhias da noite escura e cheia de estrelas no céu. Scarlett se sentia verdadeiramente livre, como se o destino, os universos e o mundo pertencessem apenas a ela. Além de livre, era libertador.
A californiana tirou uma de suas mãos da cintura do jovem para o delicioso pirulito de morango em seus lábios, chupando-o rapidamente antes de deslizar seu rosto de maneira suave para frente e sorrir ao colocá-lo na boca do britânico. Ela pôde ver o sorriso formando no rosto másculo quando ele retirou a mão esquerda do guidão da moto para puxar o doce dos lábios e murmurar para a garota:
– Você é louca.
– O quê? – ela gritou por cima do alto ruído do motor contra a ventania da corrida, aproximando-se ainda mais do homem.
– Você é completamente louca! – falou num tom elevado e uma risada na garganta, ouvindo a gargalhada pura e límpida atrás de seu corpo. – E eu adoro isso!
Como resposta, a morena apenas apertou ainda mais o dorso do britânico contra o seu peito, mordendo a pele de seu pescoço e arrancando um riso dele no instante que ela roubou o pirulito dos lábios finos para colocar em sua própria língua outra vez.
Assim que chegaram a Hermosa Beach, Katherine e Rose saíram puxando Brady e Matt ao correrem pela areia da praia deserta, enquanto Anya pulava nas costas de Jack, e Sam e Demetri conversavam e riam de alguma coisa.
A herdeira sentiu o inglês puxá-la levemente para si, escorando em sua moto de frente à orla. Ela encarou os olhos azuis e brilhantes ao acariciar os cabelos claros.
– Obrigada, Andrew – sussurrou, encostando seus narizes e deixando-o se afogar no olhar verde e intenso da garota.
– Pelo quê? – perguntou confuso, deslizando seus dedos involuntariamente pelas coxas alvas.
– Por me dar tudo isso.
Ele não precisou perguntar a que ela se referia; ambos já sabiam. Tudo o que a jovem precisava era do mundo a seus pés – não o mundo em migalhas que sua classe a oferecia em uma bandeja de ouro, e sim um mundo que não tinha ninguém para lhe servir, mas que poderia oferecer de tudo.
Andrew a beijou lentamente, apreciando cada textura e pressão dos lábios e da língua quente da americana que puxava os fios de seus cabelos e fundia o corpo ao seu. E os dois sorriram quando ouviram os amigos gritarem e rirem ao acenderem uma fogueira alta e abrirem a garrafa de uísque.
Scarlett tirou seus saltos, jogando-os num canto qualquer ao se sentar entre o britânico e Anya, rindo e dividindo o gargalo do Johnnie Walker roubado à medida que ouviam as histórias de Brady fugindo da polícia de Nova York, quando morava em Coney Island. Ele e Katherine provavelmente teriam um ar que exalava tanto perigo quanto Anya e Demetri, cheios de mistérios e com seus jeitos desligados quando fumavam a maconha trazida por Sam. Jack, Rose e Matt, no entanto, eram mais desencanados – e quase lembravam o tipo “fugitivo” da herdeira que só queria escapar da realidade e encontrar um verdadeiro lar onde pudesse descansar sua cabeça.
Logo, Rosalie, Jack e Demetri pegaram as Harleys e começaram a dirigir pela areia feito loucos, com suas gargalhadas escandalosas que faziam todos se divertirem, enquanto Katherine corria e desenhava palavras no ar com um sparkler. O bastão de faíscas, formando corações e letras dos Beatles, deixava tudo com uma atmosfera encantadora e totalmente hipnotizante que, combinada à fogueira imensa e à nuvem branca dos cigarros de marijuana, parecia um sonho da Alice em seu País das Maravilhas.
E Scarlett e Andrew riram empolgados quando um Demetri chapado caiu da motocicleta em câmera lenta, rindo ao se estirar no chão e arrancando gargalhadas dos amigos quando saiu correndo com seu cocar de nativo-americano encontrado por ali, aproximando-se do casal e colocando-o na cabeça da herdeira com algum sinal de reverência que fez todos se divertirem.
– À nossa mais nova companheira! – falou animado, mas com uma voz levemente arrastada que arrancou ainda mais risadas dos parceiros.
Ela riu ao entregar seu baseado para o britânico e ajeitar o cocar grande e em tons brancos e azuis.
– É uma honra, senhores! – respondeu maravilhada e talvez levemente aérea.
Uma salva de palmas e assovios dos amigos insanos e completamente entregues a mais enlouquecedora das liberdades, fez a garota se sentir como se tivesse encontrado o lar para descansar sua cabeça.
– Adivinhem o que chegou pra mim hoje, galera! – Sam murmurou malicioso com algo em mãos e, em seguida, jogou pequenas pedrinhas de cocaína para os amigos.
– Caralho, Sam, como eu te amo! – Anya gritou com um sorriso largo no rosto de traços belos e delicados, ouvindo a risada dos outros, assim como Scar, que – apesar de ter sido uma surpresa para ela – não poderia estar mais interessada e perigosamente curiosa.
– São novinhas e estão puras, vocês vão amar!
Anya e Demetri logo dividiram uma pedra, ao quebrá-la com algum cartão de crédito idiota e enrolar um pequeno papel para dar a primeira aspirada, assim como Brady, Matt e Sam, que jogou outro pedaço para Andrew e sua garota.
A morena nem deu tempo de ele questionar se realmente queria fazer aquilo com ela ali, mas logo viu a jovem logo sorrindo misteriosamente para ele antes de pegar o pacotinho transparente e retirar a pedra de lá.
No entanto, ela hesitou por dois segundos, sem saber o que fazer ou como fazer.
– Scarlett... – O homem tentou pronunciar, confuso, intrigado e totalmente à mercê daquela mulher que o virava de ponta-cabeça.
– Venha me ajudar, Andrew – ela esboçou um sorriso lento para ele que, anestesiado por aqueles olhos grandes e verdes, sorriu de volta para a californiana e apoiou a pedra branca no plano da garrafa de uísque quase vazia.
Ele pegou o cartão prateado que agora passava pela mão de Matt, e quebrou a cocaína até virar pequenos grãos de pó, formando alguns pares de fileiras brancas e opacas. Sem precisar pensar em pegar algum papel, Scarlett retirou uma nota de cinquenta dólares de dentro do sutiã escuro, retribuindo o sorriso malicioso e divertido que o britânico lhe lançou.
E ao enrolar a nota de dinheiro e formar um pequeno canudo, Andrew deslocou-o para seu nariz, aspirando uma carreira completa e sentindo sua cabeça rodar e parecer amortecida por longos segundos. Ele apenas sorriu preguiçosamente para a herdeira, que, curiosa, pegou a nota enrolada e a colocou por cima da segunda fila do pó da cocaína, sugando com sua narina esquerda metade do conteúdo ali, podendo sentir suas cartilagens arderem enquanto sua mente entrava em um estado mórbido de prazer e embriaguez que a deixou tanto assustada quanto irremediavelmente maravilhada.
Seus pensamentos formavam pequenas nuvens nebulosas e adoravelmente coloridas em meio à sensação de poder e força que jamais a havia possuído de maneira tão intensa. Ela quase podia sentir seu peito pulsando com cada uma das batidas rápidas e erráticas de seu coração, seus músculos vibrando por debaixo da pele que parecia ter a vivacidade de mil deusas nórdicas.
Era como se ela fosse invencível.
Tudo era maior, mais forte, mais vivo, mais intenso. Eram risadas e gargalhadas altas que logo se misturavam a mais aspiradas e mais pensamentos e visões e sons que iam da mais feroz lucidez a mais inapta alucinação.
Andrew tinha um sorriso fácil no rosto – seus olhos leves e escuros de pupilas dilatadas – quando olhou para a jovem, talvez um pouco mais sóbrio que os miligramas de pó que havia ingerido outra vez, minutos atrás. Ele viu um pequeno rastro branco nas suaves maçãs do rosto da garota, que o encarou de volta, sorrindo distraída e alta.
O inglês soltou um riso baixo e deliciado, deslizando a ponta de seu polegar em sua pele alva e macia ao retirar os resquícios brancos do pó. E, então, escorregou seus dedos até os lábios cheios e avermelhados que se abriram instantaneamente e sugaram a cocaína no dedo do homem.
Ele sentiu seu membro latejar contra a calça jeans.
A língua quente da morena rodeou lentamente o polegar do britânico, prendendo-o em uma leve sucção que quase o fez gemer vergonhosamente sem ao menos estarem nus. E sem dar brechas para qualquer coisa, Scarlett colou sua boca à do misterioso Barnes, sugando sua língua, seus lábios e depois os mordiscando – sentindo a ereção do jovem pressionado contra sua intimidade coberta apenas pelo curto vestido e a calcinha de renda, assim que ela sentou em seu colo.
As mãos do londrino apertaram o rosto da garota contra o seu, puxando-a e apertando-a contra si, sentindo-a em cada lugar, em cada canto, em cada esquina das juntas furiosas de seu corpo. E enquanto ela puxava e abraçava o pescoço do homem contra seu torso, os dedos longos e firmes escorregaram maldosamente para as pernas esbeltas e desnudas contra os seus quadris, adentrando a saia maleável do vestido como se já tivesse feito aquilo infinitas vezes.
Scar suspirou em deleite contra os lábios lânguidos presos aos seus, sentindo as grandes e fortes mãos do britânico massagearem a pele macia de suas coxas, subindo displicentemente para sua bunda e a prendendo num aperto que fez a jovem soltar outro suspiro. Merda, ele era tão bom...
– Andrew – ela sussurrou de olhos fechados, infiltrando a mão direita da gola da camiseta branca do rapaz, logo abaixo de sua nuca. E pôde ouvir o baixo grunhido que ele soltou assim que as longas unhas vermelhas arranharam a pele de suas costas, subindo e descendo a linha de sua coluna num ritmo vertiginosamente embriagante.
Os olhos azuis e dilatados a fitaram outra vez, ambos os lábios esboçando sorrisos tencionados de prazer e insanidade que chegavam ao limiar do paraíso e, em seguida, retornavam à superfície terrestre.
Os amigos estavam em suas próprias dimensões, cheirando a baunilha e tomando goles de licor enquanto se iluminavam com os bastões de faíscas e corridas delirantes de motocicleta ao longo da areia clara da praia – sentindo a brisa marítima bater em seus rostos e acalentarem suas almas com cada onda que tocava a orla.
Entretanto, apesar de toda aquela maravilha de estar em uma terra desconhecida e completamente atraente, Andrew temeu pela pequena estranha que havia tropeçado em seu caminho. Seu mundo era obscuro e sem volta, era uma realidade que muitos temiam e poucos sobreviviam – e ele tinha medo de qual destino a garota que o encantara teria forças para tomar.
Scarlett, de fato, havia encontrado seu ninho e não poderia se sentir melhor. Ou, quem sabe, ela ainda fosse apenas um filhote que não estava pronto para voar sozinho?
Mas ao encarar Andrew e ver seu olhar exibindo as mais infinitas sensações que iam desde à preocupação à mais incessante das euforias, ela soube que, talvez, já era hora de se entregar ao ar livre.

“Estou cansada de sentir como se eu fosse fodidamente louca
Estou cansada de dirigir até eu ver estrelas nos meus olhos
É tudo o que eu tenho pra me manter sã, baby”


Gostaram? Hahahaha' Por favor, não deixem de comentar e me deixarem sabendo o que estão achando da história! ;)
Além do mais, quanto mais comentários, mais rápido sai o próximo capítulo!
Obrigada mais uma vez, babies!

Toodles honey
07 fevereiro 2013

Aos... 18.


Recebi esse meme da minha linda Nina Xaubet, de Storytime Storyteller's!

Em azul (cada um coloca a cor que achar melhor) está o início do que deve ser completado. No título do Meme, se encontra a minha idade!


Let's go:

DP (Original) - Capítulo 2

Hey, babies! Eu nem sei como agradecer ao carinho imenso de todas vocês e a tantos comentários. Fico muito feliz por estarem curtindo DP e espero que continuem amando! Hahahaha'
E acima de tudo, um super obrigada a minha baby Aline Bomfim, a beta de "Dark Paradise" e "Burning Red" que me ajuda tanto com as ideias e a colocar as histórias em ordem! Eu te amo, vadia.
Agora aproveitem o capítulo! Boa leitura o/

Gods & Monsters

“Numa terra de deuses e monstros
Eu era um anjo vivendo no jardim do mal
Fodida, assustada, fazendo qualquer coisa que eu precisava
Brilhando como um farol em chamas”

            Ele e tudo o que tocava tinham gosto de quatro de julho. O dia da independência estadunidense, a liberdade em suas veias e artérias, transportando um fluxo de oxigênio e energia que intrigava a todos por onde passava. Inclusive Scarlett.
            – Pra onde estamos indo? – ela perguntou pela terceira vez desde que disse “sim” à proposta e Andrew a arrastou para fora do pub, com ela lhe oferecendo o Jaguar para irem até outro ponto de Los Angeles.
            – Você não desiste, não é? – retrucou com um sorriso de lado em divertimento, desviando os olhos da estrada por um segundo para ver as íris verdes curiosas da garota. – Ok, vamos ao Old Paul’s, conhece?
            – Não – Franziu o cenho ao morder o lábio inferior; um misto de temor e excitação deslizando por seus músculos.
            – É uma espécie de pub em Hollywood, estamos chegando. – Sorriu, apreciando apenas o barulho noturno da cidade enquanto as luzes de postes e bares iluminavam o interior do automóvel caro e esportivo.
            A herdeira de fato deveria ser louca por deixar um desconhecido dirigir seu carro para um lugar totalmente incógnito, mas toda aquela adrenalina apenas servia como uma descarga de sentimentos e sensações que nunca haviam tomado seu corpo antes. Ela podia sentir a vibração e o brilho por trás dos seus olhos, o aroma do perigo e o gosto tão suave que o beijo tão recente do britânico havia deixado em seus lábios.
            Alguns dizem que genialidade e loucura são sinônimos que apenas certas pessoas podem identificar – e a morena com certeza seria uma delas. Para ela, Andrew era muito mais do que um homem que ela jamais havia visto na vida. Para ela, era o descobrimento de uma nova terra que ela apenas conhecia pela televisão e contos que viajavam em seus pensamentos desde que criara idade o suficiente para se aventurar em ideias insanas e cada vez mais sombrias.
            Scarlett não queria ser má. Ela só não queria mais trair aquela vontade irrefreável que dominava seu peito.
            – Voilà! – O inglês sorriu ao estacionar o Jaguar vermelho em frente ao pub de uma área não muito movimentada do setor, as ruas escuras e alguma música do Nirvana soando de dentro do estabelecimento.
Na calçada havia algumas motocicletas reluzentes e um grupo de pessoas fumando e conversando, incluindo duas mulheres morenas e bonitas que sorriram para o britânico assim que ele saiu do veículo, aproximando-se da herdeira.
– Está tudo bem? – ele inquiriu com um olhar confuso e levemente preocupado para ela, sem nem perceber as outras duas que o encaravam.
– Tudo ótimo! – A jovem respondeu com um sorriso largo, despojada ao engolir a pontada do sentimento que a tomou ali. Qual é? Ele era dela essa noite, vadias.
– Então vamos! – Andrew sorriu de volta, fitando-a com aqueles olhos perigosos e hipnotizantes antes de envolver a mão grande ao redor dos dedos da garota e a puxar para a entrada do pub.
E era diferente de tudo o que Scarlett já havia visto com seus próprios olhos.
O ambiente era todo revestido em madeira escura e pequenos tijolos ornamentais, a luz era baixa e escura, despontando alguns pontos dourados e azul-escuros ao redor do bar. Mesas de madeira eram dispostas por todo o enorme e sombrio salão enquanto um balcão ao fundo tinha uísques e licores dispostos nos armários de vidro atrás, com alguns barmen já preparando um drinque e outro para os clientes.
E por toda a penumbra do ambiente, era possível ver vários grupos ao redor das mesas de sinuca em alguns cantos, a fumaça dos cigarros anuviando o ar e os acordes tentadores e delirantes por baixo da voz de Kurt Cobain em Heart-Shaped Box.
De repente, ela se sentiu vestida inapropriadamente para uma ocasião.
– O que houve? – Andrew questionou com os lábios em seu ouvido, fazendo-a se arrepiar brevemente com a deliciosa sensação.
– Acho que minha roupa não condiz muito com o lugar... – ela disse com um sorrisinho sarcástico ao fitar o jovem.
Os olhos azuis desviaram do rosto da morena para seu corpo esbelto e de curvas suaves, o que fez os lábios dele se curvarem ligeiramente para cima em um sorriso provocante, embora deliciado.
– Não seja por isso.
E ao murmurar essas simples palavrinhas, os dedos do inglês se desvencilharam dos dela em direção ao cardigã caro e bonito ao redor de seus ombros; ela mordeu o lábio inferior em expectativa e curiosidade.
– Importa-se? – ele questionou sensualmente, seu sotaque banhando cada letra, à medida que a garota simplesmente arqueou uma de suas delineadas sobrancelhas com um sorriso malicioso.
– À vontade.
E sem mais qualquer questionamento, Andrew rasgou a frente do delicado casaco lilás, fazendo alguns botões saltarem enquanto a morena disfarçava um pequeno grito de surpresa, vendo as mãos grandes e firmes do homem puxarem com destreza a vestimenta de sua pele antes de embolá-la e a jogar em um canto qualquer do bar.
– Espero que ela não tenha um grande valor sentimental pra você – falou em um tom baixo, referindo-se ao cardigã ao trabalhar seus dedos nos primeiros botões da camisa branca da jovem.
– Nenhum – Ela sorriu sem conseguir tirar os olhos daquele rosto de traços fortes que escondiam os maiores segredos que sua mente poderia sequer formular.
E logo, Scarlett já poderia ser facilmente incorporada ali com a camisa expondo o vale entre seus seios e o início do sutiã preto de rendas que os cobriam, fazendo um conjunto perfeito com o short surrado e o Converse preto em seus pés. Os olhos de longos cílios e delineador, assim como os lábios cheios suavemente avermelhados, eram os finais perfeitos da peça de convite para a pureza e o pecado.
Andrew se viu totalmente absorto naquela pequena e adorável estranha.
– Então... – A garota falou divertida, colocando as mãos na cintura ao observar os olhos azuis sobre seu corpo. – Tive a promessa de uma noite com novos conhecimentos...
Ele ergueu a sobrancelha em resposta antes de esconder um sorrisinho de canto.
– Só estamos começando – Apontou com a cabeça em direção ao bar, andando com a morena em seu encalço. – Já teve uma noite com José Cuervo?
– Quem? – Ela piscou; os lábios formando um pequeno “o” assim que reclinaram até o longo balcão de madeira.
– Pelo visto não! – O britânico riu baixinho, avistando o jovem amigo de pele bronzeada e cabelos escuros na cadeira ao lado. – Paul! Quem é vivo sempre aparece!
– Barnes! – Ele se virou para abraçar o companheiro, deixando visível uma longa tatuagem ao longo de seu braço, o que logo despertou a curiosidade de Scarlett.
– Não aparece mais nem em seu próprio pub?
– Sabe como é. Os negócios paralelos sempre tomam tempo – respondeu com um olhar secreto e divertido, assim como o inglês, antes de ter sua atenção tomada pela bela morena. – E quem é esse anjo?
– Scarlett Hathaway – Sorriu maliciosa ao apertar a mão do homem de traços fortes, quase indígenas.
– Paul Miller – apresentou-se, abrindo as mãos em sinal de exuberância ao prosseguir. – Curtindo o lugar?
– Adorando cada pedaço. – ela respondeu com um sorriso provocante.
– Cara, já adorei a sua garota! – O moreno comentou em uma voz vibrante ao apertar os ombros do britânico, que riu.
– Ela agora vai conhecer o bom e velho José Cuervo – ele murmurou, olhando para a garota antes de se curvar no balcão e pedir uma dose ao barman.
– Vou deixar vocês dois à vontade! – Paul piscou. – Qualquer coisa, estarei lá em cima, Barnes.
Andrew fez um gesto para o moreno alto quando se afastou, voltando-se para a morena ao lhe entregar a forte bebida.
– O que diabos é isso? – perguntou esperta, franzindo os lábios ao fitar o líquido dourado que exalava álcool.
Ele soltou uma risada enquanto pegava a sua própria dose.
– Uma tequila mexicana pra começar a noite!
E, com isso, entornou a bebida goela abaixo sob os olhos da morena que decidiu fazer o mesmo. O rosto delicado e feminino curvou-se em uma careta ao sentir o líquido descer queimando sua garganta e sua mente girar por um segundo ou dois.
– Boa, não é? – O britânico questionou com um sorriso, deliciado com as expressões da menina.
– Parece que acabei de abraçar o capeta.
A gargalhada do homem foi alta e Scarlett sorriu de lado ao vê-lo tão despojado e leve. Ele a cativava.
Era como se Andrew Barnes despertasse todas as mensagens e recados mais ocultos escondidos em seus pensamentos, fazendo-os acordarem para um mundo novo após noites e mais noites perdidos em si em uma redoma de cristal em que nada poderia lhe acontecer. Aquela, no entanto, não era mais uma de suas madrugadas como princesa de Mônaco ou qualquer regalia luxuosa que se comparasse a ela. Aquela era sua noite como Jim Morrison.
E foi assim quando ela entornou outro gole de José Cuervo e se sentiu a própria Frida Kahlo em suas farras e competições de bebidas e noites de tequila. Foi assim quando o britânico lhe apresentou aos limões e sais como acompanhamentos e uma dose e outra de vodca enquanto contava o quanto sua vida era um saco em Bel Air, com todos os diamantes e rivieras que meninas ao redor do mundo sonhavam – sem saber que o preço que se pagava por uma vida cheia e fútil era, na verdade, um vazio coberto por poeiras de estrelas cadentes em suas mortes iminentes.
Ela era como uma estrela perdida no universo que morria lentamente, apagando-se pouco a pouco a cada dia que nascia.
No entanto, ela ganhou uma nova perspectiva quando dois casais de amigos do seu acompanhante da noite chegaram com seus sorrisos perigosos e sortidos, alguns cigarros nos lábios e shots de tequila nas mãos. Eles eram, sem dúvidas, variações de Andrew Barnes com seus jeitos “foda-se” de tratar tudo – as palavras de uma das garotas, Anya, soando repetidamente em seus ouvidos: “Viva rápido, morra jovem, seja selvagem e divirta-se!”.
Matt Standen e Rosalie Carter pareciam os mais desencanados e cheios de sorrisos brilhantes e beijos descarados entre si. Os longos cabelos lisos da loura esvoaçando a cada movimento sutil e os carnudos lábios pintados de vermelho fechando-se ao redor do cigarro, aspirando lentamente a fumaça como alguma estrela de cinema dos anos 20. Seu namorado era alto e forte, cheio de músculos e um sorriso despojado no rosto suave de olhos azuis e cabelos curtos e ondulados, no mais severo dos tons negros da noite.
Os outros dois pareciam um pouco mais absortos em suas bebidas e olhares perigosos – Anya Dobreva com seus longos e leves cachos amendoados rodeando sua cintura em sintonia com os lábios cor de vinho ao sussurrar algo no ouvido de Demetri Fuller, que possuía expressivas íris castanhas ao redor das pupilas dilatadas e rebeldes cabelos de um castanho alourado. A jovem parecia alguma deusa das antigas estátuas gregas enquanto o louro tinha um sotaque britânico tão forte quanto o de Andrew.
– Mas o que uma princesa está fazendo aqui? – Rosalie comentou com a voz suavemente áspera em um tom irônico, enquanto o moreno beijava entretido seu pescoço. – Visitando o subúrbio?
Scarlett franziu o cenho à medida que o inglês fez uma cara feia, repreendendo a loura.
– Rose!
– Deixe-me adivinhar... – Ela arqueou uma de suas delineadas sobrancelhas, curvando-se sobre a mesa ao fitar a morena e ignorar completamente a repreensão. – Revoltou com o papai e a mamãe e decidiu bancar a inconsequente por algumas horas?
– Não, eu não “banquei a inconsequente”! – A garota retrucou sarcástica ao movimentar os dedos com aspas invisíveis; os olhos verdes soltando faíscas. – Você não sabe nem um terço das coisas que eu passei, então não tente me reprimir ou me rebaixar por não pertencer a esse lugar.
A loura mordeu o interior das bochechas ao ouvir aquelas palavras, ignorando a expressão sombriamente surpresa de Andrew à resposta enquanto os outros três seguravam um risinho. Era comum de Rosalie extrapolar e querer marcar território – não que o britânico fosse algo além de um amigo, mas aquele era o seu ambiente e o seu grupo.
Logo, o inglês engatou alguma conversa com Demetri, e a morena pegou uma garrafa de Budweiser para lhe fazer companhia antes de sentir o sorriso de Matt em sua direção, fazendo-a encará-lo com curiosidade.
– Não dê muita corda pras coisas que a Rose fala, ela soa um pouco esnobe e egoísta às vezes, mas é só o jeito dela de testar você – ele murmurou com seus olhos azuis e leves sobre a garota. – Ela só não quer que você faça alguma estupidez ou acabe colocando a todos nós em encrenca.
– Matt, eu nunca...
– Eu sei, Scar – falou seu apelido em um tom gentil, arrancando um sorrisinho dela. – É assim que Andrew a chama, não é? Acho que combina mais com você; Scarlett é formal demais.
Ela riu baixinho, assentindo.
– Eu gosto de Scar.
E por mais que aquela fosse uma visão completamente diferente de tudo que já havia provado antes, a jovem gostava de tudo aquilo – na verdade, ela adorava. Poder conhecer um universo paralelo tão distinto do seu era quase como uma brisa de ar fresco em seus pulmões ou como aquela sensação de liberdade e preenchimento ao aspirar a doce baunilha da cocaína, sentindo-a lhe rasgar por dentro até encontrar o cérebro e cada uma de suas sinapses nervosas.
No entanto, nada disso se comparava ao sentimento maravilhoso de poder e curiosidade ao conhecer um pouco mais do mundo do estranho Barnes. O jeito que ele ria com alguma piada estúpida de Matt ou alguma frase indiscreta de Anya, ou o modo como ele tratava Demetri como seu “irmão de pátria” – ganhando uma leve atenção da morena ao imaginar o que teria levado um britânico como ele à ensolarada Califórnia –, ou ainda o sorriso gentil que ele sempre dava a Rose, roubando seu cigarro vez ou outra e ganhando um olhar carrancudo da loura.
Era uma face além do olhar perigoso que exalava um sinal de alerta para qualquer um se afastar. Ele era como aquela ideia da morte – todos a temiam, mas uma vez que já a tinha a sua frente e não poderia escapar, achava-a a mais bela e tentadora experiência já sentida.
E ele era lindo, mas isso era óbvio. Andrew Barnes era tão belo quanto James Dean em seus melhores dias. O porte alto, o corpo levemente musculoso, os ombros largos e fortes em uma harmonia quase divina com seus lábios finos, o sorriso largo de dentes incrivelmente brancos e alinhados, a mandíbula marcada, o nariz reto e os olhos... Ah, aqueles olhos tão azuis e profundos apoiados pelas sobrancelhas grossas e belas, alguns tons mais escuras que a cor perfeita de cobre dos revoltos cabelos.
Scarlett estava amando participar de tudo aquilo, interessada por aquele pedaço de mundo novo entregue em uma pequena bandeja de prata como uma sobremesa servida displicentemente antes do jantar. E ela queria aquele pedaço e, quem sabe, até repeti-lo.
– Então, gata, como você conheceu o nosso bad boy ali? – Anya questionou com um sorriso suave ao se reclinar na mesa redonda. Os caras haviam ido até o balcão do outro lado do bar para pegarem mais algumas bebidas.
– A gente se esbarrou no pub da Fairfax Ave e algo meio surreal aconteceu entre eu e ele que nos ligou tão de repente – Ela deu de ombros, querendo que a pequena fantasia ficasse apenas entre os dois. – Depois ele me convidou pra uma noite diferente e era tudo o que eu precisava.
– Ele é meio intimidante às vezes, não é? – Rose comentou com um sorriso ao participar da conversa das garotas, esquecendo seu ataque de minutos antes.
Scarlett surpreendeu-se de início, mas devolveu um sorriso afável à loura, apoiando os braços na mesa.
– Um pouco, sim, mas eu meio que gosto disso.
– É, ele sempre foi assim, eu acho – A outra morena murmurou, recebendo um olhar curioso da herdeira Hathaway.
– Vocês o conhecem há quanto tempo?
– Há alguns pares de anos já – Anya respondeu, acendendo um cigarro entre os lábios ao passo que a loura assentia. – Demetri o conhece há mais tempo, parece que eles viveram no mesmo lugar quando eram adolescentes.
– Como assim? Um internato ou coisa do tipo? – inquiriu confusa, ouvindo uma risada baixinha de Rosalie.
– Casa de abrigo – respondeu somente, ganhando um silencioso “oh!” de compreensão atravessar os olhos da menina. Ela imaginava que Andrew não tivera uma vida fácil, mas aquilo foi como um choque de realidade em meio à atmosfera quase inebriante.
– Então ele é órfão? – ela perguntou baixinho, com medo de as palavras soarem concretas e duras demais se ditas em um tom mais alto.
– Provavelmente, mas não sabemos de muita coisa – A loura deu de ombros, bebericando sua cerveja. – Andrew não gosta de falar sobre isso.
A jovem assentiu vagarosamente ao voltar sua atenção à Budweiser a sua frente já quase no fim. Ela já sentia sua cabeça parcialmente mais leve e fresca, mas um bichinho se remexeu dentro dela ao querer saber um pouco mais sobre o britânico que salvara de mais uma noite patética de seus sonhos. Ela queria descobrir e desvendar cada um dos fatos e segredos que Andrew tão obscuramente guardava. Seriam esses os seus demônios? Ou havia mais coisas por baixo da cobertura?
Scarlett simplesmente precisava saber. Ele a salvara e ela sentia a necessidade de fazer o mesmo.
A risada espalhafatosa de Matt, porém, levantou o olhar da garota até ele e os outros dois homens que retornavam à mesa – garrafas de Absolut na mão e olhares ansiosos nas íris.
– Uma partida de sinuca, garotas? – Demetri se aproximou com um sorriso no rosto jovial e bonito, puxando Anya da cadeira enquanto Rose e Scar se levantavam com olhares divertidos.
– E trouxemos uma surpresinha também – O britânico murmurou ao se aproximar da herdeira, sorrindo de lado ao levantar um punhado de maconha num pequeno pacotinho transparente. A garota tentou disfarçar a surpresa que brilhou em seu rosto num misto de susto e curiosidade.
– Manda aí, Andrew! – A loura exclamou com uma expressão travessa, retirando alguns papéis de seda do sutiã por baixo do vestido curto e preto, logo começando a preparar seu fumo ao escorar na mesa de bilhar oposta à que começariam a jogar.
Demetri e Anya separavam alguns shots de vodca com sorrisos nos rostos e um beijo e outro nos lábios à medida que o inglês conversava algo com Matt ao pegarem os tacos de sinuca e prepararem as bolas enumeradas na mesa.
A morena entornou uma dose da bebida vulcânica e translúcida antes de se encostar à mesa ao lado de Rose e observar a primeira tacada de um Andrew sorridente e perigoso. Ele era ainda mais lindo e fodidamente sexy ao lançar aquele olhar sobre as sobrancelhas e fazer Scarlett sorrir e morder a almofada do polegar para conter o formigamento que descia até seu baixo ventre.
– E aí, Grace Kelly, vai querer? – A mulher de cabelos dourados perguntou em um tom baixo e quente para a menina; os olhos cor de violeta fumegantes por trás da suave tragada em seu cigarro.
A morena apenas deu de ombros ao pegar a tira de seda e espalhar com cuidado a erva, antes de depositar o saquinho na borda da mesa. Os dedos finos e com as longas unhas em um vermelho vibrante enrolaram com destreza o papel e, ao olhar para cima e fitar as pupilas dilatadas do inglês hipnotizado com cada movimento seu, ela lambeu gentilmente todo o comprimento do pequeno baseado para finalizar seu fumo.
Andrew teve que controlar o aperto em seu jeans ao observar a cena, ainda sem desviar o olhar no instante em que a garota queimou a ponta do papel e, então, finalmente tragou lenta e excitantemente o cigarro que havia acabado de preparar – e ela sorriu ao sentir a fumaça quente sair de seus lábios cheios ao ter o gosto da marijuana em cada ponta de sua língua.
O homem se aproximou devagar ao entregar seu taco para Anya fazer a jogada, e Scar se sentou em cima da mesa de bilhar enquanto ele rodeava a que estava jogando até parar ao lado da morena de olhos verdes. O olhar arrasador do britânico fez a jovem se arrepiar ao sentir o cheiro de uísque vindo dele à medida que ela tragava a maconha.
E sem dizer qualquer palavra, a morena simplesmente ofereceu o baseado pra Andrew, sentindo os dedos longos e quentes tocando os seus antes de ele abocanhar e sentir a erva em seus poros, soprando a fumaça logo em seguida. Assim ficaram durante um cigarro ou dois, apenas assistindo o grupo de amigos rindo e fumando ao jogarem sinuca e fazendo um comentário e outro, com Andrew lhe sussurrando alguma conversa ao pé do ouvido e a fazendo suspirar quando sentia o sabor da boca do homem ao redor do baseado sempre que tragava outra vez.
– Eu adoro o jeito que você me olha enquanto eu trago – ela murmurou com um sorriso ao entrelaçar o baseado em seus dedos e sentir a nuvem branca ao redor.
– Que jeito? – O jovem sorriu de lado, movendo seu corpo e ficando de frente à linda menina, apoiando-se em suas mãos de cada lado dela.
Com suavidade, Scarlett puxou a marijuana novamente em seus pulmões, soprando a fumaça vagarosamente contra os lábios do britânico.
Esse jeito – ela explicou em um sussurro. – Me faz arrepiar.
Assim? – perguntou baixinho, deixando seus dedos caírem nas coxas da garota e separá-las em um movimento lento que pingava sensualidade, ficando ainda mais perto do corpo pequeno e trêmulo enquanto deslizava a ponta de seus indicadores ao longo dos braços alvos.
– Sim... – A morena suspirou, fechando os olhos ao se apoiar nos ombros largos cobertos pela jaqueta de couro.
E o nariz reto e gentil traçou cuidadosamente o pescoço feminino que cheirava a frésias e primavera, alcançando sua orelha ao sussurrar:
– Vamos ficar sozinhos.
Por favor... – ela disse em um choramingo, sentindo as mãos grandes do inglês a puxarem para fora da mesa segundos antes de flutuar com ela para as portas dos fundos do pub escuro e acolhedor.
O beco estava vazio e era iluminado apenas pela luz dourada de uma luminária ao longe; o som abafado de alguma música do Bruce Springsteen vindo do bar enquanto o inglês puxava a californiana até uma motocicleta preta e reluzente ao melhor estilo Harley-Davidson.
– Andrew, você sabe de quem é essa moto? Não podemos chegar assim...
Shhh... Ela é minha, eu sempre deixo aqui no Paul quando quero caminhar pra espairecer – ele sussurrou contra os lábios da garota ao escorar no assento do veículo e puxá-la pelos quadris em sua direção.
– Então você é como aqueles motoqueiros inconsequentes? – ela brincou com um sorriso arrastado em sua boca, deslizando carinhosamente o cigarro de cannabis entre os lábios do britânico.
– Não, eu só gosto do vento no meu rosto às vezes... – Sorriu de canto ao dar de ombros, pensando que, pela primeira vez em muito tempo, ele se sentia realmente bem sem estar embriagado para pensar na vida – ou fugir dela.
Era inegável que Scarlett era como uma anfetamina em cada uma de suas células, com seu jeito inocente e intocável que apenas o fazia se sentir mais desejoso e com vontade de lhe oferecer o mundo. Ela o fez viciar muito mais rápido que muitos tipos de drogas que já havia experimentado.
Ela era linda e naturalmente sensual ao esboçar um suave sorriso enquanto ele segurava o baseado em seus lábios avermelhados e a via tragar calmamente o sabor da maconha, admirando cada uma de suas reações pós-êxtase no instante em que ele deixava o fumo descansar de volta em seus dedos apoiados na motocicleta.
Mas quando ela abriu os grandes olhos verdes para fitá-lo de volta, foi como se a órbita tivesse parado por um instante. Aquelas íris tão profundas e capazes de ler seus mais impuros pensamentos, envoltas daqueles longos cílios negros e o delineador curvado sobre as pálpebras.
Linda... – ele moveu os lábios em um murmúrio, sentindo o rosto da jovem tão próximo do seu e exalando aquele perfume embriagante.
E Scarlett colou os lábios aos seus.
A maciez contra a sua pele a fez delirar à medida que o homem esquecia o cigarro que segurava, enterrando os longos dedos de uma das mãos entre os cabelos castanhos da jovem enquanto a outra puxava a cintura fina para mais perto de si.
Ela suspirou ao sentir a língua áspera e quente lamber sensualmente seu lábio inferior, fazendo-a entreabrir a boca vermelha e sugá-la de volta e entrelaçar suas línguas em um beijo exasperador. Os dedos finos embromaram-se nos fios acobreados do britânico, trazendo-o, puxando-o, fundindo-o em cada uma de suas terminações nervosas, ouvindo o baixo gemido que ele soltou assim que ela sugou seus lábios antes de deslizar suas bocas juntas outra vez.
A mão esquerda de Andrew desceu suavemente rumo aos quadris da jovem, apertando a bunda firme e deliciosa em seus dedos antes de retornar para cima, desta vez, por baixo do tecido. Ela suspirou ao sentir o toque quente e másculo subir pela sua espinha, fazendo seus pelos se eriçarem quando ele caminhou de volta na ponta dos dedos.
Os lábios do inglês descolaram ofegantes dela, descendo pela mandíbula e o pescoço com beijos molhados e pequenas sucções que fez Scarlett puxar os cabelos cor de cobre em prazer, arranhando a pele da nuca do homem e o pescoço por baixo da jaqueta. Ele mordiscou sua jugular quando ela o puxou de volta e colou novamente sua boca à dele.
O sabor da maconha e algo como uísque e vodca vibrava em suas línguas, fazendo-os nunca se contentarem o bastante e quererem mais e mais um do outro, apertando-se, beijando-se, sentindo cada uma de suas fibras elétricas nas peles de seus corpos. Eles não se importavam com o que o mundo pensava ou agia, eles só queriam experimentar um ao outro e ter aquele pedaço de paraíso que haviam acabado de descobrir.
E o tempo mal importava quando se tratava dos dois naquela noite de amassos quentes e proibidos em um beco perdido de algum canto de Los Angeles, longe das etiquetas de Bel Air ou da vida perdida no Historic Core da cidade.
– Já está quase na hora de eu voltar pra casa – ela sussurrou entre um beijo e outro, àquela altura já sentada no colo do britânico enquanto se equilibravam na motocicleta.
Ele meneou a cabeça em negação, mordendo o lóbulo de sua orelha coberto por pequenos diamantes, ouvindo-a soltar um gemido baixinho contra seu rosto.
– Vamos à praia antes – O jovem murmurou, encarando-a profundamente nos olhos ao vê-la deslizar as pontas dos dedos pelos lábios dele.
Ela assentiu com um sorrisinho travesso, concordando com um suave “okay” que o fez sorrir de volta. E, montando no veículo reluzente de duas rodas, Andrew acelerou ao pilotar pelas ruas de Hollywood rumo à orla, sentindo a morena apertá-lo contra seus braços e resistir à leve pressão entre suas coxas deliciosamente coladas uma a outra.
O céu ainda estava escuro e com alguns pontinhos de estrelas pairando em um canto e outro, a cidade em uma atípica calmaria com as luzes dos postes acesas e um estabelecimento ou outro aberto. As longas ruas e avenidas praticamente vazias, algum som calmo de jazz ao longe e o vento batendo nos cabelos castanhos de Scarlett eram exatamente o que ela precisava para se sentir em paz naquele momento.
Ela apertou o corpo quente do britânico contra o seu assim que avistaram a costa ao longe, estacionando em algum canto vazio próximo à praia e caminharam lentamente e em um agradável silêncio pela areia fina e clara que beijava o Pacífico. A escuridão fazia com que apenas o som das ondas quebrando na orla fosse a única indicativa de que o mar estava tão próximo, assim como o cheiro salgado que exalava vida e harmonia vindo da água.
            Sentado na areia em meio à penumbra da noite, Andrew vasculhou o bolso interior de sua jaqueta de couro, tirando o pacotinho restante de cannabis e mostrando à californiana, que sorriu ao olhar para ele.
            – Mais um? – A voz rouca e suave soou em um tom baixo, o que fez a dama assentir enquanto pegava a erva e a tira de seda entre seus dedos, preparando calmamente um novo fumo.
            Os olhos de águia do inglês acompanharam cada movimento da morena, semicerrando-se em desejo ao vê-la deslizar sua língua ao longo do papel enrolado em um pequeno cigarro antes de queimar sua ponta e dar a primeira tragada profunda e lentamente na maconha.
Aquilo era mais sensual do que a mais bela pose da Marilyn Monroe.
            – Onde você aprendeu isso? – ele questionou suavemente ao aceitar o cigarro oferecido por ela, embriagando-se com a fumaça saindo de seus lábios. – Não era pra você ser, supostamente, uma garota inexperiente?
            Ela riu baixinho com o tom irônico, embora deliciado, que ele murmurou.
            – Os jovens da alta sociedade americana sabem muito mais do que mostram – Sorriu, arqueando uma sobrancelha ao descansar os braços sobre as pernas, brincando com alguns grãos de areia.
            – E você aprendeu como? – perguntou, tragando novamente ao admirar o belo resto distorcido em feições confusas.
            – Festinhas do pijama na época do colegial – Deu de ombros, sorrindo nostálgica. – Eu e minhas amigas alugávamos filmes, comprávamos licor de morango e Brigitte sempre tinha maconha escondida.
            – Estou surpreso! – Ele riu, fazendo-a empurrá-lo suavemente antes de pegar de volta o fumo.
            – Depois comecei a faculdade, Brigitte foi morar na França e algumas amigas decidiram mudar para “virarem exemplos” – A jovem revirou os olhos, encarando Andrew. – Eu fui uma delas, e acabei tendo que mentir até pra mim mesma.
            – O que tem no seu mundo que o faz ser tão ruim, Scar? – O britânico perguntou em um quase sussurro, curioso, preocupado, sem saber o que conter em seu peito.
            Os olhos verdes da garota apenas o encararam de volta, perdidos, como uma criança que esquece o caminho de volta para casa. Ela engoliu em seco enquanto as íris ficavam marejadas, respirando fundo ao dar de ombros outra vez.
            – Eu não sei, Andrew – Seus lábios tremeram, a voz embargada. – Eu só me sinto presa.
            – Presa a quê?
            – A tudo – ela meneou a cabeça; os grandes olhos fazendo o homem prender a respiração com a dor que encontrou ali. – Eu me sinto presa a tudo, Andrew.
            Ele não respondeu ou tentou confortar a jovem com alguma palavra estúpida de autoajuda. Ele somente se aproximou calmamente do corpo pequeno e tão delicado, deslizando seus dedos em um ritmo quase delirante pelo rosto da garota, seguindo por seus cabelos longos suavemente ondulados, acariciando sua nuca ao vê-la fechar os olhos em conforto.
            – Tão quebrada... – ele sussurrou com a alma em destroços, notando, pela primeira vez em anos, que a dor atingia alguém além dele mesmo.
E, então, ele colou seus lábios quentes aos da morena, sem pressa, sem pedidos, sem questionamentos. Apenas sentindo a textura tão suave e pura dos lábios que carregavam uma vida de palato tão agridoce.
            O que a doce Scarlett Hathaway havia feito com o forte Andrew Barnes?

“Você tem aquele remédio que eu preciso
Narcótico, atire-o direto no coração, por favor
Eu não quero realmente saber o que é bom pra mim”


E então, o que acharam? Estou curiosa pra saber se estão gostando.
Andrew um verdadeiro mistério, nossa Scar quebradiça... E os amigos tanto quanto diferentes! Hahahaha' Estão curtindo esse clima da história?
Espero que tenham gostado, de coração. Comentem e logo, logo trarei o próximo capítulo!
Fiquem com Deus, seus veadões!
Toodles honey
 
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